O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) recebeu uma série de denúncias nos últimos meses sobre condições de trabalho precárias dos profissionais da Medicina que atuam no município de Paranaguá, em especial na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
São denúncias de assédio, em que os gestores e “fiscais” estariam pressionando os profissionais para que atendam mais pacientes em menos tempo, para que se alcance uma “boa produtividade”, como se os médicos fossem máquinas, e os pacientes, mercadoria.
Os relatos apontam que esses “fiscais”, que não teriam qualquer formação na área da saúde, alteram a fila de atendimento dos pacientes, desfazendo a ordem de espera baseada na gravidade os casos, segundo o protocolo de avaliação de risco clínico.
Vale lembrar que os profissionais da Medicina têm autonomia garantida para definir o tempo de cada consulta, baseados na gravidade e complexidade de cada caso. Uma consulta mal feita, de forma apressada, pode resultar em erro e em risco para a saúde e a vida do paciente.
É compreensível que a Administração Municipal deseje diminuir as filas e o tempo de espera na UPA, mas isso não deveria ser feito através de assédio e ameaças contra os profissionais da Saúde. Eventuais erros médicos cometidos em função da pressa e da falta de atenção podem destruir a carreira de um profissional, e pior: podem custar a vida de cidadãos.
Também foram recebidas denúncias de que os horários de refeição e descanso estariam sendo desrespeitados e que o ambiente para descanso é precário e insalubre.
As denúncias recebidas pelo Simepar motivaram a visita de um Diretor do Sindicato, o Dr. Brasil Vianna Neto, que esteve na UPA de Paranaguá no mês passado; confirmando a precariedade das condições de trabalho dos profissionais da Medicina.
Para avançar na solução dos problemas apontados pelos Médicos e Médicas, o Simepar protocolou um pedido de mediação junto ao Ministério Público do Trabalho. No pedido, foram elencados os seguintes problemas para mediação: Assédio moral pelos controladores de fluxo/fiscais e gestora de escala; inobservância do intervalo para refeição dos médicos; local de descanso precário; e a diferença salarial entre os médicos.
Este último ponto, da diferença salarial, se deve ao fato de que os profissionais da medicina concursados, que são servidores públicos municipais, sofreram um corte drástico em seus vencimentos desde o começo deste ano. Acontece que a Prefeitura parou de pagar uma gratificação que estava inclusive prevista no edital do concurso público dos profissionais.
Além da mediação junto ao Ministério Público do Trabalho, o Simepar também iniciou as tratativas com a Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá (FASP) para que seja firmado um novo Acordo Coletivo de Trabalho que garanta o reajuste, os benefícios e a segurança das Médicas e Médicos contratados pela FASP.



