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Ministério da Saúde abre consulta sobre inclusão da vacina meningo B no SUS

O Ministério da Saúde abre, nesta quinta-feira (31), consulta pública sobre a incorporação da vacina meningo B no Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante previne contra a infecção pela bactéria meningococo do tipo B, que é a mais prevalente entre as causadoras de doença meningococica. A vacina já está disponível no sistema privado de saúde. Já o Sus disponibiliza imunizantes contra outros quatro sorotipos: A, C, W e Y.

O meningococo é transmitido pelo ar e a principal consequência grave é a meningite meningocócica, inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, que pode evoluir com muita rapidez e até levar ao óbito. Somente este ano, o Brasil registrou 2357 casos de meningite do tipo bacteriana, com 454 mortes. Além da alta letalidade, entre 10% e 20% dos sobreviventes desenvolvem sequelas, como surdez, amputação de membros ou comprometimentos neurológicos.

A maior parte dos registros submetidos ao Ministério da Saúde não informam a sorologia da bactéria causadora, mas pelo menos 138 casos foram causados por meningococo do tipo B, com 21 mortes. Por isso, a vacinação com a meningo B é recomendada por sociedades médicas, apesar de não fazer parte do calendário básico infantil do SUS. O imunizante deve ser aplicado em três doses, aos 3, 5 e 12 meses de idade.

A proposta de incorporação foi apresentada pela farmacêutica GSK, produtora do imunizante à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde – Conitec, órgão responsável por avaliar todas as propostas de inclusão no sistema.

De acordo com o dossiê apresentado, o custo de inclusão do imunizante é de aproximadamente R$ 6,1 bilhões ao longo de cinco anos, mas a farmacêutica argumenta que a vacinação reduziria gastos com a internação e o tratamento dos doentes.

A consulta pública ficará disponível por 20 dias no site da comissão. Em seguida, as contribuições serão analisadas pelos membro da Conitec e para a elaboração do relatório que vai recomendar a inclusão ou a não-inclusão da vacina.

As informações são da Agência Brasil

Oportunidade de Trabalho para Médicos/as especialistas em Mandaguaçu

A Clínica Medex, em fase final de implantação na cidade de Mandaguaçu/PR, está em busca de profissionais para compor sua equipe médica.

As vagas são para Médicos/as Ultrassonografistas, Radiologistas e Especialistas em geral para consultas.

Profissionais com disponibilidade e interesse podem entrar em contato com:

Elisangela (44) 99854-5517 ou Leurides (44) 99961-2104.

As informações são da Clínica Medex.

Paraná retoma vacinação nas escolas e reforça importância da carteirinha em dia

Com o retorno dos estudantes às salas de aula das redes pública e privada de ensino, o Governo do Estado reforça que a vacinação no ambiente escolar, iniciada em abril deste ano, continua. A força-tarefa, por meio de um trabalho conjunto entre as secretarias da Educação (Seed) e da Saúde (Sesa), tem por finalidade atualizar as carteiras de vacinação dos alunos e reforçar a proteção contra diversas doenças.

A meta é atingir as coberturas vacinais para Influenza, febre amarela e Covid-19 e, ainda, o resgate para a vacina HPV. Os alunos também poderão atualizar outras vacinas, como a pentavalente, pneumocócica 10, poliomielite e DTP. Elas previnem, entre outras doenças, coqueluche, difteria, tétano e hepatite B.

“O retorno das aulas significa grande concentração de crianças e adolescentes nesse ambiente, sendo que existe um maior risco de transmissão de doenças. Por isso, a vacinação é uma medida fundamental de proteção individual e coletiva, contribuindo para a segurança de todos”, alertou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

Desde o início da ação foram aplicadas 126.844 doses de imunizantes e avaliadas 246.530 carteirinhas de vacinação, sendo 1.090 em unidades da rede estadual e 85 na rede privada.

“A aplicação das doses nas escolas simboliza uma importante ação do Governo do Paraná para ampliar o acesso à vacinação dos estudantes, além de promover em toda a comunidade escolar uma conscientização sobre os benefícios das vacinas. É a garantia da proteção dos alunos, com a devida anuência dos pais e responsáveis”, ressalta o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Planos de Saúde poderão abater dívidas atendendo pacientes do SUS

Planos de saúde terão a possibilidade de abater dívidas de ressarcimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) ao atender pacientes da rede pública. A portaria que oficializa a medida foi apresentada nesta segunda-feira (28) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e pela presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Carla de Figueiredo Soares.

A expectativa é que os pacientes do SUS sejam atendidos na rede privada a partir de agosto. A medida faz parte do programa Agora Tem Especialistas, e priorizará seis áreas com mais carência por serviços especializados: oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia.

Segundo o Ministério da Saúde, também será considerada a demanda dos estados e municípios, que vão apresentar suas necessidades. Estima-se que, inicialmente, R$ 750 milhões em dívidas das operadoras privadas sejam convertidos em consultas, exames e cirurgias.

As dívidas ocorrem porque os planos de saúde têm que ressarcir o SUS quando os beneficiários dos planos de saúde usam serviços públicos e estes constam na cobertura contratual assinada.

As operadoras que desejarem participar do programa devem aderir ao edital conjunto do Ministério da Saúde e da ANS. É preciso comprovar capacidade técnica e operacional e disponibilizar uma matriz de oferta que atenda às necessidades do SUS. Segundo a pasta, as vantagens da adesão ao edital são a regularidade fiscal, o uso da total capacidade dos hospitais conveniados e a redução de litígios administrativos e judiciais.

Os valores a serem convertidos em atendimento terão que ser negociados com a ANS ou com a Procuradoria-Geral Federal, no caso de dívidas ativas. Os planos de saúde precisam realizar mais de 100 mil atendimentos por mês. De forma excepcional, será considerado valor mínimo de R$ 50 mil por mês para planos de saúde de menor porte.

“É a primeira vez na história do SUS que implementamos um mecanismo como este. As dívidas, que antes iam para o Fundo Nacional de Saúde, mas não se convertiam em atendimento, agora viraram ações concretas para reduzir filas e dar dignidade a quem mais precisa”, disse o ministro Alexandre Padilha.

Plataforma de integração

O Ministério da Saúde também anunciou que os dados dos atendimentos realizados pela rede pública e pela rede de saúde suplementar estarão integrados na Rede Nacional de Dados em Saúde.

A partir de outubro, a promessa é de que os pacientes tenham mais autonomia e facilidade para acessar o histórico clínico. Será possível consultar exames, prescrições médicas, diagnósticos e tratamentos realizados no SUS e nos hospitais, clínicas e laboratórios conveniados aos planos de saúde.

Segundo a pasta, as informações da rede suplementar evitarão a repetição de exames, reduzirão custos e melhorarão diagnósticos e tratamentos.

A integração com a plataforma do SUS ocorrerá em etapas. Entre 1º de agosto e 30 de setembro, a Rede Nacional de Dados em Saúde receberá dados da população dos períodos de 2020 a 2025. A partir de outubro, a transferência será automática, conforme os atendimentos forem realizados.

Dados dos planos de saúde serão visualizados pela população no aplicativo Meu SUS Digital. Profissionais e gestores do SUS poderão acessá-los nas plataformas SUS Digital Profissional e SUS Digital Gestor, respectivamente.

O Ministério da Saúde espera que o volume na Rede Nacional de Dados em Saúde passe dos atuais 2,8 bilhões de registros para mais de 5,3 bilhões. A plataforma do SUS já conta com informações referentes a atendimentos públicos: mais de 80% dos estados e 68% dos municípios brasileiros usam a rede para organizar e planejar ações.

As informações são da Agência Brasil.

Hepatites: teste molecular inovador visa resultado em 30 minutos

O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais (28/7) chama atenção para as infecções do fígado causadas por vírus, que podem provocar quadros agudos de inflamação do órgão ou avançar de forma silenciosa, com risco de problemas graves como cirrose e câncer de fígado. Referência para o diagnóstico das hepatites virais junto ao Ministério da Saúde, o Laboratório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) desenvolve iniciativas e pesquisas importantes para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento destes agravos, fortalecer a vigilância e compreender o cenário das infecções no Brasil.

Um projeto em andamento busca desenvolver testes moleculares rápidos para hepatites virais, capazes de realizar a detecção do genoma de vírus nas amostras em cerca de 30 minutos. A meta é levar para as unidades de saúde uma etapa de diagnóstico que atualmente precisa ser realizada em laboratório. Integrando pesquisa e assistência, o Laboratório de Hepatites Virais mantém o Ambulatório de Hepatites Virais, no campus da Fiocruz, em Manguinhos, na zona Norte do Rio de Janeiro. O serviço oferece atendimento de referência municipal e estadual para casos agudos de hepatites e infecções em gestantes.

Para ampliar o acesso ao diagnóstico e tratamento, a equipe promove ações externas de testagem desde 2023. Realizadas em doze cidades, estas ações alcançaram mais de 3 mil pessoas, principalmente de grupos vulneráveis. Ao todo, mais de 11 mil testes foram aplicados e 575 infecções diagnosticadas, indicando alto índice de prevalência de hepatites nas populações atendidas.

Além disso, pesquisas recentes do Laboratório de Hepatites Virais apresentam achados que contribuem para o enfrentamento da doença. Entre os estudos, estão trabalhos que abordam a incidência do agravo em comunidades rurais e quilombolas no Piauí, salientando a baixa taxa de vacinação, e a diversidade genética do vírus da hepatite D no Brasil, sugerindo a classificação de um novo subgenótipo.

Desenvolvimento tecnológico

Com financiamento do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto para desenvolver testes moleculares rápidos para hepatites tem como base uma metodologia que ganhou destaque durante a pandemia de Covid-19.

Chamada de amplificação isotérmica mediada por loop (RT-Lamp), a técnica facilita a detecção do genoma viral na comparação com a reação em cadeia da polimerase (RT-PCR), considerada como padrão-ouro para esse tipo de exame.

A vantagem da RT-Lamp é realizar a amplificação do genoma em temperatura constante, enquanto na RT-PCR são necessários ciclos de aquecimento e resfriamento. Chefe do Laboratório de Hepatites Virais do IOC/Fiocruz, a virologista Lívia Villar aponta que a RT-Lamp já é usada em testes comerciais para Covid-19, mas ainda não há exames para hepatites baseados na metodologia no Brasil. “Estamos na etapa inicial do projeto, realizando ensaios de prova de conceito. Recebemos dois anos de financiamento e, neste prazo, queremos chegar ao protótipo do exame para hepatite C”, detalha Lívia.

O Sistema Único de Saúde (SUS) conta atualmente com testes rápidos para triagem de hepatites B e C, que permitem detectar, em cerca de 30 minutos, a presença de antígenos ou anticorpos. Nos casos positivos, é feita a coleta de amostra de sangue para análise molecular em laboratório, através da metodologia de PCR. Essa etapa é necessária para confirmar o diagnóstico e quantificar a carga viral, orientando o tratamento adequado.

“Os testes rápidos de triagem têm sido uma ferramenta muito importante para ampliar o acesso ao diagnóstico das hepatites. A proposta do teste rápido molecular é facilitar ainda mais esse processo, permitindo confirmar a presença do vírus, na própria unidade de saúde, em cerca de 30 minutos”, destaca Lívia.

Ações de testagem

Entre setembro 2023 e julho de 2025, equipes do Ambulatório de Hepatites Virais do IOC/Fiocruz promoveram 26 ações de testagem para hepatites virais em doze cidades: Rio de Janeiro, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Paracambi, Maricá, Macaé, Paraty e Angra dos Reis.

As atividades buscam levar o diagnóstico das hepatites virais até grupos vulneráveis, incluindo pessoas em situação de rua, profissionais do sexo, indivíduos em tratamento de hemodiálise, pacientes psiquiátricos, vítimas de enchentes, indígenas e outros.

Para alcançar estas populações, a equipe do IOC conta com a parceria de prefeituras, Justiça Federal e Estadual e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Recursos oriundos de emenda parlamentar do deputado federal Paulo Ganime (Novo) também contribuem para custear as ações.

Leia mais no portal da Agência Fiocruz de Notícias.

Simepar busca esclarecer e reverter possíveis irregularidades em Edital do Hospital Regional do Litoral

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) recebeu com preocupação as denúncias feitas por Médicos e Médicas sobre possíveis irregularidades em Edital da Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná (FUNEAS). O Edital tem por finalidade o credenciamento de pessoas jurídicas, prestadoras de serviços médicos, para atender às demandas do Hospital Regional do Litoral em Paranaguá.

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que o Simepar é contra o formato de contratação da FUNEAS que credencia pessoas jurídicas em vez de contratar os profissionais diretamente, como deveria ser feito, com base na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A contratação de “PJs” significa a precarização das relações de trabalho, resultando na sonegação dos direitos trabalhistas dos profissionais da Medicina.

Também é importante ressaltar que vínculos de trabalho estáveis e duradouros favorecem as relações entre médicos e pacientes, o que aumenta a segurança e efetividade na assistência pública.

As denúncias foram recebidas pelo Sindicato em uma Carta Aberta de Médicos que já atuam no Hospital Regional do Litoral e apontam para a diminuição das equipes, fatiamentos temerários nas contratações, e outros problemas que poderiam pôr em risco o bom funcionamento do Hospital.

Com base nessas informações, o Simepar solicitou reuniões em caráter emergencial com as direções da FUNEAS e do Hospital Regional do Litoral. Esperamos que os possíveis problemas relatados sejam esclarecidos e resolvidos, que os direitos de Médicas e Médicos e demais profissionais da Saúde sejam respeitados, e que a qualidade de atendimento à população prevaleça.

Mulheres que não fazem pré-natal têm 47% mais chances de ter um bebê com anomalias

Um estudo investigou os fatores socioeconômicos e biológicos associados às anomalias congênitas no Brasil, a partir de bases de dados interligadas do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e Sistema de Informações de Mortalidade (SIM). A investigação encontrou associações entre as condições do bebê e fatores como acompanhamento pré-natal insuficiente, idade materna, raça/cor e baixa escolaridade, identificando que uma parte dessas anomalias poderia ser evitada com o aprimoramento de políticas públicas.

Para o estudo, utilizaram-se dados de nascidos no Brasil entre 2012 e 2020, totalizando cerca de 26 milhões de bebês nascidos vivos, sendo cerca de 144 mil com algum tipo de anomalia congênita dentre as estudadas. Das anomalias registradas, foram priorizados para a pesquisa defeitos de membros, cardíacos, tubo neural, fenda oral, genitais, parede abdominal, microcefalia e síndrome de Down, selecionados por serem identificadas como anomalias prioritárias para vigilância no Brasil.

O artigo, de autoria da pesquisadora associada do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia Qeren Hapuk, foi publicado no periódico BMC Pregnancy and Childbirth. O trabalho procurou compreender como esses fatores impactam no desenvolvimento dos bebês, buscando embasar estratégias preventivas direcionadas para crianças com anomalias congênitas.

Falta de pré-natal, mães pretas e idade avançada

Anomalias congênitas são alterações estruturais e/ou funcionais que contribuem significativamente para o aumento do risco de morbidade e mortalidade observado em crianças em todo o mundo. Esses distúrbios são complexos e sua ocorrência é influenciada por uma variedade de fatores, incluindo condições socioeconômicas que desempenham um papel significativo. No estudo conduzido, o grupo de pesquisa identificou que, por exemplo, mulheres que não realizaram consultas pré-natais durante o início da gravidez tiveram 47% mais chances de ter um bebê com anomalias do que mulheres que iniciaram o acompanhamento no primeiro trimestre.

A investigação ainda aponta que mães que se autodeclararam pretas tiveram 16% mais chance de ter filhos com anomalias congênitas em comparação com mães brancas. Outro fator de risco identificado foi a idade. Enquanto mulheres com mais de 40 anos possuíam quase 2,5 vezes mais chances de ter um bebê com anomalias congênitas, mulheres com menos de 20 anos também tiveram um risco maior (13%) do que mães com idade entre 20 e 34 anos. A escolaridade também se apresentou como um fator que influenciou na chance de mulheres terem filhos com alguma anomalia: possuir baixa escolaridade (0 a 3 anos) significou 8% mais de chances, do que com 12 ou mais anos de escolaridade.

Algumas anomalias tiveram maior associação a determinados fatores de riscos. Os casos de nascidos com defeitos do tubo neural (estrutura embrionária que dará origem ao cérebro e à medula espinhal) foram fortemente ligados à baixa escolaridade, ausência de pré-natal e gestação múltipla. Defeitos cardíacos foram associados à idade avançada, perda fetal e pré-natal inadequado, enquanto casos com Síndrome de Down foram fortemente associadas à idade materna superior a 40 anos.

Desigualdades regional ainda é barreira

Além disso, houve variações significativas nas chances de crianças nascerem com anomalias entre as regiões do país e os grupos de anomalias. A principal causa dessa variação é a subnotificação, o Sudeste sendo a região que melhor notifica nascimentos com anomalias congênitas em comparação com as demais. A Região Nordeste concentra quase metade da população brasileira vivendo em situação de pobreza, o que pode ajudar a explicar a maior probabilidade de mães residentes terem nascimentos com defeitos do tubo neural, uma vez que essa condição está altamente associada à baixa renda, baixa escolaridade e má alimentação (suplementação insuficiente). É importante destacar que a epidemia do vírus zika no Brasil, entre 2015 e 2016, resultou em um aumento na notificação de nascidos vivos com microcefalia e outras anomalias congênitas do sistema nervoso, especialmente no Nordeste, o que pode ter contribuído para os resultados observados.

“Esses dados nos mostram que a desigualdade socioeconômica em conjunto com fatores biológicos impactam diretamente na saúde e desenvolvimento do bebê”, ressalta a pesquisadora Qeren Hapuk. De acordo com ela, os achados indicam que tais fatores de agravamento são evitáveis ou modificáveis. Intervenções em educação materna, planejamento reprodutivo, nutrição e, principalmente, acesso ao pré-natal são fundamentais para a prevenção de anomalias congênitas.

As informações são da Fiocruz.

Desigualdade social acelera envelhecimento cerebral, diz estudo internacional

Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine indica que o envelhecimento cerebral é acelerado por fatores como instabilidade política, poluição do ar e alta desigualdade social. A pesquisa foi desenvolvida por 41 cientistas, entre eles três brasileiros apoiados pelo Instituto Serrapilheira, instituição privada sem fins lucrativos.

Foram analisados dados de 161.981 participantes em 40 países, incluindo o Brasil. Modelos de inteligência artificial (IA) e modelagem epidemiológica permitiram aos pesquisadores avaliar “diferenças de idade biocomportamentais (BBAGs)”. O termo é usado para medir a diferença entre a idade real de uma pessoa e o que era previsto para sua idade com base na saúde, cognição, educação, funcionalidade e fatores de risco, como saúde cardiometabólica ou deficiências sensoriais.

Para os autores, o estudo desafia uma noção tradicional de que o envelhecimento é influenciado apenas por questões individuais, como genética e estilo de vida.

“Os resultados mostram, de maneira marcante, que o local onde vivemos pode nos envelhecer de forma acelerada, aumentando o risco de declínio cognitivo e funcional. Em um país desigual como o Brasil, esses achados são extremamente relevantes para políticas públicas”, diz Eduardo Zimmer, professor da UFRGS e um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, o envelhecimento mais rápido pode ser associado a fatores como:

  • Níveis mais baixos de renda;
  • má qualidade do ar;
  • desigualdade de gênero;
  • questões migratórias;
  • falta de representação política;
  • liberdade partidária limitada;
  • direitos de voto restritos;
  • e democracias frágeis.

 

Países com altos índices de corrupção, baixa qualidade democrática e pouca transparência têm maiores índices de envelhecimento. Um trecho do estudo diz que a confiança no governo está associada a melhores condições de saúde. Já a desconfiança e a polarização política aumentam a mortalidade e enfraquecem as respostas de saúde pública.

Os cientistas sugerem que pessoas expostas de forma prolongada a contextos de governança instável podem sofrer de estado crônico de estresse, declínio cardiovascular e cognitivo.

Europeus (França, Alemanha, Suíça, entre outros) e asiáticos (China, Coreia do Sul, Israel e Índia) apresentaram um envelhecimento mais lento. Enquanto africanos, como Egito e África do Sul, tiveram envelhecimento mais rápido. O Brasil ficou no meio desses extremos.

“O local de nascimento e de moradia influenciam de maneira desigual o cérebro de todos. Viver na Europa, na África ou na América Latina tem níveis diferentes de impacto no envelhecimento por causa da disparidade na disponibilidade de recursos e acesso à saúde”, diz Wyllians Borelli, pesquisador da UFRGS e um dos autores do estudo.

“Antes de focar em riscos individuais, as autoridades de saúde devem priorizar a diminuição das desigualdades sociais e o desenvolvimento regional para promover um envelhecimento populacional mais saudável”, diz Lucas da Ros, da UFRGS, também participante do estudo.

As informações são da Agência Brasil.

Inaugurada no Paraná a maior biofábrica de mosquitos para combate à dengue do mundo

A maior biofábrica do mundo de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, os chamados Wolbitos, foi inaugurada neste sábado (19), no Parque Tecnológico da Saúde do Governo do Paraná, em Curitiba. Ela vai ampliar a produção em larga escala de mosquitos utilizados no controle biológico do vetor transmissor da Dengue, Chikungunya e Zika Vírus.

Desenvolvido e aplicado no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o método Wolbachia é uma estratégia para o controle de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Desde 2024, a técnica faz parte das estratégias nacionais de combate às arboviroses do Ministério da Saúde.

A implantação da unidade, com capacidade estimada de até 100 milhões de ovos de mosquitos por semana, foi viabilizada com uma parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e priorizará municípios com alto risco de transmissão de arboviroses. Com mais de 3,5 mil metros quadrados de área construída, equipamentos de ponta para automação e criação dos mosquitos com a bactéria Wolbachia, e uma equipe com cerca de 70 funcionários, a nova fábrica da Wolbito do Brasil supre a crescente demanda nacional pelo Método Wolbachia.

A nova unidade atenderá a demanda do Ministério da Saúde e vai garantir a distribuição dos mosquitos Wolbitos para diversas regiões do Brasil, priorizando municípios com alto risco de dengue. A previsão é que aproximadamente 140 milhões de brasileiros possam ser beneficiados com a implementação do método em diversos municípios do país, ao longo de 10 anos de atividade.

“A inauguração desta unidade coloca o Paraná em destaque nacional no uso de tecnologia avançada e sustentável no combate às arboviroses para todo o país”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

A biofábrica será coordenada pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e pelo World Mosquito Program (WMP), instituição que detém a patente da tecnologia. O IBMP é fruto de uma parceria entre a Fiocruz e o Governo do Paraná, por meio do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, ressaltou que a escolha do Paraná para a implantação da unidade, reforça o compromisso do Governo do Estado em promover soluções inovadoras para a saúde pública.

“O Parque Tecnológico da Saúde é uma iniciativa do Governo do Estado para promover a área de biotecnologia, atrair novas empresas e apoiar o fornecimento de novas soluções para o país. Neste espaço, três empresas que são referência, Tecpar, Fiocruz e IBMP, têm trabalhado juntas em projetos importantes. A inauguração da fábrica da Wolbito vem se somar a estes esforços em prol da saúde pública do Paraná e do Brasil”, afirmou.

“Não existe nenhum lugar no mundo que produza a quantidade de mosquitos que será produzida aqui com essa tecnologia. A inauguração dessa fábrica coloca o Brasil, por meio dessa associação da Fiocruz com o Tecpar aqui no Paraná, na linha de frente dessa tecnologia para todo mundo. É importante contar com instituições públicas como essas, que nos permite expandir cada vez mais as parcerias com empresas nacionais e internacionais para a produção de novas tecnologias, gerando emprego, renda, tecnologia e conhecimento aqui no Estado do Paraná”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da inauguração.

ENFRENTAMENTO – A implementação do método Wolbachia reforça as ações de enfrentamento à dengue, Zika e chikungunya que estão sendo desenvolvidas no Paraná. Desde 2019, a partir da criação do Comitê Intersetorial de Controle da Dengue, o Governo do Estado tem intensificado as estratégias de prevenção e combate à doença.

Esse trabalho envolve diversas iniciativas junto aos municípios, seja incentivando e orientando na adoção das novas tecnologias, com o aval do Ministério da Saúde, capacitações e treinamentos, ou ainda promovendo ações de interface com a sociedade, como incentivo à eliminação de criadouros por meio de mutirões com a população, campanhas de conscientização, aplicação de inseticidas – popularmente conhecido como fumacê – e atendimento clínico qualificado para os casos suspeitos.

Em julho de 2024 o Paraná iniciou o método em Foz do Iguaçu e Londrina, onde foram liberados aproximadamente 94 milhões de mosquitos. Essas biofábricas foram desmontadas em maio e junho deste ano, após finalizarem o projeto. A Sesa já oficiou e deu início às tratativas junto ao Ministério da Saúde para a continuidade e expansão do método Wolbachia nas duas cidades, contemplando 100% do território dos dois municípios.

TECNOLOGIA – Desenvolvido na Austrália, o Método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que ao se reproduzirem com a população local, formam uma nova geração de mosquitos com a mesma bactéria.

Em laboratório, os pesquisadores do WMP conseguiram introduzir a bactéria Wolbachia, presente em aproximadamente 50% dos insetos no mundo, dentro dos ovos de Aedes aegypti. Quando presente nesse mosquito, ela impede o desenvolvimento dos vírus da Dengue, Chikungunya e Zika Vírus, reduzindo a transmissão dessas doenças.

O método não envolve modificação genética e, ao longo do tempo, se torna autossustentável, mantendo-se na população de mosquitos sem necessidade de novas liberações, o que o torna uma estratégia eficaz, segura e acessível a longo prazo. Até agora ele implantado em oito cidades brasileiras: Niterói (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Campo Grande (MS), Joinville (SC), Belo Horizonte (MG) e Petrolina (PE). A seleção dos municípios é feita pelo Ministério da Saúde, e a implementação é realizada pela Wolbito do Brasil, com o apoio da Fiocruz.

DADOS – De acordo com o último boletim epidemiológico de arboviroses, divulgado pela Sesa nesta terça-feira (15), o Paraná já registrou este ano 85.611 casos confirmados e 107 óbitos por dengue. De Chikungunya já foram confirmados 5.135 casos e cinco mortes, e por Zika Vírus, não há confirmações de casos e óbitos neste período.

PRESENÇAS – Participaram da inauguração o presidente da Fiocruz, Mario Moreira; o diretor da Fiocruz Paraná, Fabiano Borges Figueiredo, o Ceo da WMP, Scott O’neill, o diretor-presidente do IBMP, Pedro Ribeiro Barbosa; a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Correa da Silva Filipak; o diretor-geral da Sesa, César Neves; a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes; os diretores do Tecpar: Lanes Randal Prates Marques (Tecnologia e Inovação); Iram de Rezende (Industrial da Saúde); Celso Kloss (Novos Negócios e Relações Institucionais) e Erland Manys (Administração e Finanças).

As informações são da Agência Estadual de Notícias

Doenças crônicas agravam infecções respiratórias em idosos, diz estudo

Levantamento feito por infectologistas, epidemiologistas e pneumologistas de várias localidades e diferentes centros de pesquisa do Brasil permitiu que pesquisadores conseguissem avaliar os impactos do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em pessoas com 60 anos ou mais hospitalizadas por pneumonia nos sistemas de saúde público e privado do país.

Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a patologia é transmitida de maneira semelhante à gripe e covid-19, por meio de gotículas expelidas ao tossir ou espirrar, pelo contato próximo com alguém infectado ou com superfícies contaminadas.

Os resultados mostraram que doenças cardiovasculares (64,2%), diabetes (32%) e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC (24,5%) foram as comorbidades mais associadas aos casos graves dos 3.348 adultos que necessitaram de internação durante o período do estudo (entre 2013 e 2023).

A amostra revelou ainda que, em comparação aos indivíduos sem comorbidades, os adultos com algum tipo de comorbidade apresentaram maiores taxas de admissão na UTI (34,8%)1, internações mais longas (13,2 dias) e maior índice de mortalidade (26,9%).

Segundo as estimativas, são afetadas pelo Vírus Sincicial Respiratório 64 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Devido a esse cenário, subnotificação em adultos mais velhos e das taxas baixas de vacinação contra o VSR, a SBI lançou a campanha “Protegido você vai longe – Depois dos 60 o risco de ter pneumonia por causa do VSR é maior”.

Meta

O objetivo é ampliar o conhecimento do público leigo sobre a relação entre o VSR e o aumento do risco de pneumonia.

“A iniciativa também pretende esclarecer e diferenciar a infecção pelo VSR na infância (bronquiolite) das suas implicações para a população idosa. A ideia da campanha é interligar a longevidade com a importância da vacinação e esclarecer que muitos dos sintomas podem não ser de gripe, mas sim do VSR, vírus que tem um grande potencial para provocar a pneumonia”, alerta a SBI.

O infectologista da SBI, Clovis Arns da Cunha, ressalta que outro ponto de atenção para o cenário atual é que a falta do teste do VSR no momento da internação no sistema público, principalmente dos pacientes com mais de 60 anos e com comorbidades, gera um subdiagnóstico e, em muitos casos, o indivíduo acaba sendo tratado como quadro de gripe ou pneumonia.

“E neste ano tivemos alta de internações em crianças com bronquiolite nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país, com aumento significativo também no Sul e Nordeste. Ou seja, se o VSR está circulando com tanta força nas crianças, certamente circula com a mesma intensidade nos avós, ou seja, as pessoas 60+”, disse.

VSR em 2025

Informações do Boletim InfoGripe da Fiocruz, em 2025, indicam que o VSR respondeu por 45% dos diagnósticos positivos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), totalizando 18.654 casos apenas no primeiro semestre, praticamente o dobro do percentual registrado no mesmo período por outros vírus como Rinovírus (22,8%) e Influenza A (22,7%)5.

“Enfrentamos, desde o começo do ano, uma tendência de aumento de casos de VSR que pode desencadear um quadro de pneumonia grave, especialmente quando pensamos numa população 60+, com maior probabilidade de ter uma doença crônica com mais de uma comorbidade associada. Por isso, assim como destacamos a importância da vacinação contra gripe para o público idoso e adulto, é fundamental que essa faixa etária também inclua no radar a imunização contra o VSR”, finalizou a consultora da SBI, Rosana Richtmann.

As informações são da Agência Brasil.