Filiado à

Notícias

Países europeus identificam casos da variante ômicron do coronavírus

Dois casos da nova variante Ômicron do coronavírus foram detectados no estado da Bavária, no sul da Alemanha, disse o Ministério Regional da Saúde neste sábado (27).

As duas pessoas infectadas entraram na Alemanha no aeroporto de Munique em 24 de novembro, antes que a Alemanha designasse a África do Sul como uma área de variante do vírus, e agora estão isoladas, disse a autoridade.

Na Itália, um caso da variante Ômicron foi diagnosticado, informou o Instituto Nacional de Saúde (ISS).

O genoma foi sequenciado no Laboratório de Microbiologia Clínica, Virologia e Diagnóstico de Bioemergência do Hospital Sacco, de Milão, a partir de uma amostra positiva de um paciente procedente de Moçambique.

O doente e seus familiares estavam bem de saúde, afirmou o ISS, acrescentando que a sequência da amostra estava em processo de confirmação adicional.

Já o Reino Unido anunciou novas medidas hoje para tentar desacelerar a disseminação da variante Ômicron, recentemente identificada. O primeiro-ministro Boris Johnson disse que todos os recém-chegados ao país teriam que fazer um teste e que era hora de intensificar as doses de reforço da vacina.

“Exigiremos que qualquer pessoa que entrar no Reino Unido faça um teste de PCR ao final do segundo dia após sua chegada e se isole até que tenha um resultado negativo”, disse Johnson em entrevista coletiva.

Ele disse que aqueles que entraram em contato com pessoas com resultado positivo para caso suspeito de ômicron teriam que se isolar por 10 dias e que o governo iria tornar mais rígidas as regras sobre o uso de máscaras.

O programa para oferecer doses de reforço da vacina também será intensificado, acrescentou.

Falando ao lado de Johnson, o diretor médico da Inglaterra, Chris Whitty, afirmou que havia uma chance razoável de que a variante recém-identificada pudesse ser menos fácil de combater com vacinas.

“Há uma chance razoável de que pelo menos haja algum grau de escape da vacina com esta variante”, disse Whitty.

Mais cedo neste sábado, o ministro da Saúde, Sajid Javid, divulgou que dois casos associados da nova variante ômicron foram detectados no Reino Unido, associados a viagens ao sul da África.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e o Departamento de Estado desaconselharam hoje (27) viagens para oito países do sul da África depois que a Casa Branca anunciou novas restrições de viagens em resposta à nova variante Ômicron de covid-19.

O CDC elevou seu alerta de viagem para Nível Quatro: Muito Alto para a África do Sul, Zimbábue, Namíbia, Moçambique, Malawi, Lesoto, Eswatini e Botswana, enquanto o Departamento de Estado emitiu avisos paralelos de “Não Viaje” neste sábado.

Na segunda-feira (22), o CDC havia reduzido seu alerta de viagem em função da Covid-19 para a África do Sul para “Nível Um: Baixo”.

Matéria da Agência Brasil

Nova variante do coronavírus com grande número de mutações é descoberta na África

Os cientistas alertam que a variante B.1.1.529, descoberta pela primeira vez em Botsuana e com seis casos de infecção confirmados na África do Sul, tem um “número extremamente alto” de mutações, o que pode levar a novas ondas de covid-19.

Foram confirmados dez casos em três países (Botsuana, África do Sul e Hong Kong) por sequenciamento genético, mas a nova variante causou grandes preocupações aos pesquisadores porque algumas das mutações podem ajudar o vírus a escapar à imunidade.

Os primeiros casos da variante foram descobertos no Botsuana, em 11 de novembro, e os primeiros na África do Sul três dias depois. O caso encontrado em Hong Kong foi de um homem de 36 anos que teve um teste PCR negativo antes de voar de Hong Kong para a África do Sul, onde permaneceu de 22 de outubro a 11 de novembro. O teste foi negativo no regresso a Hong Kong, mas deu positivo em 13 de novembro quando estava em quarentena.

A variante B.1.1.529 tem 32 mutações na proteína spike, a parte do vírus que a maioria das vacinas usa para preparar o sistema imunológico contra a covid-19. As mutações na proteína spike podem afetar a capacidade do vírus de infectar células e se espalhar, mas também dificultar o ataque das células do sistema imunológico sobre o patógeno.

O virologista do Imperial College London Tom Peacock revelou vários detalhes da nova variante, afirmando que “a quantidade incrivelmente alta de mutações de pico sugere que isso pode ser uma preocupação real”.

Na rede social Twitter, ele defendeu que “deve ser muito, muito, monitorado devido a esse perfil horrível de picos”, acrescentando que pode acabar por ser um “aglomerado estranho” que não é muito transmissível. “Espero que seja esse o caso”.

A médica Meera Chand, microbiologista e diretora da UK Health Security Agency, afirmou que, em parceria com órgãos científicos de todo o mundo, a agência monitora constantemente a situação das variantes de SARS-Cov-2 em nível mundial, à medida que vão surgindo e se desenvolvem.

“Como é da natureza do vírus sofrer mutações frequentes e aleatórias, não é incomum que surjam pequenos números de casos apresentando novas mutações. Quaisquer variantes que apresentem evidências de propagação são avaliadas rapidamente”, acrescentou ao The Guardian.

Os cientistas observam a nova variante, em busca de qualquer sinal de que esteja a ganhar força e acabe por se espalhar amplamente. Alguns virologistas da África do Sul já estão preocupados, especialmente devido ao recente aumento de casos em Gauteng, uma área urbana que inclui Pretória e Joanesburgo, onde já foram detectados casos com a variante B.1.1.529.

Ravi Gupta, professor microbiologista da Universidade de Cambridge, afirmou que o seu trabalho em laboratório revelou duas mutações na B.1.1.529 que aumentam a infecção e reduzem o reconhecimento de anticorpos. “Parece certamente uma preocupação significativa com base nas mutações presentes”, disse.

“Contudo, uma prioridade chave do vírus desconhecida é a infecciosidade, pois é isso que parece ter impulsionado principalmente a variante Delta. A fuga imune é apenas uma parte da imagem do que pode acontecer”, acrescentou Gupta.

Já o professor François Balloux, diretor do Instituto de Genética do University College London, considera que o grande número de mutações na variante, aparentemente acumuladas num “único surto”, sugere que pode ter evoluído durante uma infecção crônica em uma pessoa com o sistema imunológico enfraquecido, possivelmente um doente com aids não tratada.

“É difícil prever o quão transmissível pode ser nesta fase. Por enquanto, deve ser acompanhado de perto e analisado, mas não há razão para demasiada preocupação, a menos que comece a subir de frequência num futuro próximo”, afirmou Balloux.

Matéria da Agência Brasil.

Maioria dos infectados por Covid-19 apresenta sintomas após seis meses, diz estudo da UEL

Mais da metade (53,3%) dos 259 pacientes acompanhados pelo estudo “Avaliação clínica funcional e qualidade de vida de pacientes após um, dois, seis e 12 meses do diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2 no município de Londrina-PR” apresentam pelo menos um sintoma persistente da infecção de Covid-19 após seis meses.

Esse é um dos resultados preliminares do projeto, em execução desde outubro de 2020 e que passa pela fase de coleta de dados, por meio de um formulário do Google Forms enviado via WhatsApp.

Segundo a coordenadora do projeto e professora do Departamento de Fisioterapia da Universidade Estadual de Londrina (UEL) – Centro de Ciências da Saúde (CCS), Celita Salmaso Trelha, os resultados preliminares apontam dois tipos de sintomas, de acordo com a durabilidade destes: subagudos (de 4 a 12 semanas) e crônicos (acima de 12 semanas). Os sintomas mais frequentes são fadiga (47%), dores e mal estar (32%), dor de cabeça (14%), desânimo (13%) e perda de olfato (10,4%).

Do total, 54 apresentaram sintomas persistentes após um ano da infecção. Desses, 40% relatam a existência de pelo menos um sintoma por um ano, entre os quais fadiga (40%), ansiedade e depressão (32%), dor e mal estar (26%), perda de memória (15%), falta de ar (12%), perda de olfato (9%) e dores de cabeça (7%). Segundo a professora, a evidência de sintomas persistentes muito variados indica que a doença deve ser acompanhada por equipes multiprofissionais.

O formulário preenchido pelos pacientes pede informações básicas (nome, telefone celular, doenças prévias), perguntas sobre rotina de exercícios e atividades físicas, sintomas adquiridos após a infecção pela doenças, entre outras questões.

INCÔMODOS – Outro ponto evidenciado pela pesquisa é a persistência de “incômodos leves e muito leves” em pacientes. Cerca de 30% do total de ouvidos relata ter, mesmo meses após a infecção, incômodos leves ou muito leves que comprometem, de algum modo, suas atividades diárias, seja no lazer ou no trabalho.

“Esses pacientes podem demorar a conseguir um desempenho igual no trabalho e também desfrutar momentos de lazer da mesma forma. Ou seja, é uma doença que afeta várias esferas sociais e da vida do indivíduo. Alguns podem até não se sentir aptos a voltarem ao trabalho”, completou Celita.

Essas limitações podem ser observadas em atividades cotidianas, como levantar-se, subir escadas ou correr, além da intensificação de quadros de ansiedade ou depressão, que afetam o cotidiano.

SINTOMAS – Há pouco menos de um ano de completarem a pesquisa, ainda não está totalmente claro para os participantes do projeto quais são os fatores que explicam a persistência de sintomas em alguns pacientes. No entanto, algumas pistas já começam a surgir. “Podemos afirmar que há uma conjunção de fatores, entre eles a resistência imunológica, genética e hormonal”, avaliou Celita.

A prevalência dos sintomas persistentes em mulheres, que têm o dobro de chances de desenvolvê-los comparadas aos homens, também é um fator que chama a atenção. “Isso pode estar ligado ao fato de as mulheres se cuidarem mais e buscarem atendimento médico com mais frequência”, disse. A população que respondeu o questionário tem uma média de idade de 39 anos. Apenas 7% necessitaram de internação.

PESQUISA – O estudo sobre os sintomas persistentes da Covid-19 já rendeu alguns trabalhos científicos, publicados em congressos pelo Brasil. No mês de outubro, o grupo do projeto de pesquisa apresentou quatro trabalhos no 29º Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica da Universidade de São Paulo (USP).

Outra pesquisa foi apresentada no eixo de Promoção, Prevenção e Vigilância, do 6º Prêmio Inova Saúde PR, promovido pelo Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (Inesco) do Paraná.

Matéria da Agência de Notícias do Paraná.

Veja como estão as principais pesquisas sobre a Covid-19 feitas em Curitiba

Matéria do Portal Bem Paraná.

Desde o início da pandemia da Covid-19 em 2020, as universidades e hospitais de Curitiba e região vêm trabalhando em inúmeras pesquisas sobre o novo vírus, buscando entender como ele se comporta, quais genes possuem maior propensão a contraí-lo e principalmente, como combatê-lo. Um ano e meio em busca da adaptação a pandemia, os projetos de pesquisas locais sobre o vírus dão esperança à comunidade científica da região.

Vacina da UFPR

A proposta de vacina surgiu de uma linha de pesquisa com bioplástico do laboratório do departamento de bioquímica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O professor do departamento e coordenador do projeto, Emanuel Maltempi, conta como o desenvolvimento dessa vacina com o bioplástico deve funcionar:

“O bioplástico é um plástico produzido por uma bactéria, e com ele nós pudemos recobrir a superfície da proteína do vírus da Covid-19”. Como essas partículas têm o tamanho de duas vezes um vírus, a similaridade com ele é muito grande. Uma vez injetadas no nosso corpo, as células de defesa do nosso organismo reconhecem a proteína do vírus e desenvolvem uma defesa imunológica.

A pesquisa começou em maio de 2020. “Nessa época recebemos um recurso bem pequeno de R$ 27.000,00 para testarmos se o imunizante funcionava em camundongos”, explica o professor. “Um diferencial é que normalmente as vacinas contém inúmeras tecnologias que vão mostrar a proteína viral para o nosso organismo, então é necessário estimular o nosso sistema de defesa para que ele veja essa proteína e reaja de forma robusta”.

Até junho de 2021, todo o projeto foi reestruturado por conta da demora desse recurso financeiro e falta de equipe. Emanuel possui esperanças sobre a conclusão de todas as fases: “A gente esperava que até o final do ano íamos conseguir terminar a etapa de cobaia com camundongos de laboratório, mas por conta desse atraso, está previsto só para o ano que vem”. O ideal é completar todas as etapas do estudo para a vacina até 2023 para produzi-la de forma barata e em grande escala.

A maioria dos resultados em pesquisas realizadas pela equipe aponta que a imunidade de quem já foi vacinado cai com o tempo, então aqueles com um sistema imunológico mais fraco possuem uma maior chance de serem contaminados. De acordo com o professor Emanuel, será necessário vacinar contra a Covid-19 novamente junto à dose de reforço anualmente pelo menos por alguns anos.

“O grande diferencial é que no Brasil ninguém sabe realmente como planejar uma vacina, desenvolver no laboratório, testar as fases clínicas e produzir em larga escala, ou seja, ninguém dominou todas as etapas de produção da vacina completamente no Brasil”, explica.

Desenvolver a experiência para produzir uma vacina própria abrirá portas para a produção de vacinas contra a Aids e o Zika Vírus, por exemplo. “Nós precisamos aprender a fazer isso e dotar nossa comunidade científica, é o nosso grande objetivo no momento. Fazer isso com tecnologia própria será uma grande vitória e uma revolução para a ciência brasileira”.

PUCPR: perfil genético torna pacientes suscetíveis

Essa pesquisa foi realizada com cerca de 20 pacientes que foram a óbito durante a primeira onda da Covid em Curitiba, quando ainda não haviam variantes do vírus. Realizada pela PUCPR, a pesquisa investiga a motivação por trás da falta de proteínas que combatem o vírus em determinados pacientes.

A professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da universidade, Lúcia de Noronha, conta que a faixa-etária de todos os pacientes do estudo é de 70 anos e que todos possuíam comorbidades. “Nós pedimos permissão às famílias para realizarmos uma pequena cirurgia no pulmão desses pacientes para retirarmos pedacinhos dos órgãos, que normalmente são o coração e pulmões, às vezes o abdômen”, explica Lúcia.

“Com essas amostras, vamos em busca das proteínas citocinas, que participam do processo inflamatório quando as células entram em contato com o vírus, ou seja, são elas que combatem o vírus da Covid”. Foi comparada a quantidade de um tipo de citocina que defende o corpo de infecções pulmonares presentes no corpo desses pacientes com a quantidade dessa mesma citocina em pacientes da pandemia de H1N1.

“Nossa curiosidade era entender o que causava essa falta de citocina: era um mecanismo do vírus, ou os pacientes simplesmente não produziam?”, explica. Para isso, foram mapeados os genes desses pacientes para buscar uma semelhança entre eles, chegando à descoberta de que a falta desse tipo de citocina pode fazer com que esses pacientes de gene raro sejam mais suscetíveis a doenças mais graves.

Assim como o desenvolvimento da vacina, a pesquisa sobre os genes suscetíveis ao vírus está na base ainda, mas a ideia é fazer uma intervenção precoce com o que está sendo descoberto. “Na pesquisa chamamos isso de janela de oportunidade: se eu souber que algum indivíduo é suscetível a doença, nós podemos tratar precocemente com segurança”. Para Lúcia, proteger a saúde mundial é tratar e encontrar as diferenças nos genes desses indivíduos para tratá-los precocemente e protegê-los antes que desenvolvam uma doença mais grave.

Hospital Angelina Caron estuda anti-inflamatórios

O Departamento de Pesquisa Clínica do Hospital Angelina Caron participa atualmente de três estudos internacionais com remédios anti-inflamatórios de indústrias americanas em pacientes internados com Covid-19. Chamados de estudos de fase 2 e fase 3, os estudos liderados pelo cardiologista e coordenador do departamento de pesquisa, Dalton Precoma, buscam um tratamento para que o paciente evolua do vírus caso seja contaminado.

“Esses pacientes participantes dos estudos foram internados com em situação crítica de intubação ou foram pacientes chamados de alto risco cardiovascular”, explica o cardiologista. Pacientes de alto risco cardiovascular podem ser hipertensos, diabéticos, com insuficiência cardíaca ou doenças pulmonares que, quando são internados com Covid, possuem um potencial a terem complicações.

O estudo está na fase 3, que é quando é testada a eficácia eficácia e segurança do remédio. “O remédio novo é estudado em um grupo placebo, com o remédio inerte, e no outro grupo com o medicamento ativo,” Dalton explica. “Isso é randomizado, ou seja, não sabemos quem é quem, então um grupo ganha o placebo e outro ganha o remédio novo, então no final da pesquisa esse remédio vai ser observado se possui eficácia ou não”.

Os medicamentos estudados são remédios orais e estão sendo usados para outras indicações em outras doenças também. Dois deles são usados para doenças malignas, e agora estão sendo testados para complicação da Covid.

O cardiologista conta que há uma grande expectativa na pesquisa: “Começamos há 3 meses com 60 pacientes e agora só temos 13, mas só vamos saber da eficácia do medicamento no fim do estudo, quando descobrirmos quais grupos fizeram uso do placebo e quais fizeram uso do medicamento ativo”.
UFPR

A Campanha “Vacina UFPR” completou quatro meses de arrecadação para o desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 e outras doenças no dia 8. Até o momento, foram arrecadados mais R$ 1,5 milhão. A estimativa é que sejam precisos R$ 76 milhões para a pesquisa.

Detecção de bactérias resistentes a antibióticos triplicou na pandemia, aponta Fiocruz

Em 2019, um pouco mais de mil isolados de bactérias resistentes a antibióticos foram enviados por laboratórios de saúde pública de diversos estados do país para análise aprofundada no Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que atua como laboratório de retaguarda da Sub-rede Analítica de Resistência Microbiana em Serviços de Saúde (Sub-rede RM), instituída pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ministério da Saúde (MS).

Em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, o número de amostras positivas passou para quase 2 mil. Em 2021, apenas no período de janeiro a outubro, o índice ultrapassa 3,7 mil amostras confirmadas, um aumento de mais de três vezes em relação a 2019, período pré-pandemia.

Os dados reforçam uma preocupação dos especialistas: ao longo da emergência sanitária causada pelo novo coronavírus, vem sendo observado aumento na disseminação de microrganismos capazes de resistir a diversos antibióticos, conhecidos popularmente como ‘superbactérias’.

 

“Durante a pandemia, houve aumento no volume de pacientes internados em estado grave e por longos períodos, que apresentam maior risco de infecção hospitalar. Também houve aumento no uso de antibióticos, o que eleva a pressão seletiva sobre as bactérias. É um cenário que favorece a disseminação da resistência, agravando ainda mais um problema de alto impacto na saúde pública”, afirma a chefe do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar, Ana Paula Assef.

De acordo com a pesquisadora, o aumento do uso de antibióticos nos hospitais durante a emergência sanitária tem sido apontada em pesquisas no Brasil e no exterior, com alguns trabalhos sugerindo prescrição exagerada. Um grande estudo internacional publicado em janeiro, por exemplo, identificou tratamento com antibióticos em mais de 70% dos pacientes internados por Covid-19. Em contrapartida, a presença de coinfecções causadas por bactérias foi estimada em 8%.

Em agosto, a Anvisa publicou uma Nota Técnica com orientações para prevenção e controle da disseminação de bactérias resistentes em serviços de saúde no contexto da pandemia. O texto reforça que os antibióticos não são indicados no tratamento de rotina da Covid-19, já que a doença é causada por vírus e esses medicamentos atuam apenas contra bactérias. Dessa forma, os fármacos são recomendados apenas para os casos com suspeita de infecção bacteriana associada à infecção viral.

“Em parte, a alta na prescrição de antibióticos nos hospitais durante a pandemia pode ser justificada pelo maior número de pacientes graves internados, que acabam desenvolvendo infecções secundárias e necessitando desses medicamentos. Porém, o uso excessivo precisa ser controlado para evitar que se impulsione a resistência bacteriana”, diz Ana Paula.

Motivo de preocupação

Os dados registrados no Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC correspondem a amostras enviadas espontaneamente pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) de diversos estados do Brasil. Como laboratório de retaguarda da Sub-rede RM, a unidade atua na análise aprofundada das bactérias resistentes a antibióticos, que são detectadas em casos de infecção hospitalar.

Segundo Ana Paula, enquanto os números nacionais sobre monitoramento da resistência compilados pela Anvisa ainda não estão disponíveis para 2020 e 2021, o aumento observado em centros de referência pode ser considerado como um alerta para o problema.

“Esse ano, já recebemos amostras de estados do Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. O Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná (Lacen-PR), que atua como referência na região Sul e parte do Centro-Oeste, também notificou alta. Não temos como precisar a dimensão do problema em nível nacional, mas é importante agir e isso tem sido reforçado pela Anvisa”, diz a pesquisadora.

Na Nota Técnica publicada em agosto, a Anvisa aponta que os dados disponíveis são motivo de preocupação. O documento destaca dados do Lacen-PR, onde o número de amostras recebidas subiu 90%, comparando os primeiros trimestres de 2019 e 2021.

Além do volume, o perfil dos microrganismos chama atenção e foi expresso no documento. Entre outros aspectos, foi destacado aumento na resistência à polimixina, fármaco utilizado como última opção terapêutica, para combater infecções que já não respondem aos demais antibióticos. De acordo com a Nota, no Lacen-PR, os isolados resistentes à polimixina representaram 20% das amostras de Acinetobacter baumannii (uma importante bactéria causadora de infecções hospitalares) analisadas no primeiro trimestre deste ano.

“A polimixina é um medicamento antigo, que não era mais usado por causa dos efeitos colaterais, mas voltou a ser empregado nos últimos anos por causa da resistência aos fármacos mais modernos. Como se trata de uma das últimas opções terapêuticas, mesmo um aumento discreto nesse tipo de resistência já é preocupante”, enfatiza Ana Paula.

No Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC, a proporção de detecção de bactérias A. baumanii resistentes à polimixina subiu de 2,5% em 2019 para 5,6% em 2021 considerando-se o conjunto de amostras recebidas para identificação ao longo deste período. Em bactérias da espécie Pseudomonas aeruginosa (outra importante causadora de infecções hospitalares), o percentual passou de 14% para 51%. Já entre as enterobactérias, o aumento foi de 42% para 58%.

As infecções causadas por bactérias resistentes geralmente são associadas à alta mortalidade. A Nota Técnica da Anvisa cita, por exemplo, um surto registrado em uma unidade de terapia intensiva de Maringá, onde de dez pacientes internados por Covid-19 infectados por bactérias A. baumanii resistentes a antibióticos carbapenêmicos, sete morreram.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que superbactérias causam cerca de 700 mil mortes anualmente. “Bactérias como Acinetobacter e Pseudomonas são oportunistas, causam infecções em pacientes internados, com saúde debilitada. Quando esses microrganismos apresentam resistência, muitas vezes, não se consegue controlar a infecção e há risco de óbito. Esse já era um grande problema antes da Covid-19 e, agora, estamos evidenciando uma piora neste quadro”, salienta Ana Paula.

Dupla resistência

A combinação de mecanismos de resistência também preocupa. Em setembro, a Anvisa divulgou um alerta sobre o registro de casos, no Paraná e em Santa Catarina, de bactérias P. aeruginosa capazes de produzir, simultaneamente, as enzimas carbapenemases KPC e NDM, que destroem antibióticos carbapenêmicos. A presença destas duas enzimas inviabiliza a utilização de um novo antimicrobiano, o fármaco ceftazidima-avilbactam, que tem sido usado nos hospitais brasileiros para o combate das bactérias produtoras de KPC.

Em agosto de 2020, foi detectado o primeiro caso dos genes de KPC e NDM em uma mesma cepa de P. aeruginosa. Em 2021, já foram identificados 13 pacientes infectados com P. aeruginosa multirresistente.

“O uso indiscriminado desses fármacos por instituições de saúde, pela população e em práticas agropecuárias tem contribuído para o aumento da resistência aos antibióticos”, salienta a bacteriologista Ana Paula Assef (foto: Gutemberg Brito, IOC/Fiocruz)

A associação de enzimas que inibem a ação de antibióticos carbapenêmicos também tem sido detectada em diferentes espécies de importância clínica analisadas no Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC. Por exemplo, este ano, a unidade identificou a combinação de enzimas carbapanemases NDM e OXA-58 em amostras de A. baumanni isoladas em Manaus e na Bahia. “Estes achados alertam para uma possível tendência entre as amostras hospitalares”, pondera Ana Paula.

‘Espalhe a consciência, pare a resistência’

Além de medidas para prevenir as infecções hospitalares, como higiene das mãos, uso de equipamentos de proteção individual e limpeza dos ambientes, o combate à resistência depende do uso adequado dos antibióticos, tanto dentro como fora dos hospitais.

Por esse motivo, a OMS, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) promovem anualmente a Semana Mundial de Conscientização sobre o Uso de Antimicrobianos, que ocorre de 18 a 24 de novembro. Este ano, a campanha tem como tema ‘Espalhe a consciência, pare a resistência’, reforçando a importância da disseminação de informações sobre o assunto para todas as pessoas.

“Existem bactérias vivendo no nosso organismo, nos animais e no ambiente. Sempre que usamos antibióticos, em unidades de saúde, em casa ou na agropecuária, aumentamos a pressão seletiva sobre esses microrganismos. Isso acelera a emergência e a disseminação da resistência, pois as bactérias conseguem transmitir os mecanismos de resistência umas para as outras”, explica Ana Paula.

A pesquisadora ressalta que, além do risco individual para os pacientes, o espalhamento da resistência aos antibióticos representa uma ameaça global, já que a capacidade de tratar infecções, considerada uma das maiores conquistas da medicina moderna, pode ser perdida no futuro.

“É importante que as pessoas entendam que os antibióticos só atuam contra bactérias e não têm efeito contra vírus ou qualquer outro microrganismo. Não se pode tomar antibiótico por indicação de conhecido ou familiar. Para que esses medicamentos continuem eficazes, eles devem ser usados com critério, apenas com prescrição médica. O paciente precisa seguir a receita de forma irrestrita, com a quantidade de dose e duração da administração exatas”, salienta a microbiologista.

Assista e compartilhe a websérie ‘Confissões de uma bactéria’.

Para ampliar a sensibilização sobre o tema, a pesquisadora idealizou a websérie Confissões de uma bactéria, que está disponível no canal do YouTube do Ministério da Saúde. Com dez episódios, a produção apresenta, em linguagem lúdica, informações sobre a resistência aos antibióticos e medidas preventivas que podem ser adotadas. O projeto é uma iniciativa da Fiocruz em parceria com Ministério da Saúde, Anvisa e Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

As informações são da Agência Fiocruz de Notícias.

Diretora da OMS diz que mundo está entrando na quarta onda da covid-19

O mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia do novo coronavírus. A avaliação é da diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), a brasileira Mariângela Simão. Ela abordou a situação da pandemia em conferência na abertura no Congresso Brasileiro de Epidemiologia.

“Estamos vendo a ressurgência de casos de covid-19 na Europa. Tivemos nas últimas 24 horas mais de 440 mil novos casos confirmados. E isso que há subnotificação em vários continentes. O mundo está entrando em uma quarta onda, mas as regiões têm tido um comportamento diferente em relação à pandemia”, declarou Mariângela Simão.

Segundo ela, o vírus continua evoluindo com variantes mais transmissíveis. Mas em razão da vacinação houve uma dissociação entre casos e mortes, pelo fato da vacinação ter reduzido os óbitos decorrentes da covid-19. Ela lembrou que a imunização reduz as hospitalizações mas não interrompe a transmissão.

A diretora avaliou que os novos picos na Europa se devem à abertura e flexibilização das medidas de distanciamento no verão, além do uso inconsistente de medidas de prevenção em países e regiões.

“O aumento da cobertura vacinal não influencia na higiene pessoal, mas tem associação com diminuição do uso de máscaras e distanciamento social. Além disso, há desinformação, mensagens contraditórias que são responsáveis por matar pessoas”, pontuou a diretora-geral adjunta da OMS.

Um problema grave, acrescentou, é a desigualdade no acesso às vacinas no mundo. “Foram aplicadas mais de 7,5 bilhões de doses. Em países de baixa renda, há menos de 5% das pessoas com pelo menos uma dose. Um dos fatores foi o fato de os produtores terem feito acordos bilaterais com países de alta renda e não estarem privilegiando vacinas para países de baixa renda”, analisou.

Outro obstáculo é a concentração em poucos países que dominam tecnologias utilizadas para a produção de vacinas, como o emprego do RNA mensageiro, como no caso do imunizante da Pfizer-BioNTech.

Mariângela Simão considera que o futuro da pandemia depende de uma série de fatores. O primeiro é a imunidade populacional, resultante da vacinação e da imunização natural. O segundo é o acesso a medicamentos. O terceiro é como irão se comportar as variantes de preocupação e do quão transmissíveis elas serão.

O quarto é a adoção de medidas sociais de saúde pública e a aderência da população a essas políticas. “Onde medidas de saúde pública são usadas de forma inconsistente os surtos continuarão a ocorrer em populações suscetíveis”, projetou.

A diretora da OMS defendeu que além das medidas de prevenção é preciso assegurar a equidade no acesso a vacinas, terapias e testagens. “É vacinas, mas não somente vacinas”, resumiu.

Américas e Brasil

Ao avaliar a situação das Américas e do Brasil, Mariângela Simão afirmou que as Américas vêm tendo um comportamento de transmissão comunitária continuada, com ondas repetidas.

Quanto ao Brasil, ela avaliou que o programa de vacinação está andando bem. Mas, a partir da situação na Europa, se mostrou receosa com o futuro da pandemia no Brasil pelas discussões em curso sobre o carnaval.

“Me preocupa quando vejo no Brasil a discussão sobre o Carnaval. É uma condição extremamente propícia para aumento da transmissão comunitária. Precisamos planejar as ações para 2022”, alertou.

Congresso

O Congresso Brasileiro de Epidemiologia teve início nesta segunda-feira (22) e irá até a sexta-feira (26). O evento é uma promoção da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e contará com diversas palestras, debates e apresentações de trabalhos científicos.

Mais informações do Congresso Brasileiro de Epidemiologia em https://zandaeventos.com.br/epi/index.php.

As informações são da Agência Brasil.

Saiba como foi a solenidade de comemoração dos 90 anos do Simepar na Câmara de Curitiba

Por iniciativa do vereador Dalton Borba (PDT), a Câmara Municipal de Curitiba comemorou na noite desta quinta-feira (18), os 90 anos de existência do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar).

O próprio Dalton Borba presidiu a mesa, que também foi composta pelo Dr. Marlus Volney de Moraes, presidente do SIMEPAR; pela Dra. Chang Yen-Li Chain, vice-presidente da da Associação Brasileira de Mulheres Médicas – Seção PR (ABMM-PR); pelo Dr. Wilmar Mendonça Guimarães, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR); pelo Dr. Clovis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia; e pelo Dr. Nerlan Tadeu Goncalves de Carvalho, presidente da Associação Médica do Paraná (AMP).

Dalton Borba exaltou os profissionais da saúde que enfrentaram e ainda enfrentam os riscos produzidos no combate e tratamento da Covid-19. “São profissionais que arriscam suas vidas e as de suas famílias com o intuito de garantir o atendimento da população”.

O vereador pediu um minuto de silêncio em memória dos 100 médicos e dos 741 trabalhadores da áreas de saúde que perderam suas vidas no enfrentamento à pandemia no Paraná. Dalton Borba destacou que o vereador Tito Zeglin (PDT) acompanhou a cerimônia de forma remota.

Dalton Borba assinalou a importância dos trabalhos desenvolvidos pelo Simepar desde a sua fundação. “Fundado em 25 de outubro de 1931 e reconhecido pelo Ministério do Trabalho em 27 de fevereiro de 1975. A entidade conta atualmente com 1500 médicos e médicas associados e seu objetivo é lutar contra a precarização da atividade médica no Paraná e também para manter a qualidade dos serviços de saúde para toda a sociedade, com a garantia da dignidade profissional”, explicou Borba.

O parlamentar ainda lembrou que entre as atividades promovidas pelo Sindicato está a busca por remunerações dignas e planos de cargos e salários que sejam condizentes com as atividades desenvolvidas pelo médicos profissionais, tanto no setor privado quanto na administração pública.

90 anos

Em sua fala de agradecimento o presidente do Simepar, o Dr. Marlus Volney de Moraes convidou a todos para um exercício de imaginação: “o que acontecia há 90 anos quando foi criado o Simepar? Qual era o ambiente que propiciou o surgimento de uma entidade sindical da classe médica? Antes mesmo da fundação do sindicato, duas questões se colocavam entre os médicos do Paraná. A boa prestação do serviço médico e a preservação das condições de realização desse serviço. Foram essas as motivações que, possivelmente, estiveram nas conversas entre Victor Ferreira do Amaral, médico e fundador da UFPR e Otávio da Silveira, um dos fundadores do sindicato”, observou Moraes.

O presidente do Simepar entende que se faz necessária a união da classe no sentido de fortalecer o ensino e a pesquisa, assim como a instituição de um código de ética profissional que possibilite o combate ao charlatanismo.

Ele assinalou que após a fundação do sindicato, houve a primeira Guerra e, em seguida, uma pandemia que durou 4 anos. Organizações sindicais foram se espalhando pelo Brasil, havendo uma nova política sobre elas durante o Estado Novo (1937/1945) e outra Guerra Mundial se seguiu, exigindo novas estruturações na área.

Apenas em 1953 o Brasil passa a contar com um ministério exclusivamente voltado para a saúde. Antes, uma mesma pasta abrangia a educação e a saúde. “Foram portanto, 2 guerras mundiais, 3 pandemias – Gripe Espanhola (1918) H1N1 (2009) e Covid-19 (2020-2021). Uma história protagonizada por homens e mulheres que construíram meios para que a instituição médica se tornasse permanente” assinalou o presidente do Simepar.

Moraes ainda lembrou das palavras do Papa Francisco sobre as entidades sindicais. Segundo o religioso, elas devem vigiar e dar voz aos vulneráveis e oprimidos, além de gerar inovações nas relações de trabalho que diminuam ou efetivamente eliminem as eventuais injustiças.

“E isso que fazemos todo dia. O movimento sindical subsidiou a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), que, apesar das dificuldades, se tornou exemplo para o mundo. Os sindicatos médicos também subsidiaram o surgimento de cooperativas médicas e criticaram a criação de escolas médicas sem a estruturação necessária. Além disso, o Simepar dá voz àqueles que, por alguma razão, têm a sua voz silenciada”, finalizou Moraes.

3 lições

Clovis Arns da Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), iniciou seu pronunciamento agradecendo a todos os profissionais de saúde que estiveram à frente do atendimento aos pacientes de Covid. “Não apenas os médicos, mas também fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas. Foram verdadeiros heróis. Tanto os que ficaram abalados no aspecto psicológico pela pressão das situações, como também os que foram contaminados e necessitaram de respiradores e vagas em UTI, entre outros serviços”.

O médico acredita que da experiência com o Covid, restam 3 lições. Uma de união, verificável na postura de pessoas humildes que se doaram em prol de desconhecidos; uma de resiliência, no sentido do combate à propagação de informações equivocadas sobre medicamentos de ineficácia cientificamente comprovada no enfrentamento à doença. E uma última lição, no caso, de gratidão a Deus, ”por estarmos vivos e pelas vidas que conseguimos salvar”.

Revitalização do SUS

Para Wilmar Mendonça Guimarães, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná, a homenagem prestada pela Câmara Municipal ao sindicato é meritória, na medida em que hoje os profissionais esperam muito das entidades de representação. “Vivemos um momento de precarização do trabalho, em que relações trabalhistas estão passando por reavaliacões que fortalecem as empresas, mas prejudicam os profissionais nelas empregados”. Guimarães enalteceu o sindicato, frisando que o Conselho Regional de Medicina do Paraná já promoveu muitas atividades em associação com a entidade sindical. “Somos coirmãos”, disse o médico.

Chang Yen-Li Chan, vice-presidente da Associação Brasileira de Mulheres Médicas – Seção PR (ABMM-PR), ressaltou as dificuldades enfrentadas pelas profissionais mulheres durante o Covid, na medida em que elas acabaram desempenhando jornadas duplas e triplas. “Acredito que a superação do Covid, que se verifica na diminuição de contaminados, foi fruto de um trabalho em equipe. E sempre com o apoio do Sindicato, que nunca descuidou dos profissionais de saúde.

Nerlan Tadeu Gonçalves de Carvalho, presidente da Associação Medica do Paraná, destacou a atuação do SUS durante a pandemia. “Entre 2008 e 2018, o SUS teve uma perda de 30 mil leitos de UTI. É necessário restabelecer esses leitos, pois trata-se de uma demanda permanente”

As informações são da Câmara Municipal de Curitiba.

Veja as fotos da solenidade

Assista ao vídeo da Sessão Solene.

Vacina contra dengue do Instituto Butantan entra na reta final de estudos clínicos

Nem só ao combate à Covid-19 e à produção de soros antiofídicos se dedica o Butantan. Trabalhando sempre a serviço da vida e da saúde da população, o instituto desenvolve diversos imunizantes contra outras doenças graves que, em tempos de pandemia, até esquecemos que existem. Uma delas é a dengue, que só em 2019 infectou 1.489.457 brasileiros, causando 689 mortes.

Desde 2009 pesquisadores do Butantan estudam a produção de uma vacina contra o vírus da dengue. Ela ainda não tem previsão de distribuição à população, mas os ensaios clínicos estão bem avançados.

Esse imunizante usa a técnica de vírus atenuado contra a dengue, utilizando vírus enfraquecidos que induzem a produção de anticorpos sem causar a doença e com poucas reações adversas. O imunizante será tetravalente, protegendo dos quatro tipos de dengue (tipo 1, 2, 3 e 4).

“Sempre que se planeja fazer uma nova vacina o ideal, quando possível, é utilizar um vírus atenuado, pois geralmente gera uma resposta mais eficiente e duradoura”, explica a gerente de projetos do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas Virais do Butantan, Neuza Maria Frazatti Gallina.

A atenuação do vírus foi feita pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID), um dos parceiros do Butantan na iniciativa. Os vírus atenuados foram cultivados em células Vero do macaco verde africano, uma técnica já estabelecida e usada em diversas vacinas; depois, a matéria-prima foi purificada e seguiu para a formulação. A última etapa é a liofilização, processo que transforma o liquido em pó, e a criação do diluente para diluir o pó no momento da aplicação da vacina.

Normalmente, no processo de cultivo dos vírus da dengue as células Vero para ser aumentadas utilizam um soro fetal bovino que, por ser de origem animal, pode conter contaminantes. No Butantan, porém, as células foram aumentadas sem o uso do soro animal, utilizando uma plataforma desenvolvida anteriormente para a vacina da raiva, que faz o aumento dessas células sem precisar do soro de origem animal. Essa tecnologia é patenteada pelo instituto e, de tão importante, foi vendida à farmacêutica Merck.

Os ensaios clínicos de fase três da vacina já estão em andamento. Atualmente, está sendo feito o acompanhamento dos últimos voluntários incluídos nos testes, o que significa que o processo de desenvolvimento do imunizante está em fase final.

A previsão é que a pesquisa seja finalizada até 2024. Em paralelo aos estudos clínicos, o Butantan estuda o escalonamento da vacina, ou seja, como a produção de laboratório será elevada para nível industrial. Uma confirmação já obtida é que será necessário apenas uma dose da vacina devido à tecnologia de vírus atenuado.

“A vacina vai ser um dos principais componentes de combate à doença, mas é importante ressaltar que não é só a vacina que vai combater a dengue. Nós temos que continuar realizando todas as outras formas de ajudar a combater o mosquito e, portanto, a transmissão da dengue”, afirma o diretor do Centro de Segurança Clínica e Gestão de Risco: Farmacovigilância e Farmacoepidemiologia, Alexander Precioso.

“As pessoas vacinadas vão evitar hospitalizações e mortes e isso vai tornar a dengue controlada no país”, explica Neuza. “Em qualquer situação é importante agir na prevenção. Na saúde pública a prevenção de doenças é feita principalmente com as vacinas”, completa.

Outras vacinas da dengue foram estudadas em países como os Estados Unidos, porém não são nações onde a doença é endêmica, como é o caso do Brasil. “Em uma fase mais avançada da pesquisa clínica, eles terão que procurar outro país com um número razoável de voluntários que tenham contato com o vírus para a comprovação da eficácia da vacina”, ressalva a pesquisadora.

Dengue

O vírus da dengue é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Originário do Egito, ele vem se espalhando pelas regiões tropicais desde o século 16 e chegou ao Brasil com os navios que traziam escravos da África. O mosquito também é transmissor de outras doenças, como febre amarela, chikungunya e o vírus Zika.

A procriação do vetor se dá por meio de água parada em pneus, garrafas e vasos de planta, sujeira em calhas, lixos expostos, entre outros. A popularização do plástico é um contribuinte para a expansão do mosquito. “As pessoas usam utensílios de plásticos, jogam na rua, chove, forma água parada e ali favorece o crescimento do mosquito transmissor da doença”, conta Neuza.

O Dia Nacional de Combate à Dengue é celebrado em 20/11, justamente para conscientizar as pessoas da importância de não deixar água parada e, assim, reduzir a oferta de criadouros para os mosquitos. “É muito importante determinar um dia porque chama a atenção do publico para a informação que você quer passar sobre o combate à doença”, expressa Neuza.

As informações são do Instituto Butantan.

Curitiba terá “Mega Vacinação” contra a covid-19 neste sábado

Curitiba fará parte da “Mega Vacinação” contra a covid-19 que será promovida neste sábado (20/11) em seis capitais.

A campanha do Ministério da Saúde (MS) busca completar o ciclo de imunização com segunda dose ou dose de reforço daqueles que já foram convocados, mas ainda não compareceram para se vacinar.

Também no sábado haverá o chamamento de um novo grupo para receber a dose de reforço: as pessoas com 18 anos ou mais que receberam a segunda dose até o dia 24 de junho (leia mais abaixo). O atendimento para todos será feito em 27 pontos de vacinação, das 8 às 14h.

Quem não puder comparecer neste sábado poderá buscar os pontos de vacinação ao longo da semana. A Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (SMS) tem mantido a repescagem contínua para a segunda dose e dose de reforço.

Segunda dose

De acordo com os dados da SMS, a capital paranaense tem uma baixa taxa de “faltosos” de segunda dose. Apenas 5,9% das 1.402.105 de pessoas que estavam no prazo para a segunda aplicação até 16 de novembro ainda não compareceram para completar o esquema vacinal. Pelas estimativas da SMS, isso corresponde a 82.946 pessoas que já poderiam ter finalizado o ciclo de imunização.

“Mesmo que essa quantidade seja menor, não queremos que nenhuma pessoa fique para trás. Queremos toda a população com a vacina em dia, pois só assim vamos vencer essa batalha contra a covid-19”, afirmou a secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak.

De acordo com a SMS, parte dos que aparecem como “faltosos” pode ter tomado a segunda dose em outro município.

Dose de reforço

Em relação à dose de reforço, foram convocados, até terça-feira (16/11), 168.839 idosos com 67 anos ou mais vacinados com a segunda dose até 6 de junho. Destes, 115.643 (68%) compareceram até o momento.

Além da campanha de atualização vacinal, neste sábado um novo grupo será convocado para a dose de reforço. Seguindo a nova recomendação do Ministério serão convocadas todas as pessoas com 18 anos ou mais que receberam a segunda dose até o dia 24 de junho.

A SMS estima que há 14.781 pessoas dentro desse grupo, que são aqueles que já completaram 150 dias da aplicação da segunda dose.

A convocação será feita por mensagem enviada pela plataforma Saúde Já. A SMS orienta às pessoas que se enquadram nesse intervalo que consultem o aplicativo.

Vacina da Janssen

Pessoas vacinadas com imunizantes da farmacêutica Janssen ainda não poderão tomar a dose de reforço neste sábado. Elas devem seguir a nova orientação do Ministério da Saúde, de receber uma segunda dose e esperar o intervalo correto para receber o reforço. O município ainda aguarda o recebimento de doses para a convocação para segunda dose deste público.

Mega Vacinação

É uma mobilização nacional com o objetivo de garantir a máxima proteção e a manutenção da imunidade de milhões de brasileiros, alertando a população sobre a importância de completar o ciclo vacinal.

Países com baixa cobertura vacinal vivem cenários de aumento de casos do novo coronavírus e a chegada do período de férias e festividades é motivo de preocupação para as autoridades de saúde.

Com slogan “Proteção pela metade não é proteção”, a força-tarefa tem previsão de duração de uma semana, até o dia 26 de novembro todo o país, e deverá intensificar ações de chamamentos dos faltosos da vacina.

“Muitas pessoas vão viajar para outros estados ou países, vão se reunir para comemorar as festividades do fim do ano, então é essencial estar com a vacina contra covid-19 em dia, para que não tenhamos uma nova onda no futuro.

A vacina tem se mostrado muito eficaz, mas só quando o ciclo está completo”, alerta o diretor do Centro de Epidemiologia da SMS, Alcides Oliveira.

Além de Curitiba, outras cinco capitais participarão da campanha neste sábado, São Paulo (SP), Manaus (AM), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA).

Em Curitiba, o lançamento da campanha nacional vai acontecer na Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, às 10h, com a presença do secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Câmara, e da secretária municipal da Saúde, Márcia Huçulak.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participará do evento de forma remota, assim ele poderá fazer o lançamento simultâneo nas seis capitais escolhidas.

Quem pode tomar a segunda dose neste sábado (20/11):
– Todos anteriormente já convocados e que ainda não compareceram

Quem pode tomar a dose de reforço neste sábado (20/11):
– Todas as pessoas com 18 anos ou mais vacinadas com a segunda dose até 24 de junho

Locais de vacinação
Das 8h às 14h

1 – US Ouvidor Pardinho
Rua 24 de Maio, 807 – Praça Ouvidor Pardinho

2 – US Parigot de Souza
Rua João Eloy de Souza, 111 – Sítio Cercado

3 – Salvador Allende
R. Celeste Tortato Gabardo, 1712 – Sítio Cercado

4 – Nossa Senhora Aparecida
Rua Carlos Amoretty Osório, 169 – Sítio Cercado

5 – US Bairro Alto
Rua Jornalista Alceu Chichorro, 314 – Bairro Alto

6 – US Vila Diana
Rua René Descartes, 537 – Abranches

7 – Fernando de Noronha
Rua João Mequetti, 389 – Santa Cândida

8 – US Visitação
Rua Dr. Bley Zornig, 3136 – Boqueirão

9 – US Jardim Paranaense
Rua Pedro Nabosne 57 – Alto Boqueirão

10 – US Menonitas
Rua Dr. Domicio Costa, 52 – Xaxim

11 – US Camargo
Rua Pedro Violani, 364 – Cajuru

12 – Uberaba
Rua Cap. Leônidas Marques, 1392 – Uberaba

13 – Salgado Filho
Av. Sen. Salgado Filho, 5265 – Uberaba

14 – US Cândido Portinari
Rua Durval Leopolpo Landal, 1529 – Cidade Industrial

15 – US Oswaldo Cruz
Rua Pedro Gusso, 3749 – Cidade Industrial

16 – Atenas
Rua Emília Erichsen, 45 – Cidade Industrial

17 – US Vila Feliz
Rua Pedro Gusso, 866 – Novo Mundo

18 – US Aurora
Rua Theophilo Mansur, 500 – Novo Mundo

19 – US Sagrado Coração
Rua Antônio Claudino, 375 – Pinheirinho

20 – US Santa Quitéria 2
Rua Bocaíuva, 310 – Santa Quitéria

21- Santa Amélia
Rua Berta Klemtz, 215 – Fazendinha

22 – Parolin
Rua Sergipe, 59 – Guaíra

23 – US Vista Alegre
Rua Miguel de Lazzari, 51 – Pilarzinho,

24 – US Campina do Siqueira
Rua Gen. Mario Tourinho, 1684 – Campina do Siquira

25 – US Pinheiros
Rua Joanna Emma Dalpozzo Zardo, 370 – Santa Felicidade

26 – US Orleans
Avenida Vereador Toaldo Tulio, 4577 – Orleans

27 – Rua da Cidadania do Tatuquara
Rua Olivardo Konoroski Bueno, s/n

As informações são da Prefeitura de Curitiba.