A Prefeitura de Curitiba retomou o uso de biombos (baias) como consultórios em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba. Esses espaços são utilizados para consultas médicas, mas não oferecem privacidade, segurança e muito menos a ergonomia necessária para o trabalho dos profissionais da Medicina no atendimento à população.
As baias não têm nenhum tipo de isolamento acústico, inviabilizando o sigilo médico. Não há mesa nem cadeira para que o/a médico/a possa sentar e realizar seu trabalho de registrar o atendimento e gerar uma receita. As unidades não têm sequer uma porta, mas somente cortinas.

Esse modelo de “consultório” está funcionando nas UPAs do Boqueirão, Pinheirinho e Fazendinha. Relatos dos profissionais apontam que o mesmo formato deve ser implantado na UPA do Cajurú e, talvez, em outras Unidades.
As baias como “consultórios” não são novidade nas UPAs de Curitiba. Em 2021, durante a pandemia da Covid-19, a Prefeitura ensaiou a primeira investida nesse modelo. Naquela ocasião, o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) enviou uma notícia de fato para o Ministério Público do Trabalho (MPT). O MPT acionou a Prefeitura de Curitiba que se comprometeu a parar de usar esse formato de “consultório”. Agora, as baias estão de volta.
Para o Dr. Alceu Pacheco Neto, Diretor do Simepar, esse formato de “consultório” prejudica a qualidade do atendimento médico e até a saúde dos profissionais. “Não há condições de cumprir plantões de 12 horas de pé, sem o mínimo de ergonomia e conforto. Esse formato também prejudica o atendimento, pois não há nenhuma privacidade para que se estabeleça a relação médico-paciente.” Completou o Dr. Alceu.
O Simepar levará o assunto para a comissão de negociação que o Sindicato mantém com a Fundação Estatal de Atenção à Saúde de Curitiba (FEAS). Caso a situação não seja resolvida, outras medidas devem ser tomadas para que as Médicas e Médicos tenham condições adequadas de trabalho.



