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SUS vai substituir Papanicolau pelo exame molecular de DNA-HPV

A partir deste ano, o teste citopatológico para a detecção do HPV, popularmente conhecido como Papanicolau, deve ser gradualmente substituído, no Sistema Único de Saúde, pelo exame molecular de DNA-HPV. Com isso, o tempo de intervalo entre as coletas, quando não houver diagnóstico do vírus, passará a ser de cinco anos. Já a faixa-etária para o exame de rastreio, quando não houver sintomas ou suspeita de infecção, permanece a mesma: de 25 a 49 anos.

A mudança faz parte das novas diretrizes para o diagnóstico do câncer do colo do útero, apresentadas nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). O conjunto de orientações já foi aprovado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde e pela Comissão de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (Conitec). Resta apenas a avaliação final da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde para entrar em vigor.

O papilomavírus humano, ou HPV, é o causador de mais de 99% dos casos de câncer decolo do útero, que é o terceiro mais incidente entre as mulheres brasileiras, com cerca de 17 mil novos casos por ano. Com altas coberturas de vacinação e de exames de rastreio organizado, especialistas acreditam que a doença pode ser erradicada em cerca de 20 anos.

O teste molecular é recomendado como exame primário para detectar o HPV pela Organização Mundial da Saúde desde 2021, porque é mais eficaz para a redução de casos e óbitos, em decorrência da sua maior sensibilidade. Ele também permite identificar o subtipo do vírus, caso o resultado seja positivo, o que oferece uma grande vantagem, já que apenas algumas variantes têm risco de provocar lesões que podem evoluir para câncer.

O pesquisador da Divisão de Detecção Precoce do Inca Itamar Bento explica que essas vantagens permitem um espaçamento maior entre as coletas.

“O teste DNA-HPV tem um valor preditivo negativo muito forte, ou seja, se a pessoa tiver resultado negativo, a gente pode de fato confiar nesse resultado. E, conhecendo a história natural da doença, a evolução das lesões, é uma margem segura aguardar cinco anos para fazer um novo teste.”

Além disso, a implementação do novo teste deverá ser combinada com a realização de rastreio organizado, quando o sistema de saúde busca ativamente as pessoas, em vez de esperar que elas procurem as unidades de saúde. “É necessário que a população alvo seja identificada e convocada ativamente e individualmente. E é preciso garantir que ela terá acesso à confirmação diagnóstica e ao tratamento das lesões havendo essa necessidade”, complementa o pesquisador do Inca.

De acordo com dados do Sistema de Informação do Câncer, entre 2021 e 2023, apenas três estados tiveram cobertura de realização de papanicolau próxima de 50% do público-alvo. Todos os outros tiveram uma porcentagem abaixo desse patamar, e alguns não têm dados completos para análise. Além disso, há estados, como Acre, Maranhão e Mato Grosso, onde a maior parte dos resultados foi entregue após 30 dias, o que dificulta a realização de exames confirmatórios para que a paciente inicie o tratamento em até 60 dias, como determina a legislação.

Por isso, o rastreamento organizado também prevê uma linha de conduta organizada, como explica Itamar Bento: “A pessoa faz um teste de DNA-HPV, e, se não foi detectado, ela só vai repetir o exame após 5 anos. Se foi detectado um tipo oncogênico, como o 16 e o 18, que são responsáveis por 70% das lesões precursoras de câncer, ela vai ser encaminhada diretamente à colposcopia. Se a colposcopia identificar uma doença cervical, vai seguir para condutas específicas.”

As novas diretrizes também trazem outras duas inovações: a autocoleta do material para teste em populações de difícil acesso ou resistentes ao exame feito por profissional de saúde; e orientações para o atendimento de pessoas trangênero, não binárias e intersexuais.

As informações são da Agência Brasil.

CRM-PR promove Simpósio de Combate à Violência Contra o Médico

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Paraná (CRM-PR), através do Projeto de Educação Médica Continuada, irá promover, no dia 31 de março, o “1º Simpósio de Combate à Violência Contra o Médico – 2025”.

O evento será realizado no formato tanto presencial, no auditório do CRM-PR em Curitiba (Rua Victório Viezzer, 84, Vista Alegre), quanto online, com transmissão pelo YouTube, das 19h30 às 22h. Voltado para médicos e estudantes de Medicina, emitirá certificado de participação, desde que cumpridos os pré-requisitos.

O responsável técnico pelo evento, conforme indicado pela Resolução CFM nº 2.321/2022, é o 1º Secretário do CRM-PR, Dr. Fernando Fabiano Castellano Junior (CRM-PR 10.302).

Conselheiros e representantes da Comissão de Prevenção à Violência contra Médicos e da Comissão da Mulher Médica do CRM-PR estarão presentes no simpósio, que trará na programação apresentações sobre os seguintes temas: Ações de combate à violência; Ações do DEFEP (Departamento de Fiscalização do Exercício Profissional); A Mulher Médica Vítima de Violência; Cenário da Medicina no Contexto Atual; Desagravo; e Orientações Jurídicas.

Campanha de conscientização

Por conta do aumento dos registros de casos de violência contra os médicos, sobretudo no atendimento em instituições de saúde pública, o CRM-PR tem reforçado estratégias de ação para combater os casos de agressão. Prevenir a violência contra os médicos tem sido uma das prioridades da atual gestão (2023-2028), que em agosto do ano passado criou a Comissão de Prevenção à Violência Contra o Médico.

Serviço:
1º Simpósio de Combate à Violência Contra o Médico
Data: 31 de março de 2024 (segunda-feira)
Horário: 19h30 às 22h
Local: Rua Victório Viezzer, 84 – Vista Alegre
Informações e inscrições: https://www.even3.com.br/emc310325/

Fiocruz lança IA para ajudar no registro de pesquisas clínicas

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou nesta segunda-feira (24) uma inteligência artificial generativa para o registro de pesquisas clínicas. A expectativa é que Rebec@, nome dado à IA, possa responder sobre documentos e prazos para submissão de registros, tipos de estudos, regras para a aprovação e para se tornar voluntário em pesquisas.

As pesquisas clínicas são estudos feitos em pessoas para medir segurança e eficácia de novos medicamentos, vacinas e procedimentos de manejo clínico. São fundamentais para a chegada de alternativas terapêuticas.

Segundo a Fiocruz, Rebec@ está conectada a uma base de aprendizagem atualizada em regulação e boas práticas em pesquisa clínica. Ela funcionará 24 horas por dia e sete dias por semana.

A IA trabalha com diferentes temas considerados prioritários pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como condições de saúde, doenças, populações específicas. Para alguns, há fast-tracks, vias de revisão expressa com aprovação em até 48 horas. Rebec@ pode ajudar a identificar se a pesquisa está entre as prioridades.

A previsão é incorporar, ainda este ano, fast-tracks para estudos com todos os patógenos definidos como prioridade da OMS na América Latina. O lançamento global das inovações está previsto para o dia 20 de maio, Dia Internacional dos Ensaios Clínicos, na 78ª Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra.

“Cada funcionalidade tem um custo baixíssimo e é sustentável não só porque otimiza recursos hoje. O efeito é exponencial, com externalidades positivas cumulativas que afetam toda cadeia de inovação. Agilizar a colaboração científica nacional e internacional e a transparência da informação é agilizar a chegada segura de vacinas ou outras inovações à sociedade. O impacto no SUS é direto”, destaca a vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas da Fiocruz, Maria de Lourdes Aguiar Oliveira.

Testes

A IA vem sendo testada informalmente pela rede global International Clinical Trials Registry Platform (ICTRP), padrão ouro da Organização Mundial da Saúde em transparência da informação. Somente pesquisas com aval do registro no Clinical Trials (EUA) ou em plataformas da rede ICTRP, são aceitos pelas revistas científicas mais reconhecidas.

“Isso faz toda a diferença, ainda mais em situações de risco e emergências de saúde, como pandemias, em que a colaboração científica e a publicação de resultados exigem credibilidade mesmo correndo contra o tempo”, diz a coordenadora de Rebec@, Luiza Silva.

Josué Laguardia, um dos professores responsáveis pela coordenação do Registro Brasileiro, destaca que Rebec@ pode agilizar em muito o atendimento, pois há padrões que se repetem entre as dezenas de usuários que passam diariamente pelos revisores humanos do Registro.

“Rebec@ pode dar atenção ininterruptamente a estas dúvidas mais frequentes, enquanto paralelamente revisores lidam com os demais casos de modo personalizado durante o expediente da Fundação, com pronto atendimento ou até hora marcada”, diz Laguardia.

Também existe uma expectativa de que Rebec@ atraia pesquisadores de outros países com interesses de pesquisa na América Latina.

“Acreditamos que pode ser o início de um ecossistema de pesquisa realmente integrado para a região e que pode ser viável atuar como um condomínio de incubação de registros primários para países que ainda não tem nossa expertise em curadoria de informação no padrão ICTRP. Estamos buscando entender as regulações éticas das nações vizinhas”, diz Laguardia.

As informações são da Agência Brasil.

[VÍDEO] Caminhos da Reportagem mostra impacto dos microplásticos na saúde

O cérebro é o órgão mais protegido do corpo humano. Até por isso, “havia dúvida se o microplástico [partícula com menos de meio centímetro] conseguiria chegar lá”, revela a pesquisadora brasileira Thais Mauad.

“A gente resolveu estudar uma estrutura que se chama bulbo olfatório, que é a nossa primeira conexão com o nariz”, continua a professora do Departamento de Patologia da USP. “E encontrou, nesse local, partículas de microplástico”.

O coração também é um órgão nobre. E outro estudo, esse do pesquisador italiano Raffaele Marfella, mostra que pacientes com plástico na carótida, artéria que leva sangue do coração para o cérebro, têm quatro vezes mais chances de ter infarto, AVC ou mesmo morrer.

Nossa equipe conversou com Marfella, que – depois da descoberta – tenta desenvolver um tratamento eficaz para combater inflamações causadas por microplástico.

“As bactérias que se alimentam de plástico o digerem para produzir energia. Essas bactérias agem com duas enzimas. A nossa ideia é isolar essas enzimas e inseri-las onde há contaminação”, explica o professor de Medicina da Universidade Vanvitelli de Nápoles.

Além do cérebro e da carótida, outras pesquisas descobriram microplástico no pulmão, no fígado, nos rins, no leite materno, no sêmen e no sangue. Mas quais são as consequências dessa invasão de plástico no nosso corpo? E mais: o que pode ser feito para minimizar o problema?

As respostas estão no programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil. No episódio “Microplástico na veia”, que foi ao ar na segunda-feira (24), a repórter Flavia Peixoto conversa com cientistas, professores, pesquisadores, gestores ambientais e representantes da indústria do plástico.

A reciclagem, na avaliação da maioria dos especialistas no assunto, é importante. Mas não resolve o problema. A saída, ainda segundo eles, é reduzir a produção. Tarefa que não é simples.

“O plástico tem uma limitação técnica e química. Ele só pode ser reciclado uma ou duas vezes”, ataca a gerente de Advocacy e Estratégia da ONG Oceana, Lara Iwanicki.

“Tem plásticos que conseguem ser reciclados dezenas de vezes, depende da tecnologia que você empregar”, defende o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química, André Passos Cordeiro.

“O que o ministério do Meio Ambiente deseja é que o plástico seja usado na menor quantidade possível, tendo em vista o impacto que ele causa hoje nos oceanos, no solo e na saúde humana”, afirma o diretor de Gestão de Resíduos Sólidos do ministério, Eduardo Rocha.

O episódio “Microplástico na veia” foi ao ar nesta segunda-feira (24), às 23h, na TV Brasil.

Assista ao vídeo a seguir:

 

As informações são da Agência Brasil.

Assembleia Geral dos/as Médicos/as da FASP e da Prefeitura de Paranaguá

EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

O Presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná, no uso das atribuições que lhe conferem o estatuto e a legislação em vigor, e considerando que as deliberações vinculam a todos os membros da categoria médica Servidores Públicos do Município de Paranaguá e da FASP – Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá, ainda que ausentes ou discordantes, em continuidade a Assembleia Geral Extraordinária realizada no dia 24 de março de 2025, convoca os/as médicos/as da Prefeitura de Paranaguá e da FASP para Assembleia Geral Extraordinária, a ser realizada no dia 03 de abril de 2025, às dezesseis horas e trinta minutos em primeira convocação, às dezoito horas e trinta minutos em segunda convocação e às dezenove horas e trinta minutos em terceira e última convocação, na sede do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná – SIMEPAR, situado na Rua Coronel Joaquim Sarmento, 177, Bom Retiro, Curitiba – PR, para tratar da seguinte ordem do dia abaixo.

A Assembleia será virtual via aplicativo Google Meet, link https://meet.google.com/ryw-omws-oyy.

Serão discutidos e deliberados os seguintes assuntos:

  1. Redução remuneratória;
  2. Reivindicações acerca das condições de trabalho;
  3. Ameaça de demissão coletiva;
  4. Deliberação acerca da deflagração de greve;
  5. Deliberação acerca da propositura de medidas judiciais ou dissídios coletivos;
  6. Outros assuntos correlatos.

 

Curitiba, 24 de março de 2025.

Marlus Volney de Morais
Diretor Presidente

SUS passa a oferecer tratamento inovador de atrofia muscular espinhal

Crianças que precisam de tratamento da atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1, doença rara que afeta os movimentos do corpo e também a respiração, terão, a partir desta segunda-feira (24), acesso a um tratamento inovador e gratuito pelo Sistema Único de Saúde. O SUS passará a realizar a terapia genética com o medicamento Zolgensma, que na rede particular custa em média R$ 7 milhões.

“É a primeira terapia gênica que está sendo introduzida no Sistema Único de Saúde. O SUS passa a fazer parte de um pequeno clube de cinco sistemas públicos nacionais no mundo a oferecerem esse medicamento para a sua população”, comemorou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A indicação desse tipo de terapia é para pacientes de até 6 meses de idade que não estejam com a ventilação mecânica invasiva acima de 16 horas por dia. De acordo com o Ministério da Saúde, com a incorporação do Zolgensma, o SUS passará a ofertar para AME tipo 1 todas as terapias modificadoras desta doença.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os 2,8 milhões de brasileiros nascidos vivos em 2023, cerca de 287 foram diagnosticadas com a doença. Na prática, o tratamento faz uso do medicamento em substituição à função de um gene ausente ou que não está funcionando corretamente.

A incorporação do tratamento foi viabilizada por meio de um acordo firmado com a indústria internacional, que condiciona o pagamento ao resultado da terapia no paciente.

“Vai seguir de forma permanente a avaliação do desempenho do medicamento, da melhoria da vida dessa criança e da vida da família, com marcadores clínicos de avaliação, ao longo do tratamento”, explica o ministro.

Protocolo

Para iniciar o tratamento, a família do paciente deve procurar um dos 28 serviços de referência para terapia gênica de AME, presentes nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O paciente será acolhido e passará por uma triagem orientada pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atrofia Muscular Espinhal 5q Tipos 1 e 2, estabelecido pelo Ministério da Saúde. Nas próximas semanas, também será instalado um comitê para acompanhamento permanente dos pacientes que farão o uso do medicamento de dose única.

Antes do acordo, o Zolgensma já era ofertado pelo Ministério da Saúde em cumprimento a 161 ações judiciais.

Entenda

A AME é uma doença rara que interfere na capacidade de produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores, responsáveis pelos gestos voluntários vitais simples do corpo, como respirar, engolir e se mover. A doença é considerada rara, por atingir menos de 65 pessoas em cada 100 mil indivíduos.

Na rede pública, os pacientes de AME tipos 1 e 2, em outras faixas etárias, são tratados com os medicamentos de uso contínuo nusinersena e risdiplam. Segundo o Ministério da Saúde, em 2024, esses medicamentos tiveram mais 800 prescrições emitidas para tratamento.

As informações são da Agência Brasil

Oportunidade de trabalho para Médico/a de Tráfego em Curitiba

O Centro de Avaliação de Condutores Uniclin Ltda. está contratando Médico/a com especialização em Medicina de Tráfego para atuar em Clinica Credenciada ao Detran em Curitiba.

O regime de contratação é como autônomo, e o trabalho é em horário comercial.

Interessado falar com Luciano
Telefone : 41 996009449
E-mail : luciano_spak@hotmail.com

 

Estudo com PrEP injetável aponta maior adesão ao medicamento

Um estudo que avalia a adoção da profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável para evitar a contaminação por HIV indicou que as pessoas aderiram melhor a essa forma de prevenção do que aquelas que usaram a PrEP oral, atualmente disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os resultados da pesquisa ImPrEP CAB, realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foram apresentados há alguns dias na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, realizada nos Estados Unidos. Entre outubro de 2023 e setembro de 2024, os pesquisadores acompanharam cerca de 1,4 mil pessoas que receberam a medicação em unidades públicas de saúde de seis cidades brasileiras: Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Campinas, Florianópolis e Manaus.

Os pesquisadores avaliam que a PrEP injetável é uma ferramenta com potencial para enfrentar os desafios de adesão à medicação oral diária, particularmente entre as pessoas mais novas, e pode ajudar o Brasil a frear o aumento de casos de HIV e a carga desproporcional de infecções entre jovens de minorias sexuais e de gênero.

O uso da PrEP injetável no Brasil, com o medicamento cabotegravir, foi aprovado em 2023 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a incorporação no SUS está em avaliação pelo Ministério da Saúde.

Metodologia

Foram selecionadas pessoas de 18 a 30 anos que são homens que fazem sexo com homens, transgênero ou não-binárias. Os participantes do estudo nunca tinha utilizado a PrEP e procuraram esses serviços de saúde em busca do medicamento ou para fazer o teste de detecção do HIV.

Todos puderam escolher de que forma iriam utilizar a PrEP, e 83% preferiram a versão injetável, que consiste na aplicação, a cada dois meses, do medicamento cabotegravir. Já os 17% de participantes que preferiram utilizar a PrEP oral deveriam tomar diariamente os antiretrovirais tenofovir e entricitabina, na forma de um comprimido combinado. Essa é a profilaxia tradicional distribuída pelo SUS desde 2017.

O acompanhamento dos participantes mostrou que 94% das pessoas que optaram pela prep injetável compareceram ao serviço de saúde para tomar as injeções no tempo correto, o que garantiu que a grande maioria permanecesse protegida contra a infecção durante quase todo o tempo de estudo. Nenhum desses pacientes testou positivo para o HIV.

Já as pessoas que preferiram utilizar a PrEP oral ficaram protegidas durante apenas 58% dos dias de acompanhamento devido à menor adesão ao tratamento, com medicação oral de uso diário. Entre as pessoas desse segundo grupo, uma testou positivo para HIV.

Os pesquisadores também fizeram uma comparação com dados de cerca de 2,4 mil pessoas, de 14 cidades, que utilizam a PrEP oral pelo SUS, e identificaram que a cobertura foi ainda menor: 48%. Nesse grupo, nove pessoas foram infectadas pelo vírus.

O Ministério da Saúde informou, em nota, que acompanha a realização do estudo, mas não disse se há alguma previsão de inclusão da estratégia no SUS. De acordo com a pasta, a PrEP ─ mesmo em sua forma oral, como está disponível hoje ─ é “estratégia essencial na prevenção da infecção pelo HIV” e “uma das principais iniciativas para a eliminação da doença como problema de saúde pública até 2030.” O Ministério informou ainda que o Brasil dobrou o número de usuários em três anos, atingindo a marca de 119 mil usuários em 2025.

O último boletim epidemiológico publicado no final do ano passado aponta que, em 2023, foram notificados 46.495 casos de infecção pelo HIV no país, cerca de 2 mil a mais do que em 2022. Mais de 40% deles ocorreram em homens de 20 a 29 anos. Apesar disso, graças aos avanços no tratamento, entre 2013 e 2023, a mortalidade por aids caiu 32,9% no país.

As informações são da Agência Brasil.

Assembleia dos Médicos para deliberar sobre a pauta de reivindicações será na segunda-feira

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) realizará na próxima segunda-feira, dia 24/03, uma Assembleia Geral para discutir e deliberar sobre a pauta de reivindicações dos profissionais da medicina para 2025-2026. Essa será a pauta que vai balizar os acordos coletivos de trabalho, convenções e eventuais dissídios para as médicas e médicos.

A Assembleia será realizada de maneira híbrida, possibilitando a participação dos profissionais de todo o Estado. Para participar, será necessário solicitar um link pelo e-mail juridico@simepar.com.br no dia da assembleia, (24 de março de 2025), até às 17 horas.

Confira o Edital com a pauta prevista para debate:

EDITAL DE CONVOCAÇÃO ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA

O Presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná, no uso das atribuições que lhe conferem o estatuto e a legislação em vigor, e considerando que as deliberações vinculam a todos os membros da categoria, ainda que ausentes ou discordantes, convoca os médicos, para Assembleia Geral Extraordinária, a ser realizada no dia 24 de março de 2025, às dezoito horas em primeira convocação, às dezenove horas em segunda convocação e às vinte horas em terceira e última convocação, na sede do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná – SIMEPAR, situado na Rua Coronel Joaquim Sarmento, 177, Bom Retiro, Curitiba – PR para tratar da seguinte ordem do dia abaixo.

A Assembleia será híbrida e com exceção da mesa diretiva, que estará presente, os demais deverão solicitar link da assembleia pelo e-mail juridico@simepar.com.br no dia da assembleia, (24 de março de 2025), até às 17 horas.

  1. Discussão, deliberação e aprovação ou não da conveniência de celebração de convenção coletiva e/ou acordo coletivo de trabalho abrangendo a categoria profissional representada e as categorias econômicas respectivas;
  2. No caso de aprovação, discussão e estabelecimento das condições econômicas e sociais, mediante cláusulas contidas em Pauta de Reivindicações a ser apresentada na Negociação Coletiva de Trabalho para o período de 01 de novembro de 2025 a 31 de outubro de 2026 ou outro período no caso de acordos coletivos;
  3. No caso de não aprovação, discussão e estabelecimento de formas legais e políticas a serem adotadas;
  4. Discussão e deliberação, aprovando ou não, a concessão de poderes à Diretoria do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná – SIMEPAR para a negociação das propostas aprovadas pela assembleia Geral com as representações da categoria patronal e celebrar as convenções e os acordos coletivos de trabalho, após aprovação da assembleia extraordinária ou plebiscitária;
  5. Frustrada a negociação coletiva referida nos itens anteriores, discussão e deliberação, aprovando ou não, a concessão de poderes à Diretoria do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná – SIMEPAR para, de acordo com alternativa constitucional, eleger arbitro(s) para mediar o conflito;
  6. Frustrada a negociação coletiva com vistas à Convenção e/ou Acordos Coletivos de Trabalho, discussão e deliberação, aprovando ou não, a alternativa constitucional de ajuizamento do competente dissídio coletivo no caso das negociações não se concretizarem em nível administrativo dentro do prazo legal;
  7. Discussão e deliberação, aprovando ou não, a alternativa de que as cláusulas sociais da proposta para Convenção e/ou Acordos Coletivos de Trabalho se constituir a base para a ação de dissídio coletivo, tanto para julgamento quanto para acordo, no caso de não formalização;
  8. Discussão e deliberação, aprovando ou não, a alternativa de que as cláusulas econômicas da proposta para Convenção e/ou Acordos Coletivos de Trabalho se constituir a base para a ação de dissídio coletivo, tanto para julgamento quanto para acordo, no caso de não formalização, em razão de natureza eminentemente alimentar, conforme sustentam os Incisos V, XI, XVI, XXI e XXIII, do artigo 7º, da CF/88;
  9. Discussão, estabelecimento e deliberação, aprovando ou não, a Contribuição (negocial) assistencial e confederativa a ser incorporada na proposta para a ação de dissídio coletivo, nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal. Aqueles que quiserem se opor à contribuição deverão promovê-la expressamente em até dez dias da publicação do presente edital;
  10. Deliberação quanto a manter ou não, em aberta a assembleia geral da categoria até a resolução final da lide;
  11. Deliberação acerca da oportunidade de deflagração de movimento paredista;
  12. Discussão e deliberação de pautas específicas dos empregados de entidades vinculadas a planos de saúde, serviços de atendimentos móveis, entidades da Administração Pública (Fundações Públicas, Consórcios Público, etc) dentre outros;
  13. Discussão e deliberação acerca de acordo nas ações judiciais em trâmite e que beneficiam a categoria, em especial aquelas em face da Fundação Estatal de Atenção em Saúde de Curitiba (FEAS) e outras entidades da administração Pública.

Curitiba, 13 de fevereiro de 2025.

Marlus Volney de Morais
Diretor Presidente

Hospital de Goiânia realiza cirurgia inédita para tratamento de obesidade

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou na terça-feira (18/3) uma cirurgia inédita no Brasil e na América Latina: a estimulação cerebral profunda bilateral do núcleo accumbens para o tratamento de obesidade mórbida (grau III). Ou seja, uma operação cirúrgica no cérebro de um paciente para tratar a obesidade.

O núcleo accumbens é uma região do cérebro que está relacionada a recompensa, prazer, vícios, medo, entre outros. “A obesidade é uma doença, usualmente gerada por uma compulsão, então fizemos um projeto objetivando atuar justamente nesses circuitos cerebrais associados a recompensa e prazer”, explica o neurocirurgião do HC-UFG, Osvaldo Vilela.

Importante salientar que a cirurgia faz parte de um projeto de pesquisa, que visa justamente analisar a efetividade do procedimento e qual a melhor maneira de realizá-lo. Desta forma, a cirurgia é experimental e não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

O primeiro paciente a ser operado será o ajustador de granito Ivan dos Santos Araújo, de 38 anos, natural de Goiânia, e que atualmente pesa 183 quilos.

Ivan conta que começou a ganhar peso aos nove anos de idade e que já fez tratamentos com nutricionistas e endocrinologistas. Em 2015, após um acidente, ele não conseguiu mais perder peso: “Por ter que ficar parado demais, não poder me exercitar, eu não conseguia perder peso. E a obesidade atrapalha a vida em todos os aspectos, atrapalha andar, fazer qualquer coisa do dia a dia normal de uma pessoa”.

O paciente comenta que, no início, ficou receoso, por se tratar de uma cirurgia inédita, mas que depois de pesquisar muito e conversar com os profissionais do HC-UFG está confiante: “Estou com grandes expectativas! Que dê certo, confio em Deus, para melhorar a minha saúde e minha vida física e mental!”.

Parceria internacional

A cirurgia inédita é uma parceria do HC-UFG com a Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A equipe de profissionais do HC-UFG realizou diversas reuniões online com os pesquisadores da Pensilvânia para definir qual a melhor maneira de chegar no núcleo accumbens e onde implantar os eletrodos.

“A Universidade da Pensilvânia é uma das universidades que fazem parte da Ivy League, uma das mais importantes nos Estados Unidos. E lá nós temos um colega, Casey Halpern, e o grupo dele também está começando a tocar um projeto similar, mas num grupo específico de obesidade, então resolvemos fazer um estudo colaborativo”, explica o neurocirurgião Osvaldo Vilela.

Projeto

Pesquisadores do HC e da UFG começaram a escrever, em 2017, um projeto sobre cirurgia cerebral para obesidade, que seria para a implantação de eletrodos, um de cada lado do cérebro, para o tratamento da obesidade mórbida.

“Tem um grupo de pacientes que não respondem nem a tratamento com dieta, psicoterapia e atividades físicas. Esses pacientes que não respondem são candidatos à cirurgia. A cirurgia convencional é a cirurgia bariátrica, mas, em muitos casos – pelo menos 15 a 20% dos casos –, a cirurgia bariátrica não funciona”, afirma Vilela.

O especialista explica que dentro do cérebro há uma estrutura chamada hipotálamo, e no hipotálamo há dois centros importantes: um que é o centro da fome e o outro que é o centro da saciedade. Quando o centro da fome é ativado, a pessoa come. Quando o centro da saciedade é ativado, a pessoa para de comer. Em pesquisas realizadas no Brasil e em outros países, tentaram implantar eletrodos ou no centro da fome ou no centro da saciedade para inibir o centro da fome ou ativar o centro da saciedade para tratar a obesidade.

“Mas eu imaginei que isso era fisiologia pura. Todos nós temos isso, a hora de comer e a hora de parar de comer. Mas obesidade não é isso, obesidade é uma doença, é uma compulsão alimentar. Por isso essas tentativas se provaram inadequadas. Então pensamos: já que isso é uma compulsão alimentar, por que não atuamos naqueles centros relacionados a recompensa e prazer. Aí surgiu a ideia desse projeto de pesquisa”, detalha o médico.

O projeto foi apresentado ao Comitê de Ética do HC-UFG, que levou para Brasília, para aprovação pelo Comitê Nacional de Ética e Pesquisa, sendo aprovado em 2018. Hoje, com a viabilização dos recursos, o HC-UFG iniciará as cirurgias.

Prazer e recompensa

O núcleo accumbens tem duas partes. Uma parte central, que é chamada Core, que tem envolvimento em funções motoras. E uma parte periférica, denominada Shell, que está envolvida em funções límbicas, ou seja, relacionadas aos comportamentos emocionais.

“É nesse Shell do núcleo accumbens que nós vamos implantar o eletrodo. Após a cirurgia, esse paciente será acompanhado por dois anos. Nos primeiros dois ou três meses, nós vamos testar os vários polos do eletrodo para ver aquele que tem uma atuação mais adequada. Depois disso, nós começamos a fase que chamamos de fechada, ou duplo cego do estudo. Aí nós podemos ativar o eletrodo de um lado só, dos dois lados, do outro lado ou nenhum eletrodo”, explica.

“Em cada jeito desse, o paciente fica com ele dois meses. Terminada essa fase fechada vemos qual deu o melhor resultado e vamos manter o restante do período. Então, vocês vão testar para ver qual a melhor opção, porque nós não sabemos. Isso é um projeto de pesquisa”, conclui Vilela.

Os cinco pacientes que participarão do projeto serão acompanhados pela equipe de neurocirurgia e endocrinologia do HC-UFG durante dois anos.

As informações são da Agência Gov