Filiado à

Notícias

Morte por febre do Oropouche no Paraná está sendo investigada

O Ministério da Saúde investiga uma morte suspeita por febre do Oropouche no Paraná. Segundo o secretário adjunto da Secretaria de Vigilância em Saúde, Rivaldo Venâncio, embora o óbito tenha sido notificado em solo paranaense, trabalha-se com a hipótese de que o local provável da infecção seja o estado de Santa Catarina.

No fim de julho, o Ministério da Saúde confirmou duas mortes pela doença no interior da Bahia. Até então, não havia relato na literatura científica mundial sobre óbitos por Oropouche. As duas vítimas eram mulheres, tinham menos de 30 anos e não registravam comorbidades. Ambas apresentaram sinais e sintomas semelhantes ao quadro de dengue grave.

“Tivemos, a partir de 2023, uma novidade: a expansão da circulação do vírus Oropouche para outras áreas do Brasil além da região amazônica, onde, tradicionalmente, desde a década de 1960, a doença era restrita”, destacou o secretário adjunto nesta quinta-feira (29), durante reunião da Comissão Intergestores Tripartite, em Brasília.

Diagnóstico laboratorial

“A partir de observações iniciais em 2023, foram produzidos insumos para o diagnóstico laboratorial, distribuídos em larga escala para os estados brasileiros, para laboratórios centrais de saúde pública. A partir do insumo disponível, que nós não tínhamos nessa escala até 2023, começamos a observar uma realidade um pouco preocupante em relação ao Oropouche,” explicou.

Rivaldo lembrou, a seguir, que, apesar de se tratar de uma arbovirose, a febre do Oropouche é transmitida sumariamente pelo Culicoides paraensis, conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Por causa da predileção do mosquito por materiais orgânicos, a recomendação é manter quintais limpos, evitando o acúmulo de folhas e lixo orgânico doméstico.

O Amazonas lidera o ranking de casos de Oropouche no Brasil, com 3.230 infecções. Em seguida, estão Rondônia (1.710), Bahia (886), Espírito Santo (444) e Roraima (261). Já os estados com menos registros são Paraíba e Mato Grosso do Sul, ambos com um caso. Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Paraná, Goiás e Distrito Federal ainda não contabilizam casos.

As informações são da Agência Brasil.

Cartilha da Fiocruz orienta jovens a acessarem os serviços do SUS

Onde acessar o Sistema Único de Saúde (SUS)? Para responder a essa dúvida de muitos jovens brasileiros, a Agenda Jovem Fiocruz (AJF), em parceria com a Fiocruz Bahia, produziu a cartilha Jovens na Trilha do SUS , que foi lançada no no último sábado (17/8), como parte do evento Fiocruz Para Você 2024 no Rio de Janeiro e em Salvador.

Com 28 páginas, a cartilha contém um guia prático detalhando os vários serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), desde a atenção primária à alta complexidade, inclusive serviços específicos como o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. O objetivo dessa publicação é suprir uma necessidade de muitos jovens brasileiros, que não têm familiaridade com o atendimento da Saúde Pública, e frequentemente buscam o serviço errado ou deixam de cuidar da saúde por desconhecerem as opções disponíveis, públicas e gratuitas.

“O funcionamento dos serviços do SUS não é óbvio para grande parte da população. É preciso sempre oferecer informação precisa e de qualidade. Para os jovens em especial, pois é um segmento que encontra muitas dificuldades de acesso aos serviços por diversas razões”, afirma o coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho.

Além de uma descrição dos serviços oferecidos pelo SUS, a cartilha também traz outras informações, como dados sobre problemas de saúde comuns na Juventude, relacionados a temas como saúde mental, saúde no trabalho e obesidade.

Um dos motes da publicação é o incentivo à saúde preventiva para a juventude. “Percebe-se que pessoas jovens têm buscado os serviços públicos de saúde apenas quando estão em situações graves, negligenciando a prevenção e até mesmo os sinais iniciais de fragilidade com a saúde”, afirma Daniela Silva, pesquisadora em comunicação e cultura da Fiocruz Bahia que organizou as conversas com jovens, especialistas e gestores da saúde que resultaram na elaboração da cartilha.

A publicação também traz orientações básicas para prevenir a desinformação em temas de saúde, indica programas governamentais voltados para a juventude e divulga os direitos previstos em Lei para a população jovem no tocante à saúde e à participação política.

Agenda Jovem Fiocruz

A Agenda Jovem Fiocruz é uma plataforma colaborativa vinculada à presidência da Fiocruz que coordena diversos projetos visando a promoção da saúde para a população jovem no Brasil. Realiza iniciativas nas áreas de pesquisa, educação, informação, serviços em saúde e ações territorializadas através de redes de cooperação entre o Poder Público, movimentos da sociedade civil e unidades da Fiocruz.

As informações são da Agência Gov e Fiocruz.

Coberturas vacinais de crianças em 2024 já superam índices do ano passado no Brasil

No último sábado (24), foi celebrado o Dia da Infância em todo o mundo. A data, instituída pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), promove a reflexão sobre as condições de vida e os direitos das crianças e a vacinação é uma dessas garantias. Em 2024, de acordo com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) do Ministério da Saúde, nove vacinas aplicadas até o segundo ano de vida das crianças já superaram os números do ano passado.

Para o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI), Eder Gatti, o aumento da adesão às vacinas possibilita um maior controle das doenças imunopreveníveis no Brasil. “Graças ao Movimento Nacional pela Vacinação, lançado no início de 2023, e da introdução de novas estratégias, como o microplanejamento, que consiste em diversas atividades com foco na realidade de cada local, estamos conseguindo recuperar a confiança nas vacinas e resgatar essa cultura no país”, observa.

Em 2023, a vacinação contra a Hepatite B, recomendada ao nascer, podendo ser administrada até os primeiros 30 dias após o nascimento dos bebês, registrou 77,23% de imunização. Neste ano, até o dia 20 de agosto, 80,6% das crianças já receberam a dose. O aumento também é notado na vacina de reforço da pneumocócica, que saiu de 82,9% para 85,6%; da poliomielite oral, de 77,9% para 82,3%; da primeira dose da tríplice viral, de 88,2% para 90,8%; da segunda dose da tríplice viral, de 65,3% para 74,5%; e o reforço da DTP, de 78% para 80,3%.

Na imunização contra a meningite, com a meningocócica C, 95,4% das primeiras doses e 97,9% da dose de reforço foram administradas. Em 2023, os registros foram de 87,9% e 86,2%, respectivamente.

Amanda Santos, 24 anos, é mãe de Maria Júlia, de 1 ano e 4 meses. Moradora do Rio de Janeiro, a analista jurídica sempre enxergou a vacinação como prioridade e um ato de amor à filha. “Vacinar a Maria é um ensinamento sobre a importância de cuidar de si e do próximo. A vacinação não se restringe à saúde individual de minha filha, mas contribui para o bem-estar coletivo”, declarou.

Em abril, o Ministério da Saúde identificou um aumento nas coberturas vacinais de 13 dos 16 principais imunizantes do calendário infantil do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em comparação a 2022. O resultado, observado em todo o país, muda o cenário de queda dos índices vacinais enfrentado pelo Brasil desde 2016.

O atual balanço também corrobora com as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Unicef, que tiraram o Brasil da lista dos 20 países com mais crianças não imunizadas.

Investimento

Em 2023, o investimento para apoiar estados e municípios na compra de imunizantes foi de mais de R$ 6,5 bilhões. Para este ano, a previsão é que esses recursos cheguem a R$ 10,9 bilhões. Além disso, R$ 150 milhões são destinados anualmente para apoiar ações de imunização com foco no microplanejamento e na comunicação regionalizada.

Atualmente, o DPNI do Ministério da Saúde oferece mais de 40 tipos de imunobiológicos no SUS. O Calendário Nacional de Vacinação contempla, na rotina dos serviços de vacinação, 20 vacinas que beneficiam não só crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas.

Calendário Nacional de Vacinação

Uma forma de saber quais vacinas são recomendadas para cada etapa da vida é por meio do Calendário Nacional de Vacinação. Vale ressaltar que os imunizantes disponíveis no SUS são seguros, eficazes e de vital importância para proteção contra doenças imunopreveníveis. Confira abaixo as doses recomendadas até os 10 anos de idade:

Recém-nascidos

  • BCG (Bacilo de Calmette-Guérin) dose única: Contra a tuberculose;
  • Hepatite B (primeira dose): contra a hepatite B.

2 meses

  • Penta (DTP+ Hib+ Hepatite B): contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae B e hepatite B – (1ª dose);
  • VIP (Vacina Inativada Poliomielite 1, 2 e 3): contra poliomielite – (1ª dose);
  • Pneumocócica 10-valente: contra doenças causadas pelo pneumococo – (1ª dose);
  • Rotavírus humano G1P1 [8] (atenuada) – (VRH): diarreia por rotavírus (gastroenterites) – (1ª dose).

3 meses

  • Meningocócica C (Conjugada): contra pneumonias, meningites, otites e sinusites pelos sorotipos que compõem a vacina – (1ª dose)

4 meses

  • Penta – 2ª dose;
  • VIP – 2ª dose;
  • Pneumocócica 10-valente – 2ª dose;
  • Rotavírus – 2ª dose.

5 meses

  • Meningocócica C (conjugada) – 2ª dose

6 meses

  • Penta – 3ª dose;
  • VIP – 3ª dose;
  • Vacina COVID-19 – 1ª dose. Protege contra as graves e óbitos por covid-19, causada pelo SARS-CoV-2

Obs.: A vacina covid-19 está recomendada com esquema de duas doses (aos 6 e 7 meses de idade), respeitando os intervalos mínimos recomendados (4 semanas entre a 1ª e 2ª dose). Caso não tenha iniciado ou completado o esquema primário até os 7 meses de idade, a vacina poderá ser administrada até 4 anos, 11 meses e 29 dias, conforme histórico vacinal. Para indivíduos imunocomprometidos, o esquema vacinal é de três doses (aos 6, 7 e 9 meses).

7 meses

  • Vacina COVID-19 – 2ª dose

9 meses

  • Vacina Febre Amarela (atenuada): contra a febre amarela – Uma dose

12 meses

  • Pneumocócica 10-valente (Conjugada) – Reforço;
  • Meningocócica C (conjugada) – Reforço;
  • Sarampo, Caxumba, Rubéola (Tríplice viral): protegem contra o sarampo, a caxumba e a rubéola – 1ª dose;

15 meses

  • Vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (DTP): primeira dose de reforço contra a difteria, o tétano e a coqueluche;
  • Poliomielite 1 e 3 (atenuada) – (VOPb) – primeira dose de reforço contra a poliomielite;
  • Vacina adsorvida hepatite A (HA – inativada): protege contra a hepatite A – Uma dose;
  • Vacina Tetra viral (uma dose): protege contra o Sarampo, Caxumba, Rubéola e varicela.

4 anos

  • Vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (DTP) – 2º reforço;
  • Vacina Febre Amarela (atenuada) – Reforço;
  • Vacina poliomielite 1 e 3 (atenuada) – (VOPb) – 2º reforço;
  • Vacina varicela (monovalente): protege contra a varicela – Uma dose;

5 anos

  • Vacina Febre Amarela (atenuada) – (FA) – Uma dose, caso a criança não tenha recebido as duas doses recomendadas antes de completar 5 anos;
  • Vacina pneumocócica 23-valente – (Pneumo 23): protege contra infecções invasivas pelo pneumococo – Uma dose para a população indígena.

9 e 10 anos

  • Vacina HPV Papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 (HPV4 – recombinante) – Dose única. Doenças evitadas: Papilomavírus Humano 6, 11, 16 e 18.

Informações detalhadas podem ser encontradas no Calendário Nacional de Vacinação; e também na Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação – 2024.

Para os indivíduos que apresentam condições clínicas especiais, as vacinas e as recomendações de uso preconizadas pelo PNI estão dispostas no Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais – CRIE.

As informações são do Ministério da Saúde.

Sesa alerta para os sintomas e cuidados com a Síndrome de Burnout

Exaustão, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demanda muita competitividade ou responsabilidade, são alguns dos sintomas da Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional. Por ser um distúrbio emocional que pode colocar em risco a saúde do indivíduo, a Secretaria de Estado da Saúde, por meio do Centro Estadual de Saúde do Trabalhador (Cest), alerta para os sinais e a importância do diagnóstico correto para a doença.

A condição de Burnout pode levar a outros quadros de adoecimento mental, como transtornos depressivos ou transtornos de ansiedade, por exemplo. Neste mês, foi publicada a Portaria GM/MS nº 5.201, do Ministério da Saúde, que inclui novas doenças na Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos em saúde pública, dentre elas os Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho (TMRT).

Em 2023, foram notificados 192 casos de TMRT no Paraná e, em 2024, dados preliminares mostram que já são 172 notificações. As unidades da Atenção Primária e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são portas abertas para fazer o acolhimento e primeira avaliação das pessoas com queixas relacionadas à Síndrome de Burnout, no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Essas notificações representam uma pequena fração dos casos, pois muitos ainda são vistos como problemas individuais e ainda há falta de conhecimento sobre a notificação. O aumento das notificações de sofrimento mental possibilitaria intervenções mais eficazes, adaptadas ao contexto específico do trabalhador, e um reconhecimento mais amplo dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho”, disse Aline Guedes, coordenadora técnica do Cest.

A Organização Mundial da Saúde define saúde mental como um estado de bem-estar em que o indivíduo realiza suas capacidades, supera o estresse cotidiano, trabalha de forma produtiva e contribui para a comunidade. No entanto, a precarização do trabalho e o uso constante de tecnologias têm intensificado o estresse, levando “ao Burnout”. O termo vem do inglês, to burn out, referente a “queimar por completo”.

Para melhorar a detecção e possibilitar a notificação, no Paraná são realizadas ações de educação permanente com as equipes de saúde, estimulando que os profissionais perguntem acerca da ocupação das pessoas atendidas. As iniciativas têm também como foco o conhecimento, divulgação e aplicação da nova ficha de notificação de TMRT, além de informar que qualquer profissional de saúde pode estabelecer a relação entre o transtorno/sofrimento e o trabalho e preencher a ficha de notificação.

ATENDIMENTO SUS – Atualmente, a Linha de Cuidado em Saúde Mental no Paraná é composta por diversos equipamentos da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). São 156 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em suas diferentes modalidades, seis Unidades de Acolhimento (UA), sete Serviços Integrados de Saúde Mental (SIMPR), que é a conjunção de um CAPS AD III e uma UA de âmbito regional.

Ainda compõem a Linha de Cuidado em Saúde Mental do Paraná as Unidades Básicas de Saúde, Estratégia Saúde da Família (ESF) e os Consultórios na Rua, que fazem parte da Atenção Primária em Saúde, além de 41 Equipes Multiprofissionais de Atenção Especializada em Saúde Mental , 65 leitos em Serviço Hospitalar de Referência (leitos de saúde mental em hospitais gerais), e 1.683 leitos em Hospitais Especializados em Psiquiatria.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Amamentação exclusiva é fator de proteção para a cárie na infância

Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS) orientam que a amamentação ocorra de forma exclusiva até os 6 meses ou de forma continuada até os 2 anos ou mais. Além de proporcionar benefícios nutritivos e imunológicos, o aleitamento materno pode ajudar no desenvolvimento da respiração, deglutição, fala, mastigação e até na redução da cárie da primeira infância (CPI), que acomete crianças até seis anos de idade.

Evidências sugerem que bebês amamentados no primeiro ano de vida têm menos recorrência de cárie dentária em relação aos que consomem fórmula infantil. Ao mamar, o bebê diminui a exposição inadequada ao flúor e evita o consumo precoce de açúcares, impactando diretamente na prevenção da cárie.

A partir dos 6 meses, a introdução alimentar deve ser iniciada, de forma lenta e gradual com produtos naturais dos diferentes grupos – frutas, legumes, verduras, tubérculos, cereais e feijões. O consumo de açúcares e alimentos ultraprocessados é fortemente contraindicado até os 2 anos de idade, pois aumentam o risco à cárie, asma, alergias, obesidade e doenças cardiovasculares no futuro.

Para Doralice Severo da Cruz, coordenadora-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, o aleitamento materno desempenha um papel essencial na saúde bucal da criança: “Dos benefícios da amamentação para o bebê, podemos destacar o desenvolvimento da mandíbula e dos músculos faciais, o que contribui para um alinhamento correto dos dentes no futuro”, explicou.

“Amamentar promove a sucção correta, que é essencial para o desenvolvimento de hábitos saudáveis e a formação de uma mordida adequada. Desta forma, incentivamos que as mães continuem amamentando com confiança seus bebês, sabendo que está dando à criança o melhor começo possível para uma vida cheia de sorrisos brilhantes”, completou Doralice.

A ausência da amamentação ou, ainda, o desmame precoce resultam na falta de estímulos para o desenvolvimento craniofacial. Além disso, a introdução de bicos artificiais, como mamadeiras e chupetas, movimentam uma musculatura diferente da correta, podendo ocasionar hipertonia muscular, alterando a estrutura bucal.

Segundo a SB Brasil 2020/2023 – pesquisa que avalia as condições de saúde bucal da população, 53,2% das crianças entrevistadas estavam livres de cáries. O índice é 14% maior do que o resultado do último estudo, em 2010, em que foi registrado 46,6%. Mais de 40 mil pessoas foram examinadas nas 27 capitais e em 403 cidades do interior de todo o país. Dessas, 7.198 são crianças de 5 anos de idade.

Atendimentos

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a odontopediatria é ofertada nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs). Já nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) contam com as equipes de saúde bucal (eSB), que são qualificadas para atender as crianças, inclusive bebês para orientação nas práticas de amamentação.

De acordo com o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), em 2022, mais de 144 mil crianças entre 0 e 2 anos de idade receberam o primeiro atendimento odontológico em todo o país. No ano seguinte, esse número saltou para mais de 180 mil.

Equidade no SUS

Em 2004, o programa Brasil Sorridente foi criado para combater a dificuldade de acesso à saúde bucal, principalmente em regiões de maior vulnerabilidade. No ano passado, o presidente Lula sancionou a lei que incluiu a Política Nacional de Saúde Bucal na Lei Orgânica da Saúde, para que todos os brasileiros tenham o direito de se consultar com dentistas.

Seguindo a mesma linha, neste ano, a Semana Mundial da Amamentação (SMAM) trouxe o tema: “Amamentação: apoie em todas as situações”, com foco no apoio ao aleitamento materno para reduzir as desigualdades em populações vulneráveis, minorias, pessoas com deficiência e em situações de emergência.

O ministério também está trabalhando para lançar o novo Programa Nacional de Promoção, Proteção e Apoio à Amamentação, como parte de um dos eixos estratégicos da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) no âmbito do SUS. Assim, reforça os princípios da amamentação como direito humano, do acesso universal à saúde, da equidade em saúde, da integralidade do cuidado e da humanização da atenção à saúde em todo o país.

As informações são do Ministério da Saúde.

Estudo da Fiocruz Minas mostra impacto da pandemia nos indicadores de saúde em 185 países

Os impactos econômicos causados pela pandemia de Covid-19 tendem a gerar uma desaceleração no ritmo da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que compõem a Agenda 2030. Essa é a constatação de um estudo da Fiocruz Minas, que investigou a evolução de 43 indicadores relacionados à saúde, em 185 países, e fez uma projeção do desempenho deles para o período entre 2021 e 2030, com base em previsões de crescimento econômico antes e depois da pandemia. As análises mostraram que os países com rendimentos mais baixos poderão ter um retrocesso de 16% em todos os indicadores avaliados, um declínio bem mais significativo do que o estimado para os países de rendimento elevado, que é de 3%, levando a um acirramento das desigualdades.

“Os países que têm uma economia mais potente se recuperam mais rapidamente e conseguem se reestruturar em menos tempo. Já os países mais pobres tiveram uma desorganização de sua base econômica muito maior, com um processo de reorganização muito mais alongado. Isso impacta no ritmo em que cada país avança rumo ao cumprimento dos ODS”, explica o pesquisador Rômulo Paes, do grupo de Políticas de Saúde e Proteção Social, coordenador do estudo.

Para avaliar a evolução dos indicadores de saúde, os pesquisadores usaram um modelo econométrico que incluiu três indicadores relacionados a aspectos econômicos dos países: o PIB per capta (PIBpc), que representa a média de produção e riqueza de um país distribuída por cada habitante, e é baseado em projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI); o índice de Gini, que mede a distribuição de renda, e é calculado pelo Banco Mundial; e os investimentos em saúde de cada país, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). As análises foram realizadas considerando dois cenários: as projeções econômicas dos países feitas em janeiro de 2020, ou seja, antes da pandemia; e as atualizadas em outubro de 2021, já considerando a situação pandêmica.

Seguindo critérios do Banco Mundial, os pesquisadores dividiram os países em quatro grupos: países de baixa-rendimento, cujo PIBpc é de 1045,00 dólares; países de rendimento médio-baixo, com PIBpc variando entre 1046,00 e 4095,00 dólares; países de rendimento médio-alto, com PIBpc entre 4096,00 e 12.695 dólares; e países de alta renda, com PIBpc superior a 12.696 dólares.

Resultados

Ao comparar as duas projeções realizadas para a década, o estudo revela uma queda de, em média, 42% no crescimento econômico dos países de baixo rendimento e de 28% dos países de médio-baixo rendimento. Para os países de alto rendimento, essa queda é de 7%, e de 15% para aqueles com rendimento médio-alto. Tais índices reverberam na maior parte dos indicadores de saúde e mostram que os impactos econômicos da pandemia são ainda mais desafiadores para os países mais pobres.

Indicadores relacionados ao tema doenças infecciosas estão entre os mais impactados negativamente, com previsão de desaceleração no ritmo de implementação nos quatro grupos de países. Entretanto, nos países de baixo rendimento a desaceleração prevista é de, em média, 33,8%, contra uma média de 6,4% nos países de rendimento elevado. Dentro dos piores desempenho, também estão incluídas lesões e violência, saúde materna e reprodutiva, cobertura de sistemas de saúde, saúde neonatal e infantil.

Os países de baixa renda lideram os retrocessos na maior parte dos indicadores, com impactos mais negativos do que o esperado para lesões e violência, saúde materna e reprodutiva. Os países de rendimento médio-baixo, além de amargarem um retrocesso de em média 30% nos indicadores relacionados ao tema doenças infeciosas, tendem a ter uma desaceleração de cerca de 10% no ritmo da implementação dos indicadores referentes a saúde materna, infantil e neonatal, bem como sistemas e a cobertura de saúde. Já para os países de rendimento médio-alto, as doenças não transmissíveis, lesões e violência são os principais pontos de atenção. Entre os de alta renda, além dos retrocessos nos indicadores relacionados a doenças infeciosas, também há menos avanços em riscos ambientais e saúde materna e reprodutiva, mas com índices de desaceleração bem menores que os países de baixa renda.

Ainda conforme as projeções do estudo, a desigualdade, mensurada pelo índice de Gini, influenciou de forma significativa em 15 indicadores, com destaque para os índices de crianças com atraso no crescimento, cobertura vacinal infantil, incidência de malária, número de pessoas infectadas por doenças tropicais negligenciadas, mortalidade por doenças crônicas não-transmissíveis, prevalência de tabagismo, homicídios e nos gastos diretos com saúde. Quanto maior a desigualdade pior a performance nesses indicadores.

Os investimentos em saúde influenciaram nos indicadores sistemas de saúde e cobertura, desnutrição infantil, imunização, taxas de mortalidade por desastres naturais, índices de mortalidade atribuída à poluição e a exposição a serviços inseguros de água, saneamento e higiene. O impacto é diretamente proporcional, já que o desempenho dos indicadores é melhor nos países com maiores investimentos na área de saúde.

Os resultados do estudo propõem reflexões valiosas para a política internacional de saúde pública e mostram que a cooperação internacional e o apoio direcionado no sentido de reforçar os sistemas de saúde nos países de baixo rendimento são fundamentais para que se possa garantir um progresso equitativo visando a um futuro mais saudável para todos. “Este estudo traz um alerta sobre quais são os principais desafios na saúde a serem enfrentados e para quais aspectos é necessário dar mais atenção”, destaca Paes.

Intitulado Post-Covid-19 health inequalities: Estimates of the potential loss in the evolution of the health-related SDGs indicators [Desigualdades em saúde pós-Covid-19: estimativas dos retrocessos na evolução dos indicadores dos ODS relacionados à saúde], o estudo foi publicado (25/7) na revista Plos One.

As informações são da Agência Fiocruz de Notícias.

Vacina do Instituto Butantan mostra 89% de proteção contra dengue grave e com sinais de alarme

Novos resultados da fase 3 da vacina contra a dengue do Instituto Butantan, publicados na The Lancet Infectious Diseases, mostraram uma proteção de 89% contra dengue grave e dengue com sinais de alarme, além de eficácia e segurança prolongadas por até cinco anos. O estudo corrobora as análises anteriores de dois anos de acompanhamento e favorece a continuação do desenvolvimento da vacina para indivíduos de 2 a 59 anos, independente do histórico de infecção prévia de dengue.

O artigo recém-publicado descreve os resultados da imunização de 16 mil voluntários que entraram no estudo entre fevereiro de 2016 e julho de 2019. Foram consideradas análises feitas até 13 de julho de 2021, resultando em uma média de 3,7 anos de acompanhamento. Nesse período, o risco de dengue sintomática foi maior no grupo que recebeu placebo do que nos vacinados. A eficácia da vacina contra dengue grave ou com sinais de alerta foi de 89%.

Já a eficácia geral contra dengue sintomática foi de 67,3%, sendo 75,8% para o sorotipo DENV-1 e 59,7% para DENV-2. Não foram detectadas infecções por DENV-3 e 4. De acordo com a série histórica do Ministério da Saúde, entre 2017 e 2018 (primeiros dois anos de seguimento do estudo), houve uma queda nos casos de dengue, seguida por um surto de 1,5 milhão de casos em 2019. Mesmo durante o pico de casos, o imunizante conseguiu fornecer proteção contra a doença.

“É esperado de qualquer vacina que os anticorpos caiam com o tempo, o que não significa que o imunizante deixe de proteger contra a doença de maneira significativa. Trata-se de uma resposta natural do sistema imune, e a queda foi dentro do esperado para o tempo do estudo”, ressalta a diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos.

Diferente do que foi observado em outros estudos de vacinas contra a dengue após um acompanhamento prolongado, não foram detectadas preocupações adicionais de segurança. O imunizante do Butantan se manteve seguro para toda a faixa etária de 2 a 59 anos, tanto para quem tinha histórico de infecção prévia como para aqueles que nunca tiveram contato com o vírus.

O esquema de dose única oferecido pela vacina do Butantan também pode facilitar a adesão e a logística de vacinação, enquanto outros imunobiológicos do mercado necessitam de duas a três doses. Em janeiro, o Ministério da Saúde incorporou o primeiro imunizante contra a dengue ao Sistema Único de Saúde (SUS), destinado a crianças de 10 a 14 anos. Em 2024, até agosto, o estado de São Paulo registrou 2 milhões de casos de dengue e 1.500 mortes, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Estudos de mais de uma década

A vacina da dengue é uma parceria com o Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que cedeu ao Butantan em 2009 as quatro cepas virais que compõem o imunizante. O NIH foi responsável pela fase 1 do ensaio clínico (2010-2012), enquanto a fase 2 (2013-2015) foi realizada no Brasil. Em andamento desde 2016, a fase 3 também tem sido conduzida no país, sob coordenação do Butantan, e seguirá até todos os 16.235 voluntários completarem cinco anos de acompanhamento.

Os primeiros resultados da fase 3, publicados no New England Journal of Medicine em janeiro deste ano, demonstraram uma eficácia geral de 79,6% ao longo de dois anos de acompanhamento, sendo 89,5% para DENV-1 e 69,6% para DENV-2. A vacina foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos do vírus, mas não foram detectados casos de dengue 3 ou 4 no recorte anterior. A eficácia contra dengue grave também não pôde ser determinada na primeira parte do estudo, devido ao baixo número de casos detectados tanto no grupo vacinado como no placebo.

O imunizante do Butantan tem se destacado na indústria internacional, após a assinatura de um acordo inédito de desenvolvimento e compartilhamento de dados, em 2018, com a farmacêutica multinacional MSD. A empresa trabalha no desenvolvimento de uma vacina análoga, em uma ação conjunta para acelerar os estudos e registro do produto no Brasil e no exterior.

As informações são do Instituto Butantan.

Oscilação de temperaturas traz riscos para a saúde, alerta Sesa

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alerta sobre a oscilação nas temperaturas e orienta como manter o corpo mais protegido e saudável. Além do desconforto que sentimos na pele, essas quedas ou altas bruscas nos termômetros podem favorecer o aparecimento de infecções respiratórias e de crises alérgicas, afetar os batimentos cardíacos e a pressão arterial, assim como desencadear a baixa imunidade.

As vias aéreas costumam dar sinal de alerta, causando uma crise de asma em quem já tem o diagnóstico, com tosse, falta de ar, chiado no peito, entre outros sintomas. Resfriados e gripes também são comuns.

As recomendações dos profissionais de saúde da Sesa são dirigidas à população em geral, mas crianças e idosos devem ter atenção redobrada nesse cenário. Dentre elas estão evitar ambientes com aglomerações de pessoas, manter ambientes ventilados com livre circulação de ar, higienização das mãos e evitar contato próximo com pessoas que apresentem sintomas respiratórios.

“Quando o ambiente aquece ou esfria repentinamente, o equilíbrio térmico do corpo será afetado e a imunidade diminuirá. Como resultado, o corpo fica suscetível a gripes e resfriados, bem como a infecções causadas por bactérias. Os cuidados básicos e a vacinação são fortes aliados na proteção da saúde”, alerta a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Acácia Nasr. “Ambos os extremos, calor e frio, afetam a qualidade e a velocidade da capacidade do corpo de se defender”.

Outro cuidado significativo, segundo Acácia, é com a hidratação e alimentação, sendo ainda mais importante o consumo de água e alimentos in natura, evitando os ultraprocessados. Frutas, verduras, legumes, arroz e feijão em geral possuem alto teor de nutrientes importantes para garantir uma boa imunidade, diferente dos ultraprocessados, que são ricos em sódio, aditivos e escassos em água. “Os refrigerantes, néctares e refrescos, apesar de possuírem alto teor de água, são ricos em açúcar ou adoçantes e aditivos, não sendo uma fonte adequada para hidratação”.

De acordo com a nutricionista da Divisão de Promoção da Alimentação Saudável e Atividade Física da Sesa, Cristina Klobukoski, a quantidade de água que precisa ser ingerida por dia é muito variável e depende de vários fatores, como a idade, o peso, a atividade física, bem como o clima e a temperatura do ambiente. “Para alguns, a ingestão de dois litros por dia pode ser suficiente, outros precisarão de um litro e meio ou três litros. Uma forma de verificar se a ingestão hídrica está adequada é prestando atenção à coloração da urina, que deve estar sempre bem clarinha”, afirma.

Veja os cuidados que devem ser adotados com as oscilações de temperaturas:

– Ingerir água, independente da temperatura. Em dias muito frios a ingestão de líquidos quentes, como chás sem adição de açúcar ou adoçante, pode ajudar a manter o corpo aquecido, porém não devem substituir totalmente a ingestão de água, que precisa ser mantida.

– Mantenha a higiene doméstica, evitando o acúmulo de poeira, que desencadeia diversos problemas alérgicos.

– Evite banhos com água muito quente, que provocam ressecamento da pele.

– Evite exposição prolongada a ambientes com ar-condicionado, quente ou frio.

– As pessoas com alergia devem ficar atentas a cobertores que soltam pelos.

– Pacientes com antecedentes como bronquite e rinite costumam ter crises nesta época. É importante procurar um médico e seguir suas recomendações.

– Atenção ao sol. Mesmo com o frio é importante manter o cuidado com o sol, utilizando protetores.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Vacinação nas escolas do Paraná é prorrogada até o fim de agosto

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou nesta quarta-feira (14) a prorrogação da campanha de vacinação nas escolas do Paraná até o dia 31 de agosto. A ação, que integra também a Secretaria da Educação (Seed), visa ampliar a imunização entre crianças, adolescentes e jovens matriculados nas 3.276 instituições de ensino estaduais e municipais (inclusive creches e berçários), das 399 cidades do Estado.

A aplicação dos imunizantes teve início no dia 5 de agosto, com foco na vacina contra a Influenza. Um balanço parcial com os números de doses aplicadas deve ser divulgado pela Sesa nos próximos dias. Os alunos também podem atualizar outras vacinas, como a pentavalente, pneumocócica 10, poliomielite, DTP e HPV. Elas previnem, entre outras doenças, coqueluche, difteria, tétano e hepatite B.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, César Neves, a ampliação da campanha busca fortalecer a conscientização sobre a importância da imunização e garantir maior cobertura vacinal no Paraná. “Temos lutado muito para aumentar as nossas coberturas vacinais. Contudo, os índices precisam e devem melhorar. Por isso, celebramos esse grande acordo com a Secretaria da Educação para continuar levando a vacina para dentro das escolas, a fim de que os pais possam ser sensibilizados dessa importância e estimulem seus filhos a se vacinarem”, afirmou.

O secretário de Educação, Roni Miranda, também ressaltou a importância da imunização. “Doenças infecciosas podem prejudicar não somente a saúde dos nossos meninos e meninas, como também comprometer o fluxo do aprendizado, uma vez que o aluno doente, na maioria das vezes, falta às aulas. A prorrogação da força-tarefa de imunização reforça tanto o desenvolvimento educacional como a saúde dos estudantes”, ressaltou.

A vacinação acontece a partir da autorização dos pais ou responsáveis, após a assinatura de um termo de consentimento. Antes de cada aplicação, as equipes de saúde avaliam a carteirinha do estudante para determinar quais vacinas ele poderá receber. O imunizante da Influenza está integralmente disponível em todas as instituições que participam da campanha. Outros imunizantes poderão variar de acordo com a estratégia de distribuição adotada pelos municípios.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

OMS mantém a Poliomielite como emergência global

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira (13) que decidiu manter a poliomielite como emergência em saúde pública de interesse internacional. Em nota, a entidade destacou que um comitê de emergência analisou os dados disponíveis sobre a circulação do vírus, sobretudo nos seguintes países: Afeganistão, Etiópia, Guiné Equatorial, Quênia, Mali, Níger, Paquistão, Senegal e Somália.

“O comitê concordou, por unanimidade, que o risco de propagação internacional do poliovírus continua a configurar uma emergência em saúde pública de importância internacional e recomendou a prorrogação de orientações temporárias por mais três meses”, destacou a OMS no documento.

Dentre os fatores levados em consideração estão:

– Vacinação de rotina fraca: muitos países possuem sistemas de imunização fracos e que podem ser ainda mais afetados por emergências humanitárias, incluindo conflitos. O cenário, segundo a OMS, representa risco crescente, já que as populações dessas localidades ficam vulneráveis ​​a surtos de poliomielite.

– Falta de acesso: a inacessibilidade continua a representar um grande risco para o combate à pólio, especialmente no norte do Iêmen e na Somália, onde existem populações consideráveis ​​que não foram alcançadas pela imunização contra a poliomielite durante longos períodos (mais de um ano).

Poliovírus selvagem

Desde a última reunião do comitê de emergência, há três meses, 12 novos casos de poliovírus selvagem foram notificados, sendo cinco no Afeganistão e sete no Paquistão, elevando para 14 o total de casos registrados em 2024. As amostras de ambiente que testaram positivo para o vírus no Paquistão passaram de 126 ao longo de 2023 para 186 este ano, enquanto no Afeganistão, o salto foi de 44 para 62 casos positivos no mesmo período.

Poliovírus derivado da vacina

Já os casos do chamado poliovírus circulante derivado da vacina, em 2024, chegaram a 72, sendo 30 registrados na Nigéria. Há, segundo a OMS, dois novos países que reportaram casos desse tipo desde a última reunião do comitê de emergência: Etiópia e Guiné Equatorial. A maioria dos casos foi importada do Sudão e do Chade.

Esse tipo de manifestação da doença acontece porque a vacina oral contém o vírus ativo, mas enfraquecido. A dose faz com que o organismo humano produza uma defesa imunológica contra a doença e o vírus enfraquecido se multiplica no intestino da criança, sendo eliminado pelas fezes.

Em locais com saneamento precário, o vírus enfraquecido eliminado dessa forma pode contaminar outras pessoas, o que não é de todo mal já que, com isso, elas adquirem imunidade. A cepa não encontra mais hospedeiros e desaparece do meio ambiente. O problema é quando isso acontece em regiões com baixa cobertura vacinal para a pólio, onde o vírus pode continuar circulando livremente, atingindo crianças suscetíveis ou que não foram imunizadas.

De acordo com a OMS, Argélia, Costa do Marfim, Egito, Guiné Equatorial, Gâmbia, Libéria, Moçambique, Senegal, Serra Leoa, Sudão, Uganda e Zimbábue detectaram o poliovírus circulante derivado da vacina em amostras de ambiente, mas sem casos confirmados para a doença.

Em 2023, foram confirmados 527 casos de poliovírus circulante derivado da vacina, sendo 224 (43%) na República Democrática do Congo.

Faixa de Gaza

Após a reunião do comitê de emergência, em 8 de julho, a OMS foi informada sobre a detecção de poliovírus circulante derivado da vacina em seis amostras ambientais colhidas na Faixa de Gaza. Todas as amostras ambientais positivas foram recolhidas em 23 de junho de 2024. “Já estão em curso esforços, em todos os níveis, para montar uma resposta a esse surto”, destacou a entidade.

Na semana passada, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que vai enviar mais de 1 milhão de doses contra a pólio para a Faixa de Gaza. As vacinas devem ser administradas em cerca de 600 mil crianças de até 8 anos ao longo das próximas semanas.

Em seu perfil na rede social X (antigo Twitter), Tedros informou que a OMS – em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA, na sigla em inglês) – planeja executar duas rodadas de campanha de vacinação contra a pólio na região.

“Precisamos de absoluta liberdade de circulação de profissionais de saúde e do equipamento médico para realizar essas operações complexas com segurança e eficácia”, informou. Segundo Tedros, a detecção do vírus da pólio em amostras de esgoto colhidas na Faixa de Gaza é um sinal claro de que a doença tem circulado na região, colocando em risco crianças não vacinadas.

“Um cessar-fogo ou, pelo menos, dias de tranquilidade durante a preparação e a execução das campanhas de vacinação são necessários para proteger as crianças em Gaza contra a pólio”, completou o diretor-geral da OMS.

Para a entidade, crianças com menos de 5 anos correm maior risco de contrair pólio em Gaza – sobretudo bebês de até 2 anos, uma vez que as campanhas de vacinação de rotina foram interrompidas em razão de quase dez meses de conflito na região.

Além da pólio, a OMS relatou aumento generalizado de casos de hepatite A, diarréia e gastroenterite, à medida em que as condições sanitárias se deterioram em Gaza, com o esgoto sendo derramado em ruas próximas a acampamentos destinados a pessoas deslocadas.

A doença

Transmitido principalmente por via fecal-oral, o vírus da pólio é classificado como altamente infeccioso, capaz de invadir o sistema nervoso central e causar paralisia. A estimativa é que uma em cada duzentas infecções leve à paralisia irreversível, geralmente das pernas. Entre os acometidos, 5% a 10% morrem por paralisia dos músculos respiratórios.

Os casos da doença em todo o mundo diminuíram 99% desde 1988, passando de 350 mil para seis casos reportados em 2021, em razão de campanhas de vacinação em massa. Esforços ainda são necessários para erradicar o vírus por completo do planeta.

A pólio figura atualmente como a única emergência em saúde pública de importância internacional mantida pela OMS. Na semana passada, entretanto, a entidade convocou o comitê de emergência para avaliar o cenário de surto de mpox na África e o risco de disseminação internacional da doença.

As informações são da Agência Brasil.