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Vacina da dengue do Butantan mantém 80,5% de eficácia contra casos graves após cinco anos

Os resultados do ensaio clínico de fase 3 da vacina tetravalente Butantan-DV, produzida pelo Instituto Butantan, revelaram uma eficácia de 80,5% contra casos de dengue grave e dengue com sinais de alarme (desfecho combinado) ao longo de cinco anos. O estudo, publicado na prestigiada revista científica Nature Medicine, acompanhou quase 17 mil pessoas no Brasil e confirmou que a proteção se mantém sólida em longo prazo.

O ensaio clínico foi conduzido em 16 centros de pesquisa distribuídos pelas cinco regiões do Brasil. Entre fevereiro de 2016 e julho de 2019, foram recrutados 16.235 participantes com idades entre dois e 59 anos. Do total, 10.259 receberam a dose única da vacina e 5.976 receberam placebo.

Além da alta proteção contra quadros severos, o estudo demonstrou que a Butantan-DV protegeu contra hospitalizações por dengue, já que não houve nenhum registro de internação no grupo vacinado, contra oito casos no grupo placebo.

No que diz respeito à eficácia geral para prevenir a dengue sintomática (causada por qualquer sorotipo), o imunizante atingiu a marca de 65% durante os cinco anos de monitoramento.

“Os dados publicados recentemente na Nature confirmam a eficácia da Butantan-DV contra casos de dengue sintomática e, principalmente, contra casos de dengue grave e com sinais de alarme. Esta vacina se consolida como uma ferramenta de grande importância no combate à dengue no Brasil, com potencial para contribuir para diminuição da circulação do vírus, para além da proteção individual”, afirma a diretora médica de Ensaios Clínicos do Butantan, Fernanda Boulos.

A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 26/11/2025, para ser utilizada pela população brasileira de 12 a 59 anos. Desde então, o Instituto Butantan já enviou 1,3 milhão de doses para o Programa Nacional de Imunizações (PNI), que as distribui ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O Ministério da Saúde começou a vacinação em janeiro deste ano em Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP), por meio de um projeto piloto que visa imunizar 90% do público-alvo destas cidades. Em 9 de fevereiro, deu início à vacinação de profissionais de saúde da Atenção Básica em evento realizado no Instituto Butantan.

Perfil de segurança

A vacina demonstrou um perfil de segurança sólido em todas as idades. Não foram observadas preocupações de segurança a longo prazo mesmo no grupo mais jovem (2 a 6 anos), o que diferencia a Butantan-DV de outras tecnologias.

Após a aplicação da vacina, a maioria dos eventos adversos registrados entre os participantes foram de intensidade leve a moderada, como dor de cabeça (36,7%), fadiga (19,4%), erupção na pele (22,7%), dor muscular (17,7%) e prurido (19,3%).

Um ponto fundamental destacado no estudo é a segurança da Butantan-DV para quem nunca contraiu dengue. Ao contrário de outras vacinas licenciadas, que apresentaram um aumento no risco de hospitalização ou dengue grave em crianças que nunca tinham tido contato com o vírus, a Butantan-DV não apresentou preocupações de segurança nem desequilíbrio de casos graves entre os participantes soronegativos durante os cinco anos de monitoramento.

Não houve registro de nenhum caso de dengue grave entre os participantes que receberam a vacina Butantan-DV durante os cinco anos de acompanhamento, e apenas seis casos de dengue com sinais de alarme. Esta proteção total contra a forma mais severa da doença reflete a alta eficácia do imunizante para evitar complicações críticas.

Eficácia por sorotipo e histórico de exposição

A vacina Butantan-DV demonstrou ser eficaz independentemente de a pessoa já ter tido dengue ou não antes da vacinação. Para quem já havia sido exposto ao vírus (soropositivo), a eficácia contra qualquer sorotipo foi de 77,1%, enquanto para aqueles sem exposição prévia (soronegativo), o índice foi de 58,9%. Essa diferença se deve à forma como o sistema imunológico reage ao imunizante após uma exposição prévia ao vírus.

Em relação aos sorotipos específicos, para DENV-1 a eficácia foi de 79,4% para quem já teve dengue e 71,4% para quem nunca teve; para o DENV-2, a eficácia de 75,2% para os soropositivos e 36,7% para os soronegativos.

Apesar de a estimativa pontual para o DENV-2 em indivíduos sem exposição prévia ser numericamente inferior, os pesquisadores destacam que ela permaneceu positiva em todos os grupos. Além disso, a vacina atingiu os objetivos primários (dado geral) e secundários (doença grave) de eficácia, independentemente do histórico de cada voluntário com a dengue.

Como durante o período da pesquisa, os sorotipos DENV-3 e DENV-4 não circularam de forma significativa no Brasil, não foi possível medir estatisticamente a eficácia contra eles. No entanto, o estudo ressalta que a vacina contém componentes quase completos desses sorotipos e induz anticorpos neutralizantes específicos, o que deve garantir proteção contra as quatro cepas do vírus.

Eficácia de diferentes faixas etárias

A eficácia da Butantan-DV variou entre as faixas etárias, apresentando uma tendência de maior proteção conforme aumentava a idade dos participantes. Ainda assim, as estimativas permaneceram positivas em todas as idades após cinco anos de acompanhamento.

A eficácia contra a dengue sintomática (causada por qualquer sorotipo) em adultos de 18 a 59 anos foi de 74,8%; em adolescentes de 7 a 17 anos, de 69,5%; e em crianças de dois a 6 anos, de 60,6%.

Essa variação está relacionada ao perfil imunológico de cada grupo. O estudo mostra que a proporção de pessoas que nunca tiveram dengue (soronegativas) diminui drasticamente com o passar da idade. Isto é, enquanto 80,7% das crianças de 2 a 6 anos eram soronegativas no início do estudo, esse número caía para 36% entre adolescentes e para apenas 26,8% entre os adultos.

Como a eficácia da vacina tende a ser maior em indivíduos que já tiveram exposição prévia ao vírus, os grupos mais velhos acabam apresentando índices de proteção mais elevados.

Eficácia a longo prazo

Ao final dos cinco anos de acompanhamento, a eficácia geral da vacina contra a dengue sintomática (causada por qualquer sorotipo) consolidou-se em 65,0%. Isso indica que a proteção se manteve sólida e dentro da margem esperada, não representando queda drástica na imunidade.

A vacina atingiu todos os objetivos primários e secundários de eficácia estabelecidos no protocolo, confirmando sua capacidade de proteção em longo prazo.

“Os dados de seguimento de longo prazo confirmam que a eficácia gerada pela vacinação em dose única foi duradoura e que o perfil de segurança da vacina é positivo em todos os grupos avaliados. Esta avaliação solidifica a robustez nos dados de segurança, confirmando que a Butantan-DV pode ser utilizada em pessoas sem exposição prévia à dengue”, ressalta Fernanda Boulos.

Sobre a Butantan-DV

A vacina da dengue do Instituto Butantan protege contra os diferentes tipos de vírus da dengue por meio de sua composição tetravalente, o que significa que ela contém componentes específicos para combater os quatro sorotipos conhecidos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

O imunizante utiliza vírus vivos, mas “enfraquecidos” (atenuados) em laboratório, para que não causem a doença enquanto são capazes de estimular uma resposta imune. As cepas utilizadas são baseadas em uma tecnologia originalmente desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês).

Para os sorotipos DENV-1, DENV-3 e DENV-4, a vacina utiliza genomas quase completos dos respectivos vírus. Já para o DENV-2, a proteção é construída utilizando-se de vírus quimérico, que consiste nas proteínas de superfície do DENV-2 montadas sobre a estrutura (“esqueleto”) atenuada do vírus DENV-4.

Uma vez aplicada, a vacina gera uma viremia vacinal, que é a replicação controlada desses vírus atenuados no corpo. Isso induz o sistema imunológico a produzir anticorpos neutralizantes específicos para cada um dos quatro sorotipos. O objetivo é criar uma imunidade específica para cada um deles, para que o organismo reconheça e neutralize as variantes de forma individualizada.

A vantagem da dose única

Um dos grandes diferenciais da vacina Butantan-DV é o seu esquema de dose única, o que facilita a logística de vacinação, melhora a adesão da população e promove uma cobertura vacinal mais rápida.

A razão pela qual apenas uma dose é necessária reside na alta capacidade de replicação inicial do vírus vacinal, que induz uma resposta imune suficiente para prevenir a replicação de doses subsequentes.

Estudos demonstraram que uma segunda dose não produzia nova viremia vacinal nem reforçava a resposta de anticorpos, o que indica que a primeira dose já atinge o patamar de proteção necessário. Esta é uma característica comum em outras vacinas de vírus vivos atenuados que apresentam sucesso em dose única.

Diferentemente de vacinas que exigem duas ou três doses, a tecnologia do Butantan permite que a proteção contra a dengue sintomática e casos graves seja estabelecida com apenas uma aplicação, independentemente de a pessoa já ter tido a doença anteriormente.

O ensaio clínico de fase 3 da Butantan-DV contou com financiamento do Ministério da Saúde, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da Fundação Butantan.

As informações são do Instituto Butantan.

Curitiba inicia circuito especial de atenção à Saúde da Mulher aos sábados

Em março, além do atendimento normal de segunda a sexta-feira, 47 unidades de saúde oferecerão aos sábados, de forma escalonada, um combo de cuidados voltado ao público feminino. É o Circuito da Mulher (veja a programação abaixo).

A ação acontece em alusão ao Dia Internacional a Mulher, comemorado em 8 de março. O atendimento será aos sábados, das 8h às 12h.

Para participar, é preciso ser usuária do SUS Curitibano e agendar previamente pela Central Saúde Já Curitiba, pelo telefone (41) 3350-9000. A Central funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 22h, inclusive nos feriados; e nos sábados e domingos, das 8h às 20h.

“Será uma oportunidade para colocar em dia exames preventivos, atualizar a carteira de vacinação e acolher a curitibana com orientações importantes de prevenção e promoção da saúde”, diz a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak.

O agendamento pela Central Saúde Já para os sábados será feito para atendimento na unidade de saúde que estiver programada para abrir e que pertencer ao distrito sanitário de residência da usuária.

Circuito da Mulher

As mulheres que decidirem participar do Circuito da Mulher, no mês de março, passarão por atendimento em sistema de circuito (com cinco ou seis etapas, a depender de cada caso).

No Acolhimento, a etapa 1, é realizada uma triagem pela equipe, em que se faz uma análise global da situação de saúde da paciente e se analisa se a mulher tem alguma queixa específica de saúde. Nesta etapa, as mulheres que desejam parar de fumar também poderão conhecer o programa de cessação do tabagismo e agendar a participação em grupo com equipe multidisciplinar com esse objetivo.

Na etapa 2, é realizada avaliação vacinal e imunização. Na etapa 3, é feita a testagem rápida de sífilis e HIV. Na etapa 4, haverá consulta com a enfermagem, para solicitação de exames (conforme necessidade de cada paciente), realização do exame preventivo de colo de útero (mulheres de 25 a 64 anos), exame clínico das mamas e agendamento de mamografia (mulheres de 40 a 74 anos).

Mulheres com obesidade são encaminhadas para a etapa 5, para realizar orientação nutricional e vinculação para continuidade de tratamento na unidade de saúde de referência.

Na parada 6, é realizado um exame clínico para avaliar a necessidade de algum atendimento de emergência ou agendamento especial. É realizada, ainda, neste momento, orientações de saúde bucal.

“O Circuito é uma oportunidade interessante para resolver várias questões de saúde de uma só vez. O atendimento à saúde feminina é uma prática constante em nossas unidades, porém, frequentemente, as mulheres enfrentam uma agenda cheia e priorizam outras atividades, relegando esse cuidado a um segundo plano. O circuito resolve esse problema de maneira prática”, comenta a diretora de Atenção Primária, Juliana Hencke.

Segundo ela, a ação no mês da Mulher visa chamar a atenção do público feminino para a necessidade manter exames em dia. “Será uma forma de mostrar que a saúde deve ter prioridade na rotina das famílias”, diz Juliana.

Programação

Confira a agenda dos sábados do Circuito da Mulher, que acontece das 8h às 12h, em março:

Distrito Sanitário Bairro Novo
7/3 – US Coqueiros (Rua Coronel Victor Agner Kendrick, 80 – Sítio Cercado)
14/3 – US Bairro Novo (Rua Paulo Rio Branco de Macedo, 791 – Sítio Cercado)
21/3 – US Xapinhal (Rua Elbe de Macedo, 100 – Sítio Cercado)
28/3 – US Osternack (Rua Miguel Rossetim, 100 – Vila Osternack – Sítio Cercado)

Distrito Sanitário Boa Vista
7/3 – US Bairro Alto (Rua Jornalista Alceu Chichorro, 314 – Bairro Alto)
14/3 – US Abranches (Rua Aldo Pinheiro, 60 – Abranches)
21/3 – US Santa Cândida (Avenida Paraná, 5.050 – Santa Cândida)
28/3 – US Abaeté (Rua Delegado Miguel Zacarias, 403 – Boa Vista)

Distrito Sanitário Boqueirão
7/3 – US Jardim Paranaense (Rua Pedro Nabosne, 57 – Alto Boqueirão)
14/3 – US Vila Hauer (Rua Waldemar Kost, 650 – Hauer)
21/3 – US Eucaliptos (Rua Lázaro Borsato, 150 – Alto Boqueirão)
28/3 – US Menonitas (Rua Domicio da Costa, 52 – Xaxim)

Distrito Sanitário Cajuru
07/3 – US Iracema (Rua Professor Nivaldo Braga, 1.571 – Capão da Imbuia)
14/3 – US Uberaba de Cima (Rua Capitão Leônidas Marques, 1.392 – Uberaba)
21/3 – US Cajuru (Rua Pedro Bochino, 750 – Vila Oficinas)
28/3 – US Camargo (Rua Pedro Violani, 364 – Cajuru)

Distrito Sanitário CIC
7/3 – US Caiuá (Rua Arnaud Ferreira Vellozo, 200 – Cidade Industrial) e US Jardim Gabineto (Rua Engenheiro João Vizinoni, 458 – Cidade Industrial)
14/3 – US Thaís Viviane Machado (Rua Gastão Natal Simone, 5 – Cidade Industrial) e US Campo Alegre (Avenida das Indústrias, 1.749 – Cidade Industrial)
21/3 – US Vila Verde (Rua Emílio Romani, 2.684 – Cidade Industrial) e US São Miguel (Rua Des. Cid Campelo, 8.060 – Cidade Industrial)
28/3 – US Atenas (Rua Emília Erichsen, 45 – Cidade Industrial) e US Tancredo Neves (Rua Professora Hilda Hank Gonçalves, 435 – Cidade Industrial)

Distrito Sanitário Matriz
14/3 – US Mãe Curitibana (Rua Jaime Reis, 331 – Alto do São Francisco)
28/3 – US Capanema (Rua Manoel Martins de Abreu, 830 – Prado Velho)

Distrito Sanitário Pinheirinho
7/3 – US Sagrado Coração (Rua Antônio Claudino, 375 – Pinheirinho)
14/3 – US Maria Angélica (Rua Professor Júlio Teodorico Guimarães, 337 – Pinheirinho)
21/3 – US Fanny Lindóia (Rua Conde dos Arcos, 295 – Lindóia)
28/3 – US Concórdia (Rua Dilermando Pereira de Almeida, 700 – Pinheirinho)

Distrito Sanitário Portão
7/3 – US Santos Andrade (Rua Nelson Ferreira da Luz, 145 – Campo Comprido) e US Parolin (Rua Sergipe, 59 – Vila Guaíra)
14/3 – US Santa Quitéria II (Rua Bocaíuva, 310 – Santa Quitéria) e US Vila Guaíra (Rua São Paulo, 1.495 – Vila Guaíra)
21/3 – US Santa Amélia (Rua Berta Klemtz, 215 – Fazendinha)
28/3 – US Santa Quitéria I (Rua Divina Providência, 1.445 – Santa Quitéria) e US Estrela (Rua Francisco Nowotarski, 204 – Fazendinha)

Distrito Sanitário Santa Felicidade
7/3 – US Bom Pastor (Rua José Casagrande, 220 – Vista Alegre)
14/3 – US Pinheiros (Rua Joanna Emma Dalpozzo Zardo, 370 – Santa Felicidade)
21/3 – US Pilarzinho (Rua Amauri Lange Silvério, 1.251 – Pilarzinho)
28/3 – US Campina do Siqueira (Rua General Mário Tourinho, 1684 Campina do Siqueira) e Nova Orleans (Avenida Vereador Toaldo Tulio, 4.577 – Orleans)

Distrito Sanitário Tatuquara
14/03 – US Pompeia (Rua João Batista Bettega Jr, 125 – Tatuquara) e US Moradias da Ordem (Rua Jovenilson Americo de Oliveira, 240 – Tatuquara)
21/03 – US Dom Bosco (Rua Angelo Tosin, 100 – Campo do Santana), US Monteiro Lobato (Rua Olivio José Rosetti, 538 -Tatuquara) e US Caximba (Rua Delegado Bruno de Almeida, 7.881 – Caximba)

Serviços realizados no Circuito:

  • Avaliação vacinal e imunização;
  • Testagem rápida de sífilis e HIV;
  • Realização do exame preventivo de colo de útero (mulheres de 25 a 64 anos);
  • Exame clínico das mamas;
  • Agendamento de mamografia (mulheres de 40 a 74 anos);
  • Orientação nutricional (em caso de obesidade);
  • Orientações de saúde bucal e para cessação do tabagismo.

 

As informações são da Prefeitura de Curitiba.

[VÍDEO] 3º episódio do Simepar Cast debate Cooperativismo e geração de trabalho na Medicina

No terceiro episódio do Simepar Cast, vamos aprofundar um tema fundamental para a carreira médica, que são as relações de trabalho na Medicina e o cooperativismo como alternativa sólida, estruturada e sustentável para os médicos.

Para essa conversa, recebemos uma referência no assunto: Dr. Rached Hajar Traya, diretor-presidente da Unimed Curitiba, a maior operadora de planos de saúde do Paraná e uma das maiores do sistema Unimed no país.

Assista ao Simepar Cast:

É importante ressaltar que escolhemos a Unimed Curitiba não por acaso. Ela faz parte do maior sistema cooperativo de Saúde no mundo, um exemplo concreto de como o cooperativismo pode transformar a vida profissional dos médicos e fortalecer a assistência à população.

A Unimed nasceu de um movimento de médicos que buscavam autonomia e segurança nas relações de trabalho. Na época, o Sindicato Médico de Santos enfrentava dificuldades trabalhistas e, como alternativa, os médicos se uniram para criar algo novo, uma cooperativa da própria classe. Esse modelo segue relevante até hoje, gerando trabalho, renda e sustentabilidade para milhares de médicos.

Neste episódio, discutimos também as diferenças entre cooperativas e sindicatos – enquanto o sindicato busca garantir direitos trabalhistas, a cooperativa se organiza em torno da autogestão e da sustentabilidade econômica para gerar trabalho e renda aos seus cooperados. Um debate estratégico para quem deseja compreender os caminhos possíveis para uma carreira médica mais segura, autônoma e estruturada.

Sesa alerta para riscos de quedas de idosos; foram 13 mil casos no Paraná em 2025

Paraná possui mais de 2 milhões de pessoas idosas, o que representa 17,6% da população, cenário que exige planejamento permanente e monitoramento contínuo. Embora quedas possam ocorrer em qualquer idade, seus impactos na população acima de 60 anos são desproporcionalmente graves, levando a fraturas, perda de autonomia e complicações graves. Diante deste cenário, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alerta para a conscientização e prevenção de quedas em idosos e destaca que a maioria desses acidentes podem ser evitados com medidas simples.

Segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), o Paraná registrou ano passado 13.077 internações de idosos por quedas, com uma prevalência maior entre as mulheres, que somaram 8.021 registros contra 5.056 de homens. A gravidade dos acidentes se reflete no número de mortes, que aumenta progressivamente com a idade. No mesmo ano, foram 412 óbitos, sendo 226 deles na faixa etária com mais de 80 anos, que também concentra a maior taxa de quedas do último ano, chegando a representar 50% dos casos.

As quedas de idosos raramente são eventos isolados, estando frequentemente associadas a um declínio funcional gradual, que inclui a perda de força muscular, alterações de equilíbrio e o uso de múltiplos medicamentos. Fatores ambientais, como tapetes soltos, iluminação inadequada e falta de barras de apoio, também desempenham um papel crucial, especialmente dentro de casa, onde a maioria dos acidentes ocorrem.

Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, os dados mostram que as quedas não podem ser tratadas como acidentes isolados, mas sim como um evento comum e, muitas vezes, evitável. Ele ressalta a importância de uma abordagem coletiva para o problema.

“É uma questão de saúde pública com impacto direto na qualidade de vida, na independência e na sobrecarga dos serviços de saúde. A prevenção de quedas é um cuidado coletivo que envolve toda a sociedade incluindo familiares, cuidadores, profissionais de saúde, gestores públicos e as próprias pessoas idosas. Todos têm um papel na construção de um envelhecimento mais seguro e saudável”, afirmou.

REFERÊNCIA NO ATENDIMENTO – O Hospital do Trabalhador (HT), em Curitiba, é referência no atendimento a traumas no Paraná e recebe diariamente pacientes idosos vítimas de quedas. O hospital possui um protocolo específico e rigoroso para agilizar o atendimento de idosos com fraturas deste tipo e o objetivo de realizar a cirurgia em até 48 horas, o que aumenta significativamente a sobrevida do paciente. Situações específicas, incluindo pacientes sob uso contínuo de medicamentos, como anticoagulantes, por exemplo, podem ter que aguardar um prazo maior para a realização do procedimento.

Quando um idoso chega ao pronto-socorro do HT com histórico de queda e suspeita de fratura, a equipe faz uma avaliação rápida, confirmado o diagnóstico com raio-X, e começa a contagem do tempo de otimização para a cirurgia. O paciente passa por avaliação clínica, avaliação anestésica e exames pré-operatórios, tudo para que a cirurgia aconteça no menor tempo possível.

De acordo com o médico ortopedista, especialista em cirurgia do quadril do HT e gerente técnico do Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), Bruno Schuta Bodanese, a agilidade no atendimento é fundamental para evitar complicações. “A partir de 48 horas, o efeito na mortalidade aumenta. O pós-operatório, normalmente, é na UTI, justamente pela idade e pela gravidade do trauma cirúrgico. Porém, no dia seguinte da cirurgia, o paciente já senta, já começa a fazer exercício e a andar”, explicou o especialista.

Um diferencial importante do HT é a integração com o CHR, que faz parte do Complexo do Hospital do Trabalhador. Todos os pacientes que realizam a cirurgia de quadril são encaminhados para acompanhamento em fisioterapia após deixar o hospital. O tempo de recuperação varia de acordo com o estado clínico de cada paciente, mas geralmente dura de três a seis meses. “Nós acionamos em 100% dos casos o Centro de Reabilitação. O paciente sai de alta aqui do Trabalhador, já com a fisioterapia agendada para ter uma reabilitação mais adequada, um fluxo melhor, tudo isso de uma forma mais direcionada”, explicou Bodanese.

OSTEOPOROSE – Um fator agravante frequentemente subdiagnosticado é a osteoporose, uma doença silenciosa que se caracteriza pela perda progressiva de massa óssea, tornando os ossos frágeis e suscetíveis a fraturas. Uma estimativa do Ministério da Saúde aponta que 50% das mulheres e 20% dos homens com 50 anos ou mais sofrerão uma fratura osteoporótica ao longo da vida. Em um idoso com osteoporose, uma queda que poderia resultar em apenas um hematoma pode levar a uma fratura grave, como a de fêmur, que tem altas taxas de mortalidade e perda de independência.

PREVENÇÃO – As estratégias de prevenção são multifatoriais e incluem desde a prática regular de exercícios físicos para fortalecimento muscular e ósseo até a revisão periódica de medicamentos. Para combater a fragilidade óssea, a recomendação é manter uma dieta rica em cálcio e a exposição solar moderada para produção de vitamina D.

Ainda sobre prevenção, o SUS disponibiliza medicamentos para tratamento da osteoporose e acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). No último ano, o Paraná registrou crescimento de 165,54% no número de pessoas idosas avaliadas pelas equipes de saúde.

Em casa, a adaptação do imóvel com a instalação de barras de apoio, a melhora da iluminação, remoção de obstáculos, tapetes e pantufas escorregadias também são recomendadas para evitar quedas.

LINHA DE CUIDADO AO IDOSO – O esforço para reduzir a incidência de quedas é contínuo e também envolve a capacitação de profissionais de saúde, a realização de campanhas de conscientização e a promoção de um envelhecimento ativo e saudável.

Para a diretora de Atenção e Vigilância da Sesa, Maria Goretti David Lopes, a capacitação de profissionais e materiais de apoio são referências para orientação de famílias, profissionais e cuidadores.

“O projeto Envelhecer com Saúde no Paraná norteia nossos trabalhos, ações e iniciativas voltadas à população idosa no Estado. Mantemos um olhar atento a esse público e sabemos da importância de aprimorar continuamente nossas políticas públicas para garantir um envelhecimento com dignidade e segurança”, explicou a diretora.

A Sesa tem investido em políticas públicas robustas, como o projeto Envelhecer com Saúde no Paraná. Uma das principais ferramentas dessa iniciativa é o Manual de Prevenção de Quedas para Idosos, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). O material oferece orientações práticas para adaptar o ambiente doméstico e adotar comportamentos seguros, servindo como um guia para idosos, familiares e cuidadores.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Sesa alerta para riscos do uso indiscriminado e descarte das canetas emagrecedoras

O uso das chamadas canetas emagrecedoras transformou o tratamento da obesidade. Mas o rápido crescimento dessa tendência traz um importante alerta de que o medicamento não é uma solução mágica e o uso do produto requer rigor e acompanhamento médico. Originalmente desenvolvidos para o controle da diabetes tipo 2, esses fármacos atuam retardando o esvaziamento gástrico e enviando sinais de saciedade ao cérebro. Mas a banalização do uso estético gera preocupação e pode acarretar em graves problemas de saúde.

“Esses medicamentos são eficazes, se utilizados sob supervisão, com indicação médica e para a finalidade específica de que foi desenvolvida. Usar sem critérios, pode gerar complicações. Por isso, é muito importante tomar o devido cuidado”, diz o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Apesar de popularizadas como canetas emagrecedoras, elas não foram criadas para a finalidade específica de emagrecimento, e sim para tratamento de pacientes considerados pré-diabéticos, ou seja, que apresentam níveis de glicose no sangue acima do normal, mas ainda não elevados o suficiente para o diagnóstico de diabetes, o emagrecimento gerado pelo uso das canetas é na verdade um ‘efeito colateral’. Elas não são distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Não se trata de uma droga anorexígena [inibidora de apetite]. A ação no organismo é a sensação de saciedade. A pessoa come uma torrada no café da manhã e no almoço ainda não sente fome, então, esse emagrecimento acaba sendo um efeito secundário”, explicou o diretor-geral da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), César Neves.

O uso desse medicamento, sem acompanhamento médico, por pessoas que não apresentem sobrepeso ou não estejam pré-diabéticas, pode gerar problemas de saúde, como, por exemplo, picos de hipoglicemia, que é caracterizado pela queda rápida e acentuada dos níveis de açúcar no sangue, resultando em tremores, tontura, sudorese, fome e confusão mental, e ainda, em casos mais graves chegar a uma pancreatite, que é a inflamação do pâncreas, um órgão essencial para a digestão e produção de hormônios.

TRATAMENTO GRATUITO – No Paraná, é possível receber atendimento e tratamento gratuitos para a obesidade na saúde pública. “A orientação é para que a pessoa procure atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), que é a porta de entrada para o atendimento. Se for um paciente que precise de atenção quanto à obesidade, ele será encaminhado para um médico endocrinologista, que vai solicitar um perfil metabólico e dentro disso vai avaliar qual é o melhor tratamento ou medicamento para esse paciente e vai fazer o acompanhamento necessário”, afirmou Neves.

DESCARTE – Para além do alerta em relação ao uso indiscriminado e sem acompanhamento médico, a popularização dos medicamentos injetáveis para perda de peso traz à tona também outro desafio, o descarte correto das canetas e agulhas. Diferente de uma cartela de comprimidos comum, as canetas emagrecedoras são formadas por componentes eletrônicos, plásticos e, o mais crítico, resíduo biológico perfurocortante. Jogar esse material no lixo comum ou no reciclável é um erro grave.

As agulhas utilizadas nas canetas podem transmitir doenças se perfurarem um trabalhador da limpeza urbana ou coletor de recicláveis. Além disso, o medicamento restante no dispositivo pode contaminar o solo e a água.

Para o descarte correto de medicamentos injetáveis, seja a caneta emagrecedora, seringas e agulhas, é necessário utilizar recipientes plásticos rígidos, com tampa rosqueada, como embalagem de amaciante. Quando o recipiente atingir 2/3 da capacidade, ele deve ser fechado e identificado com a frase “resíduo perfurocortante”, e ser levado até uma UBS, que funciona como ponto de entrega voluntária.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Paraná já tem 8 aplicações de polilaminina para regeneração de nervos

João Luiz Miquelini, 70 anos e morador de Colombo, sofreu uma queda em dezembro de 2025 de aproximadamente 3 metros de altura e fraturou a coluna, ficando sem movimentos abaixo da cintura. Nesta terça-feira (03), começou a escrever um novo capítulo de sua história ao ser o primeiro paciente a receber a polilaminina no Hospital do Trabalhador (HT), em Curitiba, onde recebeu os primeiros atendimentos após o incidente, o que envolveu inclusive uma cirurgia de estabilização. No Paraná já foram realizadas outras sete aplicações da polilaminina. No Brasil, foram 30.

A polilaminina é um composto experimental brasileiro, derivado da laminina (proteína da placenta), desenvolvido para regenerar nervos após lesões na medula espinhal, atuando como um andaime que facilita o crescimento e reconexão neural, sendo uma esperança para paraplégicos e tetraplégicos, embora ainda em fase de pesquisa clínica e sem aprovação final da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo.

Para João, essa é a esperança de recuperar os movimentos das pernas e voltar a andar. Após realizar o procedimento, já no quarto, ele contou a primeira coisa que fará quando voltar a andar. “São 80 dias assim. A esperança se renova e é grande. Agora é ir para a fisioterapia e ficar bom logo. Estávamos nessa expectativa, batalhando e hoje realizou o sonho”, afirmou.

Viviane Miquelini, filha do João, aguarda ansiosamente o resultado. Ela e toda a família seguem agora na expectativa da evolução do processo de reabilitação do pai. “Para a gente já é uma grande notícia ele estar recebendo essa aplicação, fico imaginando para ele, a esperança de poder voltar a ter os movimentos, a andar”, disse.

Nesse processo, chamado de compassivo, a aplicação do medicamento pode ocorrer em até 90 dias após a lesão. O Programa de Uso Compassivo da Anvisa permite que pacientes com doenças graves tenham acesso a medicamentos ou produtos de terapia avançada ainda sem registro, mas que demonstrem promessa de benefício terapêutico.

“O paciente assina um termo informando que gostaria de receber o composto e que está ciente que ainda não se tem os termos de efeitos adversos descritos e evidências estabelecidas, que o estudo clínico está sendo realizado e que, apesar disso, gostaria de receber o composto. Esse pedido passa por uma comissão de segurança da Anvisa, que autoriza ou não a aplicação”, explicou o médico e pesquisador Arthur Luiz Freitas Forte.

O médico neurocirurgião João Elias Ferreira El Sarraf foi quem realizou a aplicação da polilaminina e explicou como é o procedimento. Ele é um dos quatro médicos capacitados no País para o procedimento. “A medicação é aplicada em cima da lesão medular, em centro cirúrgico, com sedação e anestesia local. Definimos o melhor ponto de aplicação. É como se fosse uma desconexão, tem dois pontos desconectados e a polilaminina agiria ‘unindo’ esses dois pontos”, relatou.

APOIO DO GOVERNO DO PARANÁ – Os médicos pesquisadores apresentaram a iniciativa ao governador Carlos Massa Ratinho Junior em reunião no Palácio Iguaçu, em Curitiba. Tatiana Coelho de Sampaio, bióloga e professora doutora da UFRJ, e Rogério Almeida, vice-presidente de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação no Laboratório Cristália, que está produzindo o medicamento, também participaram de maneira virtual.

Na conversa, o governador assistiu uma explicação dos resultados da pesquisa, que começou na universidade e agora está perto de iniciar a fase 1 na Anvisa, e colocou à disposição apoio logístico da Casa Militar para transporte do medicamento e de pacientes dentro da janela de 72 horas idealizada para pesquisa, e também disse que a Fundação Araucária pode auxiliar a expandir o treinamento de médicos aplicadores do composto.

“Colocamos toda a rede de saúde do Estado à disposição, da organização do transporte da polilaminina ao treinamento de outros médicos para estarem aptos a fazer a aplicação”, disse o governador. “É um medicamento que vai mudar a humanidade, que foi descoberto por uma brasileira que conduz o estudo com uma equipe médica composta por um paranaense”.

O médico pesquisador e CEO da Lamilamb, Mitter Mayer, detalhou a importância da operacionalização para que o tratamento seja aplicado dentro da janela estipulada, ou seja, até três dias após o trauma. “É um processo muito rápido e ágil. Assim que o paciente dá entrada no hospital, o médico responsável deve fazer a avaliação do quadro e se ele é elegível para o tratamento. Em seguida, protocolamos o caso na Anvisa e o medicamento precisa chegar até o local em até 72 horas”, explicou. “O apoio dos estados é muito importante na identificação, na logística e também no pós, com intensa fisioterapia”.

Para o secretário de Saúde, Beto Preto, esse avanço da ciência é importante para o tratamento de casos de lesões graves que levam a paraplegia. Ele também colocou o Hospital de Reabilitação à disposição para auxiliar pacientes do Paraná e até mesmo de outros estados. “Além dessa descoberta imensa, a fisioterapia depois é essencial para garantir a possibilidade de retomada dos movimentos, e temos estrutura e equipe prontas para isso”, disse.

“Sempre defendi e continuarei defendendo a ciência. A polilaminina é uma esperança para as pessoas vítimas de traumas graves. Os resultados são importantes e nós tivemos a oportunidade de fazer aqui no Hospital do Trabalhador, o primeiro caso feito na nossa Capital. Essa aplicação aqui no Hospital do Trabalhador é de extrema importância, em especial pela referência que ele é no atendimento ao trauma para a Grande Curitiba”, complementou.

“Este primeiro caso teve uma importante ação da família e agora nós vamos tentar encurtar mais os prazos para que nós possamos, quem sabe, beneficiar mais alguns pacientes que vieram ao Hospital Trabalhador, que é um grande centro de traumas. Quem sabe não seja um alento para a expectativa, para o futuro, para o prognóstico desses pacientes”, completou Beto Preto.

POLILAMININA – Criada por pesquisadores da UFRJ, a polilaminina está em fase de estudos e aguarda aprovação da Anvisa para a fase 1. A pesquisa iniciada há mais de 25 anos é chefiada pela doutora Tatiana Coelho de Sampaio, com apoio de produção da Cristália. Baseada na proteína laminina, ela age reorganizando o tecido nervoso e estimulando a regeneração de neurônios, com potencial para reverter/amenizar quadros de paralisia.

Estudos preliminares no âmbito acadêmico mostraram resultados promissores, com alguns pacientes recuperando movimentos, mas ainda são necessários estudos para validar sua eficácia e segurança, o que deve levar alguns ano.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Uma em cada cinco crianças e adolescentes de todo o planeta tem sobrepeso ou obesidade

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 revelam – no Dia Mundial da Obesidade, lembrado hoje (4) – que 20,7% das crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos em todo o planeta vivem com sobrepeso ou obesidade – o equivalente a um em cada cinco, totalizando 419 milhões. A previsão da Federação Mundial de Obesidade é que, até 2040, o número salte para 507 milhões de crianças e adolescentes no mundo com sobrepeso ou obesidade.

Em nota, a entidade alerta que a obesidade e o sobrepeso na infância levam a condições semelhantes às observadas em adultos, incluindo quadros como hipertensão e doença cardiovascular. A estimativa é que, até 2040, 57,6 milhões de crianças apresentem sinais precoces de doença cardiovascular e que 43,2 milhões apresentem sinais de hipertensão.

“O atlas mostra como as ações para enfrentar a obesidade infantil permanecem inadequadas em todo o mundo, com muitos países aquém do conjunto de políticas necessárias para prevenção, monitoramento, rastreamento e manejo”, destacou a federação, ao cobrar medidas firmes para reverter as tendências atuais.

Entre as ações a serem implementadas, a entidade destaca impostos sobre bebidas adoçadas com açúcar; restrições ao marketing direcionado a crianças, incluindo plataformas digitais; implementação das recomendações globais de atividade física para crianças; proteção do aleitamento materno; padrões mais saudáveis de alimentação escolar e integração da prevenção e do cuidado aos sistemas de atenção primária.

Brasil

Os números revelam que, no Brasil, 6,6 milhões de crianças com idade entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso ou obesidade. O número sobe para 9,9 milhões quando considerados crianças e adolescentes com idade entre 10 e 19 anos, totalizando 16,5 milhões de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos vivendo com sobrepeso ou obesidade no país.

Desse total, quase 1,4 milhão foram diagnosticados, em 2025, com hipertensão atribuída ao Índice de Massa Corporal (IMC), enquanto 572 mil foram diagnosticados com hiperglicemia atribuída ao IMC; 1,8 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4 milhões com doença hepática esteatótica metabólica (quando há acúmulo de gordura no fígado).

A previsão é que, até 2040, os números no Brasil passem a ser os seguintes: mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes com idade entre 5 e 19 anos diagnosticados com hipertensão atribuída ao IMC; 635 mil com hiperglicemia atribuída ao IMC; 2,1 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e 4,6 milhões com triglicerídeos elevados atribuídos ao IMC; e doença hepática esteatótica metabólica.

Análise

Para o vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Bruno Halpern, o atlas mostra “crescimento assustador” nos índices de obesidade e sobrepeso infantil em todo o mundo, sobretudo em países de média e baixa renda.

“A alimentação à base de alimentos pouco ricos nutricionalmente, ultraprocessados e baratos vem crescendo exponencialmente. Isso afeta mais crianças de classes socioeconômicas mais baixas dentro desses países.”

“O Brasil não é exceção. Há dois anos, a gente já sabia que, em dez anos, metade das crianças e adolescentes no Brasil teria sobrepeso ou obesidade. Os dados estão se confirmando. Os índices estão crescendo, são alarmantes”, completou.

Halpern, que também é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e presidente eleito da Federação Mundial de Obesidade para o biênio 2027-2028, lembra que a obesidade é problema de todos. “Temos 8 bilhões de razões para agir – a população do mundo”.

“Temos que sair da ideia de que a obesidade é um problema individual e entender que, hoje, é também um problema socioeconômico”, disse. “Se metade das crianças vai ter obesidade ou sobrepeso em alguns anos, não é problema dos outros, é problema de todos nós. Se não for o seu filho, vai ser o filho da sua irmã ou alguém muito próximo vivendo com isso”, completou.

“Precisamos ter estratégias de taxação de ultraprocessados e refrigerantes, a gente precisa diminuir a propaganda infantil. A gente precisa trabalhar também a obesidade materna, que é um ponto que o atlas focou bem. Se a gente tratar a obesidade nas mães, pode ser uma forma de prevenir a obesidade dessas crianças no futuro”, concluiu.

As informações são da Agência Brasil.

Comissão da Câmara aprova piso salarial de Médicos e Cirurgiões Dentistas em R$ 10,9 mil

A Comissão do Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que fixa em R$ 10.991,19 o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas. O valor, referente a uma jornada mínima de 20 horas semanais (ou 4 horas diárias), será reajustado anualmente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Por recomendação do relator, deputado Lucas Ramos (PSB-PE), foi aprovado o Projeto de Lei 765/15 e apensados conforme substitutivo adotado pela Comissão de Saúde.

“É fundamental considerar a valorização desses profissionais como estratégia para reduzir a desigualdade de acesso a serviços médicos e odontológicos em regiões mais remotas, onde a falta de incentivo financeiro dificulta a fixação de profissionais”, defendeu o relator.

A proposta também moderniza as regras de jornada. Foi aprovada uma emenda que estabelece:

  • Hora noturna: a duração da hora de trabalho noturno será computada como 52 minutos e 30 segundos.
  • Adicional de 50%: tanto o trabalho noturno quanto as horas extras deverão ter uma remuneração pelo menos 50% superior à hora normal.

 

O substitutivo altera a Lei 3.999/61, que trata do piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas.

Próximos passos

A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões  de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

As informações são da Agência Câmara de Notícias.

Paraná dá início a nova política de prevenção da fragilidade óssea

O Paraná estruturou uma nova estratégia de prevenção à fragilidade óssea no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), integra acompanhamento especializado para o tratamento e reabilitação da osteoporose visando reduzir o risco de novas fraturas e diminuir a mortalidade associada à condição. O projeto foi implementado de maneira pioneira na região Norte e está em processo de expansão para outros hospitais.

A estratégia implantada organiza o cuidado desde o momento da fratura até o seguimento ambulatorial. O paciente é identificado ainda no hospital, encaminhado para avaliação especializada e passa a integrar um protocolo de acompanhamento periódico. O modelo também prevê orientação sobre prevenção de quedas, avaliação clínica, solicitação de exames quando indicados e início de tratamento específico para fortalecimento ósseo, garantindo acompanhamento adequado aos pacientes.

Após sofrer a primeira fratura, o paciente com essa condição de saúde passa a ter risco elevado de novas ocorrências, principalmente no primeiro ano. Por isso, o modelo adotado pelo Estado, do Fracture Liaison Service (FLS), que é padrão internacional, não se limita ao atendimento emergencial, ele estabelece um fluxo de cuidado contínuo.

“O grande desafio é que a osteoporose não dói. Muitas pacientes só descobrem a doença depois de uma fratura”, explica o Fernando Yabushita, coordenador do programa de Pós-Graduação em Exercício e Promoção da Saúde da Unopar, parceiro do Estado na região Norte do Paraná, onde o programa começou a ser implementado em parceria com o Hospital Universitário de Londrina (HU-UEL). “Quando essa fratura acontece, o risco de uma nova lesão aumenta muito. É por isso que o acompanhamento após o primeiro evento é fundamental.”

Segundo ele, tratar apenas a fratura não resolve o problema. “Se a gente não investigar e tratar a causa da fragilidade óssea, o paciente pode voltar ao hospital em pouco tempo. O cuidado precisa ser completo.”

No HU-UEL, o atendimento é realizado por meio do Ambulatório de Fragilidade Óssea, vinculado ao Ambulatório de Especialidades do HU (AEHU). O serviço é direcionado a pacientes com 50 anos ou mais que sofreram fraturas por fragilidade e garante que, ao darem entrada no Pronto-Socorro, recebam avaliação conforme o protocolo clínico estabelecido.

De setembro de 2024 a novembro de 2025, foram realizadas 181 avaliações no HU-UEL, sendo 129 primeiras consultas médicas especializadas. O ambulatório acompanha pacientes que precisam investigar e tratar a causa do enfraquecimento ósseo, com foco na prevenção de novos episódios.

A abordagem é multiprofissional. Além da assistência médica e de enfermagem, a fisioterapia passa a ter um papel fundamental na reabilitação. Após a alta hospitalar, os pacientes são encaminhados ao ambulatório de fragilidade óssea, onde passam por avaliação da capacidade física e funcional, força muscular e composição corporal, exames fundamentais para prevenção de novas fraturas. Essas avaliações ocorrem por meio da parceria entre a UEL e o programa de pós-graduação stricto sensu da UNOPAR.

Todos os atendimentos ambulatoriais são feitos por alunos de graduação em fisioterapia, residentes e alunos de mestrado e doutorado. Nos casos de maior complexidade, o atendimento inclui suporte em terapia intensiva no período pós-operatório, etapa essencial para estabilização clínica e prevenção de complicações.

“O objetivo é quebrar o ciclo das fraturas sucessivas”, afirma Yabushita. “Existe um intervalo crítico após a primeira fratura. Se o paciente for acompanhado corretamente nesse período, conseguimos reduzir significativamente o risco de novas ocorrências”.

EXEMPLO – Esse modelo implantado no Paraná já conquistou certificação nível prata no Mapa de Boas Práticas do Capture the Fracture, iniciativa da Fundação Internacional de Osteoporose, ao alcançar 86% de conformidade com critérios internacionais de qualidade.

A aposentada Edi Teshirogi, de 73 anos, sofreu uma fratura de fêmur há dois anos após uma queda dentro de casa. Ela conta que sentiu dor intensa e dificuldade para caminhar quando chegou ao hospital. “Eu quase não conseguia andar. Tinha medo de cair de novo”, lembra.

Após o procedimento cirúrgico, ela passou a ser acompanhada semanalmente por uma equipe multiprofissional. O atendimento incluiu reabilitação, orientações e acompanhamento clínico. “Eu fui melhorando aos poucos. Hoje eu caminho, faço minhas coisas, mas com mais cuidado”, conta.

EVOLUÇÃO – Para a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, o impacto da estratégia vai além do atendimento clínico. A prevenção de novas fraturas reduz a pressão sobre os prontos-socorros, diminui internações, evita cirurgias e reduz a necessidade de implantes ortopédicos de alto custo, como placas, parafusos e próteses.

A fisioterapia atua no fortalecimento muscular, recuperação da mobilidade e prevenção de novas quedas, fatores esses determinantes para reduzir a reincidência de fraturas. Cada fratura evitada representa economia de recursos hospitalares e mais eficiência na gestão pública, permitindo que investimentos sejam direcionados a outras áreas prioritárias da saúde.

Para o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, a estratégia reforça o compromisso do Paraná com um atendimento mais organizado e preventivo. “Nosso foco é cuidar do paciente de forma integral. Não basta tratar a fratura e encerrar o atendimento. Precisamos garantir que essa pessoa tenha acompanhamento, orientação e tratamento adequado para evitar novas complicações. Esse é um modelo que qualifica a assistência e fortalece o SUS no Paraná”, afirma.

FRAGILIDADE ÓSSEA – A fragilidade óssea pode estar associada a diferentes fatores, entre eles a osteoporose, uma das principais causas do enfraquecimento ósseo, caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos e pelo aumento do risco de fraturas. Muitas vezes silenciosa, a doença pode evoluir sem sintomas até a ocorrência da primeira fratura.

Outra questão relevante é que a fragilidade óssea não atinge apenas idosos. Doenças metabólicas, uso prolongado de medicamentos e outras condições clínicas podem comprometer a resistência dos ossos em diferentes faixas etárias. Muitas vezes, a fratura é o primeiro sinal de uma condição silenciosa que precisa ser investigada e tratada.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Novas diretrizes ampliam o tratamento de Fibromialgia pelo SUS

A fibromialgia é uma síndrome clínica que atinge de 2,5% a 5% da população brasileira. Neste mês, o Governo Federal anunciou uma série de novas diretrizes que visam ampliar a visibilidade da doença e implementar novas oportunidades de tratamento através do Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo o reumatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, José Eduardo Martinez, em entrevista concedida ao Tarde Nacional – Amazônia nesta terça-feira (24), a fibromialgia é uma doença que causa dores constantes por todo o corpo, sem qualquer ligação com lesões ou inflamações.

“É a dor generalizada. Muitas vezes, se não na maior parte das vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, uma alteração no sono, distúrbios cognitivos, então esse conjunto de sintomas é o que a gente chama de fibromialgia”, conta.

Segundo estudos revisados pela revista Rheumatology e o National Institutes of Health (NIH), as mulheres representam mais de 80% dos casos, principalmente na faixa de 30 e 50 anos. Não se sabe a origem da doença, mas questões hormonais e genéticas estão entre as possibilidades investigadas.

Diagnóstico

A fibromialgia não é uma doença inflamatória, ela gera uma disfunção dos neurônios ligados à dor, que se tornam excessivamente sensibilizados. Dentre os sintomas mais comuns, estão:

. Dor constante no corpo;

. Fadiga e falta de energia;

. Formigamento nas mãos e nos pés;

. Problemas no sono, incluindo crises de apneia e insônia;

. Sensibilidade ao toque e a estímulos ambientais, como cheiros e barulhos;

. Alterações de humor, como depressão e ansiedade;

. Dificuldades de memória, concentração e atenção.

Para José Eduardo Martinez, a identificação dos sintomas é uma questão complicada, e gera dificuldade no momento de fechar um diagnóstico.

“O diagnóstico é puramente clínico, é o paciente contando para o seu médico o que ele sente e o médico reconhecendo os sintomas típicos da fibromialgia. Depois, é importante que se faça um bom exame físico, porque o paciente com fibromialgia pode ter outras doenças”.

Ele reforça que é importante que o médico verifique se essas possíveis outras doenças não podem estar contribuindo para a dor que o paciente sente. Por exemplo, que o médico saiba distinguir a fibromialgia de outras doenças que podem causar dor articular no corpo, como a artrose.

O médico também explica que não existem exames específicos para fibromialgia. O ideal é que o paciente procure um reumatologista para investigar a possibilidade, ou busque atendimento primário onde for possível, como uma Unidade Básica de Saúde.

Tratamento estruturado

Em janeiro, através da Lei 15.176/2025, sancionada em julho de 2025 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a fibromialgia passou a ser reconhecida como deficiência. A medida permite que pessoas com a doença possam acessar serviços garantidos por lei como:

. Cotas em concursos públicos e seleções de emprego.

. Isenção de IPI, ICMS e IOF na compra de veículos adaptados.

. Aposentadoria por invalidez e auxílio-doença, mediante avaliação pericial.

. Benefício de Prestação Continuada (BPC), no caso de baixa renda.

. Pensão por morte, em situações em que a incapacidade para o trabalho for comprovada.

Outra medida foi implementada esse mês pelo Ministério da Saúde, um planejamento estruturado para o tratamento de fibromialgia pelo SUS, que visa ampliar o acesso a ajuda qualificada e melhorar a vida de quem convive com a síndrome. A cartilha prevê a capacitação de profissionais, e também um tratamento multidisciplinar, com fisioterapia, apoio psicológico e terapia ocupacional.

A atividade física constante é também importante aliada, que pode ajudar a fortalecer o corpo e melhorar a qualidade de vida. Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia, tratamentos não fármacos – sem uso de remédios – são tão importantes para auxiliar o paciente quanto os fármacos, que ajudam a regular a percepção de dor.

“Alguns pacientes desenvolvem ansiedade e depressão, provavelmente o médico reumatologista precisa do apoio de outros profissionais, seja o psiquiatra, seja o psicólogo, que trabalhem juntos, que conversem, por exemplo, um psiquiatra que converse com o reumato sobre os remédios, para não haver interação”, completou o Martinez.

As informações são da Agência Brasil.