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Covid-19: Brasil já confirmou dois casos da variante Deltacron, diz ministro

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, confirmou, hoje (15), que o Brasil já registra dois casos de pessoas infectadas por uma variante do novo coronavírus, a Deltacron.

A nova cepa combina características genéticas da Ômicron e da Delta e vem sendo monitorada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o início do mês, quando os primeiros casos foram identificados na França.

“Nosso serviço de vigilância genômica já identificou dois casos no Brasil. Um no Amapá, outro no Pará”, disse o ministro a jornalistas, ao chegar ao ministério.

Queiroga destacou que, em um contexto de pandemia, no qual um vírus se espalha com maior facilidade entre a população, se replicando velozmente, as probabilidades dele sofrer mutações aumentam. Segundo ele, isso demonstra a importância da população se vacinar.

“Esta variante [a Deltacron] é considerada de importância e requer o monitoramento”, acrescentou Queiroga, assegurando que, mesmo com a “desaceleração” do surgimento de novos casos da covid-19 em todo o país, as autoridades sanitárias devem continuar vigilantes.

“Tudo que acontece nos outros países, nós observamos. Monitoramos todos os casos, e isto é fruto do fortalecimento da capacidade de vigilância genômica no Brasil – [fruto] dos fortes investimentos que o governo federal fez após a pandemia”, acrescentou o ministro.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre a tarde de domingo (13) e o fim da tarde de ontem (14), foram confirmados 11.287 novos casos de covid-19 no país, e 171 mortes em decorrência da doença.

Aos sábados, domingos e segundas-feiras, os números contabilizados tendem a ser menores que os dos demais dias da semana devido à dificuldade das secretarias de saúde dos estados e municípios repassarem informações. Mesmo assim, os resultados gerais indicam uma melhora da situação.

Com este cenário, vários estados e municípios já flexibilizaram medidas de controle sanitário, como a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção.

“O STF [Supremo Tribunal Federal] delegou a estados e municípios a prerrogativa de, de maneira complementar à União, dispor a respeito do uso de máscaras. Não se trata de obrigar as pessoas a não usar máscaras, mas sim de desobrigar o uso. E isto depende do cenário epidemiológico [local]. É preciso fazer isto de forma inteligente. Por exemplo, mesmo o número de casos estando desacelerando, é recomendável continuarmos usando as máscaras em hospitais. Pessoas imunocomprometidas e indivíduos que passaram por um transplante também”, finalizou o ministro.

Matéria da Agência Brasil.

Número de mortes globais por Covid-19 pode ser três vezes maior do que os registros oficiais, indica estudo

Uma revisão sistemática publicada na última quinta-feira (10) na Revista Lancet mostrou que o número de mortes por Covid-19 no mundo pode ser o triplo do que os registros oficiais indicam, chegando a 18,2 milhões de pessoas até o final de 2021, contra os 5,9 milhões divulgados oficialmente.

Essas são as primeiras estimativas globais revisadas por pares sobre o excesso de mortes relacionadas à doença, baseadas nos dados de 74 países e 266 localizações subnacionais, inclusive o Brasil, entre 1 de janeiro de 2020 e 31 de dezembro de 2021.

A subnotificação é calculada a partir da diferença entre o número de mortes registradas por todas as doenças e o número esperado com base em tendências passadas – e é uma medida fundamental para avaliar o verdadeiro número de óbitos da pandemia. Na ciência, esse conceito é chamado de “excesso de mortes”.

De acordo com o estudo, a taxa de mortalidade não contabilizada é estimada em 120 mortes por 100 mil habitantes em todo o mundo, e estima-se que 21 países tenham taxas de mais de 300 mortes por 100 mil habitantes.

A região com mais mortes subnotificadas é o Sul da Ásia, com 5,3 milhões, seguido pelo Norte da África e Oriente Médio (1,7 milhão) e Europa Oriental (1,4 milhão). Em relação aos países, as maiores estimativas ocorreram na Índia (4,1 milhões), Estados Unidos (1,1 milhão), Rússia (1,1 milhão), México (798 mil), Brasil (792 mil), Indonésia (736 mil) e Paquistão (664 mil). “Esses sete países podem ter sido responsáveis ​​por mais da metade do excedente global de mortes causadas pela Covid-19 no período de 24 meses”, apontam os autores.

A proporção de mortes não relatadas em relação às relatadas é muito mais elevada no sul da Ásia (9,5 vezes maior) e na África Subsaariana (14,2 vezes maior) do que em outras regiões. Segundo os autores, as diferenças podem ser explicadas pela falta de testes de diagnóstico e problemas com a notificação de mortes por Covid-19.

Para os pesquisadores, o fortalecimento dos sistemas de registro de óbitos no mundo é essencial para melhorar o monitoramento dessa e de futuras epidemias e pandemias. “Além disso, mais pesquisas são necessárias para ajudar a distinguir a proporção de excesso de mortalidade causada diretamente pela infecção por SARS-CoV-2 e as mudanças nas causas de óbito como consequência indireta da pandemia”, afirmam. Entre os efeitos indiretos, estão pessoas que não tiveram Covid-19, mas morreram em decorrência da falta de atendimento médico em hospitais superlotados.

Matéria do Instituto Butantan.

Paraná planeja pós-pandemia com cirurgias eletivas, vacinação e saúde mental

Matéria do Portal Bem Paraná

O aumento de casos de Covid por causa das aglomerações de Carnaval felizmente não chegou ao Paraná, pelo menos por enquanto. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) de sábado (12) revelam que a média móvel de casos está em 2.052 nos últimos sete dias, uma queda de 65,7% em relação a 14 dias atrás. A média móvel de mortes está em 12, uma redução significativa de 55.9% em relação a 14 dias trás.

Além de planejar a flexibilização das máscaras em espaços abertos, que já está em discussão na Assembleia Legislativa, a Sesa já definiu as áreas prioritárias no pós-pandemia. A retomada das cirurgias eletivas e a ascensão da Saúde Mental e Atenção Primária – porta de entrada do cidadão ao SUS –, são alguns dos focos principais nesta fase.

A Covid-19 levou muitos usuários a deixar de dar continuidade aos tratamentos médicos de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) por medo de contrair a doença. Agora o desafio é fazer com que esses usuários voltem a frequentar os serviços. Investir no atendimento primário é uma tarefa a ser encarada nos próximos anos.

“A pandemia trouxe muitos desafios para a saúde no Paraná, todos atendidos com êxito pelo Governo. Agora além de dar continuidade ao atendimento aos pacientes da Covid-19 com excelência, precisamos reforçar o atendimento primário”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto. Para isso, uma série de investimentos estão acontecendo, como compra de ambulâncias e verba para a construção e reforma de postos de saúde.

Durante a pandemia, as cirurgias eletivas tiveram que ser interrompidas durante alguns períodos para que não houvesse a sobrecarga no sistema de saúde. A medida foi adotada para que houvesse uma menor demanda na utilização de medicamentos do chamado kit intubação no momento em que a ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estava lotada.

A expectativa é que ainda neste mês o Governo lance o Programa Estadual de Procedimento Cirúrgicos Eletivos, com incremento de custeio, objetivando diminuir a fila de espera em todo o Paraná. “Queremos diminuir ao máximo a fila para as cirurgias eletivas. É urgente sanar esse gargalo na saúde pública”, arrematou o secretário.

Com objetivo de fortalecer e descentralizar a política da saúde mental, em 2021 a Sesa atualizou o Instrumento de Estratificação de Risco em Saúde Mental para que os profissionais da Atenção Primária possam apoiar o compartilhamento do cuidado com os pontos de atenção e respectivos profissionais que já trabalham nesta área.

A rede de psiquiatria estadual conta atualmente com 1.667 leitos e a Sesa já prepara a construção de um novo Centro de Atenção Psicossocial (Caps), duas novas habilitações de Caps, contratação de 60 equipes multiprofissionais de Atenção Especializada em Saúde Mental e formalização de 50 leitos para atendimento em hospitais gerais somente para atendimento desses pacientes.

Além disso, no início deste ano, foi disponibilizado um incremento de 40% no valor pago das diárias para leitos de psiquiatria ofertados pelo SUS. Estima-se que com o incremento nas diárias, o número de atendimentos passe de 30 mil. A Sesa instituiu ainda um incentivo financeiro para promover o aumento do número de Serviços de Residência Terapêutica (SRT).

“As pessoas têm diferentes maneiras de enfrentar uma pandemia, momentos de estresse como o isolamento social ou perder um ente querido, podem causar problemas de saúde como ansiedade, medo, angustia e depressão, além de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Esses pacientes merecem respeito e vamos incrementar esse atendimento”, disse o secretário.

Baixa cobertura de vacinação para outras doenças preocupa

Dados do Programa Nacional de Imunizações (PNI) mostram que grande parte das vacinas presentes no Calendário Nacional de Vacinação apresentam um decréscimo na cobertura vacinal.

A cobertura vacinal preconizada pelo Ministério da Saúde é de 95% para a maioria dos imunizantes disponibilizados nas salas de vacinas da rede pública. Dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI) mostram que a cobertura vacinal das oito vacinas preconizadas pra crianças menores de 1 ano de idade está abaixo do ideal em todo Brasil. O percentual nacional da cobertura vacinal da Febre Amarela, por exemplo, está em 55,54%. No Paraná os registros apontam uma cobertura vacinal de 71,38%, sendo esta a vacina com a mais baixa cobertura.

A vacina mais aplicada tanto no Brasil (82,45%) quanto no Paraná (71,47%) é a Tríplice Viral SCR – D1, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola. “Nosso esforço diário é de aumentar o índice de pessoas vacinadas, seguindo no combate à doenças que são evitáveis”, destacou o secretário. “

Paraná confirma mais 1.504 casos e 5 mortes

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou ontem mais 1.504 casos confirmados e cinco mortes — não necessariamente representam a notificação das últimas 24 horas — em decorrência da infecção causada pelo novo coronavírus. Os mortos são cinco homens, com idades que variam entre 42 e 83 anos. Um óbito ocorreu dia 13 de junho de 2021 e os demais entre 11 e 12 de março de 2022.Os dados acumulados do monitoramento da Covid-19 mostram que o Paraná soma 2.370.673 casos confirmados e 42.428 mortos pela doença.

De acordo com boletim divulgado neste domingo (13), 77 pacientes com diagnóstico confirmado de Covid-19 estão internados em leitos SUS (40 em UTI e 37 em leitos clínicos/enfermaria) e nenhum em leitos da rede particular (UTI ou leitos clínicos/enfermaria).

Quem pode se vacinar contra covid na semana

A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba divulgou o cronograma de vacinação contra a Covid para a próxima semana. O atendimento será de segunda, 14 de março, a sexta-feira, 18 de março, das 8 às 17 horas, em 11 unidades de saúde, para os públicos convocados e para repescagens.

Crianças vacinadas com a primeira dose do imunizante pediátrico da Pfizer entre 17 e 21 de janeiro começam receber a segunda dose hoje. Crianças de 5 a 11 anos vacinadas com a Coronavac e pessoas com 12 anos ou mais para as doses de reforço – incluindo aquelas com imunossupressão, também podem se vacinar.

Os pontos de vacinação podem ser conferidos no site Imuniza Já Curitiba, assim como documentos necessários para grupos específicos, além de documento com foto e CPF (e o comprovante de residência, no caso de primeira dose).
Nove desses pontos vacinam todos os públicos: crianças a partir de 5 anos, adolescentes de 12 a 17 anos e adultos de 18 anos completos ou mais.

A Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho é exclusiva para a vacinação de adolescentes e adultos, e a Unidade de Saúde Mãe Curitibana aplica a vacina exclusivamente em crianças de 5 a 11 anos.

A SMS mantém a aplicação da primeira e segunda doses e das doses de reforço para os que não compareceram na data de convocação.

Para quem está em dúvida sobre intervalos e como saber se já pode receber a dose de reforço, a prefeitura apresenta orientações no site.

Pandemia de Covid-19 completa dois anos; relembre as fases e variantes do coronavírus

A pandemia de covid-19 completa hoje (11) dois anos, e o sobe e desce das curvas de casos e óbitos ao longo deste período teve dois fatores como protagonistas: as variantes e as vacinas. Se, de um lado, esforços para desenvolver e aplicar imunizantes atuaram no controle da mortalidade e na circulação do SARS-CoV-2, do outro, a própria natureza dos vírus de evoluir, adquirir maior poder de transmissão e escapar da imunidade fez com que as infecções retomassem o fôlego em diversos momentos.

Moldada por essas forças, a pandemia acumula, em termos globais, quase 450 milhões de casos e mais de 6 milhões de mortes, além de 10 bilhões de doses de vacinas aplicadas e 4,3 bilhões de pessoas com duas doses ou dose única, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Integrante do Observatório Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Raphael Guimarães explica que, ao se multiplicar, qualquer vírus pode evoluir para uma versão mais eficiente de si mesmo, infectando hospedeiros com mais facilidade. Quando a mutação dá ao vírus um poder de transmissão consideravelmente maior que sua versão anterior, nasce uma variante de preocupação.

“O que a gente vive dentro de uma pandemia é uma guerra em que a gente está tentando sobreviver, e o vírus também está tentando”, resume Guimarães. “Cada vez que a gente dá a ele a chance de circular de forma mais livre e tentar se adaptar a um ambiente mais inóspito, o que ele está fazendo é tentar alterar sua estrutura para sobreviver.”

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, acrescenta que impedir que um vírus sofra mutações ao se replicar é impossível, porque isso é da própria natureza desses micro-organismos. Apesar disso, é possível, sim, dificultar esse processo, criando um ambiente com menos brechas para ele circular. E é aí que as vacinas cumprem outro papel importante.

“A gente pode reduzir esse risco aumentando a cobertura vacinal no mundo inteiro. A Ômicron apareceu na África, que é o continente com menor cobertura vacinal”, lembra ele. Enquanto Europa, Américas e Ásia já têm mais de 60% da população com duas doses ou dose única, o percentual na África é de 11%. “Se a gente conseguir equalizar a cobertura vacinal nos diferentes países, a gente tem um menor risco de ter uma variante aparecendo dessa forma”, diz Chebabo.

É unânime entre os pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil que, se as ondas de contágio podem ser relacionadas à evolução das variantes, o controle das curvas de casos e óbitos se deu com a vacinação. A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, afirma que é inegável o papel das vacinas na queda da mortalidade por covid-19 ao longo destes dois anos.

“No início, vacinaram-se os idosos mais velhos, para depois ir descendo por idade e para pacientes com comorbidades. E, se olhar no miúdo a interferência da vacina no número de mortes, fica evidente, a partir da vacinação desse grupo das maiores vítimas, uma queda coincidindo com o aumento da cobertura”, avalia ela, que também resume a pressão das variantes no sentido contrário, aumentando os casos: “Começamos no Brasil com a cepa original, depois a Gama começou a predominar, foi substituída pela Delta, veio a Ômicron, e esse balanço nas nossas curvas foi acompanhando justamente essas novas variantes que foram se espalhando pelo mundo.”

A pediatra considera que problemas na disponibilidade de vacinas no início da imunização e a circulação de variantes também levaram o Brasil a ser um dos países mais afetados pela pandemia de covid-19, com mais de 650 mil mortes causadas pela doença, o segundo maior número de vítimas do mundo, e uma taxa de 306 mortes a cada 100 mil habitantes, a segunda maior proporção entre os dez países que mais tiveram vítimas da doença.

“Se a vacinação tivesse começado mais cedo e com uma oferta de doses maior desde o início, com certeza o panorama que a gente vivenciou teria sido diferente. Mas, ainda que tenhamos atrasado o início e a disponibilidade de doses também tenha demorado, chegamos a coberturas tão boas ou até melhores que muitos países, inclusive com esquema completo”, afirma a diretora da SBIm.

Variantes de preocupação

Desde que o coronavírus original começou a se espalhar, a OMS classificou cinco novas cepas como variantes de preocupação. Mais sete chegaram a ser apontadas como variantes sob monitoramento ou variantes de interesse, mas não reuniram as condições necessárias para justificarem o mesmo nível de alerta. Para que as mutações genéticas do vírus sejam consideradas de preocupação, elas devem ter características perigosas, como maior transmissibilidade, maior virulência, mudanças na apresentação clínica da covid-19 ou diminuição da eficácia das medidas preventivas.

O padrão de batizar as variantes com letras do alfabeto grego foi uma alternativa adotada pela OMS para evitar que continuassem sendo identificadas por seu local de origem, como chegou a acontecer com a Alfa, a que veículos de comunicação se referiam frequentemente como variante britânica. Associar uma variante a um país ou região pode gerar discriminação e estigmas, justifica a organização, que acrescenta que essa nomenclatura também simplifica a comunicação com o público e é fácil de pronunciar em vários idiomas.

Gama

Virologista e coordenador da Vigilância Genômica de Viroses Emergentes da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca coordenou o trabalho que confirmou a existência da variante Gama, a que teve maior impacto na mortalidade da covid-19 no Brasil. Ele explica que, ao longo do tempo, o coronavírus adquiriu maior transmissibilidade ao acumular mutações que permitiram o escape de anticorpos, aumentaram a replicação e facilitaram a entrada nas células.

Com essas vantagens, as variantes Alfa e Beta causaram aumentos de casos e óbitos em outros países, mas não chegaram a se disseminar a ponto de mudar o cenário epidemiológico no Brasil. Por outro lado, o pior momento da pandemia no país, nos primeiros quatro meses do ano passado, está diretamente ligado à variante Gama.

“A Gama foi o nosso grande terror, porque foi o surgimento de uma variante de preocupação aqui antes que a gente tivesse iniciado a vacinação. Até a gente conseguir avançar, ela já tinha se espalhado”.

A disseminação da variante Gama causou colapso no sistema de saúde do Amazonas entre o fim de dezembro e janeiro de 2021. A sua disseminação pelo país levou à lotação das unidades de terapia intensiva em praticamente todos os estados ao mesmo tempo. O cenário continuou a se agravar até março e abril de 2021, quando a média móvel de mortes por covid-19 teve picos de mais de 3 mil vítimas diárias. Em 17 de março, a Fiocruz classificou a situação como o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil.

Iniciada em 17 de janeiro, a vacinação no Brasil ainda estava em estágio inicial durante a disseminação da variante Gama, e, quando o pico de óbitos foi atingido, menos de 15% da população tinha recebido a primeira dose. À medida que a vacinação dos grupos prioritários avançava, porém, a média móvel de mortes começou a cair no Brasil a partir de maio de 2021, e instituições como a Fiocruz chegaram a apontar uma queda na média de idade das vítimas de covid-19, uma vez que os mais velhos tinham cobertura vacinal maior que adultos e jovens.

Delta

Enquanto a curva da variante Gama descia no Brasil em maio, a variante Delta mostrava seu poder de transmissão na Índia desde abril e levava a outra situação de colapso que alarmava autoridades de saúde internacionais. Segundo dados da OMS, mais de 100 mil indianos morreram de covid-19 somente em maio, e a organização declarou a Delta uma variante de preocupação no dia 11 daquele mês.

A variante Delta se espalhou e diversos países como Indonésia, Estados Unidos e México tiveram altas na mortalidade entre julho e agosto. No Brasil, a vacinação dos grupos de risco e a recente onda da variante Gama produziram o que os pesquisadores chamam de imunidade híbrida.

“É a imunidade das vacinas somada à imunidade da infecção natural”, explica o virologista. “O problema da imunidade natural é que milhares de pessoas morreram. Não é algo que a gente possa pensar como uma estratégia, mas aconteceu. A gente não viu nem de perto o que aconteceu com a Gama acontecer com a Delta.”

Ômicron

Apesar disso, a variante Delta substituiu a Gama como a principal causadora dos casos de covid-19 no país ao longo do segundo semestre de 2021, e manteve esse posto até que fosse derrubada pela Ômicron. A última variante de preocupação catalogada, até então, teve seus primeiros casos identificados no Sul da África em novembro de 2021, e, a partir da segunda quinzena de dezembro, países de todos os continentes registraram um crescimento de casos em velocidade sem precedentes. Ao longo de todo o mês de janeiro de 2022, o mundo registrou mais de 20 milhões de casos de covid-19 por semana, enquanto o recorde anterior era de quase 5,7 milhões por semana, segundo a OMS.

Entre todas as variantes, a Ômicron é a que acumula mais mutações, garantindo uma capacidade de contágio muito maior que as demais. Além disso, explica Fernando Naveca, também é a mais capaz de escapar das defesas imunológicas, causando reinfecção e infectando pessoas vacinadas, ainda que sem gravidade em grande parte das vezes. Diferentemente da Gama, a variante supertransmissível encontrou um cenário de vacinação mais ampla, com mais de 60% da população brasileira com duas doses e dose única, e grupos de risco já com acesso à dose de reforço.

Antes da variante Ômicron, o recorde na média móvel de novos casos de covid-19 no Brasil era de 77 mil por dia. Entre 20 de janeiro e 20 de fevereiro de 2022, porém, o país repetiu dia após dia uma média móvel de mais de 100 mil casos diários, chegando a quase 190 mil casos por dia no início de fevereiro, segundo dados do painel Monitora Covid-19, da Fiocruz. Cidades como o Rio de Janeiro registraram, somente no mês de janeiro de 2022, mais casos de covid-19 que em todo o ano de 2021, quando as variantes Gama e Delta eram as dominantes.

Ainda que o número de mortes tenha subido com o pico da variante Ômicron, a média móvel de vítimas não superou os mil óbitos diários nenhuma vez em 2022, enquanto, em 2021, todos os dias entre 24 de janeiro e 30 de julho tiveram média de mais de mil mortes. Essa diferença tem relação direta com a cobertura vacinal atingida pelo país, que já tem 73% da população com duas doses ou dose única e 31% com dose de reforço.

“Felizmente, tivemos um pico absurdo de casos que não se refletiu em um número tão alto de casos graves. Então, a não ser que surja outra variante, a gente deve viver um período mais tranquilo, porque tivemos muita vacinação e um pico grande da Ômicron. Isso deve nos ajudar a ter uma queda de casos”, espera o pesquisador.

As informações são da Agência Brasil.

Brasil tem 10 milhões de idosos com dose de reforço da vacina anticovid atrasada

O Brasil tem 10 milhões de idosos com a dose de reforço contra a covid-19 atrasada, indica um levantamento do Ministério da Saúde. A dose de reforço é considerada fundamental para prevenir infecções, hospitalizações e óbitos pela doença, principalmente entre os grupos mais vulneráveis. As informações, ainda preliminares, soam o alerta sobre a necessidade de estratégias de mobilização para incentivar a vacinação com a terceira dose.

Conforme o documento da pasta, de 4 de março, 10.026.720 pessoas com mais de 60 anos de idade já poderiam ter tomado a dose de reforço, mas ainda não compareceram aos postos de vacinação ou não entraram nos sistemas de registro. O Brasil tem 30,3 milhões de pessoas acima de 60 anos. Para calcular o número de pessoas aptas para a dose de reforço, a pasta leva em consideração aquelas que tomaram a segunda dose há mais de 120 dias e não voltaram aos postos para tomar a terceira dose.

Todos os brasileiros que tomaram a segunda dose há mais de 4 meses já podem buscar a vacinação com a dose de reforço. Entre o público de 18 a 59 anos de idade, os dados indicam 54,1 milhões de pessoas com o reforço atrasado. No total, 64,2 milhões de brasileiros estão aptos a receber a dose de reforço, mas ainda não compareceram aos serviços de vacinação ou não tiveram a vacina computada, segundo o Ministério da Saúde.

A pasta pondera que parte desses números tem relação com atrasos nos registros. Em muitas áreas do País, a vacinação ocorre, mas os dados sobre a pessoa imunizada não são registrados rapidamente. Por isso, é possível que os números de “atrasados” para a dose de reforço sejam menores, na prática, do que aqueles que aparecem nos registros do Ministério da Saúde. Entre idosos, porém, a aplicação da dose de reforço começou em setembro do ano passado.

O Ministério destaca ser “relevante” a quantidade de faltosos na vacinação contra a covid-19. “Reitera-se a necessidade de esforços adicionais empreendidos pelas três esferas de gestão do SUS, como a busca de parceiros para avançar no processo de vacinação, melhorar as coberturas vacinais, principalmente sobre as doses de reforço nos públicos mais vulneráveis”, conclui o documento do Ministério da Saúde.

A proteção da vacinação com as duas doses cai com o tempo para todas as faixas etárias, mas principalmente entre os idosos. A dose de reforço ativa anticorpos contra a doença e é uma estratégia para deixar os idosos menos vulneráveis em relação à covid-19.

A dose de reforço também restaura barreiras contra a infecção pelo vírus – ou seja, pessoas que já tomaram a terceira dose têm menos chance de se infectar do que aquelas que só tomaram as duas doses da vacina contra a covid-19. A ampliação da proteção é importante não só contra casos graves, mas também pode ser útil para evitar a covid longa – os sintomas duradouros da covid-19 mesmo após um quadro leve da doença.

Segundo o Ministério da Saúde, a proporção de vacinados com a dose de reforço está abaixo de 90% para todas as faixas etárias. Em algumas regiões, o índice não chega a 60%. Nenhum Estado da Região Norte, com exceção de Rondônia, alcançou a cobertura de 60% entre jovens ou idosos. No Nordeste, a cobertura com a dose de reforço também é baixa em Estados como Maranhão e Pernambuco.

No Estado de São Paulo, que tem as melhores coberturas do País com as duas doses, o número de registros de atrasados para o reforço ou de pessoas cuja a terceira dose ainda não foi anotada chega a 2,3 milhões entre os idosos acima de 60 anos e a 14,9 milhões na população de 18 a 59 anos de idade, segundo o boletim do Ministério da Saúde. Os dados são até 21 de fevereiro.

Ainda assim, o Estado conseguiu atingir 60% da cobertura com a dose de reforço na faixa etária dos idosos. Por meio de nota, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo informou que já aplicou 21 milhões de doses adicionais e reiterou “a importância da conclusão do esquema vacinal para garantir a proteção contra a covid-19”. A Prefeitura de São Paulo informou que a cobertura com a dose adicional está em 66,2% para a população acima de 18 anos.

Gestores e especialistas apontam que a redução na percepção de risco da população contribui para índices baixos de cobertura. Por outro lado, estratégias como busca ativa, campanhas e postos volantes, instalados em espaços públicos, ajudam a atingir os faltosos.

“A gente historicamente sabe que quanto mais doses se acrescenta à campanha, menor a taxa de cobertura. Para cada 100 que vêm fazer a primeira (dose), 90 vêm fazer a segunda e 75 vêm fazer terceira”, diz Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Na campanha da covid-19, no entanto, o abismo entre a procura da segunda e da terceira parece maior.

Fatores como a sensação de proteção da população, o medo de reação, fake news e mudanças nas orientações sobre prazos entre as doses contribuem para a cobertura baixa com o reforço, segundo Kfouri. A boa notícia, diz ele, é que há uma janela de oportunidades já que os municípios têm hoje os nomes e telefones dos vacinados – e sabem quem já deveria ter retornado ao posto e não voltou.

No Espírito Santo, um dos Estados com o maior avanço na dose de reforço, a comunicação por SMS avisando sobre a data da vacinação será retomada para aumentar as taxas, principalmente entre os mais jovens. A cobertura com a terceira dose estava em 83,17% na terça-feira, 8, entre os maiores de 60 anos. O número é considerado bom pela secretaria de Saúde, mas ainda abaixo da meta de 90%.

Já na população capixaba mais jovem, de 18 a 59 anos, metade dos que já estão aptos a receber o reforço não voltou aos postos. Para Danielle Grillo, coordenadora do Programa Estadual de Imunizações, é preciso avançar no alcance da terceira dose no Estado, principalmente entre a população adulta. “Ela não tem mais a percepção de risco. O idoso ainda adere melhor ao esquema vacinal porque tem medo da covid.”

Além da estratégia de envio de SMS, o Estado manda aos municípios uma lista com os nomes dos faltosos e números de telefone de cada um deles, para ligações, e aplica vacinas em lugares de ampla circulação. Já o acesso a equipamentos públicos no Espírito Santo depende de comprovar que está com o esquema em dia – incluindo a dose de reforço.

Em São Paulo, o governo estadual diz apoiar a vacinação de reforço, com envio de mensagem via SMS e por e-mail para lembrar a data de retorno. Também incentiva os municípios a fazer a busca ativa dos faltosos e promover ações de divulgação.

Conforme o Estadão mostrou, os idosos voltaram a se destacar entre as principais vítimas da covid-19 mais de dois anos após o início da pandemia, indicando que uma quarta dose de imunizante pode ser fundamental para proteger essa faixa etária. Mato Grosso do Sul, por exemplo, já começou a aplicar a 4.ª injeção nos mais velhos e São Paulo prevê iniciar essa nova fase da campanha em abril.

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que articula ações de incentivo à vacinação contra a covid-19, “considerando as características próprias de cada Estado e município”. A pasta também recomenda a busca ativa das pessoas para completar o esquema vacinal, “a fim de garantir a máxima proteção dos brasileiros, principalmente contra as novas variantes”.

Matéria do Estadão Conteúdo via Portal Bem Paraná.

Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá convoca aprovados em Concurso Público

A Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá (Fasp) começou a convocar os aprovados no Concurso Público 01/2021.

No Edital 14/2022, publicado nesta quinta-feira (9), constam a médica cardiologista SIMONE FOGGIATTO, e os psiquiatras JULIANA BERTOLOTTI MENDONÇA e LEANDRO RICARDO DE ARRUDA. Além deles, estão sendo convocados diversos profissionais de outras áreas.

O prazo para a apresentação dos documentos é de 14  a 18 de março de 2022, das 08h30min às 11h30min horas e das 13h30min às 16h30min, na subsede administrativa da FASP, Avenida Gabriel de Lara, nº 977 – Centro – Paranaguá – PR.

Leia a íntegra do Edital. 

Mais informações podem ser conferidas na página do Concurso Público no Portal da Prefeitura de Paranaguá

Médicos/as das UPAs continuam sofrendo com sobrecarga de trabalho e ameaças de violência

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) vem denunciando reiteradamente as péssimas condições de trabalho das médicas e médicos que atuam em algumas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba e de outras cidades do Paraná.

Essa situação também prejudica muito a população, especialmente aquela que não tem outras opções em caso de urgências médicas.

Com poucos médicos/as, e praticamente sem pediatras nas UPAs, os pacientes e seus acompanhantes têm que esperar várias horas pelo atendimento médico, muitas vezes sofrendo dor, febre e outros sintomas ou mesmo assustados com a possibilidade de gravidade em seu estado de saúde.

Duração das consultas

Nesse “cenário de guerra” que pouco melhorou com o abrandamento da pandemia de coronavírus, médicas e médicos denunciaram a exigência da Prefeitura de Curitiba para que realizassem uma consulta a cada 15 minutos, tempo insuficiente para o procedimento completo, que vai desde receber o/a paciente, ouvir, examinar, diagnosticar, receitar medicamentos, encaminhar e fazer o registro da consulta.

O Simepar foi à Justiça contra a exigência de consultas limitadas a 15 minutos e obteve uma liminar garantindo o tempo mínimo de 20 minutos, mas assegurando a autonomia de cada médico/a para decidir sobre o tempo de consulta.

Acontece que, por um lado os médicos e médicas continuam denunciando a exigência de consultas de 15 minutos por parte dos gestores das UPAs; por outro lado, a Prefeitura e a Fundação Estatal de Atenção em Saúde de Curitiba (FEAS) garantem que não estão fixando tempo para as consultas.

Agressões, ameaças e intimidação

Os relatos de ameaças e agressões do pacientes e acompanhantes contra médicos e médicas das UPAs são constantes. Há poucos dias, um usuário do sistema de Saúde quebrou dois computadores em uma UPA de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.

Nos últimos meses, há registros de agressões verbais e físicas, inclusive com a intervenção policial, em UPAs de Curitiba e Paranaguá.

Qualquer tipo de agressão é injustificável, mas é preciso entender a motivação para que elas sejam evitadas e combatidas. Sem dúvida, a demora pelo atendimento leva pacientes e familiares ao desespero e, alguns desses, acabam descarregando esse desespero sobre os médicos e médicas, além dos demais profissionais de saúde.

O reforço na segurança das Unidades de Saúde é absolutamente necessário; mas, a causa raiz, que é a agilidade no atendimento é que deve ser resolvida, visando o atendimento ágil e com qualidade na atenção à saúde.

Toda a problemática aponta para a contratação de mais médicos e médicas, para que o atendimento tenha mais agilidade e flua com maior tranquilidade, pois todos os relatos de agressões e ameaças têm um fator em comum: faltavam médicos nas escalas de trabalho.

Ministério Público e Justiça do Trabalho

Além das constantes tentativas de negociação direta com os empregadores, o Simepar tem recorrido ao Ministério Público Estadual e ao Ministério Público do Trabalho para tentar melhorar as condições de trabalho dos médicos e médicas; e, consequentemente, melhorar o atendimento à população.

Quando essas iniciativas não alcançam os resultados esperados, o Sindicato recorre à Justiça para garantir os direitos e reverter a degradação das condições de trabalho dos profissionais.

No próximo dia 15 de março haverá uma audiência na Justiça do Trabalho para instrução da ação sobre o tempo de duração das consultas dos médicos da FEAS de Curitiba. O Simepar encara essa audiência como uma boa oportunidade para que as condições de trabalho dos profissionais da Saúde e o atendimento à população melhorem, pelo bem de todos.

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Para a OMS, a pandemia de covid-19 está longe de acabar

“Esta pandemia está longe de acabar”, afirmou nesta quarta-feira (9) o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom. “E não terminará em lugar algum se não conseguirmos em todos os lugares”, enfatizou.

Durante entrevista coletiva, em Genebra, ele destacou que na próxima sexta (11), fará dois anos que a entidade declarou a covid-19 como emergência de saúde internacional.

Tedros lembrou que, seis semanas antes de anunciar a pandemia, a OMS já havia declarado o mais alto nível de alerta sanitário da instituição. Naquele momento, a China registrava cerca de 100 casos da doença, sem nenhuma morte. Mas os avisos não surtiram o “efeitos imediatos”, segundo ele.

Em vez disso, Tedros reclamou que entidade foi criticada por uma suposta demora em reagir à situação. “Dois anos depois, mais de 6 milhões de pessoas morreram”, ressaltou.

Atualmente, em todo o mundo, número de novas infecções e mortes tenham caído 5% e 8%, respectivamente, de acordo com a OMS. Por outro lado, a entidade alerta para “crescimento muito forte” da covid-19 na região do Pacífico Ocidental. Honk Kong, por exemplo, registrou pico de mais de 50 mil casos na semana passada. A região também computou recorde de mortes – 291 – ontem (8), de acordo com a plataforma Our World in Data.

“O vírus continua evoluindo”, disse Tedros. Ele também demonstrou preocupação com a redução drástica no nível de testagem em diversos países. “Isso nos impede de ver onde está o vírus, como ele se espalha e como evolui”, alertou.

Novas variantes

A epidemiologista sênior da OMS, Maria Van Kerkhove, disse que a entidade continua monitorando possíveis novas mutações do novo coronavírus. Assim, ela afirmou que a principal preocupação é com a combinação entre as variantes delta e ômicron. “Foi detectada em alguns países, mas continua em níveis baixos de transmissão. Não vimos mudanças em termos epidemiológicos e de severidade ainda. Mais estudos ainda vão sair”.

Da mesma maneira, ela destacou que, longe de acabar, “a pandemia continua”, em função da desigualdade vacinal entre os país. “Infelizmente, esse vírus tem e terá oportunidades de continuar se espalhando”, lamentou.

Matéria da Rede Brasil Atual.

Número de doadores de órgãos volta a cair em 2021, diz associação

O número de doadores de órgãos em 2021 foi 4,5% menor que o registrado em 2020. Segundo um levantamento que a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (Abto) divulgou hoje (9), a taxa de doadores efetivos por milhão de pessoas da população (pmp), que tinha atingido 15,8 pmp em 2020, caiu para 15,1 pmp no ano passado.

Em números absolutos, a diferença foi de 123 doadores a menos. Enquanto, em 2020, eles eram 3.330, no ano passado houve apenas 3.207 doadores. Uma redução significativa, segundo a associação, uma vez que o número de doadores já tinha diminuído bastante devido à pandemia da covid-19 – em 2019, foram 3.768 doadores efetivos e a taxa atingiu a 18,1 pmp, a maior desde 2010, quando estava em 9,9 pmp.

Segundo a Abto, a nova queda do número de doadores efetivos ocorreu na contramão do aumento das notificações a potenciais doadores de órgãos ou seus familiares. De acordo com a entidade, no ano passado, foram feitas 12.215 notificações – o melhor número já obtido, superando as 11.399 de 2019 (em 2020, já no contexto pandêmico, foram 10.639).

Contraindicação

Para a associação, algumas das medidas adotadas para conter a disseminação do novo coronavírus, enquanto o mundo inteiro lidava com as incertezas quanto a melhor forma de enfrentar a covid-19, acabaram por impactar a doação e o transplante de órgãos, fazendo com que a taxa de contraindicação a doações aumentasse.

“A principal causa da queda na taxa de efetivação da doação foi o aumento de 60% da taxa de contraindicação, que passou de 15% em 2019 para 24% em 2021”, aponta a associação, em documento.

“Esse aumento [da taxa de contraindicação] se deve às medidas tomadas no início da pandemia para evitar a transmissão da covid-19 pelo transplante, pois o risco de transmissão era [então] desconhecido e poderia ser alto. Entretanto, [agora] já há dados suficientes na literatura [científica] sugerindo que esse risco [cirúrgico] é mínimo ou ausente, com exceção do transplante de pulmão e, portanto, as medidas devem ser revisadas”, acrescenta a associação, informando que, dos 12.215 potenciais doadores notificados no ano passado, 2.781 foram contraindicados.

Caso a taxa de 2019 (15%) tivesse se mantido, os casos contraindicados não passariam de 1.832, o que, considerando a taxa de efetivação das doações (2 pmp), corresponderia a potenciais 420 doações a mais.

Ainda segundo a Abto, no ano passado, tanto a taxa de transplantes renais (22,4 pmp) quanto a de fígado (9,6 pmp) recuaram 2% em comparação às de 2020. Já o transplante de córneas (60,2 pmp), cuja taxa caiu 53% em 2020, aumentou, em 2021, 77% – percentual que, embora elevado, a mantém 16% abaixo do resultado de 2019, antes da chegada do novo coronavírus ao país.

Situações parecidas com as dos transplantes cardíacos e pulmonar. Ainda que as taxas tenham crescido, respectivamente, 7% e 33%, continuam abaixo dos níveis registrados em 2019. Realizados em apenas seis unidades federativas, os transplantes de pâncreas aumentaram 12% neste ano, retornando à mesma taxa anterior à pandemia (0,8 pmp).

Governo

O Ministério da Saúde já tinha divulgado, no início de fevereiro, que, em 2021, o número de transplantes de órgãos realizados no país caiu em comparação com o ano anterior. Segundo a pasta, entre janeiro e novembro do ano passado, foram realizados 12 mil transplantes. Em 2020, no mesmo período, equipes de saúde executaram 13 mil procedimentos.

Ainda de acordo com o ministério, a lista de espera para transplantes de órgãos e córnea aumentou. Em 2020, 32.900 pessoas estavam aguardando para receber um órgão externo. Em 2021, o número subiu para 34.380 pessoas.

Lista de espera

Em seu levantamento, a Abto aponta que só a lista de espera para o transplante renal (27.427) cresceu, em 2021, 2% em relação ao ano anterior, enquanto o ingresso em lista, que tinha caído 31% em 2020, aumentou 70% no ano passado – em parte, devido à demanda reprimida do período anterior. Em relação a outros órgãos, também foi registrado um aumento da procura.

Matéria da Agência Brasil.

Hospital da UEM realiza autópsia minimamente invasiva em vítimas de Covid-19

Uma equipe de 20 pessoas formada por médicos, residentes e estudantes de Medicina iniciou a implantação do projeto Autópsia Minimamente Invasiva no Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM), em pacientes vitimados pela Covid-19. Ao todo foram feitas 48 autópsias. Para a realização do procedimento há necessidade do consentimento dos familiares.

A técnica consiste na coleta de tecidos dos órgãos-alvos por meio de pequenas incisões na pele com uma agulha de punção. Neste caso não há necessidade de abertura do corpo, como no procedimento convencional.

“Essa é uma modalidade de autópsia que possibilita a oportunidade de estudar com detalhes e analisar as alterações de uma doença, como a Covid-19. Ela também ajuda a entender o óbito por diagnósticos que não foram esclarecidos em vida”, explica Ana Gabriela Strang, uma das médicas responsáveis pela iniciativa.

Para a implantação deste serviço, a equipe do HUM participou de um treinamento com profissionais da Universidade de São Paulo (USP) especializada e referência neste tipo de procedimento, que possui protocolos validados de eficiência semelhante à autópsia convencional.

O controle de qualidade das amostras coletadas foi feito no laboratório de patologia básica da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e confirmado pelo grupo de São Paulo. As autópsias aconteceram entre novembro de 2020 e maio de 2021 e o material coletado ainda está sendo analisado. A partir das amostras, várias outras propostas de estudos poderão ser realizadas durante os próximos anos, aumentando o conhecimento sobre como a doença evolui e poderá ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos.

A intenção dos pesquisadores é manter o estudo e usar o procedimento para avaliar mortes infantis e neonatais das mais diversas etiologias, além de seguir a investigação relacionada ao próprio Sars-CoV-2, pois ainda não se sabe como a doença evoluirá nos próximos anos. Nesse caso, as amostras coletadas no HUM poderão servir de base para outros trabalhos e estudos.

PIONEIRISMO – O Hospital Universitário foi a primeira instituição do Sul do País a fazer esse tipo de procedimento. A iniciativa faz parte de um projeto de pesquisa e os resultados serão publicados ainda neste ano, em periódicos científicos. “Há poucas publicações feitas com essa técnica em pacientes com Covid-19. Os procedimentos foram realizados antes do período de vacinação e naquele momento ninguém estava utilizando esse recurso no sul do Brasil”, afirma Ana Gabriela.

HOSPITAL – O Hospital Universitário de Maringá (HUM) está ligado administrativamente à Universidade Estadual de Maringá (UEM). Há 33 anos, a instituição oferece serviços para a comunidade e hoje é referência em média e alta complexidade para mais de dois milhões de pessoas. A Unidade dá suporte ao curso de Medicina da UEM, fornecendo campo de estágio para os cursos da área da saúde e afins, além de cursos de Especialização, Residência Médica e Residência Multiprofissional.

Matéria da Agência Estadual de Notícias.