O Sistema Único de Saúde (SUS) vai ampliar a oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e emergência, incluindo as unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).
O maior acesso ao tratamento pelas pessoas com Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e o Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico está previsto na Lei nº 5.972/2023, sancionada na manhã desta quarta-feira (2) pelo presidente da República.
Os trombolíticos são usados, conforme avaliação clínica, para dissolver os coágulos sanguíneos que bloqueiam os vasos do coração ou do cérebro e, dessa forma, restabelecer a circulação do sangue. O bloqueio pode causar as duas graves condições médicas de emergência, o IAM e o AVC isquêmico.
A rapidez no diagnóstico e no início da terapia aumenta as chances de sobrevivência e reduz o risco de sequelas nos pacientes, ressalta o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Com a sanção da lei, a terapia estará mais disponível em todo o país.
“Em caso de infarto, acidente vascular cerebral, tempo é vida! É o que pode reduzir o risco de óbito ou de impactos maiores físicos para aquela pessoa”, disse em suas redes sociais.
Nos casos de infarto, o uso do trombolítico pode ser indicado, principalmente, quando os procedimentos de maior complexidade, como a angioplastia (procedimento médico para desobstruir artérias), não estão disponíveis no tempo recomendado. Assim, o paciente pode receber o medicamento enquanto a continuidade do atendimento é providenciada na rede de saúde.
Comitê
Atualmente, já existem protocolos do SUS para diagnóstico e tratamento para o IAM e para o AVC que preveem o uso de trombolíticos nos serviços de urgência e emergência, incluindo as UPA e o Samu 192. No entanto, a aquisição desses medicamentos é feita pelos gestores de saúde locais.
Para ampliar a disponibilidade desses medicamentos e aprimorar a oferta dos trombolíticos na rede pública de saúde de todo país, o ministro da Saúde assinou a portaria que instituiu o Comitê de Acompanhamento da Implementação das Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares Tempo-Dependentes: Acidente Vascular Cerebral (AVC) e Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).
De acordo com a pasta, esse grupo será responsável por analisar e propor ações para tornar os medicamentos mais acessíveis e qualificar a assistência aos pacientes.
“O Ministério da Saúde cria hoje um grupo de trabalho, junto com as sociedades de especialidades, para regulamentar, estabelecer diretrizes, implementar e acompanhar a execução em todo o Brasil. Isso é fundamental para mudar a história natural do infarto no nosso país”, explicou o ministro Alexandre Padilha.
Números
O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano. Em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos por AVC, dos quais 218 mil foram relacionados ao AVC isquêmico, quando um coágulo obstrui uma artéria do cérebro, interrompendo o fluxo sanguíneo e a oxigenação na região.
Nas UPAs, as equipes podem fazer o diagnóstico, avaliar a indicação clínica e, quando necessário, iniciar o tratamento com trombolíticos tanto para o IAM quanto o AVC isquêmico para dissolução dos trombos.
O ministro Alexandre Padilha disse que várias experiências com uso de trombolíticos, realizadas junto aos estados e municípios, são acompanhadas pela pasta, com a possibilidade de reduzir em até 50% os óbitos por infarto.
No Samu 192, após avaliação da equipe de saúde, o medicamento pode ser administrado nas unidades de Suporte Avançado de Vida habilitadas.
Atualmente, 102 unidades do Samu 192 estão habilitadas para prestar esse tipo de assistência. O Ceará concentra 28 unidades, seguido por Minas Gerais, com 22; Sergipe, com 16; Rio Grande do Norte, com 13; Bahia, com 12; São Paulo, com nove; e Paraíba, com duas.
Em 2025, foram registradas 861 aplicações de trombolíticos pelo Samu 192 em todo o país.
A formação médica e os desafios da certificação profissional estiveram entre os principais temas debatidos na Assembleia Extraordinária da Confederação Médica Latino-Ibero-Americana e do Caribe (CONFEMEL), realizada em Quito, no Equador. Representantes de entidades médicas da América Latina e do Caribe aprovaram recomendações voltadas ao fortalecimento da educação médica, da recertificação profissional e da segurança assistencial.
Entre as principais preocupações está a proliferação de escolas médicas sem critérios acadêmicos rigorosos, orientadas por interesses mercantilistas. Segundo o documento aprovado, esse cenário representa risco direto à qualidade da assistência prestada à população. Por isso, a CONFEMEL defende que a abertura e o funcionamento de cursos de medicina sejam submetidos a avaliações técnicas rigorosas, com participação ativa das entidades médicas e acompanhamento dos resultados dos profissionais formados.
O debate também destacou que a formação médica deve estar alinhada às necessidades reais dos sistemas de saúde, com ênfase na atenção primária e na capacitação prática dos futuros médicos.
Outro consenso foi a defesa da certificação e da recertificação profissional como instrumentos fundamentais para garantir qualidade assistencial e proteção da população. As entidades ressaltaram que esses processos não devem ser vistos apenas como exigências burocráticas, mas como mecanismos de responsabilidade social da profissão médica.
A Assembleia recomendou ainda a modernização dos modelos de recertificação, com adoção gradual de sistemas baseados em competências práticas, simulação clínica e avaliações objetivas. Também foi defendida a ampliação do acesso à educação médica continuada, especialmente em regiões rurais e periféricas, por meio de programas digitais de atualização profissional.
Sobre a mobilidade internacional, os participantes apoiaram processos de revalidação de diplomas mais transparentes, ágeis e fundamentados na avaliação real de competências, além do fortalecimento da cooperação regional para reconhecimento profissional.
Como encaminhamento, foi proposta a criação de uma Comissão Técnica Permanente de Educação, Certificação e Recertificação da CONFEMEL, responsável por contribuir para a construção de padrões mínimos comuns para a formação médica na América Latina. As deliberações reforçam o compromisso das entidades médicas com a qualidade da formação, a segurança dos pacientes e a valorização dos critérios técnicos e éticos na medicina.
A Federação Médica Brasileira (FMB) recebe com expectativa o avanço do Projeto de Lei nº 2.672/2025, que endurece as penas para crimes praticados contra profissionais da saúde no exercício de suas funções ou em razão delas. A aprovação da proposta pelo Senado Federal e seu retorno à Câmara dos Deputados para análise das emendas representam um importante reconhecimento de que a violência contra quem cuida da população não pode mais ser tratada como algo comum ou inevitável.
O projeto amplia as punições para crimes como ameaça, lesão corporal, desacato, constrangimento ilegal, incitação ao crime e crimes contra a honra, além de classificar como hediondo o homicídio praticado contra profissionais da saúde durante o exercício de sua atividade. Trata-se de uma resposta necessária diante da escalada da violência nos ambientes de assistência à saúde.
A Federação Médica Brasileira afirma com clareza: não podemos esperar que novas agressões aconteçam para agir.
A realidade vivida diariamente por médicos e demais profissionais da saúde exige providências urgentes. Em 2024, foram registrados 4.562 boletins de ocorrência envolvendo médicos vítimas de violência, o equivalente a 12 profissionais agredidos por dia, ou um caso a cada duas horas. É o maior número da série histórica do Conselho Federal de Medicina. Desde 2013, quase 40 mil ocorrências foram registradas em estabelecimentos de saúde em todo o país.
Esses números revelam uma realidade que precisa ser enfrentada por toda a sociedade. Hospitais, unidades básicas de saúde, consultórios, clínicas e prontos-socorros devem ser espaços de cuidado, acolhimento e preservação da vida — jamais cenários de violência.
A FMB reconhece que a população convive diariamente com dificuldades impostas pela sobrecarga do sistema de saúde. Filas, falta de estrutura, demora no atendimento e escassez de recursos geram indignação legítima. Entretanto, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos, psicólogos e todos os demais profissionais da saúde não podem continuar sendo transformados em alvo da revolta causada por problemas estruturais que não provocaram.
Nenhuma insatisfação justifica uma agressão. Nenhuma falha do sistema autoriza a violência contra quem está trabalhando para salvar vidas.
Por isso, a Federação Médica Brasileira manifesta seu apoio às medidas legislativas que fortalecem a proteção aos profissionais da saúde, mas reafirma que a mudança precisa ir além da lei penal. É indispensável que gestores públicos implementem protocolos de segurança, garantam ambientes protegidos para pacientes e trabalhadores, invistam em infraestrutura adequada, promovam canais efetivos de denúncia e responsabilizem rigorosamente os agressores.
Da mesma forma, conclamamos a sociedade a rejeitar toda forma de violência nos serviços de saúde. Respeitar quem cuida é condição indispensável para que o atendimento aconteça com qualidade, serenidade e segurança.
A Federação Médica Brasileira repudia toda e qualquer agressão contra médicos e contra todos os profissionais da saúde.
Nossa defesa não é apenas da categoria médica.
Nossa defesa é da vida, da dignidade do trabalho e do direito de cada brasileiro ser atendido por profissionais que possam exercer sua missão em um ambiente seguro.
Violência nunca será parte do cuidado. Proteger os profissionais da saúde é proteger toda a sociedade.
Silenciosas nas fases iniciais, as doenças que afetam os rins costumam dar sinais apenas em estágios mais avançados. Para conscientizar a população e evitar a progressão de disfunções agudas e crônicas, especialistas da Unidade do Sistema Urinário do Hospital Universitário de Lagarto (HUL-UFS), vinculado à HU Brasil, reforçam a importância do acompanhamento preventivo e da identificação precoce dos sintomas.
Segundo o nefrologista e responsável técnico médico da unidade, Dr. Roberto Junior, a atuação frente às alterações da função renal envolve a identificação contínua de fatores de risco nas áreas de pronto atendimento, enfermarias e unidades de terapia intensiva.
O reconhecimento rápido de alterações nos exames e no estado geral do paciente permite intervenções imediatas que reduzem significativamente os danos aos órgãos e podem evitar a necessidade de tratamentos mais invasivos no futuro”, afirma
Sinais de alerta para a saúde dos rins
Portanto, a orientação é procurar avaliação médica na Unidade Básica de Saúde ao notar sinais e sintomas como: inchaço persistente (aumento de volume em pernas, pés, mãos ou ao redor dos olhos, causado pela retenção de líquidos); alterações na urina (mudanças no volume, presença de espuma em excesso, coloração escura ou presença de sangue); alteração na pressão arterial (dificuldade repentina no controle da hipertensão arterial); sintomas gerais (fadiga constante, náuseas, perda de apetite e dores na região lombar).
Como funciona o cuidado integral
A rotina assistencial voltada à saúde renal envolve a atuação conjunta de equipes médicas e de enfermagem.
Enquanto o diagnóstico e o planejamento das condutas terapêuticas são conduzidos pelos médicos, a gestão contínua dos cuidados e a orientação aos pacientes ficam a cargo dos enfermeiros. Na assistência direta ao paciente, os técnicos de enfermagem atuam no acompanhamento dos sinais vitais e no suporte operacional necessário durante os procedimentos de hemodiálise.
“Quando o paciente necessita de Terapia de Substituição Renal (TSR), o acompanhamento segue protocolos rígidos de biossegurança, higienização e preservação dos acessos vasculares, visando garantir a estabilidade do quadro e prevenir infecções”, explica Lenilson Trindade, responsável técnico de enfermagem e Chefe da Unidade.
Dicas de prevenção
Para manter o bom funcionamento dos rins e proteger o sistema urinário, os profissionais recomendam: hidratação adequada (beber água ao longo do dia ajuda os rins a filtrarem as toxinas do sangue); controle de doenças crônicas (manter os níveis de glicemia e a pressão arterial rigorosamente controlados); cuidado com medicamentos (evitar o uso frequente de anti-inflamatórios e analgésicos sem orientação médica); alimentação equilibrada (reduzir o consumo de sal, alimentos ultraprocessados e excesso de proteínas); exames de rotina (realizar periodicamente a dosagem de creatinina no sangue e a avaliação de urina, especialmente se houver histórico familiar ou hipertensão e diabetes).
Crianças e adolescentes menores de 15 anos devem comparecer a uma unidade básica de saúde (UBS) ou a qualquer ponto de vacinação em todo o país neste sábado (22) para o Dia D da Campanha de Multivacinação. O objetivo é atualizar a caderneta vacinal.
A campanha começou no início do mês e segue até 1º de setembro, com a oferta de 20 doses do Calendário Nacional de Vacinação que protegem contra doenças como meningites, tuberculose e cânceres associados à infecção pelo HPV.
Pela primeira vez, a campanha conta com a vacina pneumocócica 20-valente (pneumo 20), incorporada em junho ao calendário. A dose amplia a proteção contra doenças causadas pelo pneumococo, incluindo pneumonias e meningites, e é indicado para crianças menores de 5 anos.
Até a última quarta-feira (18), o Ministério da Saúde havia distribuído mais de 180 milhões de doses para garantir a vacinação em todo o país ao longo do ano. Vacinas contra a influenza, o sarampo (tríplice viral) e a poliomielite foram as mais aplicadas.
Durante o Dia D, as seguintes vacinas poderão ser aplicadas (conforme faixa etária, histórico vacinal e indicação):
CRM-PR, CRM-SC e CREMERS firmam Carta de Intenções com representantes do Judiciário, Ministério Público do Trabalho e entidades médicas para combater práticas abusivas e preservar autonomia profissional e qualidade da assistência.
O I Fórum Sul-Brasileiro de Pejotização na Medicina, realizado nos dias 13 e 14 de agosto, em Foz do Iguaçu, terminou com um compromisso conjunto entre os Conselhos Regionais de Medicina do Paraná (CRM-PR), Santa Catarina (CRM-SC) e Rio Grande do Sul (CREMERS), representantes do Poder Judiciário, Ministério Público do Trabalho, Legislativo e entidades médicas para o enfrentamento da pejotização inadequada e da precarização dos vínculos médicos. Como resultado dos debates, foi firmada uma Carta de Intenções que prevê ações articuladas, estudos técnicos, diálogo permanente entre as instituições e acompanhamento do tema junto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Promovido pelos três Conselhos da Região Sul, o Fórum reuniu diferentes setores envolvidos na discussão para analisar os efeitos dos modelos de contratação por pessoa jurídica sobre a autonomia profissional, a remuneração médica, a organização dos corpos clínicos e, principalmente, a continuidade e a qualidade da assistência aos pacientes. A programação foi organizada em quatro eixos: precarização dos vínculos e vulnerabilidade profissional; ruptura da horizontalidade do cuidado; desarticulação do corpo clínico; e exploração da atividade médica.
A Carta de Intenções formaliza o compromisso das instituições signatárias de promover ações normativas, jurídicas e educativas voltadas à contenção da pejotização desenfreada e à proteção da Medicina diante de práticas abusivas de empresas intermediadoras de serviços de saúde, respeitando as competências de cada instituição.
Assista ao vídeo da fala inicial do Presidente do CRM-PR, Dr. Eduardo Baptistella, na abertura do Fórum:
Debate ultrapassou a questão trabalhista
Para o conselheiro do Conselho Federal de Medicina Alcindo Cerci Neto, um dos participantes das mesas do Fórum, a principal contribuição do encontro foi reunir diferentes instituições para discutir um problema que ultrapassa a relação contratual e alcança a própria prática médica.
“O Fórum reuniu os CRMs do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul em uma mesa com representantes do Judiciário, Ministério Público do Trabalho, sindicato dos médicos e Conselho Federal de Medicina para discutir de forma profunda a precarização do trabalho médico. Os vínculos inadequados, entre eles a pejotização, podem gerar perda da autonomia médica e sério desgaste profissional.”
A avaliação é compartilhada pelo presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella, que considera o encontro um marco para a construção de uma agenda permanente sobre o tema. “Foi um evento ímpar e certamente o primeiro de muitos. Reunimos juristas, professores e conselheiros para discutir a fragilização do trabalho médico. Não podemos aceitar a falta de autonomia do médico. Queremos garantir a tranquilidade para que o profissional possa trabalhar com dignidade, atender adequadamente seu paciente e receber seu honorário. Isso vai refletir diretamente na boa Medicina.”
A Carta prevê justamente a continuidade dessa articulação. Entre as ações propostas estão a constituição de um grupo de trabalho interinstitucional, a elaboração de estudo técnico-jurídico sobre a relação entre médicos e empresas intermediadoras e a realização de encontros periódicos para avaliar os resultados das medidas adotadas.
Precarização pode ter reflexos na assistência
A preocupação com os efeitos da pejotização sobre os pacientes esteve presente nas discussões. A Carta aponta que a fragmentação dos vínculos pode comprometer a continuidade assistencial e o acompanhamento longitudinal, além de contribuir para a desarticulação dos corpos clínicos das instituições.
Para o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, é necessário compreender a dimensão do fenômeno antes que seus efeitos avancem sobre a assistência. “A pejotização é uma realidade que vem avançando. Temos que ter a exata dimensão do que isso significa porque, se mal conduzida, trará reflexos na qualidade da Medicina. A precarização do trabalho médico afeta diretamente a saúde da população.”
O ministro do Tribunal Superior do Trabalho Amaury Rodrigues Pinto Jr. destacou a importância da aproximação entre as instituições do sistema de Justiça e os representantes da área da saúde. “É importante esse congraçamento dos operadores do Direito com o setor da saúde para que providências sejam tomadas. A pejotização é um tema sensível. O Ministério Público do Trabalho tem fiscalizado e está atento às condições de trabalho dos profissionais da área da saúde.”
Entre os compromissos estabelecidos está a recomendação para que instituições de saúde adotem modelos assistenciais capazes de preservar a continuidade do cuidado, independentemente do regime de contratação do médico. Também está prevista a realização de estudos sobre o impacto da rotatividade contratual na qualidade e segurança da assistência.
Autonomia e valorização profissional
O debate também chamou atenção para os impactos da fragmentação dos vínculos sobre a organização da Medicina. Segundo a Carta, a desarticulação dos corpos clínicos pode dificultar a participação dos médicos em funções essenciais, como Comissões de Ética Médica e Diretorias Clínicas.
Para o conselheiro e gestor do Departamento de Fiscalização do Exercício Profissional do CRM-PR, Carlos Felipe Tapia Carreño, a amplitude da participação institucional demonstrou a dimensão do problema. “O assunto é muito importante, pois a pejotização traz o risco de sucateamento da Medicina.”
A avaliação também foi destacada pelo 1º tesoureiro do CRM-SC, Vicente Pacheco Oliveira, que ressaltou a importância da iniciativa conjunta dos três Conselhos. “Gostaria de cumprimentar toda a diretoria do CRM-PR pela iniciativa e pelo brilhante evento, que reuniu os três Conselhos para discutir um tema tão importante para a prática da Medicina na atualidade.”
Para a 2ª secretária do CREMERS, Dra. Laís Del Pino Leboutte, a participação conjunta das instituições é essencial para enfrentar um problema que ganhou novas dimensões com a expansão do ensino médico e das formas de contratação. “É um assunto muito pertinente. Parabenizo pelo evento, sem a junção dos poderes públicos e dos Conselhos Regionais não vamos conseguir enfrentar esse problema. O aumento dos cursos de Medicina e a pejotização do trabalho médico têm trazido problemas sérios para os médicos e para a saúde da população.”
Carta estabelece próximos passos
Além de apontar os problemas relacionados à pejotização, a Carta de Intenções estabelece medidas concretas. Os signatários propõem a criação de parâmetros mínimos de proteção contratual e segurança profissional para médicos contratados por PJ e a construção, junto ao Judiciário e ao Ministério Público do Trabalho, de critérios para identificar vínculos precários ou fraudulentos disfarçados de relações entre pessoas jurídicas.
O documento também prevê atuação conjunta contra práticas predatórias de empresas intermediadoras, incluindo situações de retenção indevida de valores destinados aos médicos, e apoio a iniciativas legislativas e regulatórias que impeçam a imposição unilateral da constituição de pessoa jurídica como condição para o exercício da Medicina, preservada a autonomia negocial legítima.
Para o presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), Dr. Marlus Volney de Morais, a discussão precisa envolver também os contratantes e a sociedade. “É muito importante discutir de forma ampla as implicações desse modelo de contratação dos médicos, também com os contratantes da mão de obra médica, os legisladores e a sociedade. A pejotização pode resultar em uma quebra do vínculo da relação social do médico com o paciente.”
Assista ao vídeo com a fala do Presidente do Simepar, Dr. Marlus Volney de Morais, no Fórum:
O documento estabelece ainda o acompanhamento junto ao STF do Tema 1389, que trata da licitude da contratação de trabalhador autônomo por meio de pessoa jurídica.
Uma agenda permanente
Ao final de dois dias de debates, a avaliação dos participantes foi de que o enfrentamento da pejotização exige uma atuação que ultrapasse os limites de uma única instituição. A proposta construída em Foz do Iguaçu é manter o diálogo entre Conselhos de Medicina, Judiciário, Ministério Público do Trabalho, Legislativo, sindicatos e demais entidades representativas.
A Carta de Intenções, firmada em 14 de agosto de 2026, representa o primeiro resultado concreto dessa articulação e estabelece uma agenda de cooperação para preservar a autonomia médica, fortalecer a organização dos serviços de saúde e proteger a qualidade da assistência prestada à população.
A presença de acadêmicos de Medicina do Acre, Pará, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Minas Gerais e Paraíba marcou o sucesso do III Congresso Acadêmico Sindical e da II Jornada Científica da Federação Médica Brasileira (FMB), realizados nos dias 14 e 15 de agosto, em Curitiba (PR).
O encontro reuniu estudantes, médicos, pesquisadores, dirigentes de entidades médicas e convidados internacionais em uma programação construída para aproximar cada vez mais os futuros médicos das discussões que irão impactar sua formação, o exercício profissional e os rumos da Medicina brasileira.
Mais do que reunir diferentes estados, o Congresso confirmou a expansão de um projeto que nasceu em Belém, em 2024, avançou para João Pessoa, em 2025, e chegou a Curitiba, em 2026, fortalecendo os Núcleos Acadêmicos e estimulando o protagonismo dos estudantes dentro do movimento médico sindical.
Ao avaliar o encontro, o presidente da FMB, Dr. Fernando Mendonça, destacou justamente o papel dessa nova geração. “Estamos plantando uma semente. Queremos que esses acadêmicos estejam preparados para assumir espaços de liderança, dar continuidade às nossas entidades e, principalmente, trabalhar por uma Medicina melhor para os profissionais e para toda a sociedade.”
Formação médica sob diferentes perspectivas
Ao longo dos dois dias, a programação percorreu alguns dos principais desafios enfrentados por quem está se preparando para exercer a Medicina.
As mesas colocaram em discussão a experiência da juventude sindicalista, a evolução da formação médica no Brasil e no exterior, o ENAMED e a proficiência médica, o papel das entidades de representação estudantil e a transição entre a universidade e o mercado de trabalho.
A palestra magna, ministrada pela Dra. Cláudia Paola Carrasco Aguilar, trouxe para o centro do Congresso outro tema fundamental: a saúde mental dos estudantes de Medicina e os impactos que a própria estrutura da formação pode exercer sobre os futuros profissionais.
O encontro também abriu espaço para a produção científica dos acadêmicos por meio da II Jornada Científica, com apresentações orais, pôsteres e premiação de trabalhos, reforçando a importância da pesquisa e da Medicina baseada em evidências desde a graduação.
A dimensão internacional esteve presente com representantes da Argentina e de Portugal, permitindo comparar diferentes modelos e perceber que questões como qualidade da formação, residência médica, distribuição de profissionais e condições de trabalho ultrapassam as fronteiras brasileiras.
Paraná recebe movimento que ganha dimensão nacional
Anfitrião desta terceira edição, o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (SIMEPAR) teve participação direta na realização do Congresso.
Para o presidente da entidade, Dr. Marlus Volney de Moraes, aproximar os estudantes das discussões sobre o exercício profissional é também uma forma de contribuir para uma assistência de maior qualidade. “Defender boas condições de trabalho para o médico é defender uma Medicina segura, humanizada e de qualidade. É importante que os acadêmicos compreendam desde a formação que saúde não pode ser reduzida a volume, produtividade ou a uma simples relação comercial.”
A participação dos estudantes não ficou restrita à plateia. Acadêmicos estiveram na organização e condução das atividades, atuando como cerimonialistas, presidentes, coordenadores e relatores das mesas, além de apresentarem trabalhos científicos e compartilharem experiências de suas entidades e estados.
Esse protagonismo traduz um dos principais objetivos do projeto da FMB: não apenas falar sobre os futuros médicos, mas construir o movimento ao lado deles.
Ao final da edição de Curitiba, o Congresso deixa também o olhar direcionado para o próximo capítulo. Depois de Pará, Paraíba e Paraná, o movimento o movimento atravesse novamente o Brasil e chegue ao Acre em 2027.
De diferentes regiões, experiências e momentos da graduação, os acadêmicos retornam aos seus estados levando mais do que conhecimento. Levam conexões, novas perspectivas sobre a profissão e a responsabilidade de participar da construção da Medicina que desejam exercer.
Do Pará à Paraíba. Da Paraíba ao Paraná. E agora, rumo ao Acre. A história continua — e uma nova geração já começou a escrevê-la.
Palestra magna do Congresso Acadêmico Sindical da FMB alerta para depressão, ansiedade, burnout e uso de substâncias entre estudantes e defende mudanças institucionais na formação médica.
A saúde mental dos estudantes de Medicina não pode ser tratada apenas como uma questão individual. O ambiente de formação, a sobrecarga, a pressão por desempenho e a naturalização do sofrimento também precisam entrar nessa discussão. A reflexão marcou a palestra magna “Saúde mental dos estudantes de medicina: a influência na formação do futuro médico”, ministrada pela Dra. Cláudia Paola Carrasco Aguilar, médica de família e comunidade, psiquiatra, diretora de Educação Médica e Formação Profissional da Federação Médica Brasileira (FMB) e secretária-geral do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (SIMEPAR).
Números que exigem atenção
A Dra. Cláudia apresentou estudos que dimensionam a gravidade do problema. Segundo os dados levados à palestra, a prevalência estimada de depressão entre estudantes de Medicina no Brasil é mais que o dobro da encontrada na população em geral. Quase metade relata estresse e má qualidade do sono e a ideação suicida alcança 11% dos estudantes.
Também chamou atenção para comportamentos utilizados como tentativa de lidar com a pressão. Estudos apresentados apontam consumo problemático de álcool e uso de estimulantes como metilfenidato e lisdexanfetamina. Em um dos levantamentos citados, 33% dos estudantes pesquisados consumiam estimulantes, sendo que 70% deles não possuíam diagnóstico de TDAH e 60% utilizavam essas substâncias sem prescrição médica.
Para a psiquiatra, esses números não podem ser interpretados isoladamente. “Não são anomalias estatísticas. É o sintoma de uma estrutura da formação da Medicina que adoece”, afirmou.
Assista ao vídeo com a Palestra magna da Dra. Cláudia Paola Carrasco Aguilar:
Um ciclo de estresse que começa cedo
A palestra percorreu as diferentes etapas da formação para mostrar como a sobrecarga pode se acumular.
Já nos primeiros anos surgem desafios como a transição para um modelo de aprendizagem com maior autonomia, a síndrome do impostor, o afastamento da família e a necessidade de construir novos vínculos. Muitos estudantes também deixam suas cidades para cursar Medicina e precisam lidar simultaneamente com solidão, responsabilidades da vida adulta e exigências acadêmicas.
Com a aproximação do internato, aparecem novos fatores: medo de não estar preparado, receio de errar, aumento da responsabilidade e jornadas que precisam ser conciliadas com outras atividades.
Na residência médica, o cenário pode se agravar. Cláudia destacou que essa é uma das etapas com maior ocorrência de burnout, diante de jornadas extensas e, em alguns casos, da necessidade de conciliar a residência com plantões adicionais.
Quando o sofrimento passa a ser normalizado
Outro ponto abordado foi o chamado “currículo oculto” da Medicina: comportamentos e valores transmitidos ao longo da formação mesmo sem fazerem parte oficialmente do conteúdo acadêmico.
Entre eles está a ideia de que dormir pouco demonstra comprometimento, admitir sofrimento representa fraqueza, procurar ajuda pode prejudicar a credibilidade e errar deve gerar vergonha, em vez de aprendizado.
Esse ambiente pode atrasar a procura por atendimento profissional e estimular a automedicação.
Cláudia alertou ainda que o sofrimento não ocorre da mesma forma para todos. Condições socioeconômicas e diferentes contextos individuais e sociais podem acrescentar novas camadas de vulnerabilidade, exigindo políticas de prevenção e acolhimento capazes de considerar essas diferenças.
Dos dados para a ação
Mais do que apresentar um diagnóstico, a palestrante propôs caminhos concretos para acadêmicos, Núcleos Acadêmicos e sindicatos.
Uma das propostas é produzir dados sobre a saúde mental dos próprios estudantes, criando linhas de pesquisa que avaliem burnout, estresse, consumo de álcool, uso de medicamentos e outros indicadores. Evidências científicas podem dar força às reivindicações por mudanças dentro das instituições.
Também defendeu a construção de alianças entre estudantes, sindicatos, associações, cooperativas, conselhos e outras entidades médicas, além da ocupação dos espaços institucionais onde decisões são tomadas.
Para os sindicatos, Cláudia propôs incorporar a saúde mental à proteção laboral, inclusive com indicadores mensuráveis e cláusulas específicas nas negociações de trabalho.
Médicos aprendem a cuidar, mas também precisam aprender a pedir ajuda
Ao encerrar, Cláudia chamou atenção para uma contradição da própria formação: a Medicina prepara profissionais para identificar sinais de adoecimento nos pacientes, enquanto muitas vezes ensina esses mesmos profissionais a ignorar seus próprios sinais de alerta.
Transformar essa realidade, segundo ela, exige organização, evidências, participação institucional e persistência.
“A mudança não vai surgir do nada. Vai surgir do nosso movimento, do caminhar e do fazer o caminho.”
Em junho deste ano, o Ministério da Saúde emitiu um alerta sobre o risco iminente de reintrodução e de disseminação do sarampo no Brasil em razão do fluxo intenso de viajantes para a Copa do Mundo 2026.
A nota técnica citava um cenário de alta transmissibilidade da doença nas Américas.
“Há um risco iminente de reintrodução do sarampo no Brasil após o retorno desses viajantes ou da chegada de estrangeiros, porventura infectados.”
No mesmo mês, a pasta recomendou a aplicação da chamada dose zero da vacina tríplice viral em crianças de 6 meses a 11 meses. O objetivo era reforçar a proteção contra o sarampo na faixa etária considerada mais suscetível à infecção e a formas graves.
À época, a zona norte de São Paulo registrava três casos da doença em crianças menores de 2 anos. Atualmente, a Secretaria de Saúde de São Paulo já confirma pelo menos 23 casos em 2026.
Confira, a seguir, as principais informações sobre o sarampo:
A doença
O sarampo é uma doença infecciosa altamente contagiosa que já figurou como uma das principais causas de mortalidade infantil em todo o mundo.
Apesar dos avanços significativos no controle e na prevenção por meio da vacinação, o sarampo ainda representa um desafio para a saúde pública, sobretudo em regiões com baixas taxas de imunização.
Transmissão e prevenção
Caracterizado por sintomas que podem ser confundidos com os de outras doenças virais, o sarampo exige atenção e conhecimento para ser identificado e tratado adequadamente.
A transmissão do vírus acontece de pessoa a pessoa, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Uma única pessoa infectada pode transmitir a doença para 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.
A transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o aparecimento das conhecidas manchas vermelhas pelo corpo.
Sinais e sintomas
Os principais sinais e sintomas do sarampo são manchas vermelhas (exantema) e febre alta (acima de 38,5 graus), acompanhados de um ou mais dos seguintes sintomas:
tosse seca;
irritação nos olhos (conjuntivite);
mal-estar intenso.
Entre três a cinco dias, é comum aparecer manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo restante do corpo.
A febre persistente é considerada sinal de alerta e pode indicar gravidade, sobretudo em crianças menores de 5 anos.
Complicações
O sarampo é considerado uma doença grave, que pode deixar sequelas por toda a vida ou, até mesmo, causar a morte.
Algumas complicações associadas ao sarampo incluem:
pneumonia (infecção no pulmão): cerca de 1 em cada 20 crianças com sarampo pode desenvolver pneumonia, causa mais comum de morte por sarampo em crianças pequenas;
otite média aguda (infecção no ouvido): ocorre em cerca de 1 em cada 10 crianças com sarampo e pode resultar em perda auditiva permanente;
encefalite aguda (inflamação no cérebro): entre 1 e 4 de cada mil crianças podem desenvolver essa complicação e 10% podem morrer em decorrência do quadro;
morte: entre 1 e 3 de cada mil crianças infectadas pelo sarampo podem morrer em decorrência de complicações da doença.
Diagnóstico
O diagnóstico do sarampo pode ser feito de forma clínica, com base em sinais e sintomas apresentados pelo paciente, mas o diagnóstico considerado ideal é o laboratorial, por meio de amostra de sangue e também por meio de amostras de secreção de orofaringe, nasofaringe e urina.
Tratamento
Não existe tratamento específico para o sarampo. Os medicamentos utilizados têm como objetivo reduzir o desconforto causado pelos sintomas.
A orientação é não fazer uso de nenhum medicamento sem antes passar pelo médico e procurar o serviço de saúde mais próximo caso apresente sintomas.
O uso de antibióticos é contraindicado, exceto se houver indicação médica pela ocorrência de infecções secundárias. Para os casos sem complicação, devem-se manter a hidratação e o suporte nutricional e diminuir a hipertermia (elevação da temperatura corporal).
Muitas crianças necessitam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional.
Vacinação
O sarampo é uma doença prevenível por meio da vacinação. Os critérios para indicação da dose levam em conta características clínicas, idade, ter adoecido por sarampo durante a vida e a ocorrência de surtos, além de outros aspectos epidemiológicos.
A vacinação contra o sarampo está disponível em apresentações diferentes, sendo que todas previnem a doença.
Cabe ao profissional de saúde aplicar a dose adequada para cada pessoa, de acordo com a idade ou situação epidemiológica.
Tipos de vacinas
dupla viral: protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto.
tríplice viral: protege do vírus do sarampo, da caxumba e da rubéola.
tetra viral: protege do vírus do sarampo, da caxumba, da rubéola e da varicela (catapora).
Na rotina dos serviços de saúde, todas as pessoas de 12 meses a 59 anos têm indicação para serem vacinadas contra o sarampo.
Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto contra o sarampo devem iniciar ou completar o esquema vacinal de acordo com a situação encontrada, respeitando as indicações do Calendário Nacional de Vacinação.
Nos postos de saúde, há duas vacinas disponíveis para proteção contra o sarampo: a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
A depender da situação epidemiológica de cada localidade, há necessidade de estabelecer outras estratégias – além das doses de rotina, a vacina contra o sarampo pode ser indicada para crianças de 6 meses a menores de 1 ano, em localidades com o surto da doença, por exemplo.
Esquema vacinal
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) considera protegido todo indivíduo que tomou duas doses contra o sarampo na vida, com intervalo mínimo de um mês, aplicadas a partir dos 12 meses de idade.
Em situação de risco para o sarampo — surtos ou exposição domiciliar, por exemplo – a primeira dose pode ser aplicada a partir dos 6 meses.
A dose não deve ser considerada como dose válida para o cumprimento do esquema de rotina: continuam sendo necessárias duas doses a partir dos 12 meses, com intervalo mínimo de 1 mês.
Veja como é o esquema vacinal por faixa etária:
12 meses: primeira dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola)
15 meses: segunda dose, por meio da vacina tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
5 anos a 29 anos: duas doses da vacina, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas, caso não tenham sido vacinados no período recomendado.
30 anos a 59 anos: se não tiver comprovação de vacinação prévia deve receber uma dose da vacina.
A vacina tríplice viral é contraindicada durante a gestação. Gestantes não vacinadas ou com esquema incompleto devem receber a vacina durante o puerpério.
Em casos de surto de sarampo, pode ser considerada a aplicação de uma terceira dose em pessoas com esquema completo.
Indivíduos com história pregressa de sarampo são considerados imunizados contra a doença, mas é preciso certeza do diagnóstico. Na dúvida, a recomendação é a vacinação.
Os Conselhos Regionais de Medicina do Paraná (CRM-PR), Santa Catarina (CRM-SC) e Rio Grande do Sul (CREMERS) promovem, em 13 e 14 de agosto, o I Fórum Sul-Brasileiro de Pejotização na Medicina. O evento tem como objetivo reunir representantes dos poderes Judiciário, Legislativo e da área da saúde para discutir os impactos da contratação de médicos por meio de pessoa jurídica (PJ) nas relações de trabalho e na assistência prestada aos pacientes.
A programação abordará os principais aspectos relacionados à pejotização na medicina, incluindo a precarização dos vínculos de trabalho, a perda da continuidade do cuidado ao paciente, a desarticulação dos corpos clínicos e a exploração da atividade médica por meio da imposição de contratos de pessoa jurídica. As discussões também tratarão dos reflexos desse modelo na autonomia profissional, na segurança do exercício da medicina e na qualidade do atendimento à população.
Ao longo dos dois dias, o fórum contará com mesas-redondas dedicadas à análise dos aspectos jurídicos, trabalhistas, éticos, econômicos, regulatórios e assistenciais relacionados à contratação de médicos como pessoas jurídicas. Entre os temas em debate estarão os impactos da substituição dos vínculos tradicionais de trabalho por contratos de prestação de serviços, os desafios para a organização das equipes médicas nas instituições de saúde, a atuação de empresas intermediadoras de mão de obra médica, os modelos de contratação adotados pelos serviços de saúde e os reflexos dessas práticas na remuneração dos profissionais e na sustentabilidade das relações de trabalho.
O Presidente do Simepar, Dr. Marlus Volney de Morais, participará do evento numa mesa redonda sobre a exploração da atividade médica, em que será debatida a atividade de empresas que atuam de forma predatória, manipulando licitações e retendo valores que deveriam compor a remuneração dos profissionais. Também será debatida a imposição da constituição de PJ pelos Médicos/as sob a falácia de livre acordo entre as partes.
O evento será realizado em formato híbrido. A programação presencial acontecerá no Hotel Viale Cataratas, em Foz do Iguaçu, com vagas limitadas a 100 participantes. Também será possível acompanhar o fórum de forma online, mediante inscrição.
Em atendimento à Resolução CFM nº 2.321/2022, o CRM-PR informa que o responsável técnico pelo evento é o Dr. Carlos Felipe Tapia Carreño (CRM-PR 18.979 | RQE 11.670 – Otorrinolaringologia).