Filiado à

Notícias

1° de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a Aids

Atingir o compromisso global de encerrar a pandemia de aids até 2030 passa pelo combate às desigualdades e estigmas que acompanham essa emergência de saúde pública desde o seu surgimento, há 41 anos, destaca o relatório Desigualdades Perigosas, divulgado esta semana pelo Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) para marcar o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado hoje (1°).

Especialistas e ativistas reforçam que, mesmo com o avanço dos medicamentos disponíveis, a discriminação contra grupos vulneráves e pessoas que vivem com HIV reduz o acesso à saúde, impede o diagnóstico precoce e causa mortes por aids que poderiam ser evitadas com tratamento.

Em mensagem divulgada para marcar a data de combate à doença, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que o mundo ainda está distante de eliminar a Aids até 2030 e afirmou que as desigualdades perpetuam a pandemia da doença.

“São necessárias melhores legislações e a implantação de políticas e práticas voltadas para eliminar o estigma e a discriminação que afetam as pessoas que vivem com HIV, sobretudo aquelas em situação de vulnerabilidade. Todas as pessoas têm o direito de ser respeitadas e incluídas”, disse.

Segundo o Unaids, 38,4 milhões de pessoas viviam com HIV em todo o mundo em 2021. Esse número é maior que a população do Canadá ou que a soma de todos os habitantes dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. No Brasil, o número de pessoas vivendo com HIV passava de 900 mil no ano passado, de acordo com o Ministério da Saúde, e, desse total, cerca de 77% tratavam a infecção com antiretrovirais.

A efetividade do tratamento disponível gratuitamente no país é reiterada pelo percentual de 94% de pessoas com carga viral indetectável entre as que fazem uso dos medicamentos contra o HIV. Quando o paciente em tratamento atinge esse nível de carga viral, ele deixa de transmitir o HIV em relações sexuais.

Desde o início da pandemia de Aids, em 1980, até dezembro de 2020, o Brasil já teve mais de 1 milhão de casos da doença, que causaram 360 mil mortes. A taxa de detecção vem caindo no Brasil desde o ano de 2012, quando houve 22 casos para cada 100 mil habitantes. Em 2020, essa proporção havia chegado a 14,1 por 100 mil, o que também pode estar relacionado à subnotificação causada pela pandemia de covid-19.

HIV ou Aids?

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é um agente infeccioso que pode entrar no corpo humano por meio do sexo vaginal, oral e anal sem camisinha; por meio do uso de seringas e outros objetos cortantes ou perfurantes contaminados; pela transfusão de sangue contaminado; e da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, o parto e a amamentação, se não for realizado o tratamento preventivo.

Quando se instala no corpo humano, esse vírus tem um tempo prolongado de incubação, que pode durar vários anos, e sua atividade ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo. Se essa infecção não for detectada e controlada a tempo com o uso de antirretrovirais, o HIV pode enfraquecer as defesas do corpo humano a ponto de causar a Síndrome da Imunodeficiência Humana (aids). Portanto, a sigla HIV se refere ao vírus, e a sigla Aids, à doença causada pelo agravamento da infecção pelo HIV.

O uso de preservativos masculinos e femininos e gel lubrificante estão entre as principais ações preventivas contra o HIV. Também já estão disponíveis a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que consiste no uso de antirretrovirais para prevenir a infecção caso a pessoa venha a ser exposta ao vírus, e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que pode impedir a infecção caso seja administrada até 72 horas após a exposição. Mesmo no caso de haver uso dessas profilaxias, a camisinha continua importante, pois previne também outras infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis e as hepatites virais.

Ao menos 30 dias após uma possível exposição ao HIV, é fundamental fazer um teste para a detecção do vírus, exame que pode ser realizado em unidades da rede pública e nos centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). O diagnóstico precoce da infecção e o início rápido do tratamento protegem o sistema imunológico da pessoa infectada, já que esse será o alvo do HIV quando a carga viral aumentar.

Diretor médico associado de HIV da GSK/ViiV Healthcare, Rodrigo Zilli explica que os antiretrovirais usados hoje para o tratamento das pessoas que vivem com HIV são menos tóxicos para o corpo humano, causam menos efeitos colaterais e são administrados em quantidade bem menor de comprimidos.

A farmacêutica é a fornecedora do Dolutegravir e outros medicamentos usados no Sistema Único de Saúde (SUS) para combater o vírus. Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente os antirretrovirais a todas as pessoas que vivem com HIV e necessitam de tratamento, contando atualmente com 22 medicamentos em 38 apresentações farmacêuticas diferentes.

“O tratamento hoje é muito menos tóxico. Nem se usa mais a palavra coquetel, porque não é um conjunto enorme de remédios como se tinha antigamente. E, se a pessoa descobre o HIV a tempo de não ter desenvolvido a imunodeficiência, ela tem chance muito grande de ter uma vida totalmente normal tomando remédios diariamente”, afirma o infectologista.

Ele reforça que a pessoa com HIV pode ter expectativa de vida até maior do que pessoas que não foram infectadas pelo vírus. “Essa pessoa que está em tratamento está acompanhando todas as doenças praticamente. Então, ela faz check-ups periódicos, faz exames periódicos, tem aconselhamento para manter um estilo de vida saudável, e acaba podendo ter uma vida mais saudável do que alguém que não tem HIV e não faz acompanhamento médico”.

Mesmo com esses avanços no tratamento contra o HIV e a disponibilidade gratuita dos medicamentos, o acesso à saúde ainda é marcado por desigualdades, pondera Zilli. “Por mais que se tenha um programa 100% público, o acesso à informação e aos serviços não é totalmente igualitário”, lembra o infectologista.

Questões sociais

O coordenador do Grupo Pela Vidda-RJ, Márcio Villard, avalia que o combate terapêutico à Aids avançou mais do que a superação dos preconceitos que afetam as pessoas que vivem com HIV. Mesmo com medicamentos menos tóxicos e uma expectativa de vida maior, questões sociais afastam pessoas com HIV de uma vida plena.

“Quando a gente fala em qualidade de vida, não pode entender somente a questão terapêutica e biomédica. É preciso também entender as questões sociais que envolvem a pessoa com HIV, porque enfrentamos ainda muitos problemas relacionados a estigmas, preconceitos e exclusão social que interferem na qualidade de vida”, afirma.

“O que acontece é que o HIV sempre traz consigo uma condenação. De alguma forma, a sociedade vai te condenar, seja pelo seu estilo de vida, seja pela sua orientação sexual, seja por você pertencer a um determinado grupo da sociedade. Praticamente ninguém escapa, até uma criança que nasce com HIV vai ser estigmatizada por isso. Infelizmente, esse cenário não mudou”.

O ativista explica que a estigmatização das pessoas com HIV tem raízes ligadas à LGBTfobia, já que os primeiros surtos de HIV se deram na população homossexual, bissexual e transexual nos Estados Unidos, e a imprensa da década de 80 reforçou a associação entre a população LGBTI e o HIV, chamando a aids até mesmo de câncer gay.

“Isso começou nos Estados Unidos, se espalhou pelo mundo e acabou virando um selo. Aqui no Brasil, até o ano passado, homossexuais não podiam doar sangue, independentemente de ter ou não o vírus”.

O Pela Vidda-RJ foi fundado em 1989 pelo sociólogo e ativista Hebert Daniel e atua desde então na luta por direitos das pessoas que vivem com HIV. Às 11h de hoje, o grupo vai promover ato público na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro, com o tema Viver com o HIV é possível. Com o preconceito, não. Entre as principais demandas atuais da população que vive com HIV, Villard conta que estão a assistência jurídica para garantir direitos previdenciários e trabalhistas.

Os problemas incluem processos seletivos que eliminam candidatos que testam positivo para HIV, enquanto essa testagem é vedada por lei em qualquer exame admissional, periódico ou demissional. Fora esses direitos, as pessoas com HIV também procuram a organização não governamental para receber acolhimento afetivo.

“A maior dificuldade ainda é a questão do estigma. Quando a pessoa tem esse diagnóstico, ela tem dificuldade de lidar com ele. E, ao se colocar para a família, no trabalho e para os amigos, vai enfrentar discriminação. São raros os casos em que a pessoa consegue viver tranquilamente, independentemente de sua sorologia”.

Angústia e cura

A dificuldade de encontrar informação e acolhimento depois do diagnóstico foi o que moveu o influenciador João Geraldo Netto a compartilhar sua experiência na internet desde 2008.

“Inicialmente, eu falava de uma maneira mais oculta, não falava especificamente que eu vivia com o vírus. Mas aí eu senti a necessidade de falar sobre isso mais abertamente. Eu descobri que, falando, eu me curava de certa forma. Sentia algo muito positivo quando falava sobre os dramas, os medos que eu tinha de fazer tratamento, de morrer, de adoecer. E eu vi que aquilo era muito bem recebido. Isso foi me dando força”, conta.

O jornalista acrescenta que a maioria das pessoas que entram em contato nas redes sociais está angustiada, seja porque acredita que se expôs ao risco de infecção ou porque já recebeu o diagnóstico e está tentando lidar com ele. João Geraldo acredita que o peso social do HIV afasta as pessoas do teste e do diagnóstico precoce, porque muitas não se percebem parte de um suposto grupo social que poderia ser infectado e outras preferem não saber o resultado do teste por medo.

“A questão do preconceito é algo tão forte que atrapalha de fazer o teste, de procurar ajuda e tratamento e impede que a pessoa tome o medicamento todo dia. Então, o grande problema do HIV hoje não é mais um problema clínico, é um problema social”, diz. “As pessoas que chegam ao meu canal mais angustiadas são aquelas que passaram por situação que consideram moralmente errada e acreditam que é uma punição para elas. E a pior punição que elas conseguem imaginar é uma doença como a Aids. Então, isso é muito doloroso, sabe? Porque você vê que está conversando com uma pessoa que acha que a pior coisa que pode acontecer na vida é o que você tem”.

Em suas postagens nas redes sociais, o influenciador comenta sobre HIV e temas do dia a dia e de sua vida pessoal, como fotos de viagens, reuniões com amigos e declarações de amor ao namorado. Em um de seus perfis, chamado Superindetectável, ele deixa a seguinte mensagem: “Respira fundo! Pela frente ainda tem muito mundo. Agora pode não estar, mas tudo pode ficar bem”.

As informações são da Agência Brasil.

Síndrome Respiratória Aguda Grave por Covid-19 cresce em todo o País

Divulgado nesta terça-feira (29/11), o novo Boletim InfoGripe Fiocruz continua mantendo o alerta para o crescimento claro dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 em estados de todas as regiões do país. Essa tendência, que já se observa em 20 de 27 unidades da federação, está presente especialmente na população adulta e nas faixas etárias acima de 60 anos.

O estudo aponta para aumento nas tendências de curto (últimas três semanas) e longo prazo (últimas seis semanas) e é compatível com os números de Covid-19. Referente à Semana Epidemiológica (SE) 47, período de 20 a 26 de novembro, a análise tem como base os dados inseridos no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) até o dia 28 de novembro.

Outro ponto que também chama atenção na atualização é a retomada do crescimento dos casos associados ao vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças pequenas nos três estados da Região Sul. Em São Paulo, o VSR mantém presença expressiva nas crianças de 0 a 4 anos.

O pesquisador Marcelo Gomes orienta que a população mantenha cuidados básicos, como o uso de máscaras adequadas (preferencialmente N95 ou PFF2) em ambientes de maior exposição ao vírus, como: transporte público, locais fechados ou mal ventilados, aglomerações, e nas unidades de saúde. “É extremamente importante ter esse cuidado para termos um final de ano com menor impacto possível, dado esse cenário epidemiológico que está muito claro em todo país”, explica o coordenador do InfoGripe.

Os dados indicam para maior incidência de SRAG por Sars-CoV-2 em todas as faixas etárias, com maior destaque na população adulta. Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos como resultado positivo para vírus respiratórios foi de 3,4% para influenza A; 0,1% para influenza B; 12,1% para VSR; e 71,3% para Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos foi de 1,9% para influenza A; 0,0% para influenza B; 0,4% para VSR; e 95,4% para Sars-CoV-2.

Estados e capitais

Vinte das 27 unidades federativas apresentam crescimento moderado na tendência de longo prazo até a SE 47: Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

Dezenove das 27 capitais apresentam crescimento moderado na tendência de longo prazo até o mesmo período: Aracaju (SE), Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), plano piloto e arredores de Brasília (DF), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Maceió (AL), Natal (RN), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Teresina (PI).

As informações são da Agência Fiocruz de Notícias.

Sindicato dos Médicos é contra o aumento do ICMS sobre medicamentos e insumos da Saúde

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) manifesta contrariedade ao aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 18 para 19% sobre medicamentos e insumos da Saúde. O aumento da alíquota foi proposto pelo Governador do Paraná, Ratinho Jr., que está em análise na Assembleia Legislativa do Estado.

A justificativa para a medida se baseia na necessidade de compensação da perda de receita causada pela diminuição do ICMS sobre combustíveis. Mas o Simepar considera que não é justo que essa recomposição recaia também sobre medicamentos e insumos da Saúde.

Para o Simepar, remédios e insumos da Saúde já têm uma carga tributária muito alta, dificultando o acesso de uma grande parcela da população. Os gestores públicos e parlamentares deveriam estar trabalhando para reduzir a carga tributária ou até isentar esse produtos, e não o contrário.

Radioterapia reduzida é nova opção no tratamento do câncer de próstata

A fase aguda da pandemia da covid-19 afetou os pacientes com câncer de próstata, que não podiam parar o tratamento, mas precisavam continuar se cuidando para evitar a contaminação pelo coronavírus.

Uma das medidas implantadas com o objetivo diminuir o risco de transmissão da covid-19, foi a redução no número de sessões de radioterapia para o tratamento.

O número de sessões foi reduzido de 39 para 20 aplicações. A experiência foi tão bem-sucedida que passou a ser adotada como rotina no pós-pandemia. Ao lado de exames e tratamentos sofisticados, essa é uma das novidades do combate ao câncer de próstata, que ganha destaque durante a campanha do Novembro Azul, que segue até o próximo dia 30.

No entanto, a redução se aplica a determinados pacientes, que apresentam características específicas. “Quando o paciente não apresenta risco de complicação, o tempo de tratamento por radioterapia pode ser mais curto, com cinco sessões com maior intensidade de radiação”, esclarece a médica Mariana Bruno Siqueira, oncologista da Oncologia D’Or, com foco em uro-oncologia.

O que impede a redução de sessões, explica a médica, é o tamanho da próstata e a distância entre a próstata e o reto, que é a parte final do intestino. “As complicações que a temos mais receio são diarreia e eventualmente sangramento nas fezes. É uma decisão do médico radioterapeuta, baseado nos dados da anatomia do paciente, para definir se tem segurança de fazer em menos tempo com maior dose. Então é uma decisão para cada paciente e em conjunto com radiooncologista, que é quem vai planejar o tratamento”.

Essa é uma tendência que começou antes da pandemia da covid19, e foi intensificada e adotada de forma mais ampla e disseminada no Brasil para vários tipos de neoplasias com a chegada da pandemia, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), Marcus Simões Castilho, médico radioterapeuta.

“A redução de tempo de tratamento de radioterapia é conhecida como hipofracionamento e é uma tendência em diversas patologias. Em próstata, já existe um corpo de evidência científica consolidada. Fundamental pontuar que doses maiores pressupõe maior controle de entrega e consequentemente tecnologia. Isso é uma limitação no Brasil uma vez que somente um terço dos equipamentos têm radioterapia guiada por imagem, fundamental no hipofracionamento do câncer de próstata”, explica o médico.

A SBRT realizou um Consenso de Hipofracionamento na Radioterapia no Câncer de Próstata em setembro de 2019, antes da pandemia, e publicou esse material na Revista da Associação Médica Brasileira em janeiro de 2021.

A estratégia já é consolidada para hipofracionamento moderado entre 20 e 28 frações, reduzindo o tratamento de 7 a 8 semanas para 4 a 6 semanas. “Estratégias de tratamentos em somente uma semana estão sendo adotadas, porém muito dependentes de alta tecnologia”, disse Castilho.

A radioterapia é uma modalidade terapêutica importante no cuidado das neoplasias tanto em condições malignas quanto benignas, em condições radicais e também paliativas. “Estima-se que cerca de 60% dos pacientes oncológicos irão receber radioterapia em algum momento do curso do seu tratamento”, disse a SBRT.

Além dos estudos para o hipofracionamento no tratamento de câncer de próstata, já existiam estudos garantindo a segurança para algumas situações, como, por exemplo, para pacientes com tumores de mama iniciais.

“Mas existiam algumas situações, como para pacientes com câncer de mama mais avançados, onde a adoção do hipofracionamento ainda não era consensual. Com a chegada da pandemia, o encurtamento do tratamento foi ampliado para todos os pacientes. Logo em seguida, estudos foram publicados comprovando que, realmente, todas as pacientes podiam encurtar o tratamento”, disse Castilho.

Hipofracionamento

O hipofracionamento se aplica a casos em que estudos de nível I de evidência, os mais confiáveis, confirmaram que o tratamento mais curto é igualmente eficaz e seguro para os pacientes, “incluindo próstata, pulmão, mama, reto, tratamentos paliativos de metástases ósseas, entre outros”, disse o presidente da SBRT.

A orientação sobre o hipofracionamento é a mesma para a rede pública. “Porém, em muitos casos, como para pacientes de próstata e pulmão, o hipofracionamento requer tecnologias mais avançadas, que geralmente não estão disponíveis para os pacientes do SUS, pelo déficit de financiamento do setor”, disse Castilho.

Como existe dependência de tecnologia para garantia que as doses mais elevadas estão atingindo somente a próstata, a limitação da estratégia é o uso em equipamentos que disponham de IGRT (radioterapia guiada por imagem). Segundo a entidade, cerca de um terço das máquinas no país têm a tecnologia e algumas delas estão na rede pública.

Além de melhorar a qualidade de vida do paciente, a estratégia de encurtamento amplia a oferta de vagas da radioterapia. O último censo disponível, segundo a entidade, mostra que somente 50% das máquinas necessárias para tratamento estão disponíveis, a maioria delas com mais de 10 anos de funcionamento e distribuídas de forma desigual pelo país.

O levantamento é baseado no estudo Análise das necessidades e custos globais de radioterapia por região geográfica e nível de renda.

De acordo com o presidente do Conselho Superior da SBRT, Arthur Accioly Rosa, o cálculo de necessidade de máquinas é complexo. “Envolve fatores como distribuição epidemiológica dos casos, disponibilidade geográfica, diagnóstico – muitos pacientes morrem sem diagnóstico de câncer – ocupação das máquinas com hipofracionamento, dentre outros. A saúde suplementar tem atendido sua demanda aparentemente sem limitações. Nos cálculos de novos casos de câncer, usando a proporção de 52% de uso de radiação e mensurando o número de tratamentos no SUS, projetam-se mais de 100 mil casos que não foram irradiados em 2020. Não quer dizer que não receberam tratamentos como quimioterapia, por exemplo, mas é um dado que documenta a dificuldade de acesso”.

Na avaliação da SBRT, esquemas de radioterapia mais convenientes para os pacientes e igualmente efetivos devem ser estimulados, já que trazem benefícios clínicos, logísticos e financeiros.

A SBRT disse que tem feito vários esforços e adotado estratégias específicas para disseminar a prática do hipofracionamento no Brasil, principalmente para os pacientes do SUS. “Porém, a plena adoção do hipofracionamento no SUS depende do avanço do investimento em radioterapia, principalmente via recomposição da tabela do SUS, extremamente defasada, o que permitirá que os mais diversos serviços ao redor do país possam executar não só tratamentos mais curtos, como de maior qualidade, para todos os brasileiros”, explica o presidente da SBRT.

Prevenção

A próstata é uma glândula que só o homem tem e que produz parte do sêmen. Ela se localiza na frente do reto, abaixo da bexiga, envolvendo a parte superior da uretra. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), nos homens o câncer de próstata é o segundo mais comum, ficando atrás apenas do câncer de pele.

Os fatores de risco são a idade avançada, a partir dos 50 anos, e o histórico familiar. Os negros constituem um grupo de risco para o câncer de próstata. A alimentação saudável, o peso corporal adequado e a prática da atividade física ajudam a reduzir a incidência desse e outros tipos de câncer.

A maioria dos tumores na próstata cresce de forma lenta, não chegando a dar sinais ao longo da vida. Uma minoria cresce de maneira acelerada, espalha-se para outros órgãos (metástase) e pode levar à morte. Os sintomas iniciais são dificuldade para urinar, demora em começar e terminar em urinar, sangue na urina, diminuição do jato da urina e necessidade urinar várias vezes à noite.

O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento. Por isso, os homens com 50 anos de idade ou mais devem ir uma vez por ano ao urologista para o toque retal e o exame de sangue que identifica o antígeno prostático específico (PSA).

“Os homens com histórico familiar de câncer de próstata, e os negros, que têm maior incidência deste tipo de câncer, devem iniciar as consultas anuais aos 45 anos de idade”, recomenda a médica Rafaela Pozzobon, oncologista da Oncologia D’Or com foco em uro-oncologia.

Tratamento

Entre os exames mais recentes para detecção do câncer de próstata está o PET-CT PSMA, que une a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e a tomografia computadorizada (CT). O procedimento com PSMA (sigla do inglês para Antígeno de Membrana Específico para Próstata) consegue detectar mais de 90% dos casos de metástase desse tipo de câncer, permitindo um diagnóstico mais assertivo e um tratamento melhor direcionado.

“Quando a doença está restrita à próstata, o paciente é submetido à cirurgia ou radioterapia. Em caso de metástase, o tratamento é feito com hormonioterapia ou quimioterapia”, explica a médica Mariana Bruno Siqueira.

Para pacientes com câncer de próstata metastático, o tratamento mais recente é o PSMA-Lutécio 177, que foi destaque do Congresso Americano de Oncologia (Asco) de 2021. O lutécio é uma substância radioativa que, assim como um míssil teleguiado, é levado às células com PSMA, uma molécula que apresenta a expressão aumentada na superfície das células cancerígenas.

A substância radioativa danifica o DNA da célula e provoca sua morte. O tratamento demanda quatro a seis aplicações, sendo que a quimioterapia são no mínimo seis aplicações. Por ser direcionado às células cancerígenas, é melhor tolerado que a quimioterapia, dizem os especialistas.

“O PSMA-Lutécio 177 é uma partícula radioativa que vai ser introduzido no paciente pelo sangue. Então a partícula vai caminhando pelo sangue e chega aonde o câncer está, vai achar o câncer porque ele é ligado a um marcador do PSA. A partícula vai achar essas células, e pela radiação, que é carregada por esse PSMA, que é um marcador que vai achar a célula do câncer, ou seja, a célula que produz o PSA, para matar essa célula. Então ele vai, carrega essa radiação até a célula maligna, e uma vez que ela chega lá na célula, a radiação vai quebrar a fita de DNA e vai matar a célula do câncer. A radiação é pela circulação sanguínea”, explica a médica Rafaela Pozzobon.

O exame PET-CT PSMA e o tratamento PSMA-Lutécio 177 ainda não estão disponíveis pelo SUS.

Mutação

Nos últimos anos, os cientistas descobriram que o câncer de próstata, assim como o de mama, ovário e pâncreas, pode ter relação com a mutação do gene BRCA 1 e 2. “Entre 5% e 10% dos pacientes com câncer de próstata podem ter uma origem hereditária da doença, principalmente por causa da mutação genética no BRCA 2”, disse a médica Mariana Bruno Siqueira.

Em razão dessa descoberta, os médicos recomendam que homens que tiveram câncer de próstata mais agressivos ou com metástases, devam realizar testes a fim de detectar uma possível mutação do BRCA.

Em caso positivo, seus familiares podem ser aconselhados a realizar o exame também, além de adotar medidas preventivas e fazer exames periódicos para o diagnóstico precoce da doença. Existem ainda medicações específicas para os homens com a mutação do BRCA, que são usadas para controlar o câncer em cenários metastáticos.

As informações são da Agência Brasil

Paraná é referência nacional em transplantes de órgãos com rede solidária que salva vidas

No início do mês de novembro, a equipe do médico Gustavo Klug Pimentel, que coordena o serviço de transplante cardíaco do Hospital do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, cumpriu uma missão: buscar um coração no Interior do Paraná para um paciente do hospital. E para que tudo transcorresse bem era preciso que o intervalo entre a retirada do órgão e o transplante não fosse maior do que quatro horas. Quando esse tempo é ultrapassado, o músculo cardíaco não consegue mais bater em outro corpo.

Como já virou rotina, o transplante deu certo. Uma aeronave do Governo do Estado partiu rumo a um hospital de uma cidade distante da Capital com a equipe médica para fazer a cirurgia de retirada do órgão. Pouco tempo depois, já de volta a Curitiba, o coração seguiu com o helicóptero do Governo até o Hospital do Rocio e antes da janela de quatro horas o paciente que precisava de um novo coração era operado por Pimentel. A cirurgia foi realizada com sucesso.

Este caso ilustra bem um dos setores em que o Paraná se tornou referência nacional: o transplante de órgãos. O Estado é líder nacional em doação por milhão de habitantes. Essa política pública bem-sucedida abre a série de reportagens “Paraná, o Brasil que dá certo”, que trará exemplos de como a administração pública e suas parcerias com a sociedade e a iniciativa privada conseguem transformar vidas. Ou, nesse caso, praticamente gerar novas vidas.

De acordo com o último relatório da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), entidade nacional que faz o levantamento desses números, de janeiro a junho deste ano o Paraná registrou 39,7 doações de órgãos por milhão de população, um aumento de 10% em relação ao índice registrado no final de 2021 (35,8). O Paraná é seguido pelos estados de Santa Catarina (37,9 pmp) e Ceará (24,9 pmp). A média nacional é de 15,4 pmp.

O Paraná também é líder no transplante de rim por milhão de população, com indicador de 36,6 pmp, e fica com a vice-liderança no transplante de fígado (26 pmp). Nesses dois casos as médias nacionais são de 22,3 pmp e 9,4 pmp, respectivamente. O Estado ainda apareceu entre as seis unidades da Federação que mais fizeram transplantes de pâncreas (0,7 pmp), pulmão (0,2 pmp), medula óssea (29,1 pmp) e córnea (70,2 pmp).

Segundo a ABTO, o Paraná tem outro componente de destaque: o menor índice de recusas de famílias. Apenas 27% das famílias entrevistadas regularmente pelas equipes paranaenses optam por não fazer a doação. No País, a média de recusa após entrevista é de 44%.

Juliana Ribeiro Giugni, coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes do Paraná, explica que os números expressivos são reflexo de uma equipe dedicada, constante capacitação dos profissionais que atuam no processo e da rede de atendimento de profissionais e equipamentos do Estado, mas também da consciência dos paranaenses. “O esclarecimento das etapas e o acolhimento e apoio às famílias que perdem seus entes queridos são essenciais para que a doação seja efetivada e beneficie aqueles que aguardam na fila por um transplante”, explica.

As doações ocorrem somente após o diagnóstico da morte encefálica e precisam ser autorizadas pela família do doador. “No Paraná buscamos acompanhar todas as famílias desde o momento da abertura do protocolo de diagnóstico de morte encefálica, esclarecendo todas as dúvidas sobre o processo. Apenas após a identificação de potencial doador é que estas famílias passam por uma conversa com as equipes de saúde para esclarecer as dúvidas. Este acompanhamento humanizado é reflexo direto da capacitação dos profissionais que atuam no processo”, afirma.

Atualmente, o Sistema Estadual de Transplantes conta com nove veículos, sendo cinco em Curitiba e um veículo em cada Organização de Procura de Órgãos (OPO): Cascavel, Curitiba, Londrina e Maringá. Soma-se a isso uma equipe de motoristas em Curitiba e o apoio da rede de transporte das Regionais de Saúde no Interior do Estado, além das aeronaves à disposição que garantem a agilidade necessária no transporte – além do coração, quatro horas, para um transplante de fígado são necessários 12 horas, por exemplo.

“A frota das aeronaves do Governo do Estado tem a missão de auxiliar todo o Sistema Estadual de Transplantes no transporte dos órgãos e das equipes médicas. O serviço aeromédico do Estado e o Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas (BPMOA) auxiliam essa logística, que precisa ser rápida e eficiente”, completa Juliana.

Segundo o secretário de Saúde, Beto Preto, o Paraná tem um histórico de solidariedade que não foi abalado nem com a pandemia. “Mesmo com a crise da Covid-19 afastando as pessoas de procedimentos hospitalares, o Paraná manteve índices representativos de doações e transplantes de órgãos, reforçando o compromisso dos paranaenses com o próximo”, afirma.

NOVAS VIDAS – Pacientes que passaram por transplantes no Paraná ficaram surpresos com a rapidez do processo e a qualidade dos serviços prestados. O profissional de logística Elson Valmir Kunze ficou 42 dias na fila de transplantes para receber um coração. Com uma doença cardíaca crônica diagnosticada em 1999, ele vinha travando sucessivas batalhas pela vida, até a decisão final de que precisava de um novo órgão.

“Entrava e saía da lista de transplante, conforme meu quadro melhorava. Mas no início de 2022 não teve mais jeito: o quadro se agravou de tal forma que voltei para a fila e ainda como prioritário”, disse. Enquanto esperava ser contemplado, resolveu contar sua história pelas redes sociais e criou um canal no YouTube no qual conta sua experiência e incentiva outros internautas a prestarem atenção no processo de doação de órgãos. O canal já conta com 602 inscritos. O seu procedimento ocorreu na Santa Casa de Curitiba.

“Meu propósito de vida é espalhar esta ideia porque o momento em que eu acordei da cirurgia, que consegui ficar consciente e me disseram que tudo deu certo, foi inesquecível. A primeira coisa em que eu pensei foi na família que doou. Depois criei um perfil no Tiktok, o Bora Doar, e também falo no Instagram, no @elson.kunze.transplantado, para divulgar essa experiência que salvou a minha vida”, conta.

“Falo para todo mundo que eu não podia estar num lugar melhor. É um privilégio estar no Paraná. Aqui tem uma conscientização maior, o tempo de espera (pelo transplante) é bem menor, o serviço é de primeira qualidade. Acho que existe um cuidado muito grande no trabalho do pessoal da Central de Transplantes, uma estrutura séria, confiável, efetiva e que realmente funcione”, complementa Kunze.

Já o casal Sônia Lieseski Pasetto e João Anísio Luis Pasetto levou um susto em uma consulta de rotina dos filhos gêmeos João Vitor e João Henrique, de 15 anos. Com paralisia cerebral, os meninos, que vivem com a família em Medianeira, no Oeste, seguem tratamento de rotina no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Era para ser um diálogo com um ortopedista, mas eles foram encaminhados para uma nefrologista e o que seria apenas mais um exame terminou em internação por problemas nos rins. Pela gravidade da situação, os dois permaneceram no local por 33 dias.

O quadro foi se estabilizando depois disso e eles voltaram para casa, onde seguiram em tratamento até meados deste ano, quando a situação voltou a se agravar e eles entraram na fila do transplante. João Vitor foi o primeiro a fazer o procedimento. O irmão, João Henrique, teve que esperar um pouco mais até receber um novo órgão.

“Achamos que foi tudo muito rápido, aconteceu antes do esperado. Surpreendeu muito. Desde que começamos o tratamento, conhecemos muitas pessoas que estão na mesma situação que eles. Outras crianças que vêm de outros lugares, conhecemos muita gente que já estava fazendo o tratamento. Claro que tudo depende da situação de cada um, da saúde, do organismo, da compatibilidade. Mas nunca pensamos que seria tão rápido”, afirma Sônia.

Para ela, a eficácia e a rapidez dos transplantes no Paraná acontecem em função da sensibilidade das famílias doadoras. “Ao mesmo tempo que ficamos alegres, a gente sabe que do outro lado houve perda e que tem uma família que está sofrendo. Porém, Deus sabe o que faz e se a pessoa decidiu doar é porque ela quer fazer o bem para outras pessoas. E é isso que queremos pedir: façam o bem. Depois que você morrer, o teu corpo não vai ter serventia mais, mas vai salvar a vida de alguém, vai fazer alguém feliz”, diz.

TRANSFUSÃO – Há dois meses o serviço aeromédico da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) também deu início a um outro projeto inovador na área: realização de transfusões de sangue em pacientes graves no local da ocorrência, mesmo antes de serem encaminhados ao hospital. Trata-se, na prática, de um sistema que permite esse tipo de procedimento no local do fato ou no helicóptero, durante o percurso até o internamento, o que até então não era possível. Ele foi implementado em Maringá. A iniciativa visa dar maior sobrevida aos pacientes vítimas de acidentes graves, principalmente em casos de hemorragia.

SÉRIE – “Paraná, o Brasil que dá certo” é uma série de reportagens da Agência Estadual de Notícias. Serão apresentadas iniciativas da administração pública estadual que são referência para o Brasil em suas áreas.

Veja o vídeo com os depoimentos:

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Crianças não vacinadas são o grupo de maior risco da Covid-19 em nova onda, diz infectologista Julio Croda

As crianças não vacinadas são o grupo mais vulnerável à Covid-19 nesta nova onda da doença no Brasil, causada pela disseminação de sublinhagens da variante ômicron. Esse panorama está atrelado à baixa cobertura vacinal e se deve também à alta mortalidade de crianças pela Covid-19 no Brasil, segundo o infectologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Julio Croda.

“Comparativamente às doenças imunopreveníveis, a Covid-19 matou mais do que qualquer outra doença prevenível pela vacinação. Então, é um risco bastante elevado as crianças estarem sem vacinação em uma nova onda. Essa é a população que está mais sob risco porque não há vacinas sendo ofertadas”, afirmou o médico ao Portal do Butantan.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da CoronaVac, vacina contra Covid-19 do Butantan e da farmacêutica chinesa Sinovac, em crianças de 3 a 5 anos em julho deste ano. A vacina já era autorizada para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos desde janeiro de 2022 e para adultos e idosos desde o começo da campanha de vacinação, em janeiro de 2021. Em todos os públicos, a imunização se dá pelo mesmo esquema vacinal: duas doses com intervalo de 28 dias entre elas.

Apesar da aprovação do órgão regulatório, apenas 5,5% das crianças entre 3 e 4 anos receberam as duas doses da vacina até 7/11 no Brasil, segundo dados do Vacinômetro Covid-19 do Ministério da Saúde levantados pelo Observa Infância da Fiocruz. De acordo com o levantamento, apenas 938.411 crianças nessa faixa etária tomaram a primeira dose, e somente 323.965 tomaram as duas doses de um total de 5,9 milhões de crianças de 3 a 4 anos elegíveis à imunização.

Para Croda, um dos motivos da baixa adesão é a falta de doses disponíveis para este público no Sistema Único de Saúde (SUS), pelo fato de o Ministério da Saúde não ter adquirido um número suficiente de vacinas.

“Quando a gente fala na sobrecarga do serviço de saúde, estamos falando mais dos idosos, mas, proporcionalmente, as crianças estão mais sob risco por conta de não estarem vacinadas neste momento. O Brasil está muito lento para ofertar vacinas para crianças de seis meses a cinco anos. Temos a CoronaVac, que está em falta em muitos estados porque o Ministério não adquiriu o suficiente”, destacou.

O Butantan produz a CoronaVac a partir da demanda vinda do Ministério da Saúde, que distribui as doses para os estados. Em setembro e novembro, o instituto enviou duas remessas de 1 milhão de doses cada, em dois aditivos ao contrato para o fornecimento de 10 milhões de doses firmado com o Programa Nacional de Imunizações (PNI) no início de janeiro deste ano.

A estimativa é que são necessárias cerca de 12 milhões de doses para vacinar todas as 6 milhões de crianças brasileiras de 3 a 5 anos com as duas doses do imunizante.

Mortes de crianças por Covid

Um levantamento do Observa Infância mostrou que a Covid-19 pode ser letal em crianças, sobretudo entre as não vacinadas. Desde o início da pandemia, a doença matou ao menos duas crianças menores de 5 anos por dia no Brasil. Entre 2020 e 2021, 1.439 meninas e meninos nessa faixa etária morreram pela doença no país, com a maior concentração dos óbitos no Nordeste. Na data dos dados computados, a vacinação contra Covid-19 não estava autorizada a este público no país.

“Comparado a outros países, o impacto da Covid-19 no Brasil foi enorme nessa faixa etária. É muito importante a mobilização para que haja mais vacinas disponíveis para esse público, pois estão em falta. Não é justo que as crianças fiquem sem acesso às vacinas”, enfatizou Croda.

Vacina pode evitar onda letal

Diante da ameaça da nova onda – agravada pelo crescimento de sublinhagens da variante ômicron como a BQ.1 –, o infectologista reafirma que é essencial para evitar um novo pico de hospitalizações e mortes não somente as crianças, mas as pessoas das demais faixas etárias estarem com o esquema vacinal completo.

No Brasil, as coberturas de primeiro e segundo reforço em adultos e idosos também são consideradas baixas. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 69 milhões de brasileiros não tomaram a primeira dose de reforço da vacina contra Covid-19 e 32,8 milhões deixaram de receber o segundo reforço. A primeira dose de reforço é recomendada para pessoas acima de 12 anos, quatro meses após a segunda dose. Já a segunda dose de reforço é recomendada para pessoas acima dos 18 anos, quatro meses após a primeira dose de reforço.

“O ministério tem que agilizar, do ponto de vista federal, a disponibilização da vacina para as crianças. As pessoas não vacinadas representam um grande risco, sejam crianças ou os idosos e pessoas imunossuprimidas que não têm seu esquema vacinal atualizado”, reforçou.

Croda relembra que o Brasil viveu o pior momento da pandemia, com pessoas lotando hospitais e os idosos sendo as maiores vítimas da Covid-19, quando não se tinha imunizantes disponíveis, o que começou a mudar com a introdução da CoronaVac no Programa Nacional de Imunizações (PNI) em janeiro de 2021.

“Se não fosse a vacina do Butantan naquele momento, a gente teria um maior número de óbitos com certeza. Com a precocidade da introdução de uma vacina contra Covid liderada pelo estado de São Paulo e pelo Instituto Butantan, foi possível fazer isso principalmente para vacinar as pessoas mais vulneráveis e os idosos. A discussão que a gente faz aqui é bem clara: qualquer vacina é melhor do que nenhuma. Ficar sem ser vacinado é a pior situação”, conclui.

Matéria do Portal do Instituto Butantan.

Iniciam os testes clínicos da primeira vacina nacional contra a covid-19

Os estudos clínicos da primeira vacina totalmente nacional contra a covid-19 foram iniciados nesta sexta-feira (25) na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O imunizante SpiN-Tec MCTI UFMG é o primeiro desenvolvido com tecnologia e insumos nacionais, além de ser financiado com recursos de instituições brasileiras.

Durante evento realizado em Belo Horizonte, o secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcelo Morales, aplicou a primeira dose da vacina em um dos 1 mil voluntários que se inscreveram para participar dos testes.

Os testes serão realizados em três fases que reunirão 72, 360 e 5 mil voluntários, respectivamente. Após a conclusão das duas primeiras, um relatório com os resultados obtidos será enviado para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorização da fase seguinte.

Antes da utilização em humanos, testes pré-clínicos realizados em laboratório e em animais confirmaram a eficácia e a segurança preliminar da vacina. Os resultados foram publicados em agosto deste ano na revista científica Nature.

Os ensaios clínicos são coordenados pelo professor Helton Santiago, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), e pelo professor Jorge Andrade Pinto, da Unidade de Pesquisa Clínica em Vacinas (UPqVac).

A SpiN-Tec teve investimento de R$ 16 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovações e participação da Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais (Fiocruz Minas) e da Rede Vírus – comitê que reúne agências de financiamento, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As informações são da Agência Brasil.

Portal Saúde Debate promove live sobre saúde do homem

A saúde do homem será o tema da próxima live do Portal Saúde Debate, no dia 28 de novembro, às 20h30, pelo Instagram. O convidado é o médico urologista Osni Silvestri, superintendente médico do Hospital Vita Curitiba.

Entre os temas relacionados à saúde do homem que serão abordados na live estão a rotina de qualidade de vida para os homens, impacto dos bons hábitos, dilemas entre aspectos culturais e o cuidado com a saude, prevenção e câncer de próstata.

As perguntas podem ser enviadas diretamente no Instagram ou pelo e-mail pauta@saudedebate.com.br.

www.instagram.com/saudedebateportal

As informações são do Portal Saúde Debate.

Uso de máscaras anticovid volta a ser obrigatório em aviões e aeroportos do Brasil

A partir desta sexta-feira (25), o uso de máscaras de proteção facial volta a ser obrigatório em aviões, aeroportos, meios de transporte e outros estabelecimentos localizados na área dos terminais.

A decisão foi tomada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no início desta semana, visando a reduzir o risco de contágio de covid-19, diante do aumento expressivo de casos da doença nas últimas semanas.

Conforme decisão da Anvisa de 13 de maio deste ano, permanece mantida a possibilidade dos serviços de bordo em voos nacionais. Dessa forma, será permitido remover a máscara para hidratação e alimentação no interior das aeronaves, bem como nas praças de alimentação ou áreas destinadas exclusivamente à realização de refeições nos terminais e demais ambientes dos aeroportos.

De acordo com a resolução aprovada pela Diretoria Colegiada da Anvisa, as máscaras devem ser utilizadas ajustadas ao rosto, cobrindo o nariz, queixo e boca, minimizando espaços que permitam a entrada ou saída do ar e de gotículas respiratórias.

A norma proíbe a utilização de máscaras de acrílico ou de plástico; máscaras dotadas de válvulas de expiração, incluindo as N95 e PFF2; lenços, bandanas de pano ou qualquer outro material que não seja caracterizado como máscara de proteção de uso profissional ou de uso não profissional; protetor facial (face shield) isoladamente; máscaras de proteção de uso não profissional confeccionadas com apenas uma camada ou que não observem os requisitos mínimos de fabricação, previstos na norma ABNT PR 1002.

A obrigação do uso de máscaras será dispensada no caso de pessoas com transtorno do espectro autista, com deficiência intelectual, com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado de máscara de proteção facial, bem como no caso de crianças com menos de 3 anos.

Por fim, a norma aprovada prevê que, nos veículos de deslocamento para embarque ou desembarque em área remota, viajantes e motoristas mantenham o uso obrigatório e adequado das máscaras faciais.

Cenário epidemiológico

Para subsidiar a decisão, a Anvisa realizou reunião com especialistas sobre o cenário epidemiológico atual da covid-19 no Brasil. Participaram representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia, Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Fundação Oswaldo Cruz e Associação Brasileira de Saúde Coletiva, além dos epidemiologistas Carla Domingues e Wanderson Oliveira.

“Os participantes da reunião ressaltaram que os dados epidemiológicos demandam o retorno de medidas não farmacológicas de proteção, como o uso de máscaras, principalmente no transporte público, aeroportos e ambientes fechados/confinados”, explicou a agência na ocasião.

A entidade destacou que o uso das máscaras estava previsto como recomendação desde agosto deste ano, principalmente para pessoas com sintomas gripais e para o público mais vulnerável, como imunocomprometidos, gestantes e idosos.

Além dos dados epidemiológicos atuais, o comportamento com características de sazonalidade da pandemia também foi considerado pela Anvisa. “Nos últimos anos, observou-se no Brasil o aumento da transmissão do vírus no período de novembro a janeiro, quadro que pode ser agravado pelo maior fluxo esperado de viajantes, que se deslocam pelos aeroportos para as férias escolares e festas de fim de ano”, acrescentou a agência.

A Anvisa lembrou que atua, mais uma vez, dentro de suas competências legais e “adaptando as regras atuais de forma proporcional ao risco para a saúde da população”. “A agência continuará atenta, avaliando e acompanhando os dados epidemiológicos, a fim de que as medidas possam ser revisitadas sempre que necessário, visando ao cumprimento de sua missão na proteção da saúde das pessoas”.

As informações são da Agência Brasil

Prefeitura de Curitiba quer prorrogar a terceirização de médicos/as, Simepar é contra

A Prefeitura de Curitiba, através da Fundação Estatal de Atenção à Saúde (FEAS), continua terceirizando a mão de obra de médicos e médicas para atender parte da demanda nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital.

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) é contra a terceirização no Sistema Único de Saúde por entender que esse tipo de contratação é ilegal e pode causar graves danos aos direitos trabalhistas dos/as médicos/as, prejuízos aos cofres públicos, além de riscos à saúde da população.

Em acordo firmado pela FEAS com o Simepar no início de 2022, a Fundação comprometeu-se a encerrar a terceirização ao fim do contrato com a empresa contratante dos/as médicos/as, o que ocorreu em julho deste ano. Mas o contrato foi prorrogado e a terceirização persistiu, à revelia do acordo.

Em reunião da mesa de negociação permanente entre a FEAS e o Simepar ocorrida na última sexta-feira (18/11), os dirigentes da Fundação afirmaram que pretendem prorrogação do contrato de terceirização até fevereiro do próximo ano. Mas a Diretoria do Simepar decidiu que não há como dar anuência à continuidade desse tipo de contratação.

A direção da FEAS tenta justificar a contratação terceirizada alegando que não consegue contratar médicos e médicas suficientes de maneira direta, como devido, mas isso não é justificativa. Faltam planejamento, remuneração adequada e condições de trabalho dignas para fixar os profissionais no quadro da Fundação.

Se não, como explicar que existem médicas e médicos dispostos a trabalhar de forma terceirizada, mas não há profissionais disponíveis para contratação direta pela Fundação?

O Simepar está tomando as medidas cabíveis para encerrar a terceirização imediatamente. A falta de médicos e médicas pode ser suprida no curto prazo com a contratação emergencial de mais profissionais através de Processo Seletivos Simplificados e com o oferecimento de horas extras para os/as médicos/as do quadro da Fundação. No médio prazo, a Fundação deveria abrir concursos para ampliar o quadro próprio que está bastante defasado.