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Dia D de multivacinação: Paraná inicia no sábado a campanha de imunização contra a Gripe

O Governo do Paraná, por meio da Secretaria da Saúde (Sesa), iniciará em 28 de março (último sábado do mês) a 28ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza em todo o Estado, durante o Dia D de multivacinação, iniciativa que visa ampliar a cobertura vacinal e facilitar o acesso da população aos imunizantes. O Paraná recebeu 332.000 doses para proteger contra a gripe para o início da ação nacional.

A campanha 2026 de vacinação contra a influenza este ano ocorrerá no período de 28 de março a 30 de maio. No Paraná, a estimativa é vacinar 4.592.615 pessoas e a meta de imunizar 90% de cada um dos grupos prioritários para vacinação de rotina contra influenza, que incluem: crianças de 6 meses a menores de 6 anos, idosos com mais de 60 anos e gestantes.

A vacina também será ofertada a outros grupos prioritários como puérperas, povos indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, pessoas com doenças crônicas, com deficiência, professores, profissionais de saúde, das forças de segurança e salvamento, das forças armadas, caminhoneiros, trabalhadores de transporte coletivo rodoviário, portuários, dos correios, população privada de liberdade e funcionários do sistema de privação de liberdade, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas.

A vacina influenza trivalente está atualizada, protegendo contra um total de três vírus do tipo influenza. Na composição, diferentes cepas do vírus Myxovirus influenzae inativadas: A/Missouri/11/2025 (H1N1); A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2) e a B/Austria/1359417/2021 (B/linhagem Victoria).

“A vacina contra a influenza é uma das principais ferramentas para reduzir complicações, internações e óbitos causados pela gripe. A imunização é gratuita e estará disponível nas unidades de saúde de todo o Paraná assim que iniciar a campanha. Após recebermos as doses, iniciaremos a distribuição para agilizar o processo de imunização no Paraná”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

MULTIVACINAÇÃO – A ação de multivacinação será feita simultaneamente nos municípios paranaenses, reforçando a proteção contra doenças respiratórias, especialmente com a aproximação do período de maior circulação de vírus. E haverá oferta de diferentes vacinas do calendário nacional em um único momento, com o objetivo de atualizar a situação vacinal da população.

“A estratégia de iniciar a campanha no Dia D de multivacinação fortalece a mobilização dos municípios e amplia o alcance da vacinação, permitindo que a população aproveite a oportunidade para colocar em dia outras vacinas previstas no calendário”, afirmou o secretário.

A orientação é que a população procure a unidade de saúde mais próxima, levando documento pessoal e carteira de vacinação, para receber a dose e garantir proteção antes do período de maior incidência de doenças respiratórias.

A Sesa reforça que a vacinação é segura, eficaz e fundamental para a proteção individual e coletiva, contribuindo para a redução da sobrecarga nos serviços de saúde e para o enfrentamento das síndromes respiratórias no Estado.

As informações são da Agência Estadual de Notícias. 

SUS poderá implementar rastreamento para o Câncer Colorretal

O Sistema Único de Saúde pode ganhar um novo programa para o rastreamento do câncer colorretal, que atinge o intestino grosso e o reto e vem crescendo em número de casos e óbitos.

Uma diretriz com as orientações para a testagem já foi elaborada por especialistas e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Nos próximos dias, a Comissão vai abrir uma consulta pública para receber contribuições da sociedade e depois disso decidirá, em caráter definitivo, se as novas medidas devem ser incorporadas ao SUS.

A decisão final caberá ao Ministério da Saúde, que aguarda o andamento do processo para se posicionar, mas todos os representantes da pasta que compõem a comissão foram favoráveis.

A diretriz preconiza que todas as pessoas entre 50 e 75 anos, sem fatores de risco, realizem teste imunoquímico, para a identificação de sangue oculto nas fezes, a cada dois anos. Em caso positivo, o paciente deve ser encaminhado a uma colonoscopia, para detectar qual a razão do sangramento, e receber o tratamento devido.

As medidas valem para as pessoas em geral, que não têm sintomas nem outras doenças intestinais. O objetivo é diagnosticar lesões pré-cancerígenas e tratá-las antes que evoluam para o câncer, ou mesmo a doença já instalada, mas em estágio inicial, o que aumenta muito as chances de cura.

De acordo com o epidemiologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Arn Migowski, que compõe o grupo de trabalho, apesar desses exames já terem se mostrado eficazes para diminuir a mortalidade por câncer colorretal, a sua realização pela população em geral ainda é incipiente tanto na rede pública, quanto privada.

Ele complementa que a implementação de um programa de rastreio organizado pode ter ainda um benefício adicional.

“Ao contrário de doenças como o câncer de próstata ou de mama, que a gente faz o rastreamento, mas infelizmente só conseguimos detectar a doença no início, no caso do câncer colorretal, você pode detectar lesões pré-cancerosas. Ou seja, o objetivo principal é diminuir a mortalidade, mas a gente pode conseguir também diminui um pouco o número de novos casos”, explica.

Migowski é um dos autores de um estudo recente que estimou um aumento de quase 3 vezes nas mortes por esse tipo de câncer até 2030. Uma das razões que explicam a grande mortalidade da doença, é o fato da maioria dos pacientes só descobrir a doença em estágios avançados, justamente o que o rastreamento organizado quer impedir.

Apesar do texto inicial da diretriz já ter recebido parecer favorável, o grupo de trabalho continua discutindo a melhor maneira de implementar as medidas no sistema público brasileiro, o que deve ser feito de forma escalonada, ou seja, começando em alguns locais e expandindo progressivamente até chegar a todo o país.

De acordo com o especialista do Inca, isso é necessário para que o SUS consiga absorver a nova demanda, sem deixar de priorizar os pacientes com sintomas, que precisam ser atendidos com rapidez.

“No modelo organizado você convoca ativamente a pessoa que está na faixa etária, e depois disso, ela precisa fazer o seguimento, receber o resultado do exame, ser encaminhada para a colonoscopia, se precisar, passar por atendimento especializado. E depois ela tem que ser reconvocada, quando chegar a vez de fazer o exame novamente. Todas essas questões têm que ser muito bem planejadas”, diz Migowski.

Diagnóstico

A presidente da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro, Renata Fróes, também reforça a importância do rastreamento.

“O câncer colorretal ou de intestino não costuma apresentar sintomas precoces, pode ocorrer sangramento, mas não costuma ser visível”, explica. É esse “sangue oculto” que o exame imunoquímico nas fezes identifica.

Já durante a colonoscopia, o médico visualiza o interior do intestino, com o auxílio de um tubo flexível e uma câmera, e pode verificar se o paciente desenvolveu algum pólipo adenomatoso, tipo de lesão pré-cancerígena.

“Os pólipos são protuberâncias, que se assemelham até a pequenos cogumelos e que podem ser retirados por uma pinça que a gente introduz dentro dos colonoscópios. A retirada deles impede a progressão para o câncer”, explica Renata.

Por isso, a médica recomenda a realização da colonoscopia por todas as pessoas, já a partir dos 45 anos.

A gastroenterologista lembra que este mês é dedicado à campanha Março Azul, de conscientização sobre o câncer colorretal, e aponta sinais de alerta, que devem ser investigados com urgência, pois podem ser sintomas de câncer em estágio mais avançado:

“Além desse sangramento oculto, que pode dar uma anemia, fraqueza, cansaço, os outros sintomas são emagrecimento, dor abdominal e mudança do hábito intestinal. Pode ocorrer também fezes ‘em fitas’, mais estreitas, o que já significa algum grau de obstrução, porque o tumor cresceu e fica difícil para a comida passar pelo intestino”

As informações são da Agência Brasil.

Sesa reforça importância de cuidados com doenças respiratórias típicas do outono

O outono inicia nesta sexta-feira (20), marcando a chegada de temperaturas mais amenas. A tendência é que haja uma baixa na imunidade por conta dessa mudança e, por isso, a Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) reforça a orientação sobre a atenção redobrada quanto aos cuidados com as principais doenças típicas do período, como a gripe, pneumonia, sinusite, entre outras que atingem as vias respiratórias.

O olhar atento com a saúde e prevenção devem acontecer durante todo ano, entretanto, nesta época e também durante o inverno, a atenção deve ser ainda mais reforçada devido ao aumento de problemas respiratórios, principalmente nos cuidados às crianças e idosos.

Habitualmente, neste período de março a maio, há a vacina para gripe e as pessoas devem ficar atentas para cumprirem o calendário e se imunizarem, como destaca o secretário estadual da Saúde, Beto Preto. “A vacina da gripe é importante. As pessoas que têm uma fragilidade maior ou são dos grupos prioritários devem ficar atentas. Todos os anos o imunizante é atualizado para garantir maior proteção à população”, afirma.

A chefe da Divisão de Doenças Transmissíveis da Secretaria da Saúde, Rosana Piler, explica que o outono costuma apresentar redução da umidade do ar e variações mais acentuadas de temperatura, fatores que contribuem para o aumento de poluentes e para o ressecamento das vias respiratórias. “Além disso, assim como no inverno, é comum que as pessoas permaneçam por mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a transmissão de vírus”, diz.

A Secretaria da Saúde orienta sobre os principais cuidados: hidratação, manter os ambientes arejados; higienização das mãos e, principalmente, a imunização em dia.

INCIDÊNCIA – Os dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH) de 2025, referentes às internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mostram que adultos com mais de 50 anos e crianças menores de um ano de vida foram os grupos que mais internaram por doenças respiratórias em 2025 no Paraná. Das 125.059 internações em casos de Influenza, pneumonias, bronquite e bronquiolite, 59.498 (47,6%) foram em pacientes com mais de 50 anos e 10.820 (8,7%) em crianças menores de um ano de idade.

VACINAS DISPONÍVEIS – Gripe, Covid-19 e pneumonia integram o grupo das doenças imunopreveníveis, ou seja, podem ser evitadas com o uso de vacinas que estimulam o organismo a desenvolver proteção específica contra seus agentes causadores. A imunização é uma das estratégias mais eficazes para prevenir e controlar essas infecções respiratórias e está disponível gratuitamente pelo SUS.

Confira algumas vacinas que ajudam a reduzir o risco de formas graves das doenças:

INFLUENZA (GRIPE) – A vacinação contra a Influenza (gripe) ocorre segundo duas estratégias, tendo grupos prioritários definidos para cada uma.

A primeira estratégia é de rotina para crianças a partir de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), idosos com 60 anos ou mais e gestantes. As doses podem ser aplicadas ao longo de todo ano e, além disso, a fim de garantir a imunização de acordo com as cepas circulantes, deve acontecer no período de vacinação que ocorre anualmente. Para estes grupos, o Ministério da Saúde definiu meta de cobertura vacinal de 90%.

A segunda é a estratégia de campanha, período especial voltado para os grupos específicos, a serem anunciados na ocasião.

COVID-19 – A vacina contra a Covid-19 está disponível no calendário nacional para crianças de 6 meses a menores de 5 anos, idosos com 60 anos ou mais e gestantes, sendo ofertada de forma rotineira nas salas de vacinação. Para idosos, a recomendação é de uma dose a cada seis meses. Já as gestantes devem receber uma dose em cada gestação, independentemente do histórico vacinal. Crianças nessa faixa etária devem completar o esquema com três doses, seguindo os intervalos recomendados.

A partir dos 5 anos, a criança passa a receber a vacinação pelo SUS dentro dos grupos prioritários, como pessoas com comorbidades, imunossuprimidos, trabalhadores da saúde, entre outros. A orientação é procurar a unidade de saúde mais próxima para manter a vacinação em dia.

PNEUMONIA – Para a prevenção de casos graves da pneumonia, o SUS oferta três imunizantes: Pneumocócica 10 conjugada, disponível na rotina do Calendário de Vacinação da Criança de 2 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias. Já as vacinas pneumocócicas 23-valente polissacarídica e pneumocócica 13-valente conjugada são destinadas a pessoas com doenças crônicas ou condições clínicas especiais, mediante avaliação e indicação dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

As informações são da Agência Estadual de Saúde.

Doações de sangue garantem tratamento a quem precisa de transfusões frequentes

Diversas situações podem levar uma pessoa a precisar de uma transfusão de sangue. São, na maioria, os casos de trauma que podem ocasionar em uma hemorragia, mas pacientes com câncer e portadores de algumas doenças genéticas que afetam o sistema sanguíneo também podem precisar de sangue ou de seus derivados para diminuir as complicações e melhorar o estilo de vida.

O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), gerido pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), mantém uma rede estruturada para atendimento de pacientes que necessitam de transfusões e acompanhamento hematológico frequentes. Atualmente, a rede estadual de saúde atende em Curitiba 96 pacientes que necessitam de transfusões constantes, sendo 71 da Capital, sete de Cascavel, sete de Londrina, seis de Maringá, quatro de Ponta Grossa e um de Apucarana.

Leice Vieira, 43 anos, é uma dessas pacientes atendidas pelo ambulatório do Hemepar. Ela é portadora de talassemia. O diagnóstico foi dado ainda na infância. “É uma doença hereditária, meus pais tinham traço e conforme a junção genética desses traços eu vim com a doença, no nível maior, que exige tratamento. Quando nasci, eu era muito pálida, muito quieta, não chorava. Minha mãe achou que tinha alguma coisa errada e me levou ao médico. Depois dos exames descobriram a doença. Com 8 meses, iniciei o tratamento frequente”, conta.

A paciente é moradora de Guaratuba, no Litoral, e a cada três semanas recebe a transfusão de sangue em Curitiba. O tratamento contínuo faz diferença em sua rotina, já que a transfusão é um dos métodos mais eficazes para garantir qualidade de vida às pessoas que necessitam desse cuidado. “No Paraná, não tem o que reclamar. Eles dão bastante suporte”, afirma.

O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, reforça a importância da doação de sangue e como o Estado busca constantemente os melhores métodos para cuidar da saúde dos paranaenses, tornando-se referência nesse tipo de tratamento. “Quando falamos em doação de sangue, estamos pensando também nessas pessoas que precisam com frequência fazer a transfusão para ter qualidade de vida e o Paraná tem realizado investimentos na área da saúde e no fortalecimento dos atendimentos, garantindo assistência e qualidade de vida aos pacientes”, diz.

“Esse cuidado impacta não apenas quem recebe o tratamento, mas também os familiares. O Paraná se destaca por sua rede estruturada de atendimento em hemoterapia e transfusão de sangue. O cuidado, a cautela e a atenção contínua aos pacientes com doenças hematológicas demonstram o trabalho aprofundado e especializado desses profissionais de saúde”, acrescenta.

DOENÇAS – Médica hematologista, Janine Reinaldinho, que trabalha há nove anos no ambulatório do Hemepar, explica como funciona o atendimento aos pacientes com coagulopatias e hemoglobinopatias. “Os pacientes são pré-agendados, sabemos os dias que eles virão. Então realizamos a reserva das bolsas, chamando os doadores fenotipados para fazer a coleta prévia”, diz.

A estudante de Pedagogia Ana Beatriz Saturnino, de 19 anos, é portadora de anemia falciforme. A doença foi descoberta por meio da triagem neonatal, conhecida como Teste do Pezinho. “As transfusões sempre foram recorrentes na minha vida. A primeira de que me lembro foi quando eu tinha sete anos, quando precisei fazer uma cirurgia para a retirada das amígdalas. Realizar a transfusão sempre me ajudou a ter uma qualidade de vida muito boa”, diz.

“Vocês não têm noção do quão importante é uma doação de sangue para quem precisa. Nós conseguimos ter uma qualidade de vida muito melhor com a doação de vocês. Então, por favor, doem sangue, porque a gente precisa”, afirma.

A talassemia e a anemia falciforme são doenças genéticas que afetam a molécula de hemoglobina presente nos glóbulos vermelhos. A hemoglobina é a proteína responsável por se ligar ao oxigênio e transportá-lo pelo corpo. O termo utilizado para doenças que afetam essa proteína é “hemoglobinopatia”. Embora ambas sejam classificadas como hemoglobinopatias, elas diferem quanto ao tipo de alteração genética e ao seu comportamento no organismo.

A talassemia causa anemia crônica devido a defeitos na produção de glóbulos vermelhos, o que exige transfusões regulares e controle de ferro. A anemia falciforme pode se manifestar de formas diferentes em cada indivíduo. Algumas pessoas apresentam apenas sintomas leves, enquanto outras podem desenvolver sinais mais intensos. Os sintomas geralmente começam a aparecer na segunda metade do primeiro ano de vida da criança.

ATENDIMENTO – O Hemepar é responsável pela coleta, armazenamento, processamento, transfusão e distribuição de sangue para hospitais públicos, privados e filantrópicos que atuam em todas as regiões do Paraná. Ele atua em rede, por meio de suas 23 unidades localizadas no Estado. O sistema atende à demanda de fornecimento de sangue e hemoderivados graças às doações voluntárias da população.

Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas, pois cada componente pode ser utilizado por um paciente diferente. Isso reforça a importância da participação da população na doação. O sangue doado é essencial para garantir o atendimento a pacientes em situações de urgência, cirurgias, tratamentos oncológicos e demais procedimentos que dependem de transfusão.

Para doar, é necessário ter entre 16 e 69 anos completos. Menores de idade precisam de autorização e da presença do responsável legal. Homens podem doar a cada dois meses, até quatro vezes ao ano. Mulheres podem doar a cada três meses, totalizando até três doações anuais.

O doador pode fazer agendamento prévio AQUI, pesar no mínimo 50 quilos, estar descansado, alimentado e hidratado (evitando alimentação gordurosa nas quatro horas que antecedem a doação) e apresentar documento oficial com foto, como carteira de identidade, carteira de conselho profissional, carteira de trabalho, passaporte ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Sesa reforça alerta contra o Sarampo e importância da vacinação contra o vírus

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça a importância da vacinação contra o sarampo para evitar a reintrodução da doença no Paraná. O alerta ocorre após a confirmação do primeiro caso importado no Brasil em 2026, registrado em São Paulo, de um bebê de seis meses com histórico de viagem recente à Bolívia.

O Brasil foi recertificado como país livre do sarampo pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em novembro de 2024. No entanto, o aumento expressivo de casos nas Américas entre 2024 e 2026 preocupa as autoridades sanitárias. Foram 1.031 casos confirmados no continente nos primeiros meses de 2026 e o número é 45 vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, destacou a necessidade de manter a cobertura vacinal elevada para proteger a população. “O Estado possui doses disponíveis em todos os municípios e a vacinação continua sendo a melhor estratégia para a prevenção de casos graves. Não podemos baixar a guarda diante do risco de reintrodução do sarampo. A vacina é segura, gratuita e está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde. Precisamos do apoio de toda a sociedade para garantir que nossas crianças e adultos estejam protegidos”, afirmou.

Segundo informações da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) do Ministério da Saúde, o Paraná mantém uma das maiores coberturas vacinais para a tríplice viral do País, o que tem contribuído para manter a população protegida. Em 2025, a cobertura de vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) de crianças de 1 ano de idade no Paraná foi de 96,91% na primeira dose e 89,72% na segunda dose.

Apesar dessa conquista, a proximidade com países que enfrentam surtos da doença, como Argentina, Bolívia e Paraguai, mantém o alerta ativo nas autoridades sanitárias paranaenses.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, ressaltou que a vigilância epidemiológica está atenta a qualquer caso suspeito. Ela explicou que o sarampo é uma doença de alta transmissibilidade e que a transmissão pode ocorrer mesmo antes da apresentação dos sintomas. A diretora orienta que a população fique atenta a sinais como febre, manchas na pele, tosse, coriza e conjuntivite.

“É fundamental que os profissionais de saúde identifiquem precocemente os casos suspeitos e que a população busque atendimento médico aos primeiros sintomas. A notificação imediata é essencial para que possamos desencadear as medidas de controle e quebrar a cadeia de transmissão”, explicou Maria Goretti.

ESQUEMA VACINAL – A vacinação contra o sarampo é oferecida gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Estado. O calendário regular é com a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.

Em jovens e adultos até 29 anos, o esquema vacinal é de duas doses da tríplice viral. Em adultos entre 30 e 59 anos, o esquema recomendado é de uma dose. Trabalhadores de saúde, independente da idade, necessitam receber duas doses.

VIAGENS – Os viajantes devem verificar sua situação vacinal pelo menos 30 dias antes de qualquer deslocamento, garantindo a imunização em tempo oportuno. A vacinação contra o sarampo é contraindicada para gestantes, e mulheres em idade fértil devem evitar a gravidez por pelo menos um mês após receberem a dose.

A Secretaria da Saúde reforça que, além da vacinação, medidas como higienização frequente das mãos e manutenção de ambientes ventilados ajudam a evitar a transmissão de vírus respiratórios, incluindo o do sarampo.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Atenção, Associado: em breve, acontece a eleição para a Diretoria do Simepar

No dia 26 de março de 2026, das 08h30 às 17h, acontece a eleição da diretoria do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) para os próximos quatro anos (2026-2030). A votação será realizada de forma híbrida – presencialmente, na sede do Sindicato, ou on-line. Nos próximos dias, os médicos com direito a voto vão receber por e-mail e por SMS, nos contatos cadastrados, todas as informações para a votação. Aqueles que desejarem saber se estão aptos a votar podem entrar em contato com a secretaria do Simepar.

É importante lembrar que a confirmação do cadastro deverá ser realizada até as 08h30 do dia 24 de março de 2026, no site https://eleicaosimepar2026.elejaonline.com. Basta acessar a plataforma de votação pelo computador, celular ou tablet, clicar em “Confirmar Participação”, informar nome e CPF, conferir os dados apresentados e garantir que irá votar na eleição. No dia 25 de março, somente os eleitores que confirmaram participação receberão as credenciais de acesso para a votação. Caso precise atualizar alguma informação, entre em contato com a Secretaria do Simepar, pelo telefone (41) 3338-8713 ou por e-mail juridico@simepar.com.br.

Dr. Marlus Volney de Morais, atual presidente do Simepar, concorre à reeleição, com a chapa única “Reconhecimento e respeito ao trabalho Médico”, que tem também para a diretoria executiva os médicos Dr. Darley Rugeri Wollmann Junior (vice-presidente), Dra. Claudia Paola Carrasco Aguilar (secretária geral), Dr. Fausto Rohnelt Durante (primeiro secretário), Dr. Alceu Fontana Pacheco Neto (segundo secretário), Dr. Brasil Vianna Neto (primeiro tesoureiro) e Dr. Marcio Fabiano Chaves Bastos (segundo tesoureiro).

Na diretoria adjunta, compõem a chapa os médicos Dr. Ademir da Silva Júnior, Dra. Andressa Costa Da Cunha, Dra. Carmela Regina Cabral Brocher, Dr. Chil Korper Zunsztern, Dr. Jose Ferreira Lopes, Dr. Luiz Henrique Ribeiro Martins Madalosso, Dra. Maria Cecilia Breckenfeld Vianna e Dr. Yumi Hoshi. Para as diretorias regionais, estão inscritos os médicos Dr. André Luiz Batista, Dr. Bartolomeu Peres Silva, Dr. Edilson Barbosa, Dr. Haroldo Rodrigues Ferreira, Dr. José Carlos Cortellassi e Dr. Renato Sfolia. Como delegados representantes do Simepar na Federação Médica Brasileira estão Dr. Marlus Volney de Morais e Dr. Darley Rugeri Wollmann Junior, além de Dr. Brasil Vianna Neto e Dra. Claudia Paola Carrasco Aguilar como suplentes de delegados.

Serviço:
Eleição da diretoria do Sindicato dos Médicos no estado do Paraná (Simepar) 2026-2030
Data: 26 de março de 2026
Horário: 08h30 às 17h
Votação: Presencialmente, na sede do Sindicato (Rua Coronel Joaquim Sarmento, 177, bairro Bom Retiro, Curitiba – PR); ou on-line, pelo link https://eleicaosimepar2026.elejaonline.com.

IMPORTANTE: os eleitores deverão realizar o cadastro para a votação até as 08h30 do dia 24 de março de 2026.
Mais informações: (41) 3338-8713 – juridico@simepar.com.br.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A VOTAÇÃO ON-LINE:

1) Como votar?

O eleitor deverá fazer a confirmação do cadastro até as 08h30 do dia 24 de março de 2026, no site https://eleicaosimepar2026.elejaonline.com. Basta acessar a plataforma de votação pelo computador, celular ou tablet, clicar em “Confirmar Participação”, informar nome e CPF, conferir os dados apresentados e garantir que irá votar na eleição. No dia 25 de março, somente os eleitores que confirmaram participação receberão as credenciais de acesso para a votação.

Com seu CPF, sua data de nascimento e a senha recebida, o eleitor poderá acessar o sistema no dia e hora informados para a votação – 26 de março de 2026, das 08h30 às 17h.

2) Tem comprovante de votação?

Sim. Após o eleitor realizar o seu voto, o sistema automaticamente irá direcionar para o comprovante de votação. O eleitor poderá fazer o download do comprovante ou enviar para o seu e-mail.

3) Como funciona a segurança do sistema?

O sigilo do seu voto está garantido pelo sistema, que conta com a certificação digital da Infraestrutura de Chaves Pública Brasileira (ICP-Brasil). A validação, fornecida pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), assegura a confiabilidade dos dados gerados na documentação.

4) O que fazer caso não tenha recebido minha senha de acesso?

Orientamos que o eleitor verifique em sua caixa de entrada do e-mail, spam, lixo eletrônico e SMS, conforme os meios de contato cadastrados no Simepar. O eleitor também pode utilizar o recurso “Recuperar Senha” disponível no menu.

5) Como obter mais informações sobre a eleição?

Mais informações poderão ser obtidas pelo e-mail juridico@simepar.com.br

Butantan entrega ao SUS as primeiras 6,9 milhões de doses da Vacina da Gripe de 2026

Na última semana, entre terça e sexta (3 e 6/3), o Instituto Butantan realizou a primeira entrega de 6,9 milhões de doses da vacina Influenza ao Ministério da Saúde. A expectativa é que outras 63 milhões de doses sejam entregues até maio. A Campanha Nacional de Imunização contra a Gripe deve começar no final de março.

O público-alvo da campanha são crianças de 6 meses a menores de 6 anos, pessoas que tenham a partir de 60 anos, gestantes, puérperas, profissionais da saúde, pessoas com doenças crônicas, povos indígenas, professores dos ensinos básico e superior, entre outros grupos de risco.

Como acontece todos os anos, o imunizante da gripe foi atualizado de acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica quais as cepas que mais circularam no ano anterior. A composição do hemisfério Sul para 2026 inclui os vírus A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09; A/Singapura/GP20238/2024 (H3N2); e B/Áustria/1359417/2021 (linhagem B/Victoria).

Neste ano, houve a mudança de duas cepas em relação ao ano anterior. Por isso, o cronograma de entregas se estenderá até o final de maio. “A atualização de duas das três cepas é incomum no histórico de recomendações e aumentou a complexidade do processo produtivo. Além disso, as duas novas cepas tiveram menor rendimento, o que também afetou a velocidade da produção”, explica o gerente da Franquia Influenza do Butantan, Felipe Carvilhe.

Durante a produção da vacina da gripe, que começa em setembro do ano anterior à campanha, é necessário fabricar cada monovalente separadamente, e cada vírus pode apresentar características de replicação distintas. “Existem vírus que se replicam mais rápido, outros são mais lentos. Cada monovalente leva cerca de um mês para ser produzido, até alcançar quantidades suficientes para as 80 milhões de doses”, completa Felipe.

Os vírus influenza podem provocar desde uma infecção assintomática até uma doença grave com necessidade de hospitalização, especialmente em crianças pequenas e idosos. Os sintomas incluem febre alta, dor muscular, dor de garganta, dor de cabeça, coriza, tosse e fadiga.

Em 2025, o Brasil registrou 224.721 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo dados do Boletim Infogripe da Fiocruz. Destes, 117.541 tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, sendo influenza um dos mais prevalentes. A gripe também foi responsável por quase metade dos óbitos por SRAG causados por vírus respiratórios.

Vacina está disponível o ano todo para crianças, gestantes e idosos

No início de 2025, o imunizante contra a gripe foi adicionado ao Calendário Nacional de Vacinação para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas 60+, passando a ser ofertado nos postos de saúde para esses grupos ao longo de todo o ano – não apenas no período da campanha.

Os demais públicos prioritários continuam recebendo a vacina durante a campanha sazonal, entre março e maio, meses que antecedem a época de maior circulação do vírus.

As informações são do Instituto Butantan.

Diretora do Simepar realiza palestra no 1° Congresso da Mulher Médica da FMB

A saúde mental da mulher médica foi tema da palestra de Cláudia Paola Carrasco Aguilar, diretora de Educação Médica e Formação Profissional da Federação Médica Brasileira e secretária-geral do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná, durante o 1º Congresso da Mulher Médica da FMB, em Maceió (AL).

Durante a apresentação, a médica destacou que o crescimento da presença feminina na medicina não foi acompanhado por mudanças estruturais suficientes para garantir equilíbrio entre trabalho, carreira e qualidade de vida.

Segundo Cláudia Paola, a chamada feminização da medicina ainda não se refletiu nos espaços de liderança e decisão. Muitas médicas enfrentam barreiras para avançar na carreira enquanto lidam com uma sobrecarga cotidiana invisível.

Ela descreveu esse cenário como uma crise silenciosa. Por trás do aumento da presença feminina na profissão, há um processo crescente de adoecimento marcado por burnout, ansiedade, depressão e risco aumentado de suicídio.

Dados apresentados na palestra indicam que a prevalência de burnout entre médicas varia entre 44% e 54%, índices que se intensificaram durante a pandemia.

A dirigente também destacou que médicas apresentam maior risco de depressão e ansiedade do que médicos homens e alertou para um dado preocupante: o risco de suicídio entre mulheres médicas é maior do que entre mulheres da população geral.

Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão dupla ou tripla jornada, carga emocional intensa da profissão, microagressões, assédio e dificuldades de progressão na carreira.

Cláudia Paola também chamou atenção para os efeitos físicos do estresse crônico. Segundo ela, a sobrecarga constante provoca alterações biológicas mensuráveis, relacionadas ao aumento da inflamação e ao maior risco de adoecimento físico e mental.

Para enfrentar o problema, ela defendeu que a solução não pode ser apenas individual. É necessário combinar estratégias pessoais de cuidado com mudanças institucionais, como redes de apoio, programas de mentoria, políticas de bem-estar e mecanismos seguros de denúncia.

Ao encerrar, deixou um alerta claro: a crise de saúde mental entre médicas é real, mensurável e urgente.

As informações são da Federação Médica Brasileira.

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Dia Mundial do Rim: doenças renais são silenciosas e exigem atenção

Em maio de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a doença renal como prioridade mundial em saúde pública. Com isso, a doença renal crônica (DRC) passou a figurar entre as chamadas doenças crônicas não transmissíveis prioritárias, ao lado das doenças cardiovasculares, neoplasias, diabetes e doenças respiratórias crônicas.

Para a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), o reconhecimento amplia a visibilidade da DRC no cenário internacional e reforça a necessidade de investimentos em educação, prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. No Dia Mundial do Rim, lembrado nesta quinta-feira (12), a entidade alerta ainda para o impacto de fatores ambientais sobre o risco de doença renal ao longo da vida.

“Esse tema amplia o olhar para além do tratamento, estimulando ações que promovam práticas sustentáveis no cuidado renal e reduzam impactos ecológicos, especialmente em serviços de saúde. Sustentabilidade, nesse contexto, significa também prevenção qualificada e redução de exposições evitáveis desde os primeiros estágios da vida”, destacou a instituição.

Em entrevista à Agência Brasil, o médico nefrologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Geraldo Freitas, destacou que os rins são órgãos considerados essenciais para o funcionamento do organismo, mantendo o metabolismo equilibrado, realizando a filtragem do sangue e eliminando toxinas por meio da urina.

“Além disso, eles controlam nosso equilíbrio de eletrólitos ou sais do corpo, portanto, eles mantêm sódio, potássio, cálcio, tudo equilibrado pra que a gente mantenha todo o funcionamento dos outros sintomas”, disse. “Eles também produzem alguns hormônios relacionados ao controle de pressão”, completou.

O especialista alerta, entretanto, que algumas condições podem afetar o bom funcionamento dos rins ou mesmo paralisar a função renal por completo. Segundo Freitas, há fatores de risco específicos que acabam colaborando para o desenvolvimento desse tipo de quadro. Entre eles estão:

  • diabetes mellitus;
  • hipertensão arterial sistêmica;
  • histórico familiar de doença renal;
  • obesidade;
  • sedentarismo;
  • tabagismo;
  • uso crônico ou inadequado de anti-inflamatórios não esteroidais e outros nefrotóxicos;
  • doenças cardiovasculares;
  • infecções do trato urinário recorrentes ou obstrução urinária;
  • desidratação frequente;
  • consumo inadequado de água.

 

“Alguns medicamentos também podem ser nefrotóxicos e causarem a perda da função renal ao longo do tempo. Os mais relacionados com isso são os anti-inflamatórios não hormonais, que devem ser evitados de maneira geral. No caso de pacientes com doenças em que o uso é obrigatório, isso deve ser monitorado.”

Ainda de acordo com o médico, muitas vezes, doenças renais acabam surgindo e avançando de forma silenciosa. “É frequente nos consultórios de nefrologia que os pacientes apareçam, já na primeira consulta, com perdas importantes da função renal”. Por esse motivo, identificar os sinais de alerta é considerado fundamental.

“É importante fazer os exames para rastreio das funções renais, que são basicamente a creatinina e um exame de urina, incluindo a pesquisa de albuminúria. Com esses exames básicos, já é possível fazer o rastreio de alguma lesão ainda no início. Também é relevante fazer a aferição da pressão e exames de glicemia e hemoglobina glicada para avaliação de uma possível diabetes.”

Dentre os principais sintomas que, de acordo com o nefrologista, indicam a necessidade de procurar ajuda médica estão:

  • inchaço nas pernas, nos tornozelos e no rosto;
  • urina muito escura e/ou espumosa;
  • mudança súbita no padrão urinário, incluindo frequência e urgência;
  • inversão do ritmo urinário, com maior volume urinário no período noturno;
  • dor intensa no flanco ou cólicas renais;
  • fadiga excessiva;
  • perda de apetite acompanhada de náuseas e vômitos persistentes;
  • aumento persistente da pressão arterial;
  • glicemias de difícil controle;
  • alterações neurológicas agudas, com presença de confusão mental ou falta de ar súbita.

As informações são da Agência Brasil.

O rosto da Medicina mudou, mas a sobrecarga continua a ser feminina

Artigo da Dra. Claudia Paola Carrasco Aguilar – Secretária-Geral do Simepar e Diretora da FMB.

O ano de 2025 ficará registrado na história da saúde no Brasil como o marco de uma transformação demográfica irreversível: pela primeira vez, as mulheres tornaram-se a maioria dos médicos no país. No entanto, o que deveria ser celebrado como uma vitória da representatividade revela uma realidade preocupante. A feminização da medicina consolidou-se sobre alicerces de desigualdade estrutural, onde o avanço na carreira coexiste com uma sobrecarga crônica e uma exposição crescente a violências institucionais e interpessoais. Microagressões no ambiente de trabalho, assédio e a desvalorização profissional baseada no gênero formam uma barreira invisível que ameaça a integridade psíquica de quem dedica a vida a cuidar do próximo.

Embora ocupem cada vez mais espaços, as médicas brasileiras ainda enfrentam a barreira invisível da dupla jornada. Nosso dia a dia é marcado pelo equilibrismo entre uma carreira de alta responsabilidade, caracterizada por plantões extensos e decisões críticas, e a gestão quase exclusiva das tarefas domésticas e do cuidado com filhos e familiares. Esta “segunda jornada” não é apenas um detalhe doméstico; é também um fator de risco ocupacional.

Os dados recentes são alarmantes e não permitem indiferença. Estudos indicam que quase metade das médicas brasileiras (46,8%) apresenta algum adoecimento mental. Quando comparadas aos seus colegas do sexo masculino ou a mulheres de outras áreas de atuação, as médicas apresentam índices significativamente superiores de exaustão emocional, distúrbios do sono e Síndrome de Burnout.

A prevalência de ansiedade atinge 39,9% das médicas, enquanto a depressão afeta 25,3% destas profissionais. Este quadro é agravado por um ambiente de trabalho que, muitas vezes, ainda é hostil, expondo as profissionais a assédio e microagressões que funcionam como estressores contínuos.

Outro fenómeno crítico identificado é o presenteísmo — o ato de trabalhar mesmo estando doente. Motivadas pelo estigma em torno da saúde mental, pelo receio de prejuízos na trajetória profissional ou pela simples dificuldade de ausentar-se, muitas médicas negligenciam o próprio sofrimento até atingirem o limite da exaustão.

Nesse contexto, a saúde mental da mulher médica deixa de ser uma questão individual para se tornar um indicador estratégico da qualidade do atendimento à saúde. Uma profissional exausta e psicologicamente fragilizada é o espelho de um sistema adoecido.

A solução não é cobrar mais “resiliência” das médicas. Não se resolve um problema estrutural com dicas de autocuidado. Precisamos de tolerância zero contra a violência e o assédio, de políticas reais de equidade e de um ambiente que permita o descanso e o suporte psicológico sem punições veladas.

Cuidar de quem cuida é um imperativo ético. Se queremos que a nova face da medicina brasileira seja um símbolo de progresso, precisamos garantir que exercer nossa vocação não custe a sanidade de quem a pratica. O sucesso da medicina brasileira agora depende, obrigatoriamente, da saúde de suas médicas.

Artigo publicado no Portal da Federação Médica Brasileira.

A Dra. Claudia Paola Carrasco Aguilar também gravou um vídeo em alusão ao Dia Internacional das Mulheres. Assista a seguir: