FENAM: 44 anos em defesa dos médicos e da Saúde do Brasil

O que durante muitos anos era apenas um ideal para um pequeno grupo de médicos, que tinham como meta unir a categoria e torná-la mais forte em torno das conquistas que se faziam necessárias, passou a ser realidade em 30 de novembro de 1973. Foi quando dirigentes dos Sindicatos Médicos do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco, liderados pelo Dr. Charles Naman Damian, fundaram a Federação Nacional dos Médicos (FENAM), que em 2017 completa 44 anos de luta em defesa dos interesses dos médicos.


Dr. Charles Damian ocupou o cargo na presidência da entidade até o dia de seu falecimento, em 1985. A primeira sede se localizava no mesmo local que o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ) e, apenas alguns anos depois, passou a ter sede própria. Criada em um período de turbulências históricas devido à ditadura militar, em que os sindicatos eram tidos como adversários políticos, a FENAM só obteve sua Carta de Reconhecimento, após o fim do duro mandato de Médici na presidência da República e iniciado o governo de Geisel, quando o regime passou a fazer algumas concessões.

O dermatologista Narciso Haddad Netto foi tesoureiro da entidade durante os primeiros dez anos de vida da Federação. Pouco antes de falecer, ele concedeu entrevista à assessoria de Imprensa da FENAM e se emocionou ao lembrar de uma data: 28 de maio de 1975. Foi quando a Federação recebeu a Carta de Reconhecimento do Ministério do Trabalho, fundamental para a consolidação da entidade e para a conquista de algumas de suas vitórias mais importantes: a fundação de 24 sindicatos médicos, de Norte a Sul do país, em dez anos (quando a FENAM foi criada, só existiam seis representações sindicais da categoria em todo o Brasil); a produção de um informativo, primordial na difusão do trabalho da entidade; um cadastro com mais de 160 mil médicos, além da aquisição da sede própria, no Centro do Rio de Janeiro.

“Diversas diretorias do sindicato já haviam tentado, por longos anos, fundar a Federação Nacional e tirar a carta sindical. Quando assumimos o Sindicato dos Médicos do Rio, colocamos a criação da FENAM entre nossas prioridades, pois era uma necessidade para unir os médicos em todo o Brasil. Além disso, a Federação teria representatividade na Confederação Nacional dos Profissionais Liberais (CNPL) e na Confederação dos Médicos. Com isso, formaríamos uma união mais forte com os profissionais de nível superior”, relatou Narciso Haddad.

A solenidade de entrega da carta sindical reuniu, no Rio de Janeiro, o primeiro presidente da FENAM, Charles Damian, e toda a sua diretoria, com algumas das mais importantes autoridades do governo como Francelino Pereira, então ministro do Trabalho. “Foi uma ocasião muito marcante, um grande avanço na nossa luta, principalmente no que se refere à situação salarial e à união. Os salários estavam emperrados há muitos anos e a categoria era muito dispersa. Havia, ainda, uma divergência entre a área legal, representada pelos conselhos regionais, e as entidades, que reuniam as áreas científicas. Um entrava na área do outro, mas com a FENAM conseguimos unir todos eles: associações, sindicatos e conselhos”, contou Narciso Haddad Netto.

No final da década de 70, o Movimento de Renovação Médica (Reme), liderado por Roberto Chabo, passou a frequentar as reuniões da FENAM. Chabo, ex-presidente do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, liderou inúmeros protestos durante a ditadura para denunciar as precárias condições de trabalho da categoria, somando quase 60 dias de paralisação e sendo considerada a maior greve médica do Brasil. Por conta disso, ele foi preso e levado por agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), sendo solto quatro dias depois por força de protestos da categoria e de outros setores da sociedade. Roberto Chabo, em 1987, assumiu a presidência da FENAM.

Após a redemocratização e da promulgação da Constituição Federal de 1988, que assegurou mais direitos aos sindicatos, a FENAM, no ano de 1991, estabeleceu eleições diretas dentro da entidade. O primeiro presidente eleito foi Tito César dos Santos Nery no ano de 1998. Essa eleição, entretanto, provocou divergências e, devido à discordância de alguns membros, foi criada a Confederação Médica Brasileira. A FENAM e a CMB se unificaram novamente em 2004, fortalecendo ainda mais a entidade e a união da categoria.

Durante a gestão de Paulo Argollo Mendes, de 2008 a 2010, a FENAM tomou a importante decisão de mudar a sua sede e sua estrutura de funcionamento para Brasília, a fim de estar mais próxima dos órgãos do poder público.

Para Dr. Jorge Darze, atual presidente da FENAM, o movimento médico nacional foi afetado pela atual crise instalada no país. “Ficou evidente que os médicos tiveram seus direitos afetados diretamente pelas reformas trabalhistas, previdenciárias, e além do desfinanciamento da Saúde, a privatização do setor e outros graves problemas”, disse.
Para ele, os desafios são grandes, mas serão vencidos. O maior objetivo, principalmente após a reforma trabalhista, é unificar o movimento sindical. “Não é uma tarefa fácil, mas deve ser perseguida até que se conclua o processo de reunificação e participação”, lembrou.

O dirigente reforça ainda a necessidade de conscientização de cada médico, para que todos lutem junto com a FENAM e demais instituições. “Precisamos ter uma maior articulação junto à Associação Médica Brasileira (AMB), Conselho Federal de Medicina (CFM), e demais sindicatos de todo o Brasil para que nos ajude no enfrentamento da luta.”

O presidente lembrou também que a FENAM apoia a Frente Parlamentar da Medicina, lançada no dia 19 de outubro deste ano, que é um instrumento utilizado no Congresso Nacional, no qual um grupo grande de parlamentares concorda em atuar na defesa de objetivos. “Estamos na luta incansável para fazer a FENAM ainda mais presente nas lutas e debates que acontecem em todo o Brasil. Atuamos para garantir o direitos dos médicos, a implantação do piso (R$ 13.847,93) e consulta FENAM (R$ 170,00), pela democratização no ambiente de trabalho na saúde suplementar, pela consolidação da nossa presença em defesa da residência médica, além do canal de comunicação efetivo junto ao Congresso Nacional”, finalizou.

Veja o histórico da presidência FENAM:

1. Dr. Charles Damian 1973 – 1985
2. Dr. Francisco Xavier Beduschi 1985 – 1987
3. Dr. Roberto Chabo 1987 – 1991
4. Dr. Euripedes Carvalho 1991 – 1998
5. Dr. Tito César dos Santos Nery 1998 – 1999
6. Dr. Heder Murari Borba 2001 – 2004
7. Dr. Waldir Araújo Cardoso 2004 – 2005
8. Dr. Eduardo Santana 2006-2008
9. Dr. Paulo Argollo Mendes 2008 – 2010
10. Dr. Cid Célio Jayme Carvalhaes 2010 – 2012
11. Dr. Geraldo Ferreira Filho 2012 – 2015
12. Dr. Otto Fernando Baptista 2015 – 2017
13. Dr. Jorge Darze – Atual presidente

Fonte: FENAM



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