A Prefeitura de Curitiba iniciou na última quarta-feira (29/07/2026) a liberação dos primeiros mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, tecnologia inovadora que reduz a capacidade de transmissão das arboviroses, que também incluem zika e chikungunya. A iniciativa passa a integrar o conjunto de estratégias para prevenção e controle dessas doenças.
Como a Wolbachia funciona
A bactéria dificulta o desenvolvimento dos vírus dentro do Aedes aegypti. Quando os wolbitos se reproduzem com mosquitos locais, a Wolbachia passa aos descendentes e aumenta gradualmente a parcela de insetos com menor capacidade de espalhar doenças.
O método não envolve modificação genética. A Wolbachia existe naturalmente em muitas espécies de insetos, embora não apareça de forma natural no Aedes aegypti.
No Sítio Cercado, uma área receberá mosquitos adultos soltos por equipes; outra usará dispositivos com ovos, água e alimento. Armadilhas e análises laboratoriais acompanharão qual estratégia funciona melhor nas condições urbanas de Curitiba.
A implantação do método na capital é resultado de uma cooperação técnica entre a Prefeitura de Curitiba, por meio da SMS, e a empresa curitibana Wolbito do Brasil – IBMP/Fiocruz Paraná.
A soltura dos chamados Wolbitos – mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia – vai ocorrer ao longo de 26 semanas. Inofensivos às pessoas e ao meio ambiente, os wolbitos liberados acasalam com os Aedes aegypti locais, repassando a bactéria para os descendentes e estabelecendo, aos poucos, uma nova população sem os vírus.
Aplicado em cidades brasileiras e em outros 14 países, o Método Wolbachia já apresentou resultados expressivos. Em Niterói (RJ), contribuiu para a redução de até 89% dos casos de dengue, consolidando-se como uma importante ferramenta complementar às ações tradicionais de combate ao mosquito.
Observadores internacionais
Durante a soltura dos Wolbitos no Sítio Cercado, observadores internacionais de países como Arábia Saudita, Sri Lanka, Bangladesh, Laos, Peru, Senegal, Omã, Filipinas e Tailândia acompanharam a ação em Curitiba. Eles estavam acompanhados de Scott O’Neill, CEO da World Mosquito Program (WMP), organização australiana responsável pelo desenvolvimento da Metodologia Wolbachia, aplicada hoje na fábrica da Wolbito do Brasil na CIC.
“São representantes de órgãos públicos, universidades e instituições de cooperação de nove países que estão interessados em adotar a metodologia inovadora que começa a ser usada em Curitiba e que já se mostrou um sucesso em várias partes do mundo”, observou O’Neill.
Estratégias de liberação
O diretor da Wolbito do Brasil, Sandro Luz, conta que a liberação dos mosquitos com Wolbachia no Sítio Cercado utiliza duas estratégias: uma por meio de ovos, acondicionados em DLOs (dispositivos de liberação de ovos) e, outra, com a soltura de mosquitos adultos mantidos em garrafinhas. “Essa metodologia permite comparar, em condições reais e dentro de um mesmo território, no caso o bairro Sítio Cercado, o desempenho das duas formas de implantação, produzindo evidências que poderão orientar futuras expansões do programa”, complementa ele.
Com informações da Prefeitura de Curitiba.



