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Clinipam quebra contratos, diminui honorários e exige que médicos/as se tornem “sócios” da empresa

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná – Simepar – recebeu denúncia de que a Administradora de Planos de Saúde Clinipam/GNDI quebrou contratos com médicos que atendem pacientes em suas próprias unidades.

Os médicos eram/são contratados como pessoas jurídicas (PJs). A Clinipam/GNDI desrespeitou o prazo de 60 dias para o destrato, reduzindo-o para duas semanas. Em nova contratação proposta pela empresa, os honorários serão reduzidos, o prazo de pagamento ampliado, e os médicos que quiserem continuar deverão se tornar “sócios” de uma empresa de Sociedade Anônima (S/A).

Segundo a Assessoria Jurídica do Simepar, a exigência da “sociedade” está sendo imposta com claro intuito de escapar das obrigações legais de natureza trabalhista, fiscal e previdenciária. A própria contratação da mão de obra médica através de PJ já aponta nesse sentido.

A Clinipam possui, atualmente, mais de 50 médicos que atendem os pacientes nas unidades de saúde próprias da empresa. O Simepar está ingressando na Justiça para que os direitos dos médicos e médicas sejam garantidos.

Anvisa aprova o uso de baricitinibe para o tratamento hospitalar da covid-19

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou na noite desta sexta-feira que aprovou a indicação do medicamento baricitinibe para o tratamento de pacientes internados com covid-19.

O uso do medicamento é autorizado para pacientes adultos hospitalizados e que necessitam de oxigênio por máscara ou cateter nasal, ou que necessitam de alto fluxo de oxigênio ou ventilação não invasiva.

Os dados que sustentam a eficácia e a segurança do medicamento no tratamento para a covid-19, segunda a Anvisa, foram apresentados pela empresa Eli Lilly do Brasil Ltda.

A Agência informou que trata-se “de uma nova indicação terapêutica, já que o baricitinibe possui registro no Brasil para o tratamento de artrite reumatoide ativa moderada a grave e dermatite atópica moderada a grave.”

O baricitinibe é um inibidor seletivo e reversível das enzimas janus quinases (JAKs), em especial JAK 1 e 2, responsáveis pela comunicação das células envolvidas na hematopoese (processo de formação e desenvolvimento das células do sangue), na inflamação e na função imunológica (função de defesa do corpo).

As informações são da Agência Brasil.

38 mil paranaenses já perderam a vida em decorrência da Covid-19

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou nesta quinta-feira (16) mais 2.112 casos e 70 mortes pela Covid-19 no Paraná. Os números são referentes aos meses ou semanas anteriores e não representam a notificação das últimas 24 horas.

Os dados acumulados do monitoramento mostram que o Estado soma 1.478.428 casos e 38.050 óbitos pela doença.

Os casos confirmados divulgados nesta data são de janeiro (1), março (1), abril (2), maio (39), junho (119), julho (15), agosto (177) e setembro (1.758) de 2021.

INTERNADOS – 789 pacientes com diagnóstico confirmado da doença estão internados. São 563 em leitos SUS (340 em UTIs e 223 em clínicos/enfermarias) e 226 em leitos da rede particular (130 em UTIs e 96 em leitos clínicos/enfermarias).

Há outros 1.456 pacientes internados, 746 em leitos de UTI e 710 em enfermarias, que aguardam resultados de exames. Eles estão em leitos das redes pública e particular e são considerados casos suspeitos.

ÓBITOS – A Sesa informa a morte de mais 70 pacientes. São 25 mulheres e 45 homens, com idades que variam de 27 a 96 anos. Os óbitos ocorreram entre 20 de maio e 16 de setembro de 2021.

Os pacientes que morreram residiam em Curitiba (24), Londrina (5), Ponta Grossa (4), Cascavel (4), Marechal Cândido Rondon (3), Três Barras do Paraná (2), Toledo (2), São José dos Pinhais (2), Rolândia (2) e Guarapuava (2), Araucária (2).

A Sesa registra ainda a morte de uma pessoa que residia em cada um dos seguintes municípios: Santa Tereza do Oeste, Piraí do Sul, Pinhais, Pato Branco, Paranavaí, Palotina, Ortigueira, Matinhos, Maringá, Mamborê, Ivaí, Colombo, Carlópolis, Capanema, Campo Largo, Campina Grande do Sul, Cambé e Apucarana.

As informações são da Agência de Notícias do Paraná. 

Aumentam os casos de depressão entre profissionais da Saúde durante a pandemia

A pandemia desestabilizou muitos aspectos da vida cotidiana, em especial a saúde mental. No mês de prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo, a psicóloga do Hospital Angelina Caron (HAC) – localizado em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (PR), Alissandra Malvezi, alerta sobre o aumento nos casos de depressão em profissionais de saúde.

Também são registradas tentativas de suicídio ligadas a transtornos alimentares e de autoestima. “Dos pacientes que atendo, 80% estão fazendo uso de medicação psiquiátrica. Os casos de depressão e tentativas de suicídio aumentaram bastante desde o início da pandemia, até em atendimentos ambulatoriais. Também atendo um número expressivo de profissionais da saúde que iniciaram tratamento nos últimos 18 meses”, detalha Alissandra.

Alissandra enfatiza que a depressão, o medo da morte e de perder familiares pela Covid-19 são os casos mais recorrentes entre os atendimentos psicológicos a profissionais da saúde. “Também aumentaram os casos de professores e profissionais da educação, com angústia de ficar muito tempo em casa com excesso de trabalho e jornadas mais longas que o presencial”, afirma a psicóloga.

Além dos casos de depressão em profissionais de saúde e em outros trabalhadores, é necessário observar os impactos do ganho de peso, um fenômeno comum durante a pandemia de Covid-19. A psicóloga explica que o ato emocional de comer está bastante ligado à ansiedade e à tristeza.

O resultado pode ser um paciente com diferentes tipos de transtorno, inclusive o alimentar. “Com o ganho de peso, chegam os transtornos de autoestima. É preciso atenção e acompanhamento para que casos assim não se agravem”, comenta.

Além disso, alguns pacientes com ganho de peso costumam se depreciar na insatisfação com o próprio corpo. “Ganha força, nesse contexto, a busca por ideias mirabolantes de dietas restritas. E começa, de fato, os gatilhos para os transtornos alimentares. Por exemplo, a dieta restrita é um gatilho enorme para transtorno alimentar, em especial para a compulsão.

Com excesso de restrição, o corpo perde um pouco de peso, mas acaba tendo um episódio compulsivo na sequência, quando a pessoa come muito. Isso pode migrar para o transtorno da bulimia, em que a pessoa provoca vômito como medida compensatória de emagrecer. Também o uso de laxantes e se inicia um ciclo sem fim”, conta Alissandra.

Setembro Amarelo

Sobre a campanha de conscientização do Setembro Amarelo, a psicóloga ressalta que os adolescentes merecem atenção especial dos pais e responsáveis. “Nossa demanda com o público jovem também aumento na pandemia. Estão muito ansiosos e ociosos, com mais tempo livre para terem ideias de morte e mutilações, relacionados à desestabilização de seus lares, luto e excesso de isolamento”, lembra.

O número de suicídios registrados no Paraná segue em patamar recorde desde 2018, com mais de 900 registros por ano. No ano passado, a cada 10 horas, em média, um paranaense tirou a própria vida, segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que promove desde 2014 a campanha nacional do Setembro Amarelo, junto ao Conselho Federal de Medicina.

Todos os anos, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Só no Brasil, são 12 mil, de acordo com o Ministério da Saúde e a ABP. Os transtornos como depressão, bipolaridade e abuso de substâncias como álcool e drogas são os principais fatores de risco ao suicídio. Além disso, 96,8% dos casos estão relacionados aos transtornos mentais, segundo a associação.

Matéria do Portal Saúde Debate.

Paraná é o quarto estado com mais mortes por covid-19

O Paraná é o quarto estado brasileiro com o maior número de mortes causadas pela covid-19. Segundo o Ministério da Saúde, foram 38.163 óbitos causados pelo coronavírus.

Na terça-feira, (14), a Secretaria de Estado da Saúde confirmou mais 26 casos e nove óbitos da variante delta. São Paulo (147.444), Rio de Janeiro (64.077), Minas Gerais (53.732) são os três Estados com mais mortes. Em quinto aparece o Rio Grande do Sul (34.510). Na parte de baixo da lista estão Acre (1.816), Amapá (1.963), Roraima (1.971), Tocantins (3.719) e Sergipe (6.003).

O total de pessoas que foram contaminadas pelo novo coronavírus chegou a 21.019.830 em todo o Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Em 24 horas, foram confirmados 13.406 diagnósticos positivos. Na terça-feira (14), o painel de informações da pandemia contabilizava 21.019.830 casos acumulados.

Ainda há 323.616 casos em acompanhamento. A definição é dada a casos ativos de pessoas que tiveram o diagnóstico confirmado e estão sendo atendidas por equipes de saúde ou se recuperam em casa.

Já a soma de brasileiros que perderam a vida para a pandemia alcançou 587.797 pessoas. Entre terça-feira e esta quarta-feira (15), foram registradas 731 mortes por causa da doença. Ontem, o sistema de informações da pandemia marcava 587.066 óbitos. Ainda há 3.386 mortes em investigação. Nessas situações, os diagnósticos dependem de resultados de exames concluídos apenas após o paciente já ter morrido.

O número de pessoas que se recuperaram da covid-19 chegou a 21.108.417. Isso corresponde a 95,7% das pessoas infectadas no Brasil desde o início da pandemia.

Os dados estão no balanço diário do Ministério da Saúde, divulgado na noite desta terça-feira (14). A atualização consolida o levantamento realizado pelas secretarias de saúde.

Os dados em geral são menores aos domingos e segundas-feiras em razão da dificuldade de alimentação do sistema pelas secretarias estaduais. Já às terças-feiras os resultados tendem a ser maiores pela regularização dos registros acumulados durante o fim-de-semana.

Vacinação

Até o início da noite de terça (14), o painel de vacinação do Ministério da Saúde não possuía novas atualizações. Até esta terça-feira, o sistema marcava 212,8 milhões de doses aplicadas, sendo 138,6 milhões da 1ª dose e 74,1 milhões da 2ª dose. Nas últimas 24 horas, foram aplicadas 1,9 milhão de doses.

Quando considerados apenas os dados consolidados no sistema do Programa Nacional de Imunizações (PNI), foram aplicadas 201,9 milhões de doses, sendo 131,9 milhões da 1ª dose e 70 milhões da 2ª dose.

Ainda conforme o painel de vacinação, foram distribuídas 259,4 milhões de doses, sendo entregues 256,4 milhões de doses.

Matéria do Portal Bem Paraná com informações da Agência Brasil.

10 de Setembro é o dia mundial de prevenção ao suicídio: “Agir salva vidas!”

10 de Setembro é o dia mundial de prevenção ao suicídio. É o momento central do Setembro Amarelo, mês dedicado à esse tema.

A origem do Setembro Amarelo e todo esse movimento de conscientização contra suicídio começou com a história de Mike Emme, nos Estados Unidos. O jovem era conhecido por sua personalidade carinhosa e habilidade mecânica, tendo como sua marca um Mustang 68 que ele mesmo restaurou e pintou de amarelo.

Porém, em 1994, Mike cometeu suicídio, com apenas 17 anos. Infelizmente nem a família, nem os amigos de Mike, perceberam os sinais de que ele pretendia tirar sua própria vida.

No funeral, os amigos montaram uma cesta de cartões e fitas amarelas com a mensagem: “Se precisar, peça ajuda”. A ação ganhou grandes proporções e expandiu-se pelo país.

Diversos jovens passaram a utilizar cartões amarelos para pedir ajuda a pessoas próximas. A fita amarela foi escolhida como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscarem ajuda.

Em 2003, a Organização Mundial da Saúde(OMS) instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. O amarelo do Mustang de Mike é a cor escolhida para representar essa campanha.

No Brasil, a campanha anual do Setembro Amarelo é organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina – CFM. A campanha conta com um portal com diversos materiais dedicados ao tema. Para acessar ao portal, clique aqui.

O lema da campanha deste ano é “Agir salva vidas!”. É um convite a todos e todas a tentarem oferecer ajuda a quem possa estar sofrendo de depressão ou de qualquer condição que represente risco ao suicídio.

Confira alguns materiais disponibilizados pela campanha:

Cartilha: informações importantes sobre doenças mentais e suicídio

Carta aos Pais – Automutilação e suicídio​

Cartilha: informações importantes sobre doenças mentais e suicídio

Folheto – Fatores de risco e sinais de alerta

O Portal Saúde Debate também vem publicando materiais de apoio contribuindo com informações para quem possa estar convivendo com alguém em risco. Confira:

Setembro Amarelo: as orientações para quem tem depressão

Como está a saúde mental dos brasileiros na pandemia?

Saúde mental dos jovens: pesquisa revela impacto da pandemia

Com informações da GNtech, Saúde Debate e da Campanha Setembro Amarelo.

Covid-19 se tornou a principal causa de mortes de adolescentes no Paraná

Desde o início da  pandemia do novo coronavírus no Paraná, em março do ano passado, 203 jovens que tinham entre 10 e 19 anos faleceram em decorrência de complicações causadas pela Covid-19. Eles representam 0,53% do total de 38.654 óbitos causados pela doença pandêmica no estado, sendo que apenas em 2021, entre os meses de janeiro e agosto, a Covid-19 foi responsável pela morte de 131 jovens no Paraná.

Isso significa que a doença pandêmica, em oito meses deste ano, já matou mais do que qualquer uma das outras causas naturais — resultantes de uma doença ou um mau funcionamento interno do corpo, não causado diretamente por forças externas — de óbito, entre elas o câncer, que entre 2016 e 2020 vitimou, anualmente, 73 jovens nessa faixa etária, em média.

Os dados acima foram levantados pelo Bem Paraná com base em dois bancos de dados. O primeiro deles é o Portal da Transparência do Registro Civil, de onde foram retiradas as informações sobre os óbitos por Covid entre pessoas que tinham de 10 a 19 anos. Em seguida, então, foi consultado o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, para verificar mais detalhes sobre as mortes entre jovens nos últimos cinco anos com dados disponíveis (2016 a 2020). E esse levantamento mostra que nenhuma doença ou mesmo conjunto de causas naturais matou tantas crianças e jovens como a Covid-19.

Entre 2016 e 2020, as neoplasias malignas (cânceres) foram a principal causa natural de morte entre jovens que tinham de 10 a 19 anos. Nesse período, 364 jovens perderam suas vidas lutando contra os diversos tipos de cânceres, com uma média de 73 falecimentos por ano. Já a segunda principal causa de morte natural foi paralisia cerebral e outras síndromes paralíticas, com um total de 172 registros (média de 34 óbitos anualmente).

Considerando-se ainda a média anual de registros nos anos anteriores, o número de mortes pela Covid-19 em 2021 só perde para as causas externas de óbito, como acidentes (de trânsito, quedas, etc) e agressões.

Os acidentes em geral, por exemplo, foram responsáveis pelo falecimento de 288 jovens a cada ano. Dentro dessa categoria estão os acidentes de transporte, responsáveis por 223 desses registros anuais.

Além disso, há ainda os diversos tipos de agressões (por arma de fogo, arma branca e outros), que nos cinco anos analisados abreviaram a vida de 1.457 jovens (291 registros por ano).

Vírus é a principal causa de óbitos entre a população em geral

Entre a população em geral, a Covid-19 já desponta como a principal causa de morte, superando até mesmo as causas externas de óbito.

Nos oito primeiros meses de 2021, conforme o Portal da Transparência do Registro Civil, 28.350 pessoas de todas as faixas etárias foram vitimadas pela doença pandêmica.

Já entre 2016 e 2020, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o estado havia registrado uma média de 75.420 óbitos por ano, sendo que as neoplasias malignas despontaram nesse período como a principal causa de morte (14.265 falecimentos anuais) no estado.

As causas externas de óbito, como acidentes (4.656 mortes/ano), ficam ainda, nessa comparação entre a população em geral, atrás de doenças cerebrovasculares (6.192) e das doenças isquêmicas do coração (5.925).

Por fim, os dados dos cartórios de Registro Civil revelam que, em 2021, 76.164 certidões de óbito foram emitidas no estado. Como o número de mortes que tem a Covid-19 como uma das causas chega a 28.350, temos um cenário no qual 37,2% das mortes no Paraná foram causadas pela doença pandêmica. Ou seja, no ano corrente, mais de um terço dos óbitos no estado tiveram a Covid-19 como uma das causas associadas.

Média anual de mortes no Paraná, entre jovens que tinham de 10 a 19 anos
(média de 2016 a 2020)

Agressões/assassinatos: 291
Acidentes de transporte: 223
Neoplasias malignas: 73
Doenças do sistema nervoso: 67
Suicídios: 63
Afogamentos: 39
Homicídio em operações de guerra e intervenções legais: 32
Doenças do aparelho respiratório: 29
Doenças do aparelho circulatório: 28
Doenças infecciosas e parasitárias: 22

Matéria do Portal Bem Paraná.

Ministério da Saúde deixa vencer R$ 243 milhões em vacinas, testes e remédios

O Ministério da Saúde deixou vencer a validade de um estoque de medicamentos, vacinas, testes de diagnóstico e outros itens que, ao todo, são avaliados em mais de R$ 240 milhões. Agora, todos esses produtos devem ser incinerados.

O cemitério de insumos do SUS está em Guarulhos (SP), no centro de distribuição logística da pasta. Ali estão 3,7 milhões de itens que começaram a vencer há mais de três anos. Quase todos expiraram durante a gestão de Jair Bolsonaro (sem partido).

Todo o estoque é mantido em sigilo pelo ministério. A pasta usa documento interno de 2018 para negar pedidos de acesso aos dados sobre produtos armazenados ou vencidos, argumento já apontado como inadequado pela CGU (Controladoria-Geral da União).

Mas o jornal Folha de S.Paulo teve acesso a tabelas do ministério com dados sobre os itens, número de lote, data de validade e valor pago pelo governo. A lista de produtos vencidos inclui, por exemplo, 820 mil canetas de insulina, suficientes para 235 mil pacientes com diabetes durante um mês. Valor: R$ 10 milhões.

O governo Bolsonaro também perdeu frascos para aplicação de 12 milhões de vacinas para gripe, BCG, hepatite B (quase 6 milhões de doses), varicela, entre outras doenças, no momento em que despencam as taxas de cobertura vacinal no Brasil. Só esse lote é avaliado em R$ 50 milhões.

Os produtos vencidos também seriam destinados a pacientes do SUS com hepatite C, câncer, Parkinson, Alzheimer, tuberculose, doenças raras, esquizofrenia, artrite reumatoide, transplantados e problemas renais, entre outras situações.

Alguns itens que serão incinerados estão em falta nos postos de saúde.

No fim de agosto, o governo da Bahia reclamou do atraso na entrega de medicamentos pelo ministério, como o metotrexato, usado para alguns tipos de câncer. Há 24 mil frascos-ampola vencidos no almoxarifado do governo Bolsonaro.

O Ministério da Saúde também guarda cerca de R$ 345 mil em produtos perdidos dos programas de DST/Aids, principalmente testes de diagnóstico, além de R$ 620 mil em insumos para prevenção da malária.

Dados internos do governo mostram que devem ser incinerados mais de R$ 32 milhões em medicamentos comprados por ordem da Justiça. A maior parte desses fármacos é de alto custo e para tratamento de pacientes de doenças raras, uma bandeira do governo. Ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, o ministro Marcelo Queiroga (Saúde) lançou no último dia 31 a “Rarinha”, nova mascote do SUS.

No meio deste estoque há um frasco-ampola de nusinersena, avaliado em R$ 160 mil, e 908 frascos de eculizumab, que custaram R$ 11,8 milhões. São medicamentos usados em dois dos tratamentos mais caros existentes.

Vice-presidente do Instituto Vidas Raras, Amira Awada afirma que há grave desabastecimento e estima que mais de mil pacientes aguardam por remédios.

“O que nós mais escutamos é que somos culpados pelo déficit orçamentário do Ministério da Saúde, mas é a pasta que perde milhões ao deixar medicamentos vencerem. Nós passamos da fase da revolta, estamos sem perspectiva”, disse Awada.

A entidade calcula que 15 milhões de pessoas vivem com doenças raras no Brasil. “Eu nunca vi uma situação tão difícil em 12 anos. Não conseguimos nem falar com eles [representantes do ministério].”

Parte dos medicamentos de doenças raras foi devolvida ao ministério por pacientes que deixaram de usar os produtos ou morreram. A Saúde não respondeu se fez o remanejamento dos fármacos.

O deputado Luis Miranda (DEM-DF), que também teve acesso aos dados, fez questionamentos ao Ministério da Saúde sobre o volume de material desperdiçado. Para o deputado, que denunciou suspeitas de irregularidades na compra da vacina Covaxin à CPI da Covid, os medicamentos vencidos são ainda mais preocupantes.

“A conduta é um escárnio com a saúde do Brasil. Medicamentos e recursos públicos, que poderiam salvar vidas, estão apodrecendo. Qual a razão para a compra desses medicamentos não utilizados? Qual o motivo de mantê-los armazenados depois de vencidos? Enriquecer empresas?”, disse.

Em plena pandemia, o governo Bolsonaro também perdeu cerca de 2 milhões de exames RT-PCR para Covid, avaliados em mais de R$ 77 milhões.

A fabricante fez uma doação de exames da Covid novos à Saúde para repor o estoque vencido, mas o intervalo e a burocracia até a chegada do produto fizeram cair a entrega dos exames ao SUS, como mostrou a Folha de S.Paulo.

O ministério ainda guarda 2,2 milhões de exames sem validade para o diagnóstico de dengue, zika e chikungunya, todos vendidos pelo laboratório público Bahiafarma. Estes lotes custaram cerca de R$ 60 milhões e foram interditados em 2019 por ordem da Anvisa. A Saúde não informou se pediu ressarcimento ou reposição destes exames.

Com isso, ao todo, os testes de diagnóstico sem validade respondem por cerca de 60% (R$ 140 milhões) do valor dos insumos vencidos.

O diretor do Dlog (Departamento de Logística) da Saúde, general da reserva Ridauto Fernandes, disse à Folha de S.Paulo que a perda de validade de produtos “é sempre indesejável”, mas ocorre “em quase todos os ramos da atividade humana”. Ele afirmou que “não pode comentar” sobre o estoque.

“Em supermercados, todos os dias, há descarte de material por essa razão”, disse o general. “Nos esforçamos para que isso não ocorra”, completou.

Área que atua na ponta da linha da gestão dos insumos, o Dlog ficou sob comando de Roberto Dias, indicado do centrão, durante a maior parte do governo Bolsonaro. Ele só foi exonerado em 29 de junho, após o cabo Luiz Paulo Dominghetti afirmar à Folha de S.Paulo que recebeu de Dias cobrança de propina para destravar a venda de vacinas.

Em alguns casos, como de falha do produto ou quando ele é fornecido com validade curta, o governo consegue repor parte do estoque vencido por acordos contratuais com as fabricantes, mas a operação pode atrasar os tratamentos.

Mas há situações de prejuízo total aos cofres públicos e aos pacientes, como no caso das canetas de insulina. Apesar da alta demanda, a Saúde não entregou e vai incinerar cerca de 20% da compra de estreia deste produto no SUS, feita em 2018.

O endocrinologista Fadlo Fraige Filho, presidente da Anad (Associação Nacional de Atenção ao Diabetes), afirmou que erros cometidos ainda em gestões anteriores à de Queiroga levaram ao atraso na entrega das canetas aos pacientes.

Ele disse que, além de demorar para comprar agulhas para as canetas, o governo exigiu que os produtos fossem liberados em centros especializados e após a apresentação de laudos complexos.

“Elas deveriam ser distribuídas como são as (insulinas) regulares, nas unidades básicas, eventualmente no Farmácia Popular”, disse.

Procurada, a Saúde não explicou por que os produtos perderam a validade e qual o tamanho e valor do estoque que conseguiu repor nas negociações com fabricantes. Também não apresentou dados da série histórica dos estoques nem disse qual valor paga para armazenar e descartar os insumos vencidos.

Em nota, a Bahiafarma disse que a diretoria da Anvisa ainda não julgou recurso sobre a interdição dos lotes. Também afirmou que os testes vencidos já começaram a ser recolhidos e que estão estocados em armazéns dos estados. Dados do ministério obtidos pela Folha de S.Paulo, porém, apontam que há exames vencidos deste laboratório na central de distribuição do governo federal em Guarulhos.

Para o presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), Carlos Lula, o estoque é desproporcional. “A situação é gravíssima e precisa ser apurada. Pode derivar não só de má gestão, mas ser ato de improbidade.”

Representante da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), Wagner Gastão afirma que o volume de insumos vencidos é sinal de “degradação e desmonte” do ministério.

“É uma máquina complexa, mas a história do ministério não é essa. Sempre há produtos vencidos, mas tem de ser algo residual, senão é indicador grave de ineficiência”, afirma Gastão. Ele também é professor de medicina da Unicamp e ex-secretário-executivo da Saúde (2003 a 2005).

Cemitério de insumos

Dados obtidos pela Folha de S.Paulo mostram estoque de medicamentos, testes e vacinas vencidos avaliado em mais de R$ 240 milhões. Há cerca de 3,69 milhões de itens, que podem servir a um número muito maior de pessoas no SUS, pois cada frasco de vacina, por exemplo, têm até dezenas de doses.

Produtos vencidos

CGLAB (Coordenação Geral de Laboratórios): R$ 140,73 milhões
Mais de 2 milhões de testes RT-PCR de Covid, além de exames de dengue, zyka, chikungunya, leishmaniose e diversos reagentes.

Vacinas: R$ 49,59 milhões
Cerca 12 milhões de imunizantes para BCG, gripe, pólio, hepatite B, tetra viral, soros para diversas doenças, além de diluentes.

Remédios comprados por ordem judicial: R$ 32,99 milhões
Principalmente medicamentos de alto custo para doenças raras, como eculizumab (HPN) e atalureno (Distrofia Muscular de Duchenne).

Medicamentos excepcionais: R$ 17,72 milhões
Caneta de insulina e tratamentos para hepatite C, esclerose múltipla, Alzheimer, Parkinson, entre outras doenças.

Outros: R$ 1,93 milhão
Hemoderivados, tratamentos de raiva, tuberculose e produtos de prevenção à malária​.

Programas de DST/Aids: R$ 420 mil
Principalmente kits de diagnóstico de HIV e HCV.

Fonte: documentos internos do Ministério da Saúde. 

Matéria da Folhapress publicada no Portal da Rádio Banda B.

Técnicos do TCE encontraram irregularidades de cerca de R$ 8 milhões na terceirização de UPA em Curitiba

Técnicos do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) elaboraram um relatório em que apontam uma série de irregularidades na terceirização da Unidade de Pronto Atendimento da Cidade Industrial de Curitiba, a UPA CIC.

O relatório foi produzido a partir de denúncia do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), que há anos vem combatendo as terceirizações e a precarização da Saúde Pública. A notícia do teor do relatório e do andamento do Caso no Tribunal foi revelada pela Gazeta do Povo em matéria publicada na sexta-feira (03).

Desde junho de 2018 a UPA CIC é administrada pela Organização Social (OS) Instituto Nacional de Ciências da Saúde (INCS), que tem sede em Sorocaba (SP). Segundo o relatório, mais de R$ 8 milhões dos repasses feitos pela Prefeitura de Curitiba estariam em desconformidade com as normas legais, considerando o período de junho de 2018 a junho de 2020.

Segundo a matéria, o relatório sugere que o INCS faça a restituição do dinheiro (R$ 8.265.694,09) aos cofres de Curitiba, e que o trabalho de auditoria seja encaminhado ao Ministério Público Estadual e à Receita Federal. Os técnicos também recomendaram que a prefeitura de Curitiba não renovasse o contrato com o INCS, mas o mesmo já foi renovado.

O Simepar não divulgou detalhes do relatório pois a matéria ainda tramita no TCE. Há ainda parecer do Ministério Público Estadual e uma ação judicial do próprio Sindicato contestando a terceirização. Esta ação, inclusive, já obteve sentença favorável provando as irregularidades da terceirização.

Acontece que, diante do colapso da Saúde Pública resultante da pandemia de Covid-19, o Simepar achou por bem postergar qualquer intervenção que resultasse na interrupção do atendimento na UPA, pois isso só agravaria a tragédia da pandemia.

Para ler a íntegra da matéria da Gazeta do Povo, clique aqui.

FEAS Curitiba revê Ordem de Serviço a pedido do Simepar

A Fundação Estatal de Atenção à Saúde de Curitiba (FEAS) revogou uma determinação de que os médicos e médicas que atuam nas Unidades Básicas de Saúde devam cumprir expedientes nos dias de feriado/recesso ou repor as horas em dia de folga.

A determinação estava expressa na Ordem de Serviço 005, de 30 de agosto de 2021 no Artigo 2º: “Os profissionais que não forem escalados para o plantão de rodízio, serão dispensados mediante reposição de horas, conforme definição da chefia imediata.”

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) oficiou a FEAS alertando que o descanso em dias destinados a feriados é um direito assegurado pela Lei 605/49; e que, na impossibilidade do trabalhador não usufruir o descanso, o empregador deve pagar as horas trabalhadas como extraordinárias ou conceder a folga compensatória.

A FEAS atendeu ao pleito do Simepar e revogou o referido artigo, reestabelecendo o direito ao descanso ou recebimento de horas extras nos feriados.