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Jovens de 15 a 19 anos podem se vacinar contra o HPV pelo SUS até junho deste ano

Os jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados contra o HPV têm mais uma chance de se proteger contra vários tipos de câncer causados pelo papilomavírus humano (HPV). O Ministério da Saúde prorrogou a campanha extraordinária que visa imunizar os jovens não vacinados na faixa etária preconizada no Calendário Nacional de Imunização do SUS, indicada para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos.

A campanha do MS terminaria em dezembro de 2025, mas foi prorrogada até junho de 2026 para atingir maior número de jovens não vacinados, a maioria homens. A meta do resgate vacinal é imunizar cerca de 7 milhões de jovens em todo o país. Em Curitiba, cerca de 20 mil jovens nessa faixa etária ainda não buscaram a sua dose, que está disponível nas Unidades de Saúde da Capital. Os endereços e horários de atendimento das unidades podem ser conhecidos no site Imuniza Já Curitiba.

A decisão de ampliar o público-alvo foi motivada pela baixa procura do imunizante na época da pandemia de covid-19, quando esses jovens que têm de 15 a 19 anos agora estavam na faixa etária entre 9 e 14 anos naquele período.

“Prevenir é sempre melhor do que remediar e a vacina é a melhor estratégia de prevenção disponível para todos. Nossa recomendação é que as famílias verifiquem se os jovens estão com essa vacina pendente e procurem uma unidade de saúde para se proteger”, recomenda a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak.

No calendário Nacional de Imunização do SUS, esse imunizante está disponível nas salas de vacina em todo país desde 2014 para meninas entre 9 e 14 anos e desde 2017 para meninos da mesma idade. Fora da faixa etária preconizada pelo Ministério da Saúde, a vacina do HPV pode ser encontrada nas clínicas de imunização particulares.

“Nós sabemos que é muito comum nas mulheres o câncer de colo do útero em decorrência da infecção pelo HPV, mas também existem outros tumores tanto nas mulheres quanto nos homens que são preveníveis através da vacina. Por isso é essencial que esse imunizante seja aplicado no tempo oportuno, ou seja, em adolescentes e jovens, para proteger por toda a vida”, orienta o diretor do Centro de Epidemiologia da SMS, Alcides Oliveira.

HPV

O HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é responsável pela infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo. Está associado ao desenvolvimento da quase totalidade dos cânceres de colo de útero, bem como a diversos outros tumores em homens e mulheres. Na maioria das pessoas, a infecção pelo HPV não apresenta sintomas e, em alguns casos, pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais de adoecimento.

Estima-se que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas são contaminadas com este vírus em algum momento da vida.

A vacinação na infância, para meninos e meninas, evita a contaminação antes do início da vida sexual, prevenindo a ocorrência de diversos tipos de cânceres.

As informações são da Prefeitura de Curitiba.

Simepar obtém vitória em ação cobrando auxílio moradia para Médicos/as Residentes do CHC-UFPR

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) obteve vitória na primeira instância da Justiça Federal em ação que pleiteia o pagamento de auxílio moradia para os/as Médicos/as Residentes do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR).

A ação contempla o pagamento equivalente a 30% do valor da bolsa de residência para todos os/as residentes nos últimos cinco anos.

O programa de residência médica é regido pela Lei n. 6.932/1981, que assim o define: “modalidade de ensino de pós-graduação, destinada a médicos, sob a forma de cursos de especialização, caracterizada por treinamento em serviço (…)”.

Durante todo o período do programa de residência médica, a Universidade não tem cumprido com o dever de ofertar aos Requerentes uma moradia ou auxilio substitutivo em ofensa ao que é imposto pelo artigo 4º, § 5º, inciso III, da Lei citada.

A sentença entendeu que a omissão do Poder Público em editar o regulamento que discipline o auxílio-moradia não pode servir de subterfúgio para que se negue o direito garantido por lei aos médicos residentes; cabendo ao Poder Judiciário intervir em face da omissão ilegal, para fixar um valor razoável a título de auxílio moradia.

Da sentença, ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 4a Região.

Por que a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório é importante para gestantes e bebês

O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecções respiratórias em crianças pequenas e em idosos, podendo provocar quadros graves como a bronquiolite e até mortes, especialmente em bebês.

Em dezembro de 2025, a vacina contra o VSR indicada para gestantes, como forma de proteger recém-nascidos da bronquiolite e da pneumonia, começou a ser distribuída pela primeira vez no Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa é fruto de uma parceria do Instituto Butantan com a farmacêutica norte-americana Pfizer, que vai culminar na transferência tecnológica da vacina para a organização brasileira e no fornecimento em conjunto do imunizante para a rede pública.

O acordo de colaboração foi feito por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) assinada em setembro pelas empresas com o Ministério da Saúde. As PDPs são realizadas entre instituições públicas e privadas, com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos, produtos e novas tecnologias no SUS.

Para esclarecer as dúvidas sobre o vírus, os sintomas e a importância da vacinação, o Portal do Butantan conversou com a pediatra e gerente médica do Instituto, Carolina Barbieri.

1- O que é o vírus sincicial respiratório (VSR) e por que ele é tão grave em crianças pequenas?
O vírus sincicial respiratório (VSR) é um vírus respiratório transmitido por gotículas, que ataca as vias respiratórias e os pulmões, sendo transmitido por tosse, espirros e objetos contaminados.

A forma de transmissão é semelhante à da influenza, rinovírus e metapneumovírus humano, mas o VSR tem uma particularidade: causa infecção nos bronquíolos, que são as partes mais baixas do trato respiratório, por onde se transporta o ar pelos pulmões.

Essa infecção leva a um quadro chamado bronquiolite, que dificulta a respiração.

Até outubro de 2025, o VSR foi responsável por 40,6% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que exigiram internação em crianças menores de dois anos, segundo dados do Boletim InfoGripe.

“Nos bebês, os bronquíolos são muito pequenos. Qualquer inflamação ou acúmulo de secreção já causa falta de ar e chiado no peito. Eles têm dificuldade de eliminar as secreções, o que aumenta o risco de complicações e hospitalização”, explica a pediatra.

Em crianças maiores e em adultos, o VSR costuma causar sintomas mais parecidos com uma gripe comum.

Em bebês e idosos, o risco de formas graves é maior, devido à imaturidade do sistema imunológico e menor diâmetro dos bronquíolos.

2- O VSR é a mesma coisa que bronquiolite?
Não. A bronquiolite é a doença causada pela inflamação dos bronquíolos, e o VSR é o principal vírus causador dessa inflamação.

Outros patógenos também podem provocar bronquiolite, mas o VSR é o responsável pela maioria dos casos em bebês e crianças pequenas.

3- O VSR é mais comum em alguma época do ano?
Sim. O VSR costuma circular com mais intensidade nos meses de outono e inverno, acompanhando o aumento dos vírus respiratórios.

“Durante esse período, ficamos mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a transmissão. A vigilância mostra uma alta incidência de casos graves nessa época, especialmente em crianças menores de dois anos e em idosos”, explica Carolina Barbieri.

4- Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?
Os sintomas do VSR incluem tosse, febre, chiado no peito, dificuldade para respirar e secreção nasal.

O diagnóstico geralmente é clínico, baseado nos sinais de bronquiolite, mas pode ser confirmado por testes laboratoriais específicos.

“Diferente da influenza, que tem os antivirais, o VSR não tem um tratamento específico. O manejo é de suporte, ou seja, oxigênio, hidratação, fisioterapia e monitoramento. Por isso, a vacina e os anticorpos monoclonais são avanços muito importantes na prevenção e na redução da gravidade da doença”, reforça a pediatra.

5- Por que a vacina contra o VSR é indicada para gestantes e não diretamente para os bebês?
A imunização contra o VSR nas gestantes é uma forma de proteção passiva para o bebê.

“Quando a mãe é vacinada, ela produz anticorpos que passam para o bebê pela placenta e pelo leite. Assim, o recém-nascido já nasce com proteção nos primeiros meses de vida, quando o risco de formas graves é maior”, explica Carolina Barbieri.

Vacinar diretamente o bebê logo após o nascimento não seria tão eficaz.

“O sistema imunológico ainda está imaturo e a proteção levaria tempo para se formar. Por isso, vacinar a gestante é a forma mais segura e precoce de proteger o bebê”, ressalta.

6- Qual é o período ideal para a gestante tomar a vacina?
A recomendação é que a vacina seja aplicada a partir da 28ª semana de gestação.

“Esse intervalo foi o mais estudado e mostrou melhores resultados, com títulos de anticorpos mais altos e maior proteção para o bebê.

A gestante precisa tomar a vacina com pelo menos 14 dias de antecedência do parto, para que dê tempo de o corpo produzir e transferir os anticorpos ao bebê”, orienta Carolina Barbieri.

7- O VSR também pode afetar pessoas mais velhas?
Sim. O VSR pode causar quadros respiratórios em qualquer idade, porém, além de crianças pequenas, as formas graves são mais frequentes em idosos, principalmente em quem tem doenças crônicas ou imunidade enfraquecida.

“Nos idosos, o vírus agrava condições já existentes e o processo inflamatório é mais intenso. É uma faixa etária com alta morbidade, semelhante ao que vemos na pediatria com os bebês pequenos”, diz a médica.

8- Existem outras formas de prevenir o VSR?
Além da vacinação, as medidas clássicas de prevenção continuam sendo fundamentais: lavar as mãos com frequência; usar máscara em ambientes fechados ou com pessoas doentes; evitar contato próximo com pessoas resfriadas; e manter os ambientes bem ventilados.

“Como não há tratamento antiviral específico, a prevenção é essencial. A vacina para gestantes e os anticorpos monoclonais para bebês em alto risco representam um avanço enorme em saúde pública”, destaca Carolina Barbieri.

9- A introdução da vacina no SUS pode diminuir os casos de VSR no país?
Sim. A introdução da vacina deve reduzir significativamente a circulação do vírus, os casos graves, as hospitalizações e o impacto da doença na vida das famílias.

“O VSR é hoje uma das principais causas de internação de bebês e crianças pequenas. A chegada da vacina é um marco para pediatras, geriatras e para a saúde pública brasileira”, conclui.

As informações são do Instituto Butantan.

Sesa reforça a importância da vacinação dos alunos antes do início das aulas

Com a proximidade do início do ano letivo, em fevereiro, a Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) reforça a importância de pais e responsáveis verificarem e atualizarem a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes. A recomendação ocorre a menos de 15 dias do retorno às aulas e tem como objetivo garantir a proteção dos estudantes e de toda a comunidade escolar do Paraná.

O período de volta às atividades é marcado pelo aumento da circulação de viroses e pelo retorno da convivência em ambientes fechados, o que favorece a transmissão de doenças imunopreveníveis.

Ambientes escolares favorecem a circulação de agentes infecciosos como vírus respiratórios, causadores de doenças diarreicas, infecções pneumocócicas e até meningites. A vacinação em dia reduz significativamente o risco de surtos e contribui para a diminuição de faltas escolares, internações e complicações graves.

Atualmente, o Calendário Nacional de Vacinação contempla 11 vacinas destinadas a crianças e adolescentes, todas disponibilizadas gratuitamente nas salas de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Paraná.

Além de uma medida de proteção individual, manter o esquema vacinal em dia representa um compromisso com o bem-estar coletivo e atende à Lei Estadual nº 19.534/2018, regulamentada pela Instrução Normativa Conjunta nº 01/2018 – da secretaria estadual da Educação (Seed) e da Sesa. A normativa estabelece que alunos de até 18 anos devem apresentar, no ato da matrícula ou rematrícula, a declaração de atualização vacinal em todas as escolas do Paraná, públicas e particulares, que ofertem educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, o ambiente escolar é caracterizado pela intensa circulação de crianças, adolescentes e adultos, o que aumenta o risco de transmissão de doenças. “É fundamental que pais e responsáveis garantam que os estudantes retornem às aulas com a vacinação em dia. A imunização contribui para a redução de contaminações, prevenindo afastamentos, internações e complicações graves, além de proteger toda a comunidade escolar”, afirma.

PROTEÇÃO CONTÍNUA – A Sesa reforça, ainda, que ações de educação em saúde, voltadas à imunização, devem ser desenvolvidas pelas escolas em parceria com as secretarias municipais de saúde, ao longo de todo o ano, com intensificação no início do período letivo.

Entre os imunizantes ofertados estão:

  • Difteria, tétano e coqueluche (DTP) (4 anos) – reforço contra difteria, tétano e coqueluche
  • Varicela (4 anos) – previne catapora
  • Febre Amarela (4 anos) – previne febre amarela
  • Influenza (menores de 6 anos) – protege contra formas graves de influenza
  • Covid (menores de 5 anos considerando histórico vacinal) – protege contra formas graves de infecção por covid-19
  • HPV na rotina – (9 a 14 anos) – protege contra tipos de câncer e verrugas genitais
  • HPV resgate – (15 a 19 anos) – protege contra tipos de câncer e verrugas genitais
  • Meningocócica ACWY (11 a 14 anos) – protege contra meningites
  • Hepatite B (considera histórico vacinal) – protege contra doença viral que afeta o fígado
  • Tríplice Viral (considera histórico vacinal) – contra sarampo, caxumba e rubéola
  • Dupla Adulto (dT) (reforço a cada 10 anos) – reforço contra difteria, tétano e coqueluche
  • Dengue (10 a 14 anos) – protege contra formas graves de dengue.

ATENÇÃO ESPECIAL AOS ADOLESCENTES – A partir da pré-adolescência, o calendário prevê vacinas específicas, como a do HPV e a meningocócica ACWY. A vacina contra o HPV, atualmente em dose única, apresenta boa adesão, e o Ministério da Saúde prorrogou até o primeiro semestre de 2026 a estratégia de resgate para jovens de 15 a 19 anos que não receberam o imunizante na idade recomendada.

A vacinação contra a dengue também segue disponível para adolescentes dentro da faixa etária preconizada, reforçando a importância da segunda dose para garantir a eficácia do imunizante.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Gestão da carreira médica em tempos de transformação: contratos, escolhas e responsabilidade com o futuro

Artigo do Dr. Marlus Volney de Morais – Diretor Administrativo da FMB e presidente do Simepar.

A carreira médica nunca foi um caminho simples, tampouco foi tão desafiadora e multifacetada como no momento atual. Falar em gestão da carreira médica, hoje, exige compreender que o exercício da Medicina não se dá apenas na relação entre médico e paciente, mas dentro de um contexto social, econômico, regulatório e institucional que influencia diretamente as escolhas profissionais, os vínculos de trabalho e a sustentabilidade da vida médica ao longo do tempo.

Antes de qualquer análise, é fundamental reconhecer que carreira não é um evento pontual, mas um processo. Ela tem início, desenvolvimento e encerramento. Cada uma dessas fases demanda decisões específicas, estratégias distintas e, sobretudo, planejamento. Ignorar essa lógica é um dos principais fatores que levam médicos e médicas a enfrentarem insegurança profissional, sobrecarga de trabalho e dificuldades financeiras, justamente em uma profissão que exige estabilidade para o pleno exercício ético e técnico da Medicina.

Diferentes momentos, diferentes desafios

A carreira médica não é homogênea. Existe um espectro muito claro de trajetórias profissionais. Há o médico recém-formado, aquele que está nos primeiros cinco ou dez anos de atuação; os profissionais em fase intermediária, entre 10 e 25 anos de carreira; e aqueles que já alcançaram estabilidade ou caminham para uma desaceleração natural da atividade profissional, muitas vezes próximos da aposentadoria.

Os médicos em início de carreira são, sem dúvida, os mais vulneráveis. São eles que precisam ter maior cuidado com o futuro, não apenas no sentido técnico, mas também do ponto de vista financeiro e previdenciário. É nesse momento que se torna essencial compreender a importância de uma remuneração-base estável, que permita não apenas a subsistência, mas também a construção de reservas, investimentos e um projeto de aposentadoria digno. Preparar-se para o futuro não é uma opção, é uma necessidade.

Grande parte dos médicos, especialmente no início da carreira, não consegue ou simplesmente não tem condições de sustentar uma atividade plenamente autônoma. Diante disso, muitos acabam aceitando vínculos de trabalho precários, fora dos regimes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou das carreiras estatutárias.

É importante destacar que tanto a contratação CLT quanto a estatutária oferecem garantias fundamentais, como férias remuneradas, licenças, afastamento por doença, proteção previdenciária e maior previsibilidade de renda. Esses elementos não são privilégios, são condições mínimas para que o médico exerça sua profissão com tranquilidade e responsabilidade.

No entanto, o que se observa hoje é a imposição compulsória da pejotização. Médicos são obrigados a se constituir como pessoas jurídicas, perdendo direitos trabalhistas básicos e assumindo uma série de obrigações fiscais, contábeis e administrativas que não condizem com a realidade de quem está iniciando a carreira. Esse modelo aumenta a insegurança, dificulta o planejamento de vida e compromete, a longo prazo, a própria qualidade da assistência prestada.

Outro ponto central da gestão da carreira médica é a formação. O local onde o profissional se forma passa a ter peso crescente, especialmente diante da expansão acelerada dos cursos de Medicina. Hoje, cerca de 90% das escolas médicas em funcionamento no Brasil são privadas, o que implica altos custos de formação, frequentemente financiados por crédito público ou privado. Esse endividamento inicial pressiona o médico recém-formado a buscar rapidamente vínculos de trabalho que garantam renda, muitas vezes em condições desfavoráveis.

Além disso, é fundamental diferenciar a formação generalista da especializada. A especialização depende, majoritariamente, do acesso à Residência Médica, e esse acesso, hoje, infelizmente é limitado. Mais da metade dos profissionais que se formam não consegue acesso a uma residência, porque não há vagas suficientes para atender todo o volume que sai das universidades. Segundo o relatório Demografia Médica no Brasil 2025, da Associação Médica Brasileira (AMB), havia, em dezembro de 2024, pouco mais de 353 mil médicos especialistas, o que representa 59,1% do total de médicos. Os demais, 40,9%, atuavam como generalistas.

O mesmo relatório aponta que 63,7% dos títulos de especialista foram obtidos por meio de Residência Médica, enquanto 36,3% ocorreram via exames de título das sociedades médicas vinculadas à AMB. Isso evidencia o gargalo da falta de vagas que falei há pouco. Muitos acabam permanecendo por anos na atuação generalista, não por escolha, mas por falta de alternativa.

Nesse contexto, é importante apontarmos dados demográficos que ajudam a dimensionar o cenário. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Brasil possuía, em 2024, quase 570 mil médicos ativos, o que corresponde a 2,81 médicos por 1.000 habitantes, a maior taxa já registrada no país. Esse crescimento é contínuo e tende a se intensificar nos próximos anos.

Pela primeira vez na história, as mulheres são maioria na Medicina brasileira, representando 50,9% dos médicos em 2025, com projeção de chegarem a 56% até 2035, de acordo com dados da A MB e do CFM. No ensino médico, essa tendência é ainda mais evidente, pois, em 2023, 61,8% das matrículas em Medicina eram de mulheres, contra 53,7% em 2010.

Apesar do crescimento, a distribuição geográfica e a qualidade da inserção profissional continuam desiguais. Há concentração de médicos em grandes centros, sobrecarga em determinadas regiões e vínculos cada vez mais frágeis, especialmente para os mais jovens.

Para finalizar, precisamos reforçar que, independentemente da fase da carreira, há princípios que devem ser permanentes. A construção de uma trajetória médica sólida passa, necessariamente, pela ética, pela ciência e pelo compromisso com a qualidade da assistência. Nenhum modelo de contrato, nenhuma estratégia de mercado e nenhuma conveniência momentânea podem se sobrepor a esses valores.

Planejar a carreira médica é, portanto, um ato de responsabilidade individual e coletiva. É compreender que decisões tomadas no início da vida profissional terão reflexos por décadas. É exigir vínculos justos, formação de qualidade, acesso à especialização e condições dignas de trabalho. E é, sobretudo, reconhecer que a Medicina não se sustenta apenas pela vocação, mas por estruturas que respeitem o médico e protejam o futuro da profissão.

Esse debate não é opcional. Ele é urgente e diz respeito a todos nós.

Artigo publicado no Portal da FMB.

SUS vacinará profissionais de saúde contra a Dengue em fevereiro

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou neste domingo (18) que cerca de 1,1 milhão de profissionais que atuam na atenção primária à saúde de todo o país poderão ser imunizados, a partir de 9 de fevereiro, com a vacina Butantan-DV, com tecnologia 100% nacional, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante contra a arbovirose é o primeiro de dose única do mundo.

“São aqueles profissionais que atuam nas unidades básicas de saúde, que visitam as famílias, são os primeiros profissionais a receber quem tem sinal e sintoma de dengue”, anunciou o ministro da Saúde.

“Os primeiros cuidados são feitos pelos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, profissionais e equipes multifuncionais que estão cadastrados nas unidades básicas de saúde”, complementou.

O ministro explicou que a vacinação deste público será possível com a chegada de mais doses da Butantan-DV. O Instituto Butantan deve produzir e entregar até 31 de janeiro cerca de 1,1 milhão de doses adicionais desta vacina nacional contra a dengue, para garantir a imunização dos profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os anticorpos da Butantan-DV oferecem proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os estudos clínicos indicam eficácia global de 74% da vacina brasileira, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Produção de mais doses

O governo federal quer ampliar gradualmente a vacinação em dose única para todo o país, para pessoas de 15 a 59 anos, o que depende da disponibilidade de novas unidades da vacina Butantan-DV, que foram encomendadas no mês passado pelo Ministério da Saúde.

Para acelerar a fabricação em larga escala do imunizante, o ministro divulgou que o Instituto Butantan firmou uma parceria de transferência de tecnologia à empresa WuXi Vaccines, da China.

Com a parceria, a expectativa do Ministério da Saúde é que a produção chinesa da vacina com tecnologia brasileira seja ampliada em até 30 vezes.

“Eles [diretores da WuXi Vaccines] se comprometeram com um cronograma de produção e de entrega. Nossa expectativa é de termos, neste ano ainda, em torno de 25 a 30 milhões de doses [da vacina Butantan-DV]”, estimou o ministro da Saúde.

O titular da pasta prevê que à medida que cheguem as novas doses importadas, o próximo passo do governo brasileiro será realizar a vacinação nacional do público de 15 a 59 anos, começando pela população mais velha (59 anos) e avançando até o público mais jovem (15 anos).

“Na medida que a gente começa a ter uma grande produção, isso vai entrar no calendário oficial [de vacinação] de forma permanente”, projeta o ministro.

Para acompanhar a produção das doses da vacina desenvolvida pelo Butantã, em março deste ano, técnicos do Ministério da Saúde devem viajar à China. “A gente quer ver essas doses de vacinas o mais rápido possível aqui do Brasil”.

Alexandre Padilha explicou também que o Instituto Butantan já tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fazer a avaliação da vacina Butantan-DV no público com mais de 60 anos e já começou o recrutamento de voluntários deste público.

“Nós estamos otimistas que também seja uma vacina segura para quem tem mais de 60 anos de idade, o que vai ser muito importante para o combate à dengue”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

As informações são da Agência Brasil.

Veja dicas para se proteger da onda de calor extremo

A onda de calor que afeta diversos estados do país neste final de ano, em especial as regiões Sudeste e Centro-Oeste, traz riscos reais à saúde. O calor pode levar à falência térmica do corpo, com sintomas como confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40º C.

O risco de morte é maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão, além de Alzheimer e insuficiência renal. Para evitar que o corpo sofra com o calor, é necessário tomar alguns cuidados.

Confira algumas recomendações:

Reforce a hidratação. Beba mais água e evite bebidas alcoólicas. Em vez de aliviar o calor, o álcool acelera a desidratação;
use roupas com tecidos respiráveis. Roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação;
tenha cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor.

Cuidados em casa:

  • Sempre que possível, proteja a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as horas mais quentes e abra de noite para refrescar;
  • use ventiladores e aparelhos de ar condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para não causar choque térmico.

Fora de casa:

  • Antes de planejar suas atividades, procure saber quão quente e úmido será o dia;
  • não saia durante os horários mais quentes;
  • quando estiver ao livre, use protetor solar, chapéus e guarda-chuvas;
  • evite permanecer em ambientes fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais intenso do que ao ar livre.
  • saiba como obter ajuda, anote telefones e informações sobre o serviço de saúde ou de ambulância – para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ligue 192.

As informações são da Agência Brasil.

Sesa alerta para risco de acidentes com animais peçonhentos durante o verão

A adoção de medidas preventivas contra acidentes com animais peçonhentos pode salvar as férias e o descanso de paranaenses e turistas. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) alerta para o aumento de acidentes até março, período em que a combinação de meses mais quentes e úmidos, a reprodução desses animais e o aumento do fluxo de pessoas em regiões turísticas, de mata e litoral, contribui com uma alta significativa das ocorrências. O primeiro trimestre de 2025 registrou quase 3 mil acidentes notificados no pico desse período.

Os registros mais comuns em ambientes terrestres envolvem cobras, lagartas, abelhas, escorpiões e aranhas. Em locais de praia, o veranista deve estar atento a águas-vivas e caravelas. Para os banhistas e pescadores da Costa Oeste e Noroeste do Estado, o alerta é sobre o perigo de acidentes com arraias e bagres. Esses animais aquáticos possuem ferrões que podem perfurar a pele e, em casos mais graves, provocar necrose local e infecções.

Ao longo de 2025, a Sesa promoveu a capacitação específica para o manejo clínico adequado desses acidentes, treinando 700 profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos da Atenção Primária e dos serviços de urgência e emergência, bem como profissionais de vigilância em saúde.

“As ações, desde o alerta preventivo até a manutenção do Centro de Informação e Assistência Toxicológica e o treinamento das nossas equipes, garantem que o cidadão tenha o suporte necessário, contribuindo diretamente para a segurança e a sobrevida em casos de acidentes graves de modo rápido e seguro”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

PREVENÇÃO – Constantemente, a Sesa promove campanhas de conscientização da população. Em 2025, essa ação foi intensificada em Curitiba e no Norte Pioneiro, com foco especial no escorpião amarelo, que aparece bastante nessas localidades.

O QUE FAZER EM CASO DE ACIDENTE – A recomendação principal é procurar o atendimento médico mais próximo o quanto antes. Todos os serviços públicos de saúde estão preparados para a avaliação e tratamento das ocorrências, incluindo a aplicação de soroterapia quando necessária.

Para facilitar o diagnóstico e o tratamento, é fundamental que a vítima informe ao profissional de saúde o máximo de características do animal envolvido. Se possível, levar uma foto ou o próprio animal.

No entanto, como medida imediata, pode-se lavar o local da picada com água e sabão, retirar acessórios como anéis, pulseiras, relógios e calçados apertados em caso de acidentes nas extremidades e manter a parte afetada em posição elevada. No caso específico de águas-vivas e caravelas, não lavar o local com água doce. O ideal é aplicar vinagre, sem esfregar e compressas de gelo.

O cuidado com alguns detalhes é fundamental para evitar o contato com os animais:

  • Usar proteção para limpeza e atividades em trilhas.
  • Inspecionar roupas, calçados e roupas de cama antes do uso.
  • Evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas e lixo.
  • Afastar camas e berços das paredes e garantir que lençóis e cobertas não encostem no chão, impedindo que escorpiões e aranhas subam.
  • Não colocar as mãos em tocas, buracos ou sob rochas.
  • Evitar banhos em praias com ocorrências recentes de acidentes por águas-vivas e caravelas.
  • Caminhar com proteção nos pés em locais rochosos ou com pedras soltas.

 

Em caso de dúvidas e orientações, o contato pode ser pelos seguintes telefones:

  • CIATox Paraná: 08000 410148
  • CIATox Londrina: (43) 3371-2244
  • CIATox Maringá: (44) 3011-9127
  • CIATox Cascavel: (45) 3321-5261

 

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Sesa alerta para riscos de queimaduras com fogos e destaca o que fazer em casos de acidentes

As queimaduras, que somente de janeiro a outubro de 2025 levaram 8.344 pessoas aos serviços de atendimento ambulatorial e hospitalar, tornam-se ainda mais preocupantes entre os meses de dezembro e janeiro devido ao uso de fogos de artifícios durante os festejos. O alerta vale, também, para o aumento da exposição solar em praias e balneários durante as férias. A Secretaria da Saúde do Paraná orienta que os cuidados sejam redobrados neste período.

Todos os meses, em média, 834 pessoas dão entrada em ambulatórios e hospitais no Paraná por queimaduras. A conscientização e o alerta reforçam a necessidade de ações preventivas, uma vez que acidentes dessa natureza podem evoluir para quadros graves e até levar à morte, conforme a extensão e o grau da queimadura (1º, 2º ou 3º grau).

“É possível preservar as tradições, desde que a segurança esteja sempre em primeiro plano. Não podemos permitir que um momento de celebração se converta em risco à vida. Por isso, reforçamos orientações que fazem toda a diferença neste período”, destaca o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.

PREVENÇÃO – A capitã Luisiana Guimarães Cavalca, do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), orienta como proceder em caso de uma queimadura. Caso seja de primeiro grau, aquela que causa vermelhidão, a pessoa deve ficar atenta. “De imediato, assim que sofrer o acidente, é preciso colocar a parte queimada debaixo da água corrente fria, com jato suave, por aproximadamente dez minutos. Compressas úmidas e frias também são indicadas”, afirma.

Para a de segundo grau, que contém bolha, a orientação é não furar, sendo que o corpo reabsorverá o líquido gerado. Caso seja uma queimadura mais profunda, de 3º grau, em grandes extensões do corpo, por substâncias químicas ou eletricidade, a vítima necessita de cuidados médicos e de saúde urgentes acionando o número 193, do Siate, vinculado ao CBMPR, e também o 192, do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para pessoas vítimas de queimaduras. O Paraná tem 35 leitos disponíveis pelo SUS, sendo 23 cirúrgicos e 12 leitos UTI. O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), do Hospital Universitário da Universidade de Londrina (UEL), e o Hospital Evangélico Mackenzie, em Curitiba, são referência nesse tipo de internação.

CASOS GRAVES – Os leitos especializados para queimados são voltados a casos graves, que exigem internação prolongada. Ainda assim, as pessoas vítimas de acidentes contam com uma ampla Rede Hospitalar e Assistencial, recebendo atendimento em diversas unidades de saúde distribuídas pelo Estado, com profissionais capacitados e equipamentos adequados para o tratamento dessa e de outras patologias.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que ocorram aproximadamente 11 milhões de casos de queimaduras que requerem atenção médica em todo o mundo a cada ano, cerca de 30 mil novos casos por dia. Em relação aos óbitos são mais de 180 mil anualmente.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Vacinação contra o HPV em jovens de 15 a 19 anos é prorrogada até junho de 2026

Os jovens de 15 a 19 anos que ainda não tomaram a vacina contra o HPV ganharam mais 6 meses para se imunizarem. O Ministério da Saúde prorrogou até o primeiro semestre de 2026 a estratégia de resgate vacinal (retomada da cobertura vacinal) para essa faixa etária.

O prazo para a imunização acabaria agora em dezembro. Segundo o Ministério da Saúde, a medida tem como objetivo reforçar a proteção desse público em todo o país.

A estratégia seguirá vigente até a próxima Campanha de Vacinação nas Escolas, permitindo que adolescentes e jovens que perderam a oportunidade de vacinar-se dos 9 aos 14 anos ainda possam garantir a imunização.

Meta

Segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é alcançar cerca de 7 milhões de jovens nessa faixa etária que ainda não foram vacinados contra o papilomavírus humano (HPV).

Até dezembro deste ano, a estratégia de resgate aplicou 208,7 mil doses da vacina, dos quais 91 mil em meninas e 117,7 mil em meninos. De acordo com o ministério, a ampliação do prazo possibilita que adolescentes e jovens garantam a proteção individual e contribuam para reduzir a circulação do vírus na população.

Onde se vacinar

A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode ser encontrada:

  • nas Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • em ações externas, como vacinação em escolas, universidades, ginásios esportivos e shoppings.

 

As ações têm o apoio de estados e municípios para ampliar o alcance e facilitar o acesso do público-alvo.

A vacina é considerada segura e é fundamental na prevenção de diversos tipos de câncer associados ao HPV, como:

  • câncer do colo do útero;
  • câncer de vulva;
  • câncer de pênis;
  • câncer de garganta e pescoço.

 

A estratégia de resgate vale para todos os 5.569 municípios brasileiros e busca reduzir os impactos do vírus a longo prazo.

Esquema vacinal

A vacinação contra o HPV faz parte do calendário nacional de imunização para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Desde 2024, o Brasil passou a adotar o esquema de dose única, substituindo o modelo anterior de duas doses e facilitando o acesso à vacina.

Atenção a exceções

Para alguns grupos, o esquema continua sendo de três doses, como:

  • pessoas imunocomprometidas (vivendo com HIV/Aids, pacientes oncológicos e transplantados);
  • usuários de PrEP de 15 a 45 anos;
  • vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos.

 

Em caso de dúvida, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para avaliação e atualização da carteira de vacinação.

As informações são da Agência Brasil.