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Mulheres que não fazem pré-natal têm 47% mais chances de ter um bebê com anomalias

Um estudo investigou os fatores socioeconômicos e biológicos associados às anomalias congênitas no Brasil, a partir de bases de dados interligadas do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e Sistema de Informações de Mortalidade (SIM). A investigação encontrou associações entre as condições do bebê e fatores como acompanhamento pré-natal insuficiente, idade materna, raça/cor e baixa escolaridade, identificando que uma parte dessas anomalias poderia ser evitada com o aprimoramento de políticas públicas.

Para o estudo, utilizaram-se dados de nascidos no Brasil entre 2012 e 2020, totalizando cerca de 26 milhões de bebês nascidos vivos, sendo cerca de 144 mil com algum tipo de anomalia congênita dentre as estudadas. Das anomalias registradas, foram priorizados para a pesquisa defeitos de membros, cardíacos, tubo neural, fenda oral, genitais, parede abdominal, microcefalia e síndrome de Down, selecionados por serem identificadas como anomalias prioritárias para vigilância no Brasil.

O artigo, de autoria da pesquisadora associada do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia Qeren Hapuk, foi publicado no periódico BMC Pregnancy and Childbirth. O trabalho procurou compreender como esses fatores impactam no desenvolvimento dos bebês, buscando embasar estratégias preventivas direcionadas para crianças com anomalias congênitas.

Falta de pré-natal, mães pretas e idade avançada

Anomalias congênitas são alterações estruturais e/ou funcionais que contribuem significativamente para o aumento do risco de morbidade e mortalidade observado em crianças em todo o mundo. Esses distúrbios são complexos e sua ocorrência é influenciada por uma variedade de fatores, incluindo condições socioeconômicas que desempenham um papel significativo. No estudo conduzido, o grupo de pesquisa identificou que, por exemplo, mulheres que não realizaram consultas pré-natais durante o início da gravidez tiveram 47% mais chances de ter um bebê com anomalias do que mulheres que iniciaram o acompanhamento no primeiro trimestre.

A investigação ainda aponta que mães que se autodeclararam pretas tiveram 16% mais chance de ter filhos com anomalias congênitas em comparação com mães brancas. Outro fator de risco identificado foi a idade. Enquanto mulheres com mais de 40 anos possuíam quase 2,5 vezes mais chances de ter um bebê com anomalias congênitas, mulheres com menos de 20 anos também tiveram um risco maior (13%) do que mães com idade entre 20 e 34 anos. A escolaridade também se apresentou como um fator que influenciou na chance de mulheres terem filhos com alguma anomalia: possuir baixa escolaridade (0 a 3 anos) significou 8% mais de chances, do que com 12 ou mais anos de escolaridade.

Algumas anomalias tiveram maior associação a determinados fatores de riscos. Os casos de nascidos com defeitos do tubo neural (estrutura embrionária que dará origem ao cérebro e à medula espinhal) foram fortemente ligados à baixa escolaridade, ausência de pré-natal e gestação múltipla. Defeitos cardíacos foram associados à idade avançada, perda fetal e pré-natal inadequado, enquanto casos com Síndrome de Down foram fortemente associadas à idade materna superior a 40 anos.

Desigualdades regional ainda é barreira

Além disso, houve variações significativas nas chances de crianças nascerem com anomalias entre as regiões do país e os grupos de anomalias. A principal causa dessa variação é a subnotificação, o Sudeste sendo a região que melhor notifica nascimentos com anomalias congênitas em comparação com as demais. A Região Nordeste concentra quase metade da população brasileira vivendo em situação de pobreza, o que pode ajudar a explicar a maior probabilidade de mães residentes terem nascimentos com defeitos do tubo neural, uma vez que essa condição está altamente associada à baixa renda, baixa escolaridade e má alimentação (suplementação insuficiente). É importante destacar que a epidemia do vírus zika no Brasil, entre 2015 e 2016, resultou em um aumento na notificação de nascidos vivos com microcefalia e outras anomalias congênitas do sistema nervoso, especialmente no Nordeste, o que pode ter contribuído para os resultados observados.

“Esses dados nos mostram que a desigualdade socioeconômica em conjunto com fatores biológicos impactam diretamente na saúde e desenvolvimento do bebê”, ressalta a pesquisadora Qeren Hapuk. De acordo com ela, os achados indicam que tais fatores de agravamento são evitáveis ou modificáveis. Intervenções em educação materna, planejamento reprodutivo, nutrição e, principalmente, acesso ao pré-natal são fundamentais para a prevenção de anomalias congênitas.

As informações são da Fiocruz.

Desigualdade social acelera envelhecimento cerebral, diz estudo internacional

Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine indica que o envelhecimento cerebral é acelerado por fatores como instabilidade política, poluição do ar e alta desigualdade social. A pesquisa foi desenvolvida por 41 cientistas, entre eles três brasileiros apoiados pelo Instituto Serrapilheira, instituição privada sem fins lucrativos.

Foram analisados dados de 161.981 participantes em 40 países, incluindo o Brasil. Modelos de inteligência artificial (IA) e modelagem epidemiológica permitiram aos pesquisadores avaliar “diferenças de idade biocomportamentais (BBAGs)”. O termo é usado para medir a diferença entre a idade real de uma pessoa e o que era previsto para sua idade com base na saúde, cognição, educação, funcionalidade e fatores de risco, como saúde cardiometabólica ou deficiências sensoriais.

Para os autores, o estudo desafia uma noção tradicional de que o envelhecimento é influenciado apenas por questões individuais, como genética e estilo de vida.

“Os resultados mostram, de maneira marcante, que o local onde vivemos pode nos envelhecer de forma acelerada, aumentando o risco de declínio cognitivo e funcional. Em um país desigual como o Brasil, esses achados são extremamente relevantes para políticas públicas”, diz Eduardo Zimmer, professor da UFRGS e um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, o envelhecimento mais rápido pode ser associado a fatores como:

  • Níveis mais baixos de renda;
  • má qualidade do ar;
  • desigualdade de gênero;
  • questões migratórias;
  • falta de representação política;
  • liberdade partidária limitada;
  • direitos de voto restritos;
  • e democracias frágeis.

 

Países com altos índices de corrupção, baixa qualidade democrática e pouca transparência têm maiores índices de envelhecimento. Um trecho do estudo diz que a confiança no governo está associada a melhores condições de saúde. Já a desconfiança e a polarização política aumentam a mortalidade e enfraquecem as respostas de saúde pública.

Os cientistas sugerem que pessoas expostas de forma prolongada a contextos de governança instável podem sofrer de estado crônico de estresse, declínio cardiovascular e cognitivo.

Europeus (França, Alemanha, Suíça, entre outros) e asiáticos (China, Coreia do Sul, Israel e Índia) apresentaram um envelhecimento mais lento. Enquanto africanos, como Egito e África do Sul, tiveram envelhecimento mais rápido. O Brasil ficou no meio desses extremos.

“O local de nascimento e de moradia influenciam de maneira desigual o cérebro de todos. Viver na Europa, na África ou na América Latina tem níveis diferentes de impacto no envelhecimento por causa da disparidade na disponibilidade de recursos e acesso à saúde”, diz Wyllians Borelli, pesquisador da UFRGS e um dos autores do estudo.

“Antes de focar em riscos individuais, as autoridades de saúde devem priorizar a diminuição das desigualdades sociais e o desenvolvimento regional para promover um envelhecimento populacional mais saudável”, diz Lucas da Ros, da UFRGS, também participante do estudo.

As informações são da Agência Brasil.

Inaugurada no Paraná a maior biofábrica de mosquitos para combate à dengue do mundo

A maior biofábrica do mundo de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, os chamados Wolbitos, foi inaugurada neste sábado (19), no Parque Tecnológico da Saúde do Governo do Paraná, em Curitiba. Ela vai ampliar a produção em larga escala de mosquitos utilizados no controle biológico do vetor transmissor da Dengue, Chikungunya e Zika Vírus.

Desenvolvido e aplicado no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o método Wolbachia é uma estratégia para o controle de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Desde 2024, a técnica faz parte das estratégias nacionais de combate às arboviroses do Ministério da Saúde.

A implantação da unidade, com capacidade estimada de até 100 milhões de ovos de mosquitos por semana, foi viabilizada com uma parceria com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e priorizará municípios com alto risco de transmissão de arboviroses. Com mais de 3,5 mil metros quadrados de área construída, equipamentos de ponta para automação e criação dos mosquitos com a bactéria Wolbachia, e uma equipe com cerca de 70 funcionários, a nova fábrica da Wolbito do Brasil supre a crescente demanda nacional pelo Método Wolbachia.

A nova unidade atenderá a demanda do Ministério da Saúde e vai garantir a distribuição dos mosquitos Wolbitos para diversas regiões do Brasil, priorizando municípios com alto risco de dengue. A previsão é que aproximadamente 140 milhões de brasileiros possam ser beneficiados com a implementação do método em diversos municípios do país, ao longo de 10 anos de atividade.

“A inauguração desta unidade coloca o Paraná em destaque nacional no uso de tecnologia avançada e sustentável no combate às arboviroses para todo o país”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

A biofábrica será coordenada pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e pelo World Mosquito Program (WMP), instituição que detém a patente da tecnologia. O IBMP é fruto de uma parceria entre a Fiocruz e o Governo do Paraná, por meio do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, ressaltou que a escolha do Paraná para a implantação da unidade, reforça o compromisso do Governo do Estado em promover soluções inovadoras para a saúde pública.

“O Parque Tecnológico da Saúde é uma iniciativa do Governo do Estado para promover a área de biotecnologia, atrair novas empresas e apoiar o fornecimento de novas soluções para o país. Neste espaço, três empresas que são referência, Tecpar, Fiocruz e IBMP, têm trabalhado juntas em projetos importantes. A inauguração da fábrica da Wolbito vem se somar a estes esforços em prol da saúde pública do Paraná e do Brasil”, afirmou.

“Não existe nenhum lugar no mundo que produza a quantidade de mosquitos que será produzida aqui com essa tecnologia. A inauguração dessa fábrica coloca o Brasil, por meio dessa associação da Fiocruz com o Tecpar aqui no Paraná, na linha de frente dessa tecnologia para todo mundo. É importante contar com instituições públicas como essas, que nos permite expandir cada vez mais as parcerias com empresas nacionais e internacionais para a produção de novas tecnologias, gerando emprego, renda, tecnologia e conhecimento aqui no Estado do Paraná”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que participou da inauguração.

ENFRENTAMENTO – A implementação do método Wolbachia reforça as ações de enfrentamento à dengue, Zika e chikungunya que estão sendo desenvolvidas no Paraná. Desde 2019, a partir da criação do Comitê Intersetorial de Controle da Dengue, o Governo do Estado tem intensificado as estratégias de prevenção e combate à doença.

Esse trabalho envolve diversas iniciativas junto aos municípios, seja incentivando e orientando na adoção das novas tecnologias, com o aval do Ministério da Saúde, capacitações e treinamentos, ou ainda promovendo ações de interface com a sociedade, como incentivo à eliminação de criadouros por meio de mutirões com a população, campanhas de conscientização, aplicação de inseticidas – popularmente conhecido como fumacê – e atendimento clínico qualificado para os casos suspeitos.

Em julho de 2024 o Paraná iniciou o método em Foz do Iguaçu e Londrina, onde foram liberados aproximadamente 94 milhões de mosquitos. Essas biofábricas foram desmontadas em maio e junho deste ano, após finalizarem o projeto. A Sesa já oficiou e deu início às tratativas junto ao Ministério da Saúde para a continuidade e expansão do método Wolbachia nas duas cidades, contemplando 100% do território dos dois municípios.

TECNOLOGIA – Desenvolvido na Austrália, o Método Wolbachia consiste na liberação de mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que ao se reproduzirem com a população local, formam uma nova geração de mosquitos com a mesma bactéria.

Em laboratório, os pesquisadores do WMP conseguiram introduzir a bactéria Wolbachia, presente em aproximadamente 50% dos insetos no mundo, dentro dos ovos de Aedes aegypti. Quando presente nesse mosquito, ela impede o desenvolvimento dos vírus da Dengue, Chikungunya e Zika Vírus, reduzindo a transmissão dessas doenças.

O método não envolve modificação genética e, ao longo do tempo, se torna autossustentável, mantendo-se na população de mosquitos sem necessidade de novas liberações, o que o torna uma estratégia eficaz, segura e acessível a longo prazo. Até agora ele implantado em oito cidades brasileiras: Niterói (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Londrina (PR), Foz do Iguaçu (PR), Campo Grande (MS), Joinville (SC), Belo Horizonte (MG) e Petrolina (PE). A seleção dos municípios é feita pelo Ministério da Saúde, e a implementação é realizada pela Wolbito do Brasil, com o apoio da Fiocruz.

DADOS – De acordo com o último boletim epidemiológico de arboviroses, divulgado pela Sesa nesta terça-feira (15), o Paraná já registrou este ano 85.611 casos confirmados e 107 óbitos por dengue. De Chikungunya já foram confirmados 5.135 casos e cinco mortes, e por Zika Vírus, não há confirmações de casos e óbitos neste período.

PRESENÇAS – Participaram da inauguração o presidente da Fiocruz, Mario Moreira; o diretor da Fiocruz Paraná, Fabiano Borges Figueiredo, o Ceo da WMP, Scott O’neill, o diretor-presidente do IBMP, Pedro Ribeiro Barbosa; a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Correa da Silva Filipak; o diretor-geral da Sesa, César Neves; a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes; os diretores do Tecpar: Lanes Randal Prates Marques (Tecnologia e Inovação); Iram de Rezende (Industrial da Saúde); Celso Kloss (Novos Negócios e Relações Institucionais) e Erland Manys (Administração e Finanças).

As informações são da Agência Estadual de Notícias

Doenças crônicas agravam infecções respiratórias em idosos, diz estudo

Levantamento feito por infectologistas, epidemiologistas e pneumologistas de várias localidades e diferentes centros de pesquisa do Brasil permitiu que pesquisadores conseguissem avaliar os impactos do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em pessoas com 60 anos ou mais hospitalizadas por pneumonia nos sistemas de saúde público e privado do país.

Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a patologia é transmitida de maneira semelhante à gripe e covid-19, por meio de gotículas expelidas ao tossir ou espirrar, pelo contato próximo com alguém infectado ou com superfícies contaminadas.

Os resultados mostraram que doenças cardiovasculares (64,2%), diabetes (32%) e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica – DPOC (24,5%) foram as comorbidades mais associadas aos casos graves dos 3.348 adultos que necessitaram de internação durante o período do estudo (entre 2013 e 2023).

A amostra revelou ainda que, em comparação aos indivíduos sem comorbidades, os adultos com algum tipo de comorbidade apresentaram maiores taxas de admissão na UTI (34,8%)1, internações mais longas (13,2 dias) e maior índice de mortalidade (26,9%).

Segundo as estimativas, são afetadas pelo Vírus Sincicial Respiratório 64 milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Devido a esse cenário, subnotificação em adultos mais velhos e das taxas baixas de vacinação contra o VSR, a SBI lançou a campanha “Protegido você vai longe – Depois dos 60 o risco de ter pneumonia por causa do VSR é maior”.

Meta

O objetivo é ampliar o conhecimento do público leigo sobre a relação entre o VSR e o aumento do risco de pneumonia.

“A iniciativa também pretende esclarecer e diferenciar a infecção pelo VSR na infância (bronquiolite) das suas implicações para a população idosa. A ideia da campanha é interligar a longevidade com a importância da vacinação e esclarecer que muitos dos sintomas podem não ser de gripe, mas sim do VSR, vírus que tem um grande potencial para provocar a pneumonia”, alerta a SBI.

O infectologista da SBI, Clovis Arns da Cunha, ressalta que outro ponto de atenção para o cenário atual é que a falta do teste do VSR no momento da internação no sistema público, principalmente dos pacientes com mais de 60 anos e com comorbidades, gera um subdiagnóstico e, em muitos casos, o indivíduo acaba sendo tratado como quadro de gripe ou pneumonia.

“E neste ano tivemos alta de internações em crianças com bronquiolite nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país, com aumento significativo também no Sul e Nordeste. Ou seja, se o VSR está circulando com tanta força nas crianças, certamente circula com a mesma intensidade nos avós, ou seja, as pessoas 60+”, disse.

VSR em 2025

Informações do Boletim InfoGripe da Fiocruz, em 2025, indicam que o VSR respondeu por 45% dos diagnósticos positivos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), totalizando 18.654 casos apenas no primeiro semestre, praticamente o dobro do percentual registrado no mesmo período por outros vírus como Rinovírus (22,8%) e Influenza A (22,7%)5.

“Enfrentamos, desde o começo do ano, uma tendência de aumento de casos de VSR que pode desencadear um quadro de pneumonia grave, especialmente quando pensamos numa população 60+, com maior probabilidade de ter uma doença crônica com mais de uma comorbidade associada. Por isso, assim como destacamos a importância da vacinação contra gripe para o público idoso e adulto, é fundamental que essa faixa etária também inclua no radar a imunização contra o VSR”, finalizou a consultora da SBI, Rosana Richtmann.

As informações são da Agência Brasil.

UPAs de Curitiba retomam o uso de baias em que Médicos/as trabalham em pé

A Prefeitura de Curitiba retomou o uso de biombos (baias) como consultórios em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Curitiba. Esses espaços são utilizados para consultas médicas, mas não oferecem privacidade, segurança e muito menos a ergonomia necessária para o trabalho dos profissionais da Medicina no atendimento à população.

As baias não têm nenhum tipo de isolamento acústico, inviabilizando o sigilo médico. Não há mesa nem cadeira para que o/a médico/a possa sentar e realizar seu trabalho de registrar o atendimento e gerar uma receita. As unidades não têm sequer uma porta, mas somente cortinas.

Esse modelo de “consultório” está funcionando nas UPAs do Boqueirão, Pinheirinho e Fazendinha. Relatos dos profissionais apontam que o mesmo formato deve ser implantado na UPA do Cajurú e, talvez, em outras Unidades.

As baias como “consultórios” não são novidade nas UPAs de Curitiba. Em 2021, durante a pandemia da Covid-19, a Prefeitura ensaiou a primeira investida nesse modelo. Naquela ocasião, o Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) enviou uma notícia de fato para o Ministério Público do Trabalho (MPT). O MPT acionou a Prefeitura de Curitiba que se comprometeu a parar de usar esse formato de “consultório”. Agora, as baias estão de volta.

Para o Dr. Alceu Pacheco Neto, Diretor do Simepar, esse formato de “consultório” prejudica a qualidade do atendimento médico e até a saúde dos profissionais. “Não há condições de cumprir plantões de 12 horas de pé, sem o mínimo de ergonomia e conforto. Esse formato também prejudica o atendimento, pois não há nenhuma privacidade para que se estabeleça a relação médico-paciente.” Completou o Dr. Alceu.

O Simepar levará o assunto para a comissão de negociação que o Sindicato mantém com a Fundação Estatal de Atenção à Saúde de Curitiba (FEAS). Caso a situação não seja resolvida, outras medidas devem ser tomadas para que as Médicas e Médicos tenham condições adequadas de trabalho.

CRM-PR emite Resolução reafirmando a autonomia dos/as Médicos/as sobre a duração das consultas

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) emitiu, nesta quarta-feira, uma Resolução (N.º 251/2025) reafirmando a autonomia dos profissionais da Medicina sobre a duração das consultas médicas. O documento chega em um momento crítico em que uma das principais queixas de Médicas e Médicos é relacionada a pressões e assédio para que os profissionais atendam mais pacientes em menos tempo para garantir a “produtividade” das Unidades de Saúde.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), Dr. Marlus Volney de Morais, a determinação resolve uma demanda antiga e preocupante, já que o foco nunca pode ser na questão quantitativa do atendimento, mas sim na qualitativa.

“Muito se fala em tempo de atendimento, que é algo que o Simepar condena. Não podemos exigir que o médico cumpra uma produtividade em um determinado período sem pensar na qualificação dos pacientes. Um paciente idoso, por exemplo, exige mais tempo de atendimento, assim como pacientes pediátricos. Se é uma primeira consulta, o médico nunca viu aquele paciente, então ele precisa de mais tempo de conversa para entender quem é o paciente e qual é a queixa dele. Não é simplesmente ouvir a queixa e prescrever um remédio. Longe disso. E a resolução, sabiamente, deixa essa autonomia com o médico e seu julgamento profissional”, declara.

Os artigos 1º e 2º da Resolução N.º 251/2025 do CRM-PR são claros quanto a esses pontos levantados pelo presidente do Simepar:

“Art. 1º Não cabe fixação de tempo mínimo ou máximo para consultas médicas, independentemente do ambiente (ambulatório, urgência ou saúde suplementar).”

“Art. 2º O tempo de cada atendimento deverá ser determinado pelo julgamento clínico do médico, considerando a complexidade do caso, os recursos disponíveis e os princípios da ética médica.”

O texto ainda reforça que a qualidade do atendimento deve prevalecer sobre metas quantitativas:

“Art. 7º A qualidade do atendimento deverá prevalecer sobre as metas quantitativas, e qualquer imposição que restrinja a autonomia médica ou comprometa o atendimento ao paciente deverá ser formalmente denunciada aos Conselhos Regionais de Medicina.”

É importante destacar, ainda, que a Resolução determina que o descumprimento desses princípios configurará infração ética:

“Art. 5º Qualquer imposição de metas de produtividade com base em número fixo de atendimentos ou em tempo padronizado, desconsiderando o juízo clínico, configurará infração ética e será formalmente rechaçada pelos médicos e comunicada aos Conselhos Regionais de Medicina quando necessário.”

Além dos trechos transcritos, a Resolução é composta por sólida fundamentação e por uma vasta gama de referências que trazem resoluções do Conselho Federal de Medicina, citações e pareceres de Conselhos de Medicina de outros estados, referências da Legislação Trabalhista (CLT) e até da Constituição Federal. Há ainda a citação de recomendações da Organização Mundial da Saúde.

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) considera que a Resolução deverá contribuir de maneira significativa para a melhoria das condições de trabalho de Médicas e Médicos em todo o Paraná e, principalmente, a qualidade dos atendimentos de Saúde prestados à população. Essa foi uma das demandas que o Simepar levou ao CRM para debate nas reuniões sobre as pautas trabalhistas/sindicais dos/as Médicos/as que as duas entidades têm realizado regularmente.

“A Resolução do CRM é um passo fundamental para que cessem as pressões e assédios sobre os profissionais da Medicina”, completa Dr. Marlus Volney de Morais, presidente do Simepar.

Leia aqui a íntegra da Resolução N.º 251/2025 do Conselho Regional de Medicina do Paraná.

Em caso de denúncias, os médicos e médicas paranaenses podem utilizar os canais de atendimento do Simepar – https://simepar.org.br/denuncia/ – ou do CRMP-R, por meio da Comissão de Prevenção à Violência contra o Médico do CRM-PR – https://www.crmpr.org.br/Denuncia-de-violencia-contra-o-medico-24-59333.shtml

Brasil intensifica vacinação em áreas de fronteira para conter avanço do sarampo

Diante do aumento expressivo dos casos de sarampo nas Américas, o Ministério da Saúde começou a intensificar a vacinação em cidades brasileiras localizadas na fronteira com países vizinhos, como a Bolívia, que atualmente enfrenta um surto da doença. Como parte dessa estratégia, o Acre é o primeiro estado a realizar o Dia D de vacinação, nesta terça-feira (15), com o objetivo de prevenir a reintrodução do sarampo no Brasil.

Dos 22 municípios acreanos, sete fazem fronteira com a Bolívia: Acrelândia, Assis Brasil, Brasileia, Capixaba, Epitaciolândia, Plácido de Castro e Xapuri. A vacinação contra o sarampo está ativa em todo o país, com todos os estados abastecidos com a vacina tríplice viral. Somente em 2025, mais de 12 milhões de doses já foram distribuídas, e 2,4 milhões aplicadas até o momento.

A mobilização no Acre conta com o apoio das gestões estadual e municipais e é conduzida por três frentes principais. A primeira é a intensificação da vacinação com a tríplice viral, a vacinação de pessoas não vacinadas ou com esquema incompleto, o reforço entre adolescentes e jovens, e a atualização vacinal de brasileiros que estudam na Bolívia e retornam ao Brasil durante as férias.

A segunda estratégia consiste na aplicação de uma dose extra da vacina dupla viral, destinada a crianças de 6 a 11 meses e 29 dias de idade. Essa medida oferece proteção precoce e temporária em locais com grande circulação de pessoas, como as cidades de fronteira. A dose adicional não substitui as vacinas de rotina aplicadas aos 12 e 15 meses, conforme define o calendário de vacinação infantil.

Além da vacinação, o Ministério da Saúde e o estado promovem seminários sobre sarampo focados na prevenção e na resposta rápida a casos. Realizados nesta terça e quarta-feira (15 e 16 de julho) em Rio Branco e Brasiléia, os eventos reúnem profissionais de saúde, autoridades locais e representantes da pasta para capacitar a rede local no manejo clínico de casos suspeitos, vacinação, vigilância nas fronteiras e diagnósticos laboratoriais. Também discutem ações integradas com a Bolívia e o uso de tecnologias para a detecção precoce de casos e rumores.

Além do Acre, a intensificação da vacinação foi recomendada para municípios de outros estados fronteiriços, que terão um Dia D de vacinação contra a doença em 26 de julho: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

Brasil livre do sarampo

Em 2024, o Brasil recebeu a recertificação de país livre do sarampo, resultado do fortalecimento da vigilância e da retomada da vacinação. Em 2016, o país já havia alcançado esse status; no entanto, em 2018, as baixas coberturas vacinais permitiram a reintrodução do vírus no país. No último ano, a cobertura da vacina tríplice viral ultrapassou a meta nacional de 95%.

Para reverter a queda na cobertura, o Ministério da Saúde investiu na vacinação nas fronteiras e em locais de difícil acesso, além da busca ativa de casos suspeitos, realização do Dia S de mobilização para detecção de casos suspeitos de sarampo, oficinas de resposta rápida frente a esses casos e webinários sobre manejo clínico do sarampo.

Em 2025, como apoio à contenção do surto na Bolívia, o Ministério da Saúde disponibilizou 600 mil doses da vacina contra o sarampo para doação. As vacinas oferecem proteção contra o sarampo, reforçando o compromisso do país com a cooperação internacional em saúde e o enfrentamento das doenças imunopreveníveis na região.

Cenário epidemiológico

Neste ano, o Brasil teve cinco casos isolados registrados, nos estados do Rio de Janeiro (2), São Paulo (1), Rio Grande do Sul (1) e no Distrito Federal (1). Esses casos, por serem importados e isolados, não comprometem a recertificação. A vacinação é segura e eficaz contra o sarampo. Aderir é a principal forma de evitar a reintrodução do vírus no país.

Até 5 de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou 108 mil casos confirmados de sarampo no mundo. Na região das Américas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) confirmou 7.132 casos, com 13 mortes. Os números incluem 34 na Argentina, 34 em Belize, 60 na Bolívia, 5 casos isolados no Brasil, 3.170 no Canadá (com um óbito), 1 na Costa Rica, 1.227 nos Estados Unidos (com três mortes), 2.597 no México (com nove mortes) e 4 no Peru.

As informações são do Ministério da Saúde.

Com vacinação em alta, casos graves e internações por síndromes gripais diminuem no Paraná

O Paraná já aplicou 3,4 milhões de doses da vacina contra a gripe em 2025. Entre os grupos prioritários, 51,67% das gestantes, crianças e idosos foram imunizados. Com esse índice, o Estado ocupa o segundo lugar no ranking nacional de cobertura vacinal, ficando atrás apenas do Piauí, que registra 54,47%. A alta adesão à vacinação já apresenta reflexos positivos: os casos, óbitos e internações por Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG) começaram a apresentar queda em todo o Paraná.

Na comparação entre as semanas epidemiológicas nº 28 dos anos de 2023, 2024 e 2025 (que compreende os dados entre os dias 6 e 12 de julho) observa-se uma redução expressiva na curva de casos confirmados de SRAG. Em 2023 foram registrados 550 casos; em 2024, o número subiu para 581; em 2025, caiu para 293, numa redução de quase 50% em relação ao ano anterior.

Entre as 924 amostras processadas na última semana pelo Laboratório Central do Estado (Lacen/PR), a Influenza A segue em queda, passando de 21,24% do total de confirmações na semana anterior para 18,38% na atual. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) manteve-se praticamente estável, com leve variação de 28,16% para 28,13%. Já o Rinovírus apresentou crescimento, passando de 18% para 20,03%.

Segundo dados da Central de Acesso à Regulação do Paraná (Care/PR), da Secretaria da Saúde, a taxa de ocupação hospitalar também indica tendência de estabilidade. Atualmente, os leitos de enfermaria adulto estão com 55% de ocupação, enquanto os de enfermaria pediátrica registram 36,5%. Já os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) apresentam ocupação de 89% para adultos e 78% pediátrica. Do total de leitos ocupados, apenas 5% são referentes a casos de SRAG.

“Os números indicam que talvez já tenhamos passado o pior momento, pelo pico dessas síndromes gripais deste ano e, somado a isso, temos uma campanha de vacinação muito forte, sendo o segundo Estado que mais vacinou seus grupos prioritários, dentro dessas quase quatro milhões de doses administradas na população paranaense”, disse o secretário da Saúde, Beto Preto.

MEDIDAS DE PREVENÇÃO – No mês passado, a Sesa emitiu a Resolução nº 1.014/2025, destacando o estado de alerta para as SRAGs no Paraná. A iniciativa teve por objetivo reforçar as ações de prevenção e frear o aumento de casos e óbitos no Estado. O documento detalhou as medidas que deveriam ser adotadas pelos municípios, como atendimento prioritário para pacientes com sintomas de SRAG e reforço da vacinação.

Desde o alerta, 1 milhão de vacinas contra a gripe foram aplicadas e o Paraná subiu de 42,11% de cobertura do grupo prioritário para os atuais 51,67%.

“É importante que, neste momento, todas as doses de vacina contra a gripe influenza que ainda temos em estoque sejam utilizadas”, afirmou o secretário. “Essa orientação é para as secretarias municipais de saúde de todo o Estado. Vamos gastar todo o estoque. Isso vai demonstrar que nós fizemos uma grande campanha, todos juntos, Secretaria de Estado e secretarias municipais de saúde, e demos uma demonstração de ciência, que a vacina é vida”.

O Estado também ampliou o número de leitos hospitalares para atender à demanda de SRAG no Estado. Ao todo, foram 135 leitos, sendo 20 de enfermaria no Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo; 13 no Hospital do Coração Bom Jesus, em Ponta Grossa, sendo três de UTI adulto e dez de enfermaria; 25 no Instituto Madre de Dio, em São Miguel do Iguaçu, com 10 de UTI pediátrica e 15 de enfermaria; 12 no Hospital Hoesp, em Toledo, entre UTI adulto, enfermaria adulto e pediátrica; oito de UTI adulto no Hospital Municipal de Retaguarda Allan Brame Pinho, em Cascavel; 12 de enfermaria pediátrica no Hospital da Providência Materno Infantil, em Apucarana; 27 no Hospital Honpar, em Arapongas, sendo 15 de UTI adulto e 12 de enfermaria adulto; dez de enfermaria adulto no Hospital de Clínicas de Medianeira; oito no Hospital Regional de Toledo, divididos entre quatro leitos de UTI adulto e quatro de enfermaria adulto.

DADOS – Dados atualizados nesta segunda-feira (14) mostram que o Paraná registrou 17.258 casos e 981 óbitos por SRAG este ano. Dentre os diagnósticos deste ano, 2.743 casos e 305 óbitos foram confirmados como SRAG por Influenza.

Cerca de 74,5% dos casos confirmados correspondem a crianças abaixo de seis anos e a idosos acima de 60 anos. Crianças com idades abaixo de seis anos foram as mais acometidas pelos vírus, representando 39% das confirmações, num total de 6.735 casos, seguidas por idosos acima de 60 anos, num total de 6.128 casos (35,50% dos casos).

Na faixa etária de seis a nove anos, foram confirmados 914 casos; de 10 a 19 anos, 657. O público de 20 a 29 anos registrou 510 casos confirmados, seguido pela faixa de 30 a 39 anos, com 576 casos; e de 40 a 49 anos, com 683. As pessoas de 50 a 59 anos registraram 1.055 casos.

Já com relação aos óbitos, o público mais acometido foi o de idosos acima de 60 anos, com 709 mortes, ou 72,27% do total; seguido pela faixa de 50 a 59 anos, com 104 mortes; e crianças menores de seis anos, com 52. Na faixa etária de 40 a 49 anos foram registradas 46 mortes; de 30 a 39 anos, 33; de 20 a 29 anos, 20; de 10 a 19 anos, 10; e de seis a nove anos, sete óbitos.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Brasil retomará fabricação nacional de insulina após 20 anos

O Ministério da Saúde recebeu, nesta sexta-feira (11), o primeiro lote de insulinas produzidas por meio do programa Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que faz parte da Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. O país voltará a fabricar o medicamento 100% nacional, por meio de transferência da tecnologia da farmacêutica indiana Wockhardt, com base em um acordo com o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed) e com a empresa brasileira Biomm.

O ministro Alexandre Padilha participou do evento de entrega do lote com 207.385 mil unidades do medicamento, sendo 67.317 frascos de insulina regular e 140.068 de insulina NPH, na fábrica da Biomm, em Nova Lima (MG).

“Depois de mais de duas décadas sem produzir insulina humana, o Brasil retoma essa fabricação para ser entregue ao Sistema Único de Saúde e contribuir com a saúde da população”, destacou Padilha. “É o Brics acontecendo na realidade, mudando a vida da população brasileira e gerando emprego, renda e tecnologia aqui em Minas Gerais”, acrescentou, em referência ao bloco econômico que reúne grandes países do chamado Sul Global, incluindo a Índia, país que viabilizou a parceria.

Segundo a pasta, após a transferência total da tecnologia, o Brasil produzirá 50% da demanda relacionada às insulinas NPH e regular no SUS.

“Uma iniciativa como essa traz segurança aos pacientes de que, independentemente de qualquer crise — como a que vivemos durante a pandemia —, o país tem soberania na produção desse medicamento tão importante. Cerca de 10% da população brasileira tem diabetes, e parte dessas pessoas precisa usar insulina. Isso garante tranquilidade, segurança e estabilidade tanto para o SUS quanto para os cidadãos que dependem do medicamento”, reforçou Padilha.

A iniciativa conta com investimentos de R$ 142 milhões na aquisição da tecnologia, e cerca de 350 mil pessoas com diabetes serão beneficiadas. Os contratos preveem a entrega para a rede pública de 8,01 milhões de unidades de insulina, entre frascos e canetas, em 2025 e 2026.

A partir da aquisição inicial, de acordo com o Ministério da Saúde, terá início o processo de transferência de tecnologia, conforme previsto nas diretrizes da PDP. Ao final da transferência, a produção do medicamento será totalmente brasileira, com a Funed e a Biomm capacitadas para fabricar o medicamento no país e abastecer o SUS de forma autônoma.

Nas PDPs, instituições públicas e empresas privadas compartilham responsabilidades para a produção nacional do insumo farmacêutico ativo (IFA) e do produto objeto de PDP, em um processo de transferência de tecnologia reversa. A transferência é efetivada por meio de etapas que incluem a realização de embalagens, controle de qualidade dos insumos, produção do produto acabado e do Insumo Farmacêutico Ativo no Brasil, possibilitando, assim, a produção local do medicamento que será fornecido ao SUS.

Tratamento no SUS

O SUS oferece assistência integral às pessoas com diabetes, desde o diagnóstico até o tratamento adequado, de acordo com o quadro clínico de cada paciente. A porta de entrada para o cuidado é a Atenção Primária à Saúde, que realiza o acompanhamento contínuo por meio de equipes multiprofissionais. Atualmente, são ofertados quatro tipos de insulinas: insulinas humanas NPH e regular e insulinas análogas de ação rápida e prolongada, além de medicamentos orais e injetável para diabetes mellitus.

As informações são da Agência Brasil.

Simepar entra com pedido de mediação no MPT em defesa dos Médicos/as de Paranaguá

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) recebeu uma série de denúncias nos últimos meses sobre condições de trabalho precárias dos profissionais da Medicina que atuam no município de Paranaguá, em especial na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

São denúncias de assédio, em que os gestores e “fiscais” estariam pressionando os profissionais para que atendam mais pacientes em menos tempo, para que se alcance uma “boa produtividade”, como se os médicos fossem máquinas, e os pacientes, mercadoria.

Os relatos apontam que esses “fiscais”, que não teriam qualquer formação na área da saúde, alteram a fila de atendimento dos pacientes, desfazendo a ordem de espera baseada na gravidade os casos, segundo o protocolo de avaliação de risco clínico.

Vale lembrar que os profissionais da Medicina têm autonomia garantida para definir o tempo de cada consulta, baseados na gravidade e complexidade de cada caso. Uma consulta mal feita, de forma apressada, pode resultar em erro e em risco para a saúde e a vida do paciente.

É compreensível que a Administração Municipal deseje diminuir as filas e o tempo de espera na UPA, mas isso não deveria ser feito através de assédio e ameaças contra os profissionais da Saúde. Eventuais erros médicos cometidos em função da pressa e da falta de atenção podem destruir a carreira de um profissional, e pior: podem custar a vida de cidadãos.

Também foram recebidas denúncias de que os horários de refeição e descanso estariam sendo desrespeitados e que o ambiente para descanso é precário e insalubre.

As denúncias recebidas pelo Simepar motivaram a visita de um Diretor do Sindicato, o Dr. Brasil Vianna Neto, que esteve na UPA de Paranaguá no mês passado; confirmando a precariedade das condições de trabalho dos profissionais da Medicina.

Para avançar na solução dos problemas apontados pelos Médicos e Médicas, o Simepar protocolou um pedido de mediação junto ao Ministério Público do Trabalho. No pedido, foram elencados os seguintes problemas para mediação: Assédio moral pelos controladores de fluxo/fiscais e gestora de escala; inobservância do intervalo para refeição dos médicos; local de descanso precário; e a diferença salarial entre os médicos.

Este último ponto, da diferença salarial, se deve ao fato de que os profissionais da medicina concursados, que são servidores públicos municipais, sofreram um corte drástico em seus vencimentos desde o começo deste ano. Acontece que a Prefeitura parou de pagar uma gratificação que estava inclusive prevista no edital do concurso público dos profissionais.

Além da mediação junto ao Ministério Público do Trabalho, o Simepar também iniciou as tratativas com a Fundação de Assistência à Saúde de Paranaguá (FASP) para que seja firmado um novo Acordo Coletivo de Trabalho que garanta o reajuste, os benefícios e a segurança das Médicas e Médicos contratados pela FASP.