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Paraná é selecionado para projeto piloto de migração de insulina no SUS

O Paraná recebeu nesta segunda-feira (02) o primeiro lote com 16.828 unidades de canetas reutilizáveis de insulina Glargina, tecnologia que amplia as possibilidades terapêuticas para o tratamento de pacientes que vivem com diabetes melito, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Estado foi selecionado pelo Ministério da Saúde (MS), ao lado de Amapá, Distrito Federal e Paraíba, para integrar o projeto piloto da iniciativa, participando da fase de avaliação que deve identificar desafios logísticos e operacionais para a futura ampliação da estratégia em todo o território nacional.

Nesta nova etapa, o uso da insulina Glargina, já disponível no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) para diabetes tipo 1, será ampliado. O tratamento contempla agora novos diagnósticos e a migração de pacientes que utilizam a NPH, conforme indicação e prescrição médica. O público atendido nesta fase inclui idosos com 80 anos ou mais (diabetes tipo 1 e 2) e crianças e adolescentes entre 2 e 17 anos (diabetes tipo 1).

“O Paraná se consolida mais uma vez como referência nacional em gestão e assistência. Ser escolhido para este projeto piloto demonstra a confiança do Ministério da Saúde na nossa estrutura logística e na capacidade dos nossos profissionais. Estamos trabalhando para que essa transição ocorra de forma segura, garantindo que a nova tecnologia chegue na ponta e transforme o cotidiano de quem mais precisa”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

ESTRATÉGIA – A adoção desta nova estratégia pelo MS é uma resposta à escassez global das insulinas humanas, NPH e regular, registrada desde 2023. Para reduzir a vulnerabilidade do país e fortalecer a produção nacional, foi formalizada em abril de 2025 a Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) de insulina Glargina.

O secretário explicou que a produção nacional trará mais estabilidade ao sistema. “A grande vantagem da fabricação nacional via PDP é garantir a soberania do nosso abastecimento. Hoje, dependemos de fabricantes internacionais e sofremos com algumas faltas pontuais que fogem ao nosso controle. Com a produção local, teremos um fluxo muito mais seguro e contínuo, assegurando que o paciente paranaense não sofra interrupções no seu tratamento por questões logísticas globais”, afirmou.

CAPACITAÇÃO – Na última sexta-feira (30), a Sesa promoveu um treinamento técnico para profissionais dos 399 municípios paranaenses sobre o uso correto e a dispensação da nova caneta. Com a participação de mais de 600 profissionais, tanto presencial como online, a coordenadora-geral do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Priscilla Marys Limberger, ressaltou que a escolha do Estado se deu pela sua organização e experiência prévia com tecnologias semelhantes.

“O Paraná é um local estruturado que nos permite observar os principais desafios que serão enfrentados no restante do Brasil. Precisamos capacitar os profissionais que conduzirão esse processo, garantindo mais qualidade de vida para a população”, pontuou Priscilla.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Nota de pesar: Sr. Luiz Carlos de Andrade

A diretoria do Sindicado dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) lamenta profundamente a morte do Sr. Luiz Carlos de Andrade, pai do nosso assessor jurídico, Dr. Luiz Gustavo de Andrade.

Nossos mais sinceros sentimentos à família e aos amigos neste momento de dor.

Paraná recebe novo medicamento para prevenir o vírus sincicial em bebês

A Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) recebeu nesta terça-feira (27) as primeiras doses do Nirsevimabe, anticorpo monoclonal indicado para a prevenção de infecções causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que a partir de fevereiro de 2026 passará a ser ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Sesa destinará o medicamento aos bebês prematuros e crianças com comorbidades, seguindo as diretrizes nacionais, conforme critérios técnicos definidos pelo Ministério da Saúde. Todas as maternidades para o alto risco receberão o Nirsevimabe.

Assim como o Palivizumabe, que já existe na rede pública, o Nirsevimabe não é uma vacina, mas um imunobiológico de imunização passiva que fornece anticorpos prontos para a proteção contra o VSR. A principal diferença entre os dois produtos está no esquema de aplicação: enquanto o Palivizumabe requer doses mensais durante o período de maior circulação do vírus, o Nirsevimabe é administrado em dose única.

Aprovado pelo Ministério da Saúde, por meio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), a oferta pelo SUS terá início em fevereiro, com orientações específicas sobre fluxos, registro das doses e unidades dispensadoras. Ao Paraná foram destinadas 1.366 doses.

O vírus sincicial é uma das principais causas de infecção do trato respiratório inferior em bebês e crianças pequenas, podendo evoluir para bronquiolite e pneumonia, especialmente nos primeiros meses de vida. A incorporação do Nirsevimabe não implica a substituição imediata do Palivizumabe no SUS, explicou o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.

“O novo imunobiológico passa a integrar as estratégias de prevenção contra o vírus sincicial de acordo com critérios técnicos. Esse é mais um reforço na proteção aos grupos prioritários. O Palivizumabe segue sendo ofertado conforme as indicações já estabelecidas nos protocolos vigentes”, informou.

USO – O Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, pertencente ao Governo do Estado, é uma das 35 unidades que receberão o novo medicamento. Ele será distribuído para todas as Regionais de Saúde que, posteriormente, repassarão para os hospitais com maternidade de alto risco.

Atualmente, o Hospital Monastier é referência para 28 municípios na aplicação do medicamento Palivizumabe, indicado para aumentar a proteção contra os quadros graves de infecções respiratórias causadas pelo VSR em crianças nascidas prematuramente ou com comorbidades.

CRITÉRIOS – O Nirsevimabe é indicado para bebês prematuros, nascidos com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias, independentemente do peso, e crianças com idade inferior a 24 meses (até 1 ano, 11 meses e 29 dias) que apresentem comorbidades previstas nos critérios de inclusão, como cardiopatias congênitas, broncodisplasia, imunocomprometimento, Síndrome de Down, fibrose cística, doenças neuromusculares e anomalias congênitas das vias aéreas.

Para bebês prematuros, a administração do Nirsevimabe poderá ocorrer ao longo de todo o ano, preferencialmente ainda nas maternidades. Já para crianças com comorbidades, a aplicação será exclusivamente durante o período sazonal do VSR, compreendido entre fevereiro e agosto.

Quando indicado, o medicamento poderá ser administrado na maternidade ou durante a internação neonatal, desde que o recém-nascido esteja clinicamente estável, sem instabilidade cardiorrespiratória ou necessidade de suporte intensivo imediato.

O uso é contraindicado em casos de histórico de reação alérgica grave ao medicamento ou a seus componentes, bem como em situações de distúrbios hemorrágicos significativos que impeçam a aplicação por via intramuscular. Em casos específicos, a possibilidade de uso por via subcutânea poderá ser avaliada pela equipe médica, conforme orientações técnicas.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Prefeitura de Matinhos abre PSS para contratação de Médicos/as Especialistas

A Prefeitura de Matinhos publicou um Edital de Processo Seletivo Simplificado para contratação de Médicos/as Cardiologista, Ginecologista e Obstetra Plantonista, Pediatra e Psiquiatra.

A seleção será feita através de prova de títulos e as inscrições iniciaram nesta segunda-feira (26) e seguem até o dia 10/02/2026, por meio do endereço eletrônico, clique aqui ou acesse o link:

https://matinhos.atende.net/autoatendimento/servicos/inscricao-concurso-publico-e-processoseletivo/

Demais detalhes do Processo Seletivo podem ser conferidos na íntegra do Edital (aqui).

As informações são da Prefeitura de Matinhos.

Jovens de 15 a 19 anos podem se vacinar contra o HPV pelo SUS até junho deste ano

Os jovens de 15 a 19 anos que ainda não foram vacinados contra o HPV têm mais uma chance de se proteger contra vários tipos de câncer causados pelo papilomavírus humano (HPV). O Ministério da Saúde prorrogou a campanha extraordinária que visa imunizar os jovens não vacinados na faixa etária preconizada no Calendário Nacional de Imunização do SUS, indicada para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos.

A campanha do MS terminaria em dezembro de 2025, mas foi prorrogada até junho de 2026 para atingir maior número de jovens não vacinados, a maioria homens. A meta do resgate vacinal é imunizar cerca de 7 milhões de jovens em todo o país. Em Curitiba, cerca de 20 mil jovens nessa faixa etária ainda não buscaram a sua dose, que está disponível nas Unidades de Saúde da Capital. Os endereços e horários de atendimento das unidades podem ser conhecidos no site Imuniza Já Curitiba.

A decisão de ampliar o público-alvo foi motivada pela baixa procura do imunizante na época da pandemia de covid-19, quando esses jovens que têm de 15 a 19 anos agora estavam na faixa etária entre 9 e 14 anos naquele período.

“Prevenir é sempre melhor do que remediar e a vacina é a melhor estratégia de prevenção disponível para todos. Nossa recomendação é que as famílias verifiquem se os jovens estão com essa vacina pendente e procurem uma unidade de saúde para se proteger”, recomenda a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak.

No calendário Nacional de Imunização do SUS, esse imunizante está disponível nas salas de vacina em todo país desde 2014 para meninas entre 9 e 14 anos e desde 2017 para meninos da mesma idade. Fora da faixa etária preconizada pelo Ministério da Saúde, a vacina do HPV pode ser encontrada nas clínicas de imunização particulares.

“Nós sabemos que é muito comum nas mulheres o câncer de colo do útero em decorrência da infecção pelo HPV, mas também existem outros tumores tanto nas mulheres quanto nos homens que são preveníveis através da vacina. Por isso é essencial que esse imunizante seja aplicado no tempo oportuno, ou seja, em adolescentes e jovens, para proteger por toda a vida”, orienta o diretor do Centro de Epidemiologia da SMS, Alcides Oliveira.

HPV

O HPV (sigla em inglês para Papilomavírus Humano) é responsável pela infecção sexualmente transmissível mais frequente no mundo. Está associado ao desenvolvimento da quase totalidade dos cânceres de colo de útero, bem como a diversos outros tumores em homens e mulheres. Na maioria das pessoas, a infecção pelo HPV não apresenta sintomas e, em alguns casos, pode ficar latente de meses a anos, sem manifestar sinais de adoecimento.

Estima-se que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas são contaminadas com este vírus em algum momento da vida.

A vacinação na infância, para meninos e meninas, evita a contaminação antes do início da vida sexual, prevenindo a ocorrência de diversos tipos de cânceres.

As informações são da Prefeitura de Curitiba.

Oportunidade de trabalho para Médico/a de Família e Comunidade em Curitiba

A JUDICEMED está contratando profissional Médico/a com a especialidade em Medicina de Família e Comunidade para atuação em Curitiba, realizando consultas médicas para todas as faixas etárias.

Além da especialização em Medicina de Família e Comunidade, a JUDICEMED pede que os/as candidatos tenham o CRM ativo; paciência, empatia e postura profissional; organização, pontualidade, boa comunicação verbal e escrita; trabalho em equipe, pró atividade e iniciativa; conhecimentos de informática; experiência de 2 a 4 anos.

O regime de contratação é pela CLT, com carga horária de 20 horas semanais, pela manhã, das 8 horas ao meio dia.

A remuneração é “compatível com o mercado” e são oferecidos benefícios de Vale Refeição e Alimentação; Plano de Saúde e Odontológico; Seguro de Vida; Convênio Wellhub; Estacionamento; Ótimo ambiente de trabalho.

Interessados podem enviar Currículo para o E-mail: recrutamento@judicemed.com.br

Simepar obtém vitória em ação cobrando auxílio moradia para Médicos/as Residentes do CHC-UFPR

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) obteve vitória na primeira instância da Justiça Federal em ação que pleiteia o pagamento de auxílio moradia para os/as Médicos/as Residentes do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR).

A ação contempla o pagamento equivalente a 30% do valor da bolsa de residência para todos os/as residentes nos últimos cinco anos.

O programa de residência médica é regido pela Lei n. 6.932/1981, que assim o define: “modalidade de ensino de pós-graduação, destinada a médicos, sob a forma de cursos de especialização, caracterizada por treinamento em serviço (…)”.

Durante todo o período do programa de residência médica, a Universidade não tem cumprido com o dever de ofertar aos Requerentes uma moradia ou auxilio substitutivo em ofensa ao que é imposto pelo artigo 4º, § 5º, inciso III, da Lei citada.

A sentença entendeu que a omissão do Poder Público em editar o regulamento que discipline o auxílio-moradia não pode servir de subterfúgio para que se negue o direito garantido por lei aos médicos residentes; cabendo ao Poder Judiciário intervir em face da omissão ilegal, para fixar um valor razoável a título de auxílio moradia.

Da sentença, ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 4a Região.

Por que a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório é importante para gestantes e bebês

O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecções respiratórias em crianças pequenas e em idosos, podendo provocar quadros graves como a bronquiolite e até mortes, especialmente em bebês.

Em dezembro de 2025, a vacina contra o VSR indicada para gestantes, como forma de proteger recém-nascidos da bronquiolite e da pneumonia, começou a ser distribuída pela primeira vez no Sistema Único de Saúde (SUS).

A iniciativa é fruto de uma parceria do Instituto Butantan com a farmacêutica norte-americana Pfizer, que vai culminar na transferência tecnológica da vacina para a organização brasileira e no fornecimento em conjunto do imunizante para a rede pública.

O acordo de colaboração foi feito por meio de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) assinada em setembro pelas empresas com o Ministério da Saúde. As PDPs são realizadas entre instituições públicas e privadas, com o objetivo de ampliar o acesso a medicamentos, produtos e novas tecnologias no SUS.

Para esclarecer as dúvidas sobre o vírus, os sintomas e a importância da vacinação, o Portal do Butantan conversou com a pediatra e gerente médica do Instituto, Carolina Barbieri.

1- O que é o vírus sincicial respiratório (VSR) e por que ele é tão grave em crianças pequenas?
O vírus sincicial respiratório (VSR) é um vírus respiratório transmitido por gotículas, que ataca as vias respiratórias e os pulmões, sendo transmitido por tosse, espirros e objetos contaminados.

A forma de transmissão é semelhante à da influenza, rinovírus e metapneumovírus humano, mas o VSR tem uma particularidade: causa infecção nos bronquíolos, que são as partes mais baixas do trato respiratório, por onde se transporta o ar pelos pulmões.

Essa infecção leva a um quadro chamado bronquiolite, que dificulta a respiração.

Até outubro de 2025, o VSR foi responsável por 40,6% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) que exigiram internação em crianças menores de dois anos, segundo dados do Boletim InfoGripe.

“Nos bebês, os bronquíolos são muito pequenos. Qualquer inflamação ou acúmulo de secreção já causa falta de ar e chiado no peito. Eles têm dificuldade de eliminar as secreções, o que aumenta o risco de complicações e hospitalização”, explica a pediatra.

Em crianças maiores e em adultos, o VSR costuma causar sintomas mais parecidos com uma gripe comum.

Em bebês e idosos, o risco de formas graves é maior, devido à imaturidade do sistema imunológico e menor diâmetro dos bronquíolos.

2- O VSR é a mesma coisa que bronquiolite?
Não. A bronquiolite é a doença causada pela inflamação dos bronquíolos, e o VSR é o principal vírus causador dessa inflamação.

Outros patógenos também podem provocar bronquiolite, mas o VSR é o responsável pela maioria dos casos em bebês e crianças pequenas.

3- O VSR é mais comum em alguma época do ano?
Sim. O VSR costuma circular com mais intensidade nos meses de outono e inverno, acompanhando o aumento dos vírus respiratórios.

“Durante esse período, ficamos mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a transmissão. A vigilância mostra uma alta incidência de casos graves nessa época, especialmente em crianças menores de dois anos e em idosos”, explica Carolina Barbieri.

4- Quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?
Os sintomas do VSR incluem tosse, febre, chiado no peito, dificuldade para respirar e secreção nasal.

O diagnóstico geralmente é clínico, baseado nos sinais de bronquiolite, mas pode ser confirmado por testes laboratoriais específicos.

“Diferente da influenza, que tem os antivirais, o VSR não tem um tratamento específico. O manejo é de suporte, ou seja, oxigênio, hidratação, fisioterapia e monitoramento. Por isso, a vacina e os anticorpos monoclonais são avanços muito importantes na prevenção e na redução da gravidade da doença”, reforça a pediatra.

5- Por que a vacina contra o VSR é indicada para gestantes e não diretamente para os bebês?
A imunização contra o VSR nas gestantes é uma forma de proteção passiva para o bebê.

“Quando a mãe é vacinada, ela produz anticorpos que passam para o bebê pela placenta e pelo leite. Assim, o recém-nascido já nasce com proteção nos primeiros meses de vida, quando o risco de formas graves é maior”, explica Carolina Barbieri.

Vacinar diretamente o bebê logo após o nascimento não seria tão eficaz.

“O sistema imunológico ainda está imaturo e a proteção levaria tempo para se formar. Por isso, vacinar a gestante é a forma mais segura e precoce de proteger o bebê”, ressalta.

6- Qual é o período ideal para a gestante tomar a vacina?
A recomendação é que a vacina seja aplicada a partir da 28ª semana de gestação.

“Esse intervalo foi o mais estudado e mostrou melhores resultados, com títulos de anticorpos mais altos e maior proteção para o bebê.

A gestante precisa tomar a vacina com pelo menos 14 dias de antecedência do parto, para que dê tempo de o corpo produzir e transferir os anticorpos ao bebê”, orienta Carolina Barbieri.

7- O VSR também pode afetar pessoas mais velhas?
Sim. O VSR pode causar quadros respiratórios em qualquer idade, porém, além de crianças pequenas, as formas graves são mais frequentes em idosos, principalmente em quem tem doenças crônicas ou imunidade enfraquecida.

“Nos idosos, o vírus agrava condições já existentes e o processo inflamatório é mais intenso. É uma faixa etária com alta morbidade, semelhante ao que vemos na pediatria com os bebês pequenos”, diz a médica.

8- Existem outras formas de prevenir o VSR?
Além da vacinação, as medidas clássicas de prevenção continuam sendo fundamentais: lavar as mãos com frequência; usar máscara em ambientes fechados ou com pessoas doentes; evitar contato próximo com pessoas resfriadas; e manter os ambientes bem ventilados.

“Como não há tratamento antiviral específico, a prevenção é essencial. A vacina para gestantes e os anticorpos monoclonais para bebês em alto risco representam um avanço enorme em saúde pública”, destaca Carolina Barbieri.

9- A introdução da vacina no SUS pode diminuir os casos de VSR no país?
Sim. A introdução da vacina deve reduzir significativamente a circulação do vírus, os casos graves, as hospitalizações e o impacto da doença na vida das famílias.

“O VSR é hoje uma das principais causas de internação de bebês e crianças pequenas. A chegada da vacina é um marco para pediatras, geriatras e para a saúde pública brasileira”, conclui.

As informações são do Instituto Butantan.

Sesa reforça a importância da vacinação dos alunos antes do início das aulas

Com a proximidade do início do ano letivo, em fevereiro, a Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) reforça a importância de pais e responsáveis verificarem e atualizarem a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes. A recomendação ocorre a menos de 15 dias do retorno às aulas e tem como objetivo garantir a proteção dos estudantes e de toda a comunidade escolar do Paraná.

O período de volta às atividades é marcado pelo aumento da circulação de viroses e pelo retorno da convivência em ambientes fechados, o que favorece a transmissão de doenças imunopreveníveis.

Ambientes escolares favorecem a circulação de agentes infecciosos como vírus respiratórios, causadores de doenças diarreicas, infecções pneumocócicas e até meningites. A vacinação em dia reduz significativamente o risco de surtos e contribui para a diminuição de faltas escolares, internações e complicações graves.

Atualmente, o Calendário Nacional de Vacinação contempla 11 vacinas destinadas a crianças e adolescentes, todas disponibilizadas gratuitamente nas salas de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o Paraná.

Além de uma medida de proteção individual, manter o esquema vacinal em dia representa um compromisso com o bem-estar coletivo e atende à Lei Estadual nº 19.534/2018, regulamentada pela Instrução Normativa Conjunta nº 01/2018 – da secretaria estadual da Educação (Seed) e da Sesa. A normativa estabelece que alunos de até 18 anos devem apresentar, no ato da matrícula ou rematrícula, a declaração de atualização vacinal em todas as escolas do Paraná, públicas e particulares, que ofertem educação infantil, ensino fundamental e ensino médio.

De acordo com o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, o ambiente escolar é caracterizado pela intensa circulação de crianças, adolescentes e adultos, o que aumenta o risco de transmissão de doenças. “É fundamental que pais e responsáveis garantam que os estudantes retornem às aulas com a vacinação em dia. A imunização contribui para a redução de contaminações, prevenindo afastamentos, internações e complicações graves, além de proteger toda a comunidade escolar”, afirma.

PROTEÇÃO CONTÍNUA – A Sesa reforça, ainda, que ações de educação em saúde, voltadas à imunização, devem ser desenvolvidas pelas escolas em parceria com as secretarias municipais de saúde, ao longo de todo o ano, com intensificação no início do período letivo.

Entre os imunizantes ofertados estão:

  • Difteria, tétano e coqueluche (DTP) (4 anos) – reforço contra difteria, tétano e coqueluche
  • Varicela (4 anos) – previne catapora
  • Febre Amarela (4 anos) – previne febre amarela
  • Influenza (menores de 6 anos) – protege contra formas graves de influenza
  • Covid (menores de 5 anos considerando histórico vacinal) – protege contra formas graves de infecção por covid-19
  • HPV na rotina – (9 a 14 anos) – protege contra tipos de câncer e verrugas genitais
  • HPV resgate – (15 a 19 anos) – protege contra tipos de câncer e verrugas genitais
  • Meningocócica ACWY (11 a 14 anos) – protege contra meningites
  • Hepatite B (considera histórico vacinal) – protege contra doença viral que afeta o fígado
  • Tríplice Viral (considera histórico vacinal) – contra sarampo, caxumba e rubéola
  • Dupla Adulto (dT) (reforço a cada 10 anos) – reforço contra difteria, tétano e coqueluche
  • Dengue (10 a 14 anos) – protege contra formas graves de dengue.

ATENÇÃO ESPECIAL AOS ADOLESCENTES – A partir da pré-adolescência, o calendário prevê vacinas específicas, como a do HPV e a meningocócica ACWY. A vacina contra o HPV, atualmente em dose única, apresenta boa adesão, e o Ministério da Saúde prorrogou até o primeiro semestre de 2026 a estratégia de resgate para jovens de 15 a 19 anos que não receberam o imunizante na idade recomendada.

A vacinação contra a dengue também segue disponível para adolescentes dentro da faixa etária preconizada, reforçando a importância da segunda dose para garantir a eficácia do imunizante.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Gestão da carreira médica em tempos de transformação: contratos, escolhas e responsabilidade com o futuro

Artigo do Dr. Marlus Volney de Morais – Diretor Administrativo da FMB e presidente do Simepar.

A carreira médica nunca foi um caminho simples, tampouco foi tão desafiadora e multifacetada como no momento atual. Falar em gestão da carreira médica, hoje, exige compreender que o exercício da Medicina não se dá apenas na relação entre médico e paciente, mas dentro de um contexto social, econômico, regulatório e institucional que influencia diretamente as escolhas profissionais, os vínculos de trabalho e a sustentabilidade da vida médica ao longo do tempo.

Antes de qualquer análise, é fundamental reconhecer que carreira não é um evento pontual, mas um processo. Ela tem início, desenvolvimento e encerramento. Cada uma dessas fases demanda decisões específicas, estratégias distintas e, sobretudo, planejamento. Ignorar essa lógica é um dos principais fatores que levam médicos e médicas a enfrentarem insegurança profissional, sobrecarga de trabalho e dificuldades financeiras, justamente em uma profissão que exige estabilidade para o pleno exercício ético e técnico da Medicina.

Diferentes momentos, diferentes desafios

A carreira médica não é homogênea. Existe um espectro muito claro de trajetórias profissionais. Há o médico recém-formado, aquele que está nos primeiros cinco ou dez anos de atuação; os profissionais em fase intermediária, entre 10 e 25 anos de carreira; e aqueles que já alcançaram estabilidade ou caminham para uma desaceleração natural da atividade profissional, muitas vezes próximos da aposentadoria.

Os médicos em início de carreira são, sem dúvida, os mais vulneráveis. São eles que precisam ter maior cuidado com o futuro, não apenas no sentido técnico, mas também do ponto de vista financeiro e previdenciário. É nesse momento que se torna essencial compreender a importância de uma remuneração-base estável, que permita não apenas a subsistência, mas também a construção de reservas, investimentos e um projeto de aposentadoria digno. Preparar-se para o futuro não é uma opção, é uma necessidade.

Grande parte dos médicos, especialmente no início da carreira, não consegue ou simplesmente não tem condições de sustentar uma atividade plenamente autônoma. Diante disso, muitos acabam aceitando vínculos de trabalho precários, fora dos regimes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou das carreiras estatutárias.

É importante destacar que tanto a contratação CLT quanto a estatutária oferecem garantias fundamentais, como férias remuneradas, licenças, afastamento por doença, proteção previdenciária e maior previsibilidade de renda. Esses elementos não são privilégios, são condições mínimas para que o médico exerça sua profissão com tranquilidade e responsabilidade.

No entanto, o que se observa hoje é a imposição compulsória da pejotização. Médicos são obrigados a se constituir como pessoas jurídicas, perdendo direitos trabalhistas básicos e assumindo uma série de obrigações fiscais, contábeis e administrativas que não condizem com a realidade de quem está iniciando a carreira. Esse modelo aumenta a insegurança, dificulta o planejamento de vida e compromete, a longo prazo, a própria qualidade da assistência prestada.

Outro ponto central da gestão da carreira médica é a formação. O local onde o profissional se forma passa a ter peso crescente, especialmente diante da expansão acelerada dos cursos de Medicina. Hoje, cerca de 90% das escolas médicas em funcionamento no Brasil são privadas, o que implica altos custos de formação, frequentemente financiados por crédito público ou privado. Esse endividamento inicial pressiona o médico recém-formado a buscar rapidamente vínculos de trabalho que garantam renda, muitas vezes em condições desfavoráveis.

Além disso, é fundamental diferenciar a formação generalista da especializada. A especialização depende, majoritariamente, do acesso à Residência Médica, e esse acesso, hoje, infelizmente é limitado. Mais da metade dos profissionais que se formam não consegue acesso a uma residência, porque não há vagas suficientes para atender todo o volume que sai das universidades. Segundo o relatório Demografia Médica no Brasil 2025, da Associação Médica Brasileira (AMB), havia, em dezembro de 2024, pouco mais de 353 mil médicos especialistas, o que representa 59,1% do total de médicos. Os demais, 40,9%, atuavam como generalistas.

O mesmo relatório aponta que 63,7% dos títulos de especialista foram obtidos por meio de Residência Médica, enquanto 36,3% ocorreram via exames de título das sociedades médicas vinculadas à AMB. Isso evidencia o gargalo da falta de vagas que falei há pouco. Muitos acabam permanecendo por anos na atuação generalista, não por escolha, mas por falta de alternativa.

Nesse contexto, é importante apontarmos dados demográficos que ajudam a dimensionar o cenário. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Brasil possuía, em 2024, quase 570 mil médicos ativos, o que corresponde a 2,81 médicos por 1.000 habitantes, a maior taxa já registrada no país. Esse crescimento é contínuo e tende a se intensificar nos próximos anos.

Pela primeira vez na história, as mulheres são maioria na Medicina brasileira, representando 50,9% dos médicos em 2025, com projeção de chegarem a 56% até 2035, de acordo com dados da A MB e do CFM. No ensino médico, essa tendência é ainda mais evidente, pois, em 2023, 61,8% das matrículas em Medicina eram de mulheres, contra 53,7% em 2010.

Apesar do crescimento, a distribuição geográfica e a qualidade da inserção profissional continuam desiguais. Há concentração de médicos em grandes centros, sobrecarga em determinadas regiões e vínculos cada vez mais frágeis, especialmente para os mais jovens.

Para finalizar, precisamos reforçar que, independentemente da fase da carreira, há princípios que devem ser permanentes. A construção de uma trajetória médica sólida passa, necessariamente, pela ética, pela ciência e pelo compromisso com a qualidade da assistência. Nenhum modelo de contrato, nenhuma estratégia de mercado e nenhuma conveniência momentânea podem se sobrepor a esses valores.

Planejar a carreira médica é, portanto, um ato de responsabilidade individual e coletiva. É compreender que decisões tomadas no início da vida profissional terão reflexos por décadas. É exigir vínculos justos, formação de qualidade, acesso à especialização e condições dignas de trabalho. E é, sobretudo, reconhecer que a Medicina não se sustenta apenas pela vocação, mas por estruturas que respeitem o médico e protejam o futuro da profissão.

Esse debate não é opcional. Ele é urgente e diz respeito a todos nós.

Artigo publicado no Portal da FMB.