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198 municípios do Paraná têm casos confirmados de dengue no primeiro boletim epidemiológico do ano

O primeiro boletim epidemiológico da dengue de 2023, divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) nesta terça-feira (10), revela que 198 municípios do Paraná já tiveram casos confirmados e 168 registraram autoctonia, quando a doença é contraída no município de residência.

De acordo com o Informe semanal nº 20, os dados acumulados de agosto de 2022 até 3 de janeiro deste ano registram 2.284 casos confirmados, 6.041 em investigação, 33.276 notificações e três óbitos.

Em comparação ao último boletim, publicado em 20 de dezembro do ano passado, houve um aumento de 18% nas notificações (4.997) e 14% de novos casos confirmados (282).

“Estamos atentos aos números registrados neste início de ano, acompanhando os 399 municípios paranaenses. Esperamos que nenhum outro óbito ocorra e que a população continue com todos os cuidados para que consigamos conter a doença”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

A transmissão da dengue acontece por meio da picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado com o vírus. Após a picada, os sintomas podem aparecer em até 15 dias.

Normalmente, a primeira manifestação da dengue é febre alta (39°C a 40°C), que dura de dois a sete dias, acompanhada de dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Podem ocorrer manchas que atingem a face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem acontecer.

O mosquito Aedes aegypti também é responsável por transmitir, além da dengue, a zika e a chikungunya. Durante este período não houve registro de casos de zika e foram confirmados três casos importados de febre chikungunya.

Confira o boletim completo AQUI.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Menos de 4% das crianças abaixo de 5 anos do Brasil foram imunizadas contra Covid-19

Até o início deste ano, apenas 3,9% das crianças brasileiras de até 5 anos – ou seja, 584.456 meninos e meninas – haviam completado o esquema vacinal primário de duas doses ou dose única contra a Covid-19, segundo a plataforma LocalizaSUS do Ministério da Saúde. Os dados são preocupantes e refletem o cenário de 2022, quando o país registrou uma morte por dia em crianças de seis meses a 5 anos em decorrência da doença.

A vacinação do público de 3 a 5 anos é aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde julho do ano passado com a CoronaVac, e crianças a partir de seis meses podem receber o imunizante da Pfizer desde setembro.

Em 2022, o Butantan entregou 12 milhões de doses da CoronaVac para a imunização de crianças e adolescentes, cumprindo o que foi encomendado pelo governo federal. A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, afirmou nesta sexta (6/1) que o estoque de imunizantes contra Covid-19 para crianças de até 5 anos está esgotado, e que o contrato com o instituto deve ser retomado em breve, segundo informações da Agência Brasil.

Uma das principais consequências da Covid-19 é a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Enquanto os casos de SRAG em crianças de até 5 anos subiram de 10.504 para 14.852 entre 2021 e 2022 (41,3%), o número de casos no público de 6 a 19 anos, que teve uma cobertura vacinal maior, caiu de 9.396 para 5.994 (36,2%). Cerca de 30 milhões de indivíduos de 5 a 19 anos foram completamente imunizados até o início deste ano, o equivalente a 68% dessa faixa etária.

Outra prova do impacto positivo da vacinação na população infantil está na queda de mortes: em 2021, foram 796 óbitos no público de 6 a 19 anos, e o número caiu para 330 em 2022 (uma redução de quase 60%). O total geral de mortes por SRAG no Brasil nos últimos dois anos teve uma queda expressiva de 84% (372.954 para 59.409), uma provável consequência da cobertura vacinal contra Covid-19 dos adultos.

De acordo com a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, a imunização é a principal arma para combater os casos graves e mortes de crianças pela Covid-19. Em entrevista ao Portal do Butantan, ela ressaltou que diversas evidências científicas mostram que a vacina pode prevenir sintomas graves e evitar, inclusive, casos de covid longa – condição na qual os sintomas persistem por até um ano.

Uma pesquisa conduzida no Chile durante o surto da variante ômicron do SARS-CoV-2 mostrou uma efetividade de 69% da CoronaVac contra internação de crianças de 3 a 5 anos. Dados de farmacovigilância do país andino apontam que a vacina foi a mais segura para as crianças e teve a menor taxa de eventos adversos registrada (10,67 notificações a cada 100 mil doses).

Apesar da média de óbitos diários por Covid-19 no Brasil apresentar estabilidade, a alta de casos observada nos últimos dois meses e atual média de 21 mil casos por dia deixam claro que o vírus continua sendo um problema de saúde pública e que, nesse cenário, os não vacinados são os que correm mais risco.

Crianças não vacinadas têm 10 vezes mais risco de ter inflamação grave

Além da SRAG, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) é outra complicação grave e letal da Covid-19 que acomete crianças e geralmente acontece de duas a seis semanas após a infecção. O público pediátrico não vacinado é o mais suscetível a desenvolver o problema, que atinge as vias respiratórias e os pulmões e pode causar distúrbios no coração, levando à morte.

Um estudo conduzido na França mostrou que entre os casos de SIM-P que ocorreram em crianças já elegíveis para vacinação, entre setembro e outubro de 2021, 78,7% foram em indivíduos não vacinados. Outra pesquisa feita na Dinamarca apontou que o risco de SIM-P entre crianças não imunizadas é 10 vezes maior do que naquelas que receberam a vacina.

Até o final de 2022, o Brasil registrou 1.970 casos confirmados de SIM-P e 135 óbitos, um aumento de 37% e 57% em relação a 2021. O maior número de notificações ocorreu em crianças de 1 a 4 anos (37,8%/n = 744), faixa etária que também carrega a maior porcentagem de óbitos (29,6%/n = 40). Quase 60% das crianças acometidas pela síndrome desde o início da pandemia precisaram ser internadas em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 20% necessitaram de suporte ventilatório invasivo.

As informações são do Portal do Instituto Butantan.

Com falta de imunizantes, Governo renegocia prazos de entrega de vacinas pediátricas

O Ministério da Saúde assinou esta semana um aditivo para a compra de mais 750 mil doses da vacina contra covid-19 Coronavac, produzida pelo Instituto Butatan. Um novo aditivo, segundo a pasta, deve ser assinado nos próximos dias, garantindo a compra de um total de 2,6 milhões de doses.

As primeiras doses, de acordo com o ministério, devem ser entregues na próxima semana e distribuídas aos estados para a vacinação de crianças de 3 a 11 anos. “A pasta segue em tratativas com os laboratórios para garantir mais imunizantes para o público infantil o mais breve possível”.

Doses pediátricas pendentes

Ontem (6), a secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, confirmou que o ministério está em tratativas com o laboratório fabricante para sanar o desabastecimento de vacinas pediátricas contra a covid-19. A prioridade da pasta, segundo ela, é normalizar o fluxo de distribuição e aumentar as coberturas vacinais.

“Recebemos o ministério com desabastecimento de vacinas infantis. Entramos em contato com a Pfizer e vamos resolver o problema da entrega até o fim de janeiro”, disse.

Dados do ministério mostram que há cerca de 3,2 milhões de doses para crianças de 6 meses a 4 anos pendentes de entrega. Quanto ao público de 5 a 11 anos, há previsão de pouco mais de 4 milhões de doses pendentes e que também terão prazo de entrega renegociado. O fornecimento para público acima de 12 anos está em dia.

Média móvel

Boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que o Brasil voltou a registrar queda na média móvel de casos e mortes por covid-19. Nesta sexta-feira, a variação de casos baixou em mais 39%, enquanto as mortes pela doença registraram queda de 7% na média móvel.

O cálculo é feito observando a variação percentual das médias móveis em um intervalo de 14 dias. Ou seja: a média móvel do dia 14 de cada mês, por exemplo, será comparada com a do dia 1º.

O boletim revela também queda nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) em praticamente todas as faixas etárias da população adulta.

Reforço

Balanço do ministério mostra que, até o momento, 79% da população brasileira recebeu a segunda dose ou a dose única da vacina contra a covid-19. Os percentuais de aplicação das chamadas doses de reforço, segundo a pasta, não estão em patamares satisfatórios, o que pode contribuir para eventuais novas ondas da doença.

“Estudos científicos comprovam que a proteção vacinal desenvolvida é mais alta nos primeiros meses, mas pode apresentar redução com o passar dos meses. Por isso, o reforço na imunização é imprescindível.”

As informações são da Agência Brasil.

Paraná se prepara para a aplicação da vacina bivalente contra a Covid-19

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registrou a participação de 835 profissionais de saúde dos 399 municípios paranaenses na capacitação para aplicação da vacina bivalente contra a Covid-19.

O treinamento foi promovido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em parceria com a farmacêutica Pfizer e realizado virtualmente na semana passada. Para abranger mais profissionais, a Sesa disponibilizou a capacitação para as 22 Regionais de Saúde, que posteriormente encaminharam para seus municípios de abrangência.

“Nosso objetivo é capacitar o maior número de profissionais para que, tão logo chegue essa vacina ao Paraná, as equipes municipais já possam iniciar a imunização. Essas orientações são fundamentais para garantir um melhor aproveitamento das doses e a aplicação correta dos imunizantes”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

A vacina bivalente da Pfizer possui uso emergencial aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde novembro e é considerada como uma proteção adicional no combate à Covid-19, principalmente da cepa Ômicron e suas subvariantes.

As principais características da nova vacina são: o imunizante já vem diluído, a tampa do frasco – com seis doses – é cinza; cada dose deve conter 0,3 ml e só pode ser utilizado como dose de reforço.

VACINAS BIVALENTES – As vacinas bivalentes protegem contra mais de uma versão de um vírus, de uma só vez. Neste caso da Pfizer, ela contém as cepas BA.1 e BA.4/BS.5, que são sublinhagens da variante Ômicron, predominante no mundo.

Segundo o Ministério da Saúde, a aplicação será realizada neste primeiro momento em grupos prioritários acima de 12 anos, que já completaram o esquema vacinal primário (primeira e segunda dose), desde que estejam aptas para receberem o imunizante dentro do período estipulado pelos fabricantes.

Os grupos prioritários incluem idosos acima de 60 anos; gestantes e puérperas; indígenas; ribeirinhos; pessoas residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs); quilombolas; trabalhadores de saúde; pessoas com imunodeficiência, comorbidades ou deficiência permanente acima de 12 anos.

“É importante ressaltar que a população que não se encaixa nessas categorias elencadas pelo PNI continuarão aptas para receberem as demais vacinas disponíveis, e, caso a disponibilidade do imunizante bivalente aumente e tenhamos um número considerável de vacinas, iremos expandir essa imunização para outros grupos”, afirmou Beto Preto.

NÚMEROS – De acordo com o último relatório de sequenciamento genômico de circulação do vírus Sars-CoV-2 da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro, enviado no início de dezembro, o Paraná já registrou 3,7 mil amostras sequenciadas, sendo 2,2 mil casos (59%) confirmados da variante Ômicron (66% só da sublinhagem BA.1), 642 da variante Delta, 620 da Gama, 11 da Alpha e 241 de variantes de interesse.

Atualmente, a análise epidemiológica da Sesa indica que todas as amostras enviadas para sequenciamento apresentam positividade para a variante Ômicron. “Essa predominância da Ômicron e suas sublinhagens reforça ainda mais a necessidade de vacinas atualizadas e a importância da adesão da população”, ressaltou o secretário.

As informações são da Agência Estadual de Notícias.

Vacinação e a melhor estratégia para evitar mortes e sequelas da Covid-19 em crianças

A vacinação se mostra a melhor estratégia para evitar mortes e sequelas em decorrência da Covid-19 em crianças, segundo especialistas. Baseados nos mais recentes estudos nacionais e internacionais, que apontam que o coronavírus já é a doença que mais vitima crianças no Brasil e que até mesmo bebês podem desenvolver a Covid longa, médicos afirmam que imunizar o público pediátrico pode ajudar a evitar quadros mais graves da doença e, consequentemente, sequelas nas crianças.

“A vacinação contra Covid-19 deve ser considerada a melhor estratégia para evitar a Covid longa em crianças, além de ser a principal arma contra casos graves e mortes por coronavírus entre elas, já que ainda se discute a possibilidade de tratamentos”, afirma a diretora médica do Instituto Butantan”, Fernanda Boulos.

Tal afirmação parte da análise de estudos sobre os efeitos da imunização e das sequelas pós-covid em crianças, explica Fernanda. Um deles foi publicado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Amazonas em julho deste ano. O estudo mostra um aumento no total de mortes de crianças por Covid-19 em dezembro de 2022 no país, principalmente entre as menores de cinco anos, até então sem acesso à vacinação contra o coronavírus.

Pelo menos uma criança entre 6 meses e 5 anos morre por dia de Covid-19 no Brasil, dado refletido nas 314 mortes notificadas nesta faixa etária entre os dias 1/1/22 e 11/12/22, segundo levantamento do Observa Infância, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso da CoronaVac, vacina contra Covid-19 do Butantan e da Sinovac, para crianças a partir dos 3 anos em 13/7. Antes disso, apenas crianças com 5 anos ou mais estavam elegíveis para receber as duas doses. E, mesmo assim, a adesão à vacinação deste público se mantém abaixo do esperado.

Vacina pode reduzir sintomas

Segundo os pesquisadores, foram observados padrões opostos na mortalidade por Covid-19 no Brasil entre crianças vacinadas e não vacinadas ou com o esquema vacinal incompleto. Os cientistas também perceberam que o impacto da mortalidade por Covid em crianças continuava aumentando no Brasil, principalmente entre as não vacinadas.

“Há evidências científicas que mostram que a vacinação pode prevenir sintomas graves e impedir que eles perdurem, o que poderia ter impacto nos casos de covid longa”, explica a gestora do Butantan.

Dados de uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais feita em conjunto com a Fiocruz Minas confirmaram a eficácia da vacinação na redução da infecção pelo SARS-CoV-2 e do risco de Covid longa. O estudo avaliou a resposta de anticorpos em indivíduos vacinados e não vacinados que testaram positivo para Covid-19. Dos 1.587 participantes, 247 (15,6%) haviam testado positivo para Covid-19 e desse montante, 136 (8,6%) foram diagnosticados com Covid longa. Contudo, após a vacinação, somente 75 (4,7% testaram positivo, dentre os quais apenas cinco desenvolveram Covid longa.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Covid longa ou condição pós-Covid-19 tem como definição sintomas persistentes ou transitórios após a infecção pelo SARS-CoV-2 por pelo menos dois meses, e que não podem ser explicados por um diagnóstico alternativo. Já se sugere que alguns sintomas podem durar pelo menos um ano.

Bebês também têm Covid longa

Opinião semelhante tem o pediatra e infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria. Segundo ele, ainda não se sabe quais crianças estariam mais suscetíveis à Covid longa, mas já se compreende que a vacinação diminui o risco de morte e das sequelas em adultos e que a lógica se aplica também nas demais faixas etárias.

“Nós ainda não conseguimos estabelecer quais são os grupos de risco para Covid longa em crianças. Se são meninos, meninas, quem têm doença crônica, quais idades seriam mais suscetíveis. Mas sabemos que a vacinação diminui o risco de Covid longa porque diminui os sintomas. Menor chance de desenvolver a doença, causa menor chance de complicações e de sintomas prolongados”, afirma ele.

O incentivo à vacinação de crianças pequenas ganhou mais um argumento após a publicação de um estudo feito com milhares de crianças na Dinamarca. A pesquisa da Universidade de Copenhagen destacou que crianças muito pequenas e até mesmo bebês podem desenvolver sequelas pós-Covid. Publicado na revista científica Child & Adolescent Health, da The Lancet, o estudo monitorou 44 mil crianças e adolescentes de zero a 14 anos, sendo que 11 mil que contraíram a doença e 33 mil eram controles, entre 20 de julho e 15 de setembro de 2021.

Segundo a pesquisa, 40% das crianças com menos de 3 anos continuaram a sofrer com sintomas dois meses após terem sido infectadas. Para bebês e crianças pequenas, os sintomas persistentes mais comuns após a Covid foram alterações de humor, erupções cutâneas e problemas estomacais.

Sem vacina e atendimento médico: maior risco de morte

No fim de julho, uma outra pesquisa da Fiocruz apontou que, entre 2020 e 2021, a Covid-19 matou três vezes mais crianças de 6 meses a 3 anos do que outras 14 doenças em uma década. Nestes dois anos, a Covid-19 matou ao menos 539 crianças desta faixa etária, enquanto 144 morreram entre 2012 e 2021 em decorrência de doenças como tuberculose, sarampo e meningite, entre outras, todas preveníveis com vacinas. “Estes são mais alguns dos fatores favoráveis à vacinação de crianças em todas as idades”, ressalta Renato.

Diagnóstico difícil pode subnotificar casos

Apesar da ciência já ter descoberto que as crianças podem desenvolver a Covid longa, fazer o diagnóstico ainda é um desafio: nem sempre a criança consegue verbalizar o que sente e os sintomas podem ser confundidos com outros problemas de saúde. Com isso, há possibilidade de haver uma subnotificação de casos de Covid longa em crianças, afirma Fernanda.

“O que se sabe é que não procede mais a justificativa de que a Covid não se agrava em crianças e por isso elas não precisam ser vacinadas, principalmente porque é mais difícil diagnosticar a Covid longa em crianças, o que pode significar que os casos estejam sendo subnotificados”, conclui a médica.

Outro fator ligado à taxa de mortalidade infantil por Covid no país é a falta de acesso à saúde, especialmente em relação às crianças não vacinadas que correm mais risco de ter agravamento da Covid-19, afirma Renato. Segundo o pediatra, a dificuldade de acesso ao atendimento médico pode ter relação com a mortalidade por Covid entre os menores de 5 anos no Brasil, segundo os dados do Observa Infância.

“O acesso ao serviço de saúde é o grande divisor de águas. Crianças sem esse acesso morrem mais do que qualquer indicador. Tem gente que fala que na Finlândia não vacinaram as crianças, mas lá morrem três crianças por ano, enquanto no Brasil foi mais de mil. A causa deste problema tem relação direta com a assistência ou mais exatamente com a falta de assistência”, conclui Renato.

Matéria do Portal do Instituto Butantan.

Identificado o primeiro caso da subvariante da Ômicron XBB.1.5 de Covid no Brasil

A rede de saúde integrada Dasa informou nesta quinta-feira (5) ter identificado o primeiro caso da subvariante da Ômicron XBB.1.5 no Brasil. O caso foi identificado em amostra de uma paciente de Indaiatuba, no interior de São Paulo. A amostra teria sido coletada em novembro do ano passado.

Segundo a Dasa, o caso já foi comunicado ao Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, e a amostra se encontra no Gisaid, o repositório mundial de sequenciamento.

Segundo a epidemiologista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, a subvariante XBB.1.5 é a versão mais transmissível da covid-19 identificada no mundo até agora.

A epidemiologista disse que a subvariante já foi identificada em 29 países e pode estar circulando em outros locais sem ter sido detectada. “Esperamos mais ondas de infecção em todo o mundo, mas isso não precisa se traduzir em mais ondas de morte porque nossas contramedidas continuam funcionando.”

Especialistas brasileiros têm demonstrado preocupação com a chegada dessa subvariante que, além de mais transmissível, parece também escapar parcialmente das defesas, embora, até este momento, não haja indicação de que provoque doença mais grave do que já é conhecido, até agora, das Ômicrons. Eles recomendam que a população continue a usar máscaras de proteção e complete o esquema vacinal contra a covid-19, que protege principalmente contra formas graves da doença.

A Agência Brasil procurou o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo para obter mais informações sobre a identificação deste caso em Indaiatuba, mas, até o momento, não obteve retorno.

As informações são da Agência Brasil com adendos.

Ministério da Saúde recomenda dose de reforço da vacina contra a covid a partir dos 5 anos

O Ministério da Saúde recomenda a aplicação de dose de reforço da vacina contra a covid-19 para crianças com idade entre 5 e 11 anos. Segundo a pasta, a orientação considera estudos científicos que apontam aumento da proteção com a dose complementar.

A nota técnica publicada nesta quarta-feira (4) define que o intervalo entre a segunda dose e a dose de reforço deve ser de, pelo menos, 4 meses. De acordo com a publicação, a imunização complementar, no caso de crianças que tomaram a primeira e a segunda dose da Pfizer ou da CoronaVac, deve ser feita com a vacina pediátrica da Pfizer.

“Para a análise da recomendação de dose de reforço para esse público, entre outros critérios, foi observado o aumento dos níveis de anticorpos depois da aplicação da dose complementar. No estudo clínico, as crianças avaliadas apresentaram aumento de seis vezes no número de anticorpos após a dose de reforço”, informou o ministério.

Em outra subanálise, segundo a pasta, o reforço da vacina da Pfizer se mostrou eficaz também contra a variante Ômicron, com aumento de 36 vezes na produção de anticorpos na faixa etária dos 5 aos 11 anos de idade.

“Esses resultados mostram a importância de completar o ciclo vacinal contra a covid-19, para garantir que os imunizantes atinjam a eficácia completa e protejam contra casos graves e mortes pela doença. Mesmo quem perdeu o prazo recomendado deve procurar um posto de vacinação”, reforçou o ministério.

A pasta também recomenda a administração simultânea de vacinas contra a covid-19 com outros imunizantes do calendário vacinal infantil.

As informações são da Agência Brasil

Pesquisa mapeia causas de internações por diarreia infantil

Apesar da disponibilidade de vacina, os rotavírus ainda são responsáveis pela maior parte dos casos graves de diarreia em crianças menores de cinco anos em países de baixa e média renda, provocando mais de 200 mil óbitos por ano. É o que aponta um amplo estudo realizado pela Rede Global de Vigilância da Diarreia Pediátrica, coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e com participação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Publicada na revista científica BMJ Global Health, a pesquisa apresenta dados do monitoramento realizado entre 2017 e 2019 em hospitais sentinelas de 28 países, abrangendo as regiões das Américas, África, Europa, Ásia e Oceania. Os resultados do trabalho reforçam a importância da imunização. Considerando o conjunto dos países, o rotavírus foi responsável por 33% das internações. Porém, o impacto do patógeno caiu pela metade nos locais com oferta da imunização.

“Esse resultado deixa claro o impacto positivo da vacina contra os rotavírus e a necessidade de fortalecer e expandir essa imunização. A OMS recomenda que todos os países ofereçam o imunizante, no entanto, menos da metade das crianças nascidas em 2018 foram vacinadas”, ressalta o virologista José Paulo Gagliardi Leite, pesquisador do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz e um dos autores do estudo.

Além dos rotavírus, a pesquisa identificou outros patógenos causadores de parcela expressiva das hospitalizações infantis: a bactéria Shigella (responsável por 10% dos casos), os norovírus (detectado em 6,5% dos casos) e os adenovírus (confirmado em 5,5% dos casos).

A partir dos dados coletados, os pesquisadores estimaram o número de mortes de crianças menores de 5 anos provocadas anualmente por cada um dos microrganismos em países de baixa e média renda: 208 mil pelos rotavírus; 63 mil pela Shigella; 37 mil pelos adenovírus; e 36 mil pelos norovírus.

“A diarreia é uma das cinco principais causas de morte de crianças menores de cinco anos no mundo. São mais de mil óbitos por dia. Conhecer os microrganismos que provocam a doença é importante para traçar estratégias de prevenção e controle mais efetivas”, afirma o virologista Tulio Fumian, também pesquisador do Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz e um dos autores do trabalho.

“Pensando em novas vacinas, já existem estudos em andamento para desenvolver imunizantes contra Shigella e norovírus. A partir dos dados, vemos que os adenovírus também podem ser considerados nessas iniciativas”, acrescenta José Paulo.

Situação nas Américas

O continente americano foi a única região pesquisada onde o rotavírus não foi a principal causa das internações. Na América do Sul, a maior parte das hospitalizações foi devida ao norovírus. Já na América Central, a bactéria Shigella foi mais prevalente.

O estudo destaca que os seis países da região com hospitais sentinela incluídos na pesquisa (Honduras, Nicarágua, Bolívia, Equador, Peru e Paraguai) oferecem a vacina para os rotavírus em seus programas nacionais de imunização desde 2010.

Segundo os pesquisadores, os dados observados na pesquisa são compatíveis com as análises realizadas no Brasil pelo Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz, que atua como centro de referência regional para rotaviroses para o Ministério da Saúde e para a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), recebendo cerca de mil amostras por ano de 11 estados do Sul, Sudeste e Nordeste do país, além de amostras de países da América Latina (Bolívia, Equador, Paraguai e Peru).

“Como referência, analisamos não apenas os casos graves, que demandam internação, mas também ocorrências ambulatoriais, principalmente em situações de surto. No Brasil, em nossos últimos trabalhos, detectamos aproximadamente o dobro de infecções por norovírus em comparação com os rotavírus”, esclarece Tulio.

O pesquisador faz uma alerta: é preciso elevar a cobertura vacinal no país. “Nas análises de 2022, observamos aumento de infecções por rotavírus. Além disso, como o país apresentou baixa cobertura vacinal em 2020 e 2021, é primordial reverter essa queda”, aponta o pesquisador.

Introduzida no Programa Nacional de Imunização (PNI) em março de 2006, a vacina para rotavírus é administrada por via oral, aos 2 e 4 meses de vida, para proteger contra gastroenterite aguda causada pelo patógeno. Em 2015, o índice vacinal alcançou 95% das crianças com menos de um ano. No entanto, começou a declinar a partir de 2016 e a situação se agravou durante a pandemia de Covid-19. Em 2021, apenas 71% dos pequenos foram imunizados. “Em geral, as coberturas são mais baixas nas regiões Norte e Nordeste”, salienta José Paulo.

Além da vacinação, os pesquisadores destacam outras medidas importantes para prevenir os casos de diarreia. “O saneamento é fundamental e tem grande impacto nos casos de diarreia bacteriana. Em relação aos rotavirus, norovirus e adenovirus, devido as suas características biológicas, podem permanecer infecciosos durante longos períodos no ambiente. A higiene das mãos, a limpeza e desinfecção dos locais onde pode haver contaminação por fezes e vômito é muito importante. As crianças com diarreia também devem ser afastadas da creche, para prevenir a ocorrência de surtos”, enumera Leite.

Perspectiva de monitoramento em tempo real

Com financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates e da Aliança Global de Vacinas (Gavi, na sigla em inglês), a Rede Global de Vigilância da Diarreia Pediátrica vem realizando desde 2017 o monitoramento permanente das internações de crianças menores de cinco anos por diarreia nos 33 hospitais sentinelas estabelecidos.

No mapa, os países com hospitais sentinela incluídos na pesquisa, nas diferentes regiões. Os gráficos mostram os percentuais de casos atribuído a cada um dos patógenos. Fonte: artigo ‘Aetiology and incidence of diarrhoea requiring hospitalisation in children under 5 years of age in 28 low-income and middle-income countries: findings from the Global Pediatric Diarrhea Surveillance network’

Amostras selecionadas para análise são enviadas para um dos oito Laboratórios Regionais de Referência para Rotavírus da OMS, dentre eles, o Laboratório de Virologia Comparada e Ambiental do IOC/Fiocruz. A identificação dos patógenos é realizada através de análise genética, pela metodologia de PCR em tempo real.

“O teste permite identificar 16 patógenos simultaneamente, entre bactérias, parasitas e vírus, que são causadores de diarreia aguda. Também detecta subtipos dos microrganismos, como diferentes espécies de bactérias ou genótipos virais, com um total de 73 variações”, explica a bióloga Irene Araújo Maciel, tecnologista responsável pelas análises do projeto no Laboratório do IOC/Fiocruz. Os resultados obtidos são enviados para a Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, onde o teste (chamado de ‘Tac Array Card’) foi desenvolvido e onde os cientistas realizam as análises estatísticas do estudo.

A publicação dos primeiros resultados da pesquisa foi atrasada pela pandemia de Covid-19, uma vez que os centros de saúde e laboratórios precisaram dedicar esforços ao enfrentamento do Sars-CoV-2. Atualmente, os cientistas analisam as amostras referentes a 2020, mas o objetivo é realizar análises em tempo real nos próximos anos. “Nesse momento, ainda temos o reflexo da pandemia. Mas, num futuro próximo, esperamos fazer um diagnóstico em tempo real. Isso vai permitir uma visão panorâmica e geográfica da disseminação dos microrganismos nos cinco continentes, para acompanhar surtos e comparar o que ocorrer nas diferentes regiões”, afirma José Paulo.

Rotavirose

De acordo com o Ministério da Saúde, a forma clássica da rotavirose, principalmente na faixa de seis meses a dois anos, é caracterizada por uma forma abrupta de vômito, na maioria das vezes há diarreia e a presença de febre alta. Podem ocorrer formas leves nos adultos e formas que não apresentam sintomas em recém-nascidos e durante os quatro primeiros meses de vida.

Os rotavírus são transmitidos pelo contato fecal-oral (fezes-boca), por contato pessoa a pessoa, através de água, alimentos e objetos contaminados. Há presença de alta concentração do vírus causador da doença nas fezes de crianças infectadas. Os vômitos também são responsáveis pela disseminação dos rotavírus e norovírus.

Integrante do calendário nacional de vacinação, a vacina contra rotavírus (VORH) é disponibilizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). É fundamental ser administrada aos 2 e 4 meses de vida dos bebês.

Também é preciso seguir cuidados básicos com higiene pessoal e doméstica, como lavar sempre as mãos antes e depois de utilizar o banheiro, trocar fraldas, manipular/preparar os alimentos, amamentar, manusear materiais/objetos sujos, tocar em animais, além de lavar e desinfetar as superfícies, utensílios e equipamentos usados na preparação de alimentos.

O Ministério da Saúde reforça que manter o aleitamento materno aumenta a resistência das crianças contra várias doenças, incluindo as diarreias, e por isso reforça a recomendação de evitar o desmame precoce.

Matéria da Agência Fiocruz de Notícias.

Quase 69 milhões de pessoas estão em atraso no reforço da vacina contra a Covid-19

De acordo com dados da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), cerca de 69 milhões de brasileiros ainda não receberam a dose de reforço contra a Covid-19. Além disso, mais de 30 milhões de pessoas não compareceram aos postos de vacinação para receber a segunda dose de reforço. Até agora, 19 milhões de pessoas também não buscaram a segunda dose do esquema vacinal primário.

“Reitero o pedido para que os brasileiros completem o esquema vacinal. Os imunizantes são seguros, eficazes e evitam complicações e mortes ocasionadas pelo coronavírus”, declarou a ministra da Saúde, Nísia Trindade, em seu primeiro discurso à frente da Pasta, nesta segunda-feira (2).

Estudos científicos revelam que a proteção vacinal desenvolvida é mais alta nos primeiros meses, mas pode apresentar redução. Com a dose de reforço, a proteção contra o vírus volta a ficar elevada. Por isso, a proteção adicional é indispensável.

Neste cenário, o Ministério da Saúde ressalta que é fundamental buscar uma unidade de saúde mais próxima para atualizar a caderneta de vacinação contra a Covid-19 e outras doenças.

Cobertura vacinal

Até o momento, 163 milhões de pessoas tomaram a segunda dose ou dose única da vacina, o que representa 79% da população. Quanto à primeira dose de reforço, 102,5 milhões foram aplicadas. A segunda dose de reforço – ou dose adicional – soma 45,2 milhões de aplicações.

As informações são do Ministério da Saúde.

Dirigente do Simepar alerta para riscos da terceirização na Saúde Pública

Relato do Dr. Luiz Henrique Madalosso, Diretor Adjunto do Simepar, sobre sua experiência trabalhando como terceirizado, tendo sido forçado a participar da sociedade da empresa terceirizadora.

A terceirização da mão de obra de médicos e médicas, e dos serviços de saúde pública em geral, é prejudicial para a população, para os profissionais da saúde e da medicina, além de trazer sérios prejuízos para os cofres públicos.

Muitos gestores públicos lançam mão da terceirização sob a alegação de que a contratação de servidores públicos é cara e cheia de burocracia, entre outros argumentos. Mas a verdade é que a terceirização abre as portas para a corrupção, além de submeter os profissionais a relações de trabalho precarizadas.

O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) vem combatendo a terceirização da mão de obra de médicos/as há décadas e tem alcançado importantes vitórias nesse campo.

Além de combater a terceirização e a sonegação dos direitos dos profissionais, o Simepar vem debatendo alternativas seguras e viáveis com os municípios que encontram dificuldades para a contratação de médicos/as pelo Regime Jurídico Único dos Servidores.

O Simepar já se deparou em diversas situações em que os médicos e médicas têm seus salários atrasados, como aconteceu recentemente com os médicos/as da Unidade de Pronto Atendimento do CIC, em Curitiba. Somam-se a isso as contratações precarizadas, sem respeito aos direitos trabalhistas, deixando os profissionais sem receber as verbas rescisórias ao final dos contratos.

Nesse contexto de precarização das relações de trabalho encontramos a “pejotização”, que é quando os médicos constituem uma empresa e passam a “prestar serviços” como Pessoa Jurídica. Mesmo parecendo vantajosa financeiramente, essa forma de contratação deixa os trabalhadores desamparados de seus direitos, sem qualquer segurança para o caso de doença ou qualquer motivo que os afaste do trabalho.

Essa forma de contratação está presente não só na saúde pública terceirizada, mas também em muitos hospitais privados e traz muitos riscos para os profissionais da medicina. Vale citar o risco de ser enquadrado na legislação tributária, tendo que responder por sonegação de impostos e contribuições.

Mas, uma das piores situações já vivenciadas por médicos/as é quando a contratante exige que o/a profissional se torne sócio para efetivar a sua contratação. Foi o que aconteceu na terceirização no caso da UPA CIC em Curitiba. Essa “arapuca” faz com que o/a trabalhador/a responda juridicamente em conjunto com seus empregadores. Qualquer irregularidade ou ilegalidade cometida pela empresa ou Organização Social (OS) terceirizada será de responsabilidade do profissional médico, impedindo-o inclusive de acionar seus “patrões” na Justiça.

Por tudo isso, o Simepar alerta os médicos e médicos para que prefiram sempre os contratos de trabalho legais, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho ou pelo Regime Jurídico Único.

Em caso de dúvida, recomenda-se que os médicos procurem o Departamento Jurídico do Simepar pelo E-mail juridico@simepar.com.br.