Filiado à

Notícias

Gestão da carreira médica em tempos de transformação: contratos, escolhas e responsabilidade com o futuro

Artigo do Dr. Marlus Volney de Morais – Diretor Administrativo da FMB e presidente do Simepar.

A carreira médica nunca foi um caminho simples, tampouco foi tão desafiadora e multifacetada como no momento atual. Falar em gestão da carreira médica, hoje, exige compreender que o exercício da Medicina não se dá apenas na relação entre médico e paciente, mas dentro de um contexto social, econômico, regulatório e institucional que influencia diretamente as escolhas profissionais, os vínculos de trabalho e a sustentabilidade da vida médica ao longo do tempo.

Antes de qualquer análise, é fundamental reconhecer que carreira não é um evento pontual, mas um processo. Ela tem início, desenvolvimento e encerramento. Cada uma dessas fases demanda decisões específicas, estratégias distintas e, sobretudo, planejamento. Ignorar essa lógica é um dos principais fatores que levam médicos e médicas a enfrentarem insegurança profissional, sobrecarga de trabalho e dificuldades financeiras, justamente em uma profissão que exige estabilidade para o pleno exercício ético e técnico da Medicina.

Diferentes momentos, diferentes desafios

A carreira médica não é homogênea. Existe um espectro muito claro de trajetórias profissionais. Há o médico recém-formado, aquele que está nos primeiros cinco ou dez anos de atuação; os profissionais em fase intermediária, entre 10 e 25 anos de carreira; e aqueles que já alcançaram estabilidade ou caminham para uma desaceleração natural da atividade profissional, muitas vezes próximos da aposentadoria.

Os médicos em início de carreira são, sem dúvida, os mais vulneráveis. São eles que precisam ter maior cuidado com o futuro, não apenas no sentido técnico, mas também do ponto de vista financeiro e previdenciário. É nesse momento que se torna essencial compreender a importância de uma remuneração-base estável, que permita não apenas a subsistência, mas também a construção de reservas, investimentos e um projeto de aposentadoria digno. Preparar-se para o futuro não é uma opção, é uma necessidade.

Grande parte dos médicos, especialmente no início da carreira, não consegue ou simplesmente não tem condições de sustentar uma atividade plenamente autônoma. Diante disso, muitos acabam aceitando vínculos de trabalho precários, fora dos regimes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou das carreiras estatutárias.

É importante destacar que tanto a contratação CLT quanto a estatutária oferecem garantias fundamentais, como férias remuneradas, licenças, afastamento por doença, proteção previdenciária e maior previsibilidade de renda. Esses elementos não são privilégios, são condições mínimas para que o médico exerça sua profissão com tranquilidade e responsabilidade.

No entanto, o que se observa hoje é a imposição compulsória da pejotização. Médicos são obrigados a se constituir como pessoas jurídicas, perdendo direitos trabalhistas básicos e assumindo uma série de obrigações fiscais, contábeis e administrativas que não condizem com a realidade de quem está iniciando a carreira. Esse modelo aumenta a insegurança, dificulta o planejamento de vida e compromete, a longo prazo, a própria qualidade da assistência prestada.

Outro ponto central da gestão da carreira médica é a formação. O local onde o profissional se forma passa a ter peso crescente, especialmente diante da expansão acelerada dos cursos de Medicina. Hoje, cerca de 90% das escolas médicas em funcionamento no Brasil são privadas, o que implica altos custos de formação, frequentemente financiados por crédito público ou privado. Esse endividamento inicial pressiona o médico recém-formado a buscar rapidamente vínculos de trabalho que garantam renda, muitas vezes em condições desfavoráveis.

Além disso, é fundamental diferenciar a formação generalista da especializada. A especialização depende, majoritariamente, do acesso à Residência Médica, e esse acesso, hoje, infelizmente é limitado. Mais da metade dos profissionais que se formam não consegue acesso a uma residência, porque não há vagas suficientes para atender todo o volume que sai das universidades. Segundo o relatório Demografia Médica no Brasil 2025, da Associação Médica Brasileira (AMB), havia, em dezembro de 2024, pouco mais de 353 mil médicos especialistas, o que representa 59,1% do total de médicos. Os demais, 40,9%, atuavam como generalistas.

O mesmo relatório aponta que 63,7% dos títulos de especialista foram obtidos por meio de Residência Médica, enquanto 36,3% ocorreram via exames de título das sociedades médicas vinculadas à AMB. Isso evidencia o gargalo da falta de vagas que falei há pouco. Muitos acabam permanecendo por anos na atuação generalista, não por escolha, mas por falta de alternativa.

Nesse contexto, é importante apontarmos dados demográficos que ajudam a dimensionar o cenário. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o Brasil possuía, em 2024, quase 570 mil médicos ativos, o que corresponde a 2,81 médicos por 1.000 habitantes, a maior taxa já registrada no país. Esse crescimento é contínuo e tende a se intensificar nos próximos anos.

Pela primeira vez na história, as mulheres são maioria na Medicina brasileira, representando 50,9% dos médicos em 2025, com projeção de chegarem a 56% até 2035, de acordo com dados da A MB e do CFM. No ensino médico, essa tendência é ainda mais evidente, pois, em 2023, 61,8% das matrículas em Medicina eram de mulheres, contra 53,7% em 2010.

Apesar do crescimento, a distribuição geográfica e a qualidade da inserção profissional continuam desiguais. Há concentração de médicos em grandes centros, sobrecarga em determinadas regiões e vínculos cada vez mais frágeis, especialmente para os mais jovens.

Para finalizar, precisamos reforçar que, independentemente da fase da carreira, há princípios que devem ser permanentes. A construção de uma trajetória médica sólida passa, necessariamente, pela ética, pela ciência e pelo compromisso com a qualidade da assistência. Nenhum modelo de contrato, nenhuma estratégia de mercado e nenhuma conveniência momentânea podem se sobrepor a esses valores.

Planejar a carreira médica é, portanto, um ato de responsabilidade individual e coletiva. É compreender que decisões tomadas no início da vida profissional terão reflexos por décadas. É exigir vínculos justos, formação de qualidade, acesso à especialização e condições dignas de trabalho. E é, sobretudo, reconhecer que a Medicina não se sustenta apenas pela vocação, mas por estruturas que respeitem o médico e protejam o futuro da profissão.

Esse debate não é opcional. Ele é urgente e diz respeito a todos nós.

Artigo publicado no Portal da FMB.

SUS vacinará profissionais de saúde contra a Dengue em fevereiro

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou neste domingo (18) que cerca de 1,1 milhão de profissionais que atuam na atenção primária à saúde de todo o país poderão ser imunizados, a partir de 9 de fevereiro, com a vacina Butantan-DV, com tecnologia 100% nacional, desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante contra a arbovirose é o primeiro de dose única do mundo.

“São aqueles profissionais que atuam nas unidades básicas de saúde, que visitam as famílias, são os primeiros profissionais a receber quem tem sinal e sintoma de dengue”, anunciou o ministro da Saúde.

“Os primeiros cuidados são feitos pelos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, profissionais e equipes multifuncionais que estão cadastrados nas unidades básicas de saúde”, complementou.

O ministro explicou que a vacinação deste público será possível com a chegada de mais doses da Butantan-DV. O Instituto Butantan deve produzir e entregar até 31 de janeiro cerca de 1,1 milhão de doses adicionais desta vacina nacional contra a dengue, para garantir a imunização dos profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os anticorpos da Butantan-DV oferecem proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os estudos clínicos indicam eficácia global de 74% da vacina brasileira, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Produção de mais doses

O governo federal quer ampliar gradualmente a vacinação em dose única para todo o país, para pessoas de 15 a 59 anos, o que depende da disponibilidade de novas unidades da vacina Butantan-DV, que foram encomendadas no mês passado pelo Ministério da Saúde.

Para acelerar a fabricação em larga escala do imunizante, o ministro divulgou que o Instituto Butantan firmou uma parceria de transferência de tecnologia à empresa WuXi Vaccines, da China.

Com a parceria, a expectativa do Ministério da Saúde é que a produção chinesa da vacina com tecnologia brasileira seja ampliada em até 30 vezes.

“Eles [diretores da WuXi Vaccines] se comprometeram com um cronograma de produção e de entrega. Nossa expectativa é de termos, neste ano ainda, em torno de 25 a 30 milhões de doses [da vacina Butantan-DV]”, estimou o ministro da Saúde.

O titular da pasta prevê que à medida que cheguem as novas doses importadas, o próximo passo do governo brasileiro será realizar a vacinação nacional do público de 15 a 59 anos, começando pela população mais velha (59 anos) e avançando até o público mais jovem (15 anos).

“Na medida que a gente começa a ter uma grande produção, isso vai entrar no calendário oficial [de vacinação] de forma permanente”, projeta o ministro.

Para acompanhar a produção das doses da vacina desenvolvida pelo Butantã, em março deste ano, técnicos do Ministério da Saúde devem viajar à China. “A gente quer ver essas doses de vacinas o mais rápido possível aqui do Brasil”.

Alexandre Padilha explicou também que o Instituto Butantan já tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fazer a avaliação da vacina Butantan-DV no público com mais de 60 anos e já começou o recrutamento de voluntários deste público.

“Nós estamos otimistas que também seja uma vacina segura para quem tem mais de 60 anos de idade, o que vai ser muito importante para o combate à dengue”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

As informações são da Agência Brasil.

Veja dicas para se proteger da onda de calor extremo

A onda de calor que afeta diversos estados do país neste final de ano, em especial as regiões Sudeste e Centro-Oeste, traz riscos reais à saúde. O calor pode levar à falência térmica do corpo, com sintomas como confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40º C.

O risco de morte é maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão, além de Alzheimer e insuficiência renal. Para evitar que o corpo sofra com o calor, é necessário tomar alguns cuidados.

Confira algumas recomendações:

Reforce a hidratação. Beba mais água e evite bebidas alcoólicas. Em vez de aliviar o calor, o álcool acelera a desidratação;
use roupas com tecidos respiráveis. Roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação;
tenha cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor.

Cuidados em casa:

  • Sempre que possível, proteja a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as horas mais quentes e abra de noite para refrescar;
  • use ventiladores e aparelhos de ar condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para não causar choque térmico.

Fora de casa:

  • Antes de planejar suas atividades, procure saber quão quente e úmido será o dia;
  • não saia durante os horários mais quentes;
  • quando estiver ao livre, use protetor solar, chapéus e guarda-chuvas;
  • evite permanecer em ambientes fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais intenso do que ao ar livre.
  • saiba como obter ajuda, anote telefones e informações sobre o serviço de saúde ou de ambulância – para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ligue 192.

As informações são da Agência Brasil.

Sesa alerta para risco de acidentes com animais peçonhentos durante o verão

A adoção de medidas preventivas contra acidentes com animais peçonhentos pode salvar as férias e o descanso de paranaenses e turistas. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) alerta para o aumento de acidentes até março, período em que a combinação de meses mais quentes e úmidos, a reprodução desses animais e o aumento do fluxo de pessoas em regiões turísticas, de mata e litoral, contribui com uma alta significativa das ocorrências. O primeiro trimestre de 2025 registrou quase 3 mil acidentes notificados no pico desse período.

Os registros mais comuns em ambientes terrestres envolvem cobras, lagartas, abelhas, escorpiões e aranhas. Em locais de praia, o veranista deve estar atento a águas-vivas e caravelas. Para os banhistas e pescadores da Costa Oeste e Noroeste do Estado, o alerta é sobre o perigo de acidentes com arraias e bagres. Esses animais aquáticos possuem ferrões que podem perfurar a pele e, em casos mais graves, provocar necrose local e infecções.

Ao longo de 2025, a Sesa promoveu a capacitação específica para o manejo clínico adequado desses acidentes, treinando 700 profissionais de saúde, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos da Atenção Primária e dos serviços de urgência e emergência, bem como profissionais de vigilância em saúde.

“As ações, desde o alerta preventivo até a manutenção do Centro de Informação e Assistência Toxicológica e o treinamento das nossas equipes, garantem que o cidadão tenha o suporte necessário, contribuindo diretamente para a segurança e a sobrevida em casos de acidentes graves de modo rápido e seguro”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

PREVENÇÃO – Constantemente, a Sesa promove campanhas de conscientização da população. Em 2025, essa ação foi intensificada em Curitiba e no Norte Pioneiro, com foco especial no escorpião amarelo, que aparece bastante nessas localidades.

O QUE FAZER EM CASO DE ACIDENTE – A recomendação principal é procurar o atendimento médico mais próximo o quanto antes. Todos os serviços públicos de saúde estão preparados para a avaliação e tratamento das ocorrências, incluindo a aplicação de soroterapia quando necessária.

Para facilitar o diagnóstico e o tratamento, é fundamental que a vítima informe ao profissional de saúde o máximo de características do animal envolvido. Se possível, levar uma foto ou o próprio animal.

No entanto, como medida imediata, pode-se lavar o local da picada com água e sabão, retirar acessórios como anéis, pulseiras, relógios e calçados apertados em caso de acidentes nas extremidades e manter a parte afetada em posição elevada. No caso específico de águas-vivas e caravelas, não lavar o local com água doce. O ideal é aplicar vinagre, sem esfregar e compressas de gelo.

O cuidado com alguns detalhes é fundamental para evitar o contato com os animais:

  • Usar proteção para limpeza e atividades em trilhas.
  • Inspecionar roupas, calçados e roupas de cama antes do uso.
  • Evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas e lixo.
  • Afastar camas e berços das paredes e garantir que lençóis e cobertas não encostem no chão, impedindo que escorpiões e aranhas subam.
  • Não colocar as mãos em tocas, buracos ou sob rochas.
  • Evitar banhos em praias com ocorrências recentes de acidentes por águas-vivas e caravelas.
  • Caminhar com proteção nos pés em locais rochosos ou com pedras soltas.

 

Em caso de dúvidas e orientações, o contato pode ser pelos seguintes telefones:

  • CIATox Paraná: 08000 410148
  • CIATox Londrina: (43) 3371-2244
  • CIATox Maringá: (44) 3011-9127
  • CIATox Cascavel: (45) 3321-5261

 

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Sesa alerta para riscos de queimaduras com fogos e destaca o que fazer em casos de acidentes

As queimaduras, que somente de janeiro a outubro de 2025 levaram 8.344 pessoas aos serviços de atendimento ambulatorial e hospitalar, tornam-se ainda mais preocupantes entre os meses de dezembro e janeiro devido ao uso de fogos de artifícios durante os festejos. O alerta vale, também, para o aumento da exposição solar em praias e balneários durante as férias. A Secretaria da Saúde do Paraná orienta que os cuidados sejam redobrados neste período.

Todos os meses, em média, 834 pessoas dão entrada em ambulatórios e hospitais no Paraná por queimaduras. A conscientização e o alerta reforçam a necessidade de ações preventivas, uma vez que acidentes dessa natureza podem evoluir para quadros graves e até levar à morte, conforme a extensão e o grau da queimadura (1º, 2º ou 3º grau).

“É possível preservar as tradições, desde que a segurança esteja sempre em primeiro plano. Não podemos permitir que um momento de celebração se converta em risco à vida. Por isso, reforçamos orientações que fazem toda a diferença neste período”, destaca o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.

PREVENÇÃO – A capitã Luisiana Guimarães Cavalca, do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), orienta como proceder em caso de uma queimadura. Caso seja de primeiro grau, aquela que causa vermelhidão, a pessoa deve ficar atenta. “De imediato, assim que sofrer o acidente, é preciso colocar a parte queimada debaixo da água corrente fria, com jato suave, por aproximadamente dez minutos. Compressas úmidas e frias também são indicadas”, afirma.

Para a de segundo grau, que contém bolha, a orientação é não furar, sendo que o corpo reabsorverá o líquido gerado. Caso seja uma queimadura mais profunda, de 3º grau, em grandes extensões do corpo, por substâncias químicas ou eletricidade, a vítima necessita de cuidados médicos e de saúde urgentes acionando o número 193, do Siate, vinculado ao CBMPR, e também o 192, do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para pessoas vítimas de queimaduras. O Paraná tem 35 leitos disponíveis pelo SUS, sendo 23 cirúrgicos e 12 leitos UTI. O Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), do Hospital Universitário da Universidade de Londrina (UEL), e o Hospital Evangélico Mackenzie, em Curitiba, são referência nesse tipo de internação.

CASOS GRAVES – Os leitos especializados para queimados são voltados a casos graves, que exigem internação prolongada. Ainda assim, as pessoas vítimas de acidentes contam com uma ampla Rede Hospitalar e Assistencial, recebendo atendimento em diversas unidades de saúde distribuídas pelo Estado, com profissionais capacitados e equipamentos adequados para o tratamento dessa e de outras patologias.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que ocorram aproximadamente 11 milhões de casos de queimaduras que requerem atenção médica em todo o mundo a cada ano, cerca de 30 mil novos casos por dia. Em relação aos óbitos são mais de 180 mil anualmente.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Vacinação contra o HPV em jovens de 15 a 19 anos é prorrogada até junho de 2026

Os jovens de 15 a 19 anos que ainda não tomaram a vacina contra o HPV ganharam mais 6 meses para se imunizarem. O Ministério da Saúde prorrogou até o primeiro semestre de 2026 a estratégia de resgate vacinal (retomada da cobertura vacinal) para essa faixa etária.

O prazo para a imunização acabaria agora em dezembro. Segundo o Ministério da Saúde, a medida tem como objetivo reforçar a proteção desse público em todo o país.

A estratégia seguirá vigente até a próxima Campanha de Vacinação nas Escolas, permitindo que adolescentes e jovens que perderam a oportunidade de vacinar-se dos 9 aos 14 anos ainda possam garantir a imunização.

Meta

Segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é alcançar cerca de 7 milhões de jovens nessa faixa etária que ainda não foram vacinados contra o papilomavírus humano (HPV).

Até dezembro deste ano, a estratégia de resgate aplicou 208,7 mil doses da vacina, dos quais 91 mil em meninas e 117,7 mil em meninos. De acordo com o ministério, a ampliação do prazo possibilita que adolescentes e jovens garantam a proteção individual e contribuam para reduzir a circulação do vírus na população.

Onde se vacinar

A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pode ser encontrada:

  • nas Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • em ações externas, como vacinação em escolas, universidades, ginásios esportivos e shoppings.

 

As ações têm o apoio de estados e municípios para ampliar o alcance e facilitar o acesso do público-alvo.

A vacina é considerada segura e é fundamental na prevenção de diversos tipos de câncer associados ao HPV, como:

  • câncer do colo do útero;
  • câncer de vulva;
  • câncer de pênis;
  • câncer de garganta e pescoço.

 

A estratégia de resgate vale para todos os 5.569 municípios brasileiros e busca reduzir os impactos do vírus a longo prazo.

Esquema vacinal

A vacinação contra o HPV faz parte do calendário nacional de imunização para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Desde 2024, o Brasil passou a adotar o esquema de dose única, substituindo o modelo anterior de duas doses e facilitando o acesso à vacina.

Atenção a exceções

Para alguns grupos, o esquema continua sendo de três doses, como:

  • pessoas imunocomprometidas (vivendo com HIV/Aids, pacientes oncológicos e transplantados);
  • usuários de PrEP de 15 a 45 anos;
  • vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos.

 

Em caso de dúvida, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para avaliação e atualização da carteira de vacinação.

As informações são da Agência Brasil.

Bom Natal e Feliz 2026 para todos nós!

Estamos chegando ao fim de mais um ano e não podemos deixar de celebrar a união e a força da Medicina no Paraná.

Em 2025, o Simepar esteve presente na defesa da valorização profissional, de condições justas de trabalho, remuneração digna e do exercício ético da profissão. Para o próximo ano, reafirmamos nosso compromisso de continuar neste caminho, sempre buscando avanços para a nossa categoria.

Que o espírito natalino renove a esperança e fortaleça nossa caminhada conjunta. Desejamos um Natal de luz e um 2026 com saúde, união e novas conquistas.

Assessorias jurídicas do CRM-PR, Simepar, FASP e Prefeitura de Paranaguá se reúnem para definir futuro dos médicos concursados da Fundação

Em 19 de dezembro de 2025, as assessorias jurídicas do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (SIMEPAR) foram até Paranaguá-PR reunirem-se com a Procuradoria-Geral do Município e com a Procuradoria da Fundação de Atenção em Saúde de Paranaguá (FASP).

A reunião ocorreu em continuação daquela ocorrida em 11 de dezembro, em que CRM e Simepar apontaram discordância em relação à pretensão da Prefeitura de extinguir a Fundação Municipal e demitir os quase 30 médicos concursados.

Por tratar-se de questão com reflexos jurídicos, em que se questiona a ilegalidade na conduta da Administração Municipal de Paranaguá, por ofensa à regra do concurso público e por descumprir acordo judicial realizado perante à Justiça do Trabalho, o tema foi tratado, desta vez, com o Dr. Thiago Leal, Procurador-Geral do Município.

Foi esclarecido durante a reunião que a Fundação Pública tem conseguido contratar via concurso público, tanto que possui médicos concursados em regime celetista no seu quadro, não sendo necessária a terceirização. As entidades médicas reforçaram que a terceirização é medida excepcional.

Após exposição dos argumentos e dos pedidos das entidades médicas para que haja manutenção dos contratos de trabalho, em homenagem, inclusive, a acordo existente perante a Justiça do Trabalho, a Procuradoria do Município disse que analisaria a questão e daria um retorno no início do mês de janeiro de 2026.

Saúde alerta: Leptospirose é doença grave e risco aumenta após chuvas

A leptospirose é uma zoonose bacteriana grave muitas vezes negligenciada, que representa um risco significativo para a saúde pública, especialmente em áreas urbanas suscetíveis a inundações. Com a chegada do período chuvoso, que no Paraná vai de novembro a março, vale o alerta em relação a possibilidade de contaminação.

Causada pela bactéria Leptospira, essa doença tem uma ligação direta com o transmissor mais comum: o rato. De janeiro a novembro de 2025, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registrou 18 mortes por leptospirose. Ao todo, foram 1.557 notificações da doença, sendo que 247 foram confirmados; 103 estão sendo investigados; 42 tiveram resultados inconclusivos e 1.165 foram descartados.

“É uma doença que pode matar. Os primeiros sintomas começam de forma repentina e são semelhantes a uma gripe. É necessário ter cuidado e seguir as recomendações, principalmente em caso de inundações, que é quando ocorre o maior risco”, explicou o secretário estadual da Saúde, Beto Preto. “No verão, período de chuvas frequentes, é importante se manter alerta”, observou.

A Região Metropolitana de Curitiba concentra a maioria das notificações. Na área de atuação da 2ª Regional de Saúde, foram 869 registros, com 127 confirmações e 12 óbitos (Curitiba 7; Colombo 3; São José dos Pinhais 2). Na 1ª Regional de Saúde de Paranaguá, foram 73 notificações, 9 confirmações e 2 mortes (Paranaguá 1 e Guaraqueçaba 1).

A 3ª Regional de Saúde, de Ponta Grossa, teve 79 notificações, com 19 casos confirmados e 1 morte em Castro. Na área de atuação da 15ª Regional de Saúde de Maringá, foram 31 notificações, 5 confirmações e 1 óbito em Sarandi. E, na 21ª Regional de Saúde, de Telêmaco Borba, foram 9 notificações, 4 confirmações e 2 óbitos, ambos em Reserva.

CONTAMINAÇÃO E SINTOMAS – A principal via de contaminação ocorre por meio da pele lesionada, mesmo que sejam pequenos cortes ou arranhões, e mucosa (olhos, nariz e boca), quando as pessoas entram em contato com água ou lama contaminadas pela urina de animais infectados.

Em cenários de enchentes e alagamentos, o perigo é amplificado. As inundações arrastam o lixo e a sujeira que acabam se misturando com a urina de roedores que vivem em esgotos e bueiros. Para quem precisa caminhar ou intervir nessas águas, o risco de infecção é altíssimo, uma vez que a bactéria consegue sobreviver por longos períodos em ambientes úmidos e alagados.

Os sintomas da leptospirose geralmente aparecem de 7 a 14 dias após a exposição. O grande perigo é que, na fase inicial, a doença pode ser confundida com uma gripe comum, dificultando o diagnóstico precoce.

Na fase inicial, os sintomas são febre alta de início súbito, dor de cabeça intensa, dores musculares, sobretudo na panturrilha (batata da perna), falta de apetite e náuseas.

Se não tratada, a doença pode evoluir para formas mais graves, afetando órgãos vitais; icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos); insuficiência renal, levando a necessidade de diálise; e hemorragias, com sangramentos pulmonares ou em outras partes do corpo.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO – Evitar áreas alagadas em caso de enchentes é a principal forma de prevenção. Se o contato for inevitável, como em trabalhos de resgate ou limpeza pós-inundação, é fundamental o uso de proteção, com botas e luvas de borracha. Após o contato com água de enchente, é importante lavar bem as mãos e o corpo com água limpa e sabão.

Para limpar áreas contaminadas por inundações, a indicação é usar uma solução de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) na proporção de 1 litro para cada 4 litros de água.

Controlar a proliferação de roedores também é importante. É necessário manter o lixo em recipientes fechados, devidamente embalados e descartados em local correto; armazenar alimentos em recipientes fechados e, em locais de alto risco, realizar periodicamente a desratização com empresa especializada.

Caso ocorra a exposição a águas de enchente ou áreas de risco e existir a presença de sintomas iniciais (febre, dor no corpo e, principalmente, dor na panturrilha), é fundamental procurar atendimento médico imediatamente. O tratamento é baseado no uso de antibióticos. A hidratação e o suporte renal são essenciais para os casos mais graves.

A leptospirose é curável, mas a demora no diagnóstico pode ser fatal. Com isso, a conscientização sobre o perigo, especialmente após as chuvas, é vital para salvar vidas.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Calor pode aumentar risco de casos de AVC, alerta Médico

Casos de acidente vascular cerebral (AVC) tendem a aumentar no verão, disse à Agência Brasil o neurocirurgião e neurorradiologista intervencionista do Hospital Quali Ipanema, no Rio de Janeiro, Orlando Maia.

Segundo o médico, uma série de fatores predispõem o ser humano nessa época do ano ao AVC. Um dos principais é o próprio calor que gera uma desidratação natural das células que, por sua vez, causam um aumento da possibilidade de coagulação do sangue. “E isso tem um maior potencial de gerar AVC, porque o AVC está ligado a coágulo”, disse o médico.

Existem dois tipos de AVC. Um é o AVC hemorrágico, que é o rompimento de um vaso cerebral e representa a minoria dos casos, em torno de 20%. O outro tipo, que domina o número de casos, é o AVC isquêmico, causado pela formação de um coágulo e entupimento de um vaso. Orlando Maia explicou que, como o sangue fica mais espesso, mais concentrado devido à desidratação, isso favorece a trombose, que é a formação de um coágulo e, por isso, tem maior predisposição ao AVC.

Pressão arterial

Há outras causas que seriam relacionadas à pressão arterial. “A nossa pressão arterial no verão tem uma tendência, pelo calor, a diminuir por conta da vasodilatação. Ou seja, nossos vasos, para poder compensar o calor, se dilatam. E essa dilatação causa uma diminuição da pressão, o que favorece também a formação de coágulo e de uma outra situação cardiológica, chamada arritmia. É o coração batendo fora do ritmo”, explica o médico.

Quando isso acontece, favorece também no coração a formação de um coágulo que, entrando dentro da circulação sanguínea, tem grande predisposição de ir ao cérebro porque 30% de todo o sangue que sai do coração vão para o cérebro.

Uma outra causa do AVC, também comum no verão, é que as pessoas se cuidam menos por conta das férias, o que promove um aumento do consumo de bebida alcoólica, que, por sua vez, amplia a desidratação.

Orlando Maia afirmou que a bebida alcoólica também aumenta a possibilidade de arritmia. A negligência pode levar ainda a pessoa a esquecer de tomar remédio, o que contribui para elevar o risco de um AVC.

Doenças típicas

A isso se somam as doenças típicas de verão, como gastroenterite relacionada ao calor, o que dá diarreia, insolação e esforço físico. “Tudo isso associado faz com que a pessoa tenha uma maior tendência a ter um AVC no verão”, enfatiza.

O neurocirurgião lembrou que o tabagismo também colabora para isso. “O tabagismo hoje é uma das maiores causas externas para AVC”. O fumo contribui para a formação de uma doença cerebrovascular chamada aneurisma, que está muito ligada à nicotina.

“A nicotina bloqueia uma proteína do nosso vaso chamado elastina, diminui a elasticidade do vaso, então pode favorecer ao AVC hemorrágico, como também causa um processo inflamatório no vaso em si, favorecendo a aderir as placas de colesterol a longo prazo e o entupimento dos vasos. Então, o tabaco é diretamente proporcional à situação tanto do AVC hemorrágico como do AVC isquêmico”, preconiza o médico.

Para o médico, o estilo de vida moderno – aliado ao tabagismo e a doenças crônicas não controladas – faz com que cada vez mais pessoas com menos de 45 anos desenvolvam a doença.

Nessa época de verão, o Hospital Quali Ipanema, por exemplo, atende cerca de 30 pacientes por mês, o dobro de épocas normais do ano. Maia diz que o AVC é uma doença muito comum.

“Se você pegar o AVC como uma doença isolada, esquecendo que há vários tipos de câncer que podem ser separados, a doença mais frequente na humanidade é o AVC. E uma em cada seis pessoas vai ter um AVC na vida”, salienta. O médico disse ser muito importante a pessoa averiguar na sua família, entre os amigos, quem teve AVC porque não são casos isolados.

Mortes

O AVC é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. “Quando não mata, deixa a pessoa incapaz. Eu digo que é uma doença que não é na pessoa, mas na família, porque pelo menos duas pessoas vão ter que se dedicar a cuidar daquele doente com AVC. Além da mortalidade, ela é uma doença extremamente desabilitadora. A pessoa fica sem andar direito, sem falar direito, sem condições de se alimentar sozinha. É uma doença extremamente crítica. Quando você vê uma pessoa andando com dificuldade é porque ela já teve uma sequela ou consequência de um AVC. Ficou paralisada de um lado ou sem conseguir falar direito, sem enxergar, se pegar a área da visão, porque o cérebro é um grande computador. Vai depender da área afetada pelo problema”, assegura o médico.

De acordo com Orlando Maia, a prevenção pode evitar um AVC. “É uma doença que a gente tem que gritar para todo mundo ouvir que há prevenção e tratamento. A prevenção [envolve] o hábito de vida saudável, prática de exercício físico regular pelo menos três vezes na semana, alimentação saudável, controle da pressão arterial, tomar os remédios direitinho e não fumar. E existe tratamento”.

No passado, como não havia tratamento, quando a pessoa chegava com AVC, não havia o que fazer, a não ser controlar a pressão. Hoje, há duas formas de tratamento e quanto mais rápido a pessoa chegar a um hospital, mais eficaz será o tratamento. O primeiro é a infusão de um remédio. “Você coloca um remédio na veia que dissolve o coágulo e, na maioria dos casos, o remédio resolve”, ensina.

Quando isso não acontece, ou em outros casos mais selecionados, Maia disse que os médicos entram com um cateter na virilha da pessoa e passam um desentupidor. Esse método retira aquele coágulo, por meio de uma aspiração dentro do vaso, liberando a circulação de volta. Com isso, a pessoa retorna ao normal.

Cateter

Orlando Maia esclarece, também, que o remédio tem uma característica: “só pode ser dado até quatro horas e meia desde o início dos sintomas. Já o cateter que aspira entra em um vaso na virilha, através de um aparelho e, em casos selecionados, pode ser usado até 24 horas a partir do início dos sintomas”. Ele frisou que quanto antes a pessoa tiver o sintoma e for a um hospital, melhor poderá ser o resultado.

Os sintomas indicando que uma pessoa está tendo ou vai ter um AVC incluem paralisia súbita de um membro ou dos dois membros de um lado, ou a fala fica enrolada, ou a pessoa perde a visão de um dos lados, ou tem uma tonteira extrema.

“Esses são os sintomas principais de uma pessoa que está tendo um AVC. Ela vai ter dificuldade de movimento, de fala, de visão ou uma perda súbita da consciência. É uma doença que acontece, na maioria das vezes, de uma hora para outra. Nessa situação, não tem que esperar nada. A pessoa tem que ser levada a um hospital porque é uma emergência médica”, finaliza o neurocirurgião.

As informações são da Agência Brasil.